Introdução
Povos de todo o planeta possuem mitos e lendas que, não só explicam o mundo à sua volta, mas compõem uma parte importante de sua identidade. Segundo a Carta do Folclore Brasileiro (1951), o folclore (do inglês folk ‘povo, nação, raça’ + lore ‘ato de ensinar’), ” é o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. Ressaltamos que entendemos folclore e cultura popular como equivalentes, em sintonia com o que preconiza a UNESCO“.
Ao contrário do que imaginamos, seres folclóricos são, muitas vezes, tidos como seres reais, que fazem parte da natureza tanto quanto os animais e plantas. Bestiários medievais listavam criaturas como unicórnios e leões de forma equivalente, como sendo simplesmente organismos que compõem a biosfera à nossa volta. Entretanto, mais do que apenas imaginação, muitos organismos mitológicos se originam a partir de seres reais.

Ao se depararem com ossadas de dinossauros, por exemplo, povos do passado cunhavam explicações, que variavam de gigantes a dragões. Hoje, acredita-se que o encontro de fósseis do dinossauro Protoceratops na Mongólia, dinossauro quadrúpede com um bico e que frequentemente era preservado junto de seus ovos, tenha gerado as lendas dos grifos, seres metade leão, metade águia, que protegiam seus ovos e tesouros a todo custo. Por outro lado, a descoberta de crânios de elefantes-anões em ilhas do Mediterrâneo, sobretudo em Creta, deve ter sido a origem para os mitos do famoso Ciclope, com seu único olho, sendo, na verdade, o ponto de inserção da tromba nos elefantes vivos.



A chamada “racionalização de lendas” é a tentativa de explicar mitos e criaturas folclóricas de forma plausível, buscando uma resposta existente para sua origem. Por vezes científicas, são também frequentemente utilizadas na criptozoologia, uma teoria pseudo-científica que aponta a existência de organimos hipotéticos e lendários (como o pé-grande e o monstro-do-lago-Ness), bem como a ideia de que muitos organismos extintos permanecem vivos nos dias de hoje.
Mesmo assim, mais comumente do que se parece, algumas lendas são memórias culturais de animais reais, que permaneceram na tradição oral de comunidades do mundo inteiro, muito após a extinção desses organismos. Conheça 7 lendas pelo mundo que, provavelmente, são muito mais reais do que você imagina!
Madagascar
Madagascar é a quarta maior ilha do planeta, situada no Oceano Índico, separada do continete africano por cerca de 400 km. Devido a essa distância, foi uma das últimas grandes massas de terra do planeta a serem colonizadas por nossa espécie, há apenas 3 mil anos. Por esse motivo, as extinções de grandes animais causadas por nossa espécie nesse local ocorreram há muito menos tempo que na maioria do planeta, o que resultou em inúmeros casos de lendas inspiradas em organismos que existiram em um passado recente. Todas as lendas, como as do Tretretretre, Kidoky, Tokandia, Habéby, Mangarsahoc, Kalanoro, Kisuala e Kilopilopitsofy, podem representar memórias antigas de extinções recentes.

1. Roc – Ave-elefante (Aepyornithidae) e águia-coroada-de-madagascar (Stephanoaetus mahery)
O roc ou roca (rukh) é a lenda de uma águia gigante difundida pelo Oceano Índico, sobretudo no Oriente Médio. Ele é mencionado nos contos de Mil e Uma Noites, mas ganhou popularidade no Ocidente após ser supostamente avistado por Marco Polo, explorador italiano que se aventurou nas águas próximas a Madagascar em 1298, onde, supostamente, viu uma águia voando sobre seu barco, grande o bastante para comer um elefante. Outros navegadores da época, ainda, afirmavam que o Roc colocava ovos gigantes, muito maiores que qualquer ovo de uma ave moderna.


Acredita-se hoje que a lenda do Roc pode ter se originado através do avistamento de duas diferentes aves de Madagascar, provavelmente ainda viventes na época, porém atualmente extintas. A primeira, a águia-coroada-de-madagascar (Stephanoaetus mahery), uma ave de mais de 2 metros de envergadura que vivia na ilha e predava lêmures-gigantes (também atualmente extintos). Essa águia provavelmente desapareceu por volta do ano de 1500 e pode ter sido avistada pelos exploradores. Era uma parente próxima da águia-coroada-africana (Stephanoaetus coronatus), espécie que raramente caça crianças humanas.


Outras aves foram responsáveis pela descrição exagerada do tamanho da águia. Madagascar contava também com aves de uma família atualmente extinta, denominada Aepyornithidae. Elas eram as maiores aves que já pisaram no planeta, algumas com mais de 3 metros e ultrapassando 732 kg. Embora dados moleculares apontem sua extinção por volta do ano de 1200, o explorador francês Flacourt (que vamos mencionar novamente mais à frente), escreveu em 1659 sobre o “vouropatra“, uma ave gigante semelhante ao avestruz que colocava ovos gigantes, o que indica que a ave pode ter sobrevivido até mais recentemente ou, no mínimo, pode confirmar a memória coletiva dos povos da região sobre essas aves.

Ovos gigantes foram avistados por inúmeros exploradores que passavam pela região, o que reforçava a imagem da existência do Roc. Devido à sua extinção ser tão recente, ovos intactos dessas aves podem ser encontrados até hoje. Com um volume correspondente a 7 ovos de avestruz ou 180 ovos de galinha, não é de se surpreender que os navegantes imaginavam que essa ave poderia comer elefantes, o que confere o nome popular das aves Aepyornithidae (Aepyornis, Mullerornis e Vorombe) de “ave-elefante”.

2. Tretretretre – Lêmure-gigante (Megaladapis edwardsi / Palaeopropithecus sp..)
Durante a invasão francesa de Madagascar, Étienne de Flacourt foi nomeado governador do território, onde chegou em 1648. Durante sua estadia, descrescreveu inúmeros animais estranhos, muitos totalmente desconhecidos pela ciência moderna. Um deles, denominado Tretretretre, era tido como uma lenda local até muito pouco tempo atrás.

Em seu livro Historie de la grande isle Madagascar (1658), ele menciona ter avistado perto do lago Lipomani, “um animal do tamanho de um bezerro de dois anos de idade, com uma cabeça redonda e uma face de homem, pelo um pouco crespo, um rabo curto, orelhas de homem, e mãos e pés parecidos com os de macacos”. Muitos anos depois, fósseis de lêmures-gigantes foram encontrados na ilha, alguns com rosto bem achatado como nos humanos (como os dos Palaeopropithecus, descobertos em 1899) e outros com tamanho similar a bezerros (Megaladapis ), encontrados em 1894.


Embora as datações de suas extinções sejam aproximadamente de 1300-1600, é provável que alguns indivíduos tivessem sobrevivido até a época de Flacourt.
3 – Kisuala – Pachylemur sp. ou Varecia rubra
O Kisuala é descrito como um grande lêmure, que vive nas regiões mais isoladas da porção norte de Madagascar. É um predador vermelho, que grita ao atacar suas presas (animais pequenos) e que anda pulando no chão ou entre os galhos da floresta. O maior lêmure de Madagascar atual, o indri (Indri indri), não encaixa na descrição da criatura, tanto por sua cor, quanto pelo fato de que o Kisuala possui uma longa cauda, e o indri não.

Com a descoberta do lêmure extinto Pachylemur, em 1895, cientistas apontaram que o Kisuala poderia ser uma lembrança popular da espécie extinta há 500 anos, sobretudo devido à sua longa cauda e pelo seu tamanho. Entretanto, avistamentos do Kisuala ainda são supostamente frequentes nas regiões remotas de Madagascar, e alguns pesquisadores acreditam hoje que a lenda seja apenas relatos do avistamento do raro varecia-vermelho (Varecia rubra), nos quais as pessoas exageram seu tamanho.


4 – Kilopilopitsofy – Hipopótamos-de-Madagascar (Hippopotamus laloumena, H. lemerlei e H. madagascariensis)
Também chamado de mangarsahoc, tsy-aomby-aomby, omby-rano e laloumena, esse estranho animal é descrito como sendo grande, agressivo, com longas orelhas e desprovido de pelos. Normalmente noturno, vive em densas florestas, próximas de rios ou lagos, como contado por Flacourt. No século XIX, os primeiros hipopótamos fósseis foram descobrertos em Madagascar, solucionando o mistério por trás da lenda.


Entretanto, diversos avistamentos recentes continuavam a serem registrados e a população nativa das zonas rurais de Madagascar afirmavam que o Kilopilopitsofy ainda vagava pela região. Datações molecures indicavam que esses animais estavam extintos desde pelo menos 1.100, o que deixou os cientistas curiosos na década de 90.
Em 1902, um governador chamado Raybaud afirmou que esses organismos permaneceram vivos até, pelo menos, 1878. Em 1976, moradores de uma cidade rural afirmaram que um Kilopilopitsofy visitou o local durante a noite, assustando os moradores. Foi quando, em 2019, um crânio foi encontrado e posteriormente datado como sendo de ~1820, indicando uma extinção muito mais recente do que se pensava. Por isso, esses animais são classificados pela IUCN hoje como tendo sido extintos recentemente.

Austrália
A Austrália é um continente isolado, colonizado por nossa espécie quando ele ainda era totalmente conectado com a Nova Guiné por terra, entre 40 e 70 mil anos atrás. Com uma forte tradição oral e com uma cultura extremamente imagética, que produziu pinturas rupestres por todo o continente, povos originários locais permaneceream conhecendo organismos que seus ancestrais vivenciaram. Acredita-se que a Austrália perdeu mais de 90% de sua megafauna original devido à ação do fogo no continente.

5 – Serpente Arco-Íris – Wonambi sp.
Com mais de 20 nomes diferentes, a serpente arco-íris é uma entidade mitológica presente na cultura de dezenas de povos originários da Austrália. Descrita como uma serpente gigante colorida, está relacionada a mitos da criação do mundo, além de ser um organismo capaz de gerar vida, trazer chuvas ou destruir montanhas inteiras. Se rasteja por debaixo da terra, pode criar montanhas, assim como, se deitar por muito tempo no mesmo local, cria lagos e rios. Pinturas em pedras e petroglifos da serpente arco-íris mostram que o animal já era cultuado há pelo menos 6 mil anos, sobretudo nas regiões desérticas da Austrália.


Foi então que, em 1976, cientistas encontraram fósseis de uma serpente gigante nativa do continente australiano. Batizada de Wonambi (um dos nomes da serpente arco-íris), esse réptil podia ultrapassar os 9 metros de comprimento. Mais surpreendentemente, ela pertencia à família Madtsoiidae, uma família de cobras primitivas que foi extinta no resto do mundo há mais de 55 milhões de anos, mas sobreviveu na Austrália até após a chegada dos primeiros seres humanos.

Teoricamente extinta há 12 mil anos, inegavelmente conviveu com diversos povos originários da região. Vivendo associada a corpos d’água, provavelmente ficava menos ativa durante a época seca e reaparecia durante a época chuvosa, o que pode explicar os mitos da serpente arco-íris trazer a chuva. Grande o bastante para engolir um ser humano, era um animal temido, porém venerado de acordo com pinturas. Curiosamente, os registros fósseis mais recentes dessa serpente coincidem com a região com as pinturas mais antigas representando o animal outrora tido como apenas lendário.

Atualmente, acredita-se que o contato com artes representando uma serpente gigante, inicialmente sem nenhum significado religioso, pode ter gerado as lendas em questão.
Américas
As Américas, colonizadas pelo ser humano há pelo menos 30 mil anos, são o lar de inúmeras criaturas mitológicas. A grande extensão do continente e a inacessibilidade de muitas regiões, somadas com a enorme biodiversidade local, fizeram com que diversos organismos moldassem a imaginação dos habitantes da região, muitos deles tidos como apenas contos locais após a invasão europeia.
6 – Tatu-aruiap – Glyptodontidae
Tatu-aruiap é uma entidade da cultura Xingu, descrita como o pai de todos os tatus, bem maior que qualquer tatu vivente. Os Tehuelche da Argentina também possuem um conto similar sobre o ookempan, animal com uma carapaça que não pode ser ferido. O antropologista Dale A. Drinnon sugeriu que o ser folclórico possa ter sido inspirado no encontro com um glyptodonte (teoricamente extinto há mais de 8 mil anos) vivente, embora o autor seja famoso por teorias anticientíficas. Outra possibilidade é que, em determinado momento, as culturas Xingu e Tehuelche tenham entrado em contato com pinturas rupestres que mostravam esses animais ou, simplemente, que isso seja unicamente uma manifestação cultural, como veremos a seguir.



7 – Mapinguari – Preguiças-gigantes (Folivora)
O Mapinguari (Tupi-Guarani) é um dos exemplos mais famosos da possibilidade de seres folclóricos representarem encontros com organismos teoricamente extintos. Essa criatura gigante supostamente pode ser encontrada pela Amazônia e possui uma pelagem vermelha e, muitas vezes, é descrita como tendo uma boca gigante em sua barriga, que utiliza para predar aqueles que fazem mal para a floresta.

Diversas lendas de organismos similares existem entre comunidades originárias, dentre elas kida harara (Caritianas), succarath (Tehuelches), owhuama (Yanomamis), ujea (Shuar) e muitas outras. Durante o século XIX, cientistas como o famoso paleontólogo Florentino Ameghino teorizavam que preguiças-terrícolas ainda vivessem em regiões remotas da América do Sul (sobretudo devido ao grau de preservação de carcaças encontradas inclusive com pelo), ideia defendida ainda hoje por biólogos como David Oren, mas contestada pela maior parte da comunidade científica.


EmilyStepp
David acredita, portanto, que o mapinguari seja parte da memória coletiva do encontro com esses animais ou, também, que as espécies ainda vivam na Amazônia, ideia apoiada com entusiasmo pela criptozoologia (de forma não científica). Embora criptozoólogos afirmem que essas lendas provem a existência de preguiças-gigantes viventes, a maior parte dos estudiosos apontam três teorias principais.
A primeira teoria aponta que não podemos saber o quanto tempo uma memória coletiva dura. Os ancestrais desses povos conviveram com preguiças-terrícolas por milhares de anos até sua extinção, há cerca de 10 mil anos na América Continental e muito mais recentemente no Caribe (há apenas 4 mil anos), e a lembrança oral desses animais pode ter perdurado até o dia de hoje.
A segunda teoria aponta que essa memória oral pode, na verdade, estar relacionada, não à lembrança dos animais com vida, mais à descoberta de pinturas rupestres ou ossadas desses animais.

A terceira teoria é, infelizmente, a mais provável. O PhD Andriolli Costa, especialista no folclore brasileiro, aponta dois problemas com as outras teorias. O primeiro é que os primeiros relatos desses organismos surgem a partir do século XIX, o que seria estranho caso isso se tratasse de uma memória coletiva ou caso esses animais ainda vivessem. A única excessão é o succarath, conhecido pelos Tehuelches desde a invasão europeia, mas que pode ser um animal nativo desconhecido para os europeus da época (como um tamanduá, devido aos filhotes que levava em suas costas na maioria das representações).
O outro problema, mais importante, é que a racionalização de lendas pode ser perigosa. Segundo Andriolli, a tentativa de explicar cientificamente e de validar seres folclóricos pode ser uma atitude colonialista e que desrespeita as tradições, religiões e simbologias de tais criaturas.
Uma das etimologias de Mapinguari sugere que o nome pode significar “Avô Materno”. Povos de algumas partes da Amazônia mencionam o animal como um parente e um protetor da floresta. O Mapinguari e outros seres dessa lista nos ensinam que reduzir um mito simplesmente a um organismo extinto é, muitas vezes, ignorar todo o contexto social de um povo e apagar sua história e religião. Em alguns casos, os mitos são melhores quando deixados inexplorados.

Referências
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