A Fauna Perdida do Brasil – Conheça 6 animais extintos recentemente em nosso país

O Brasil é um país continental que possui cerca de 20% da biodiversidade do planeta. Mesmo assim, poucos animais desapareceram de nossas terras, o que pode ser explicado pela falta de investimentos científicos nos últimos séculos, o que fez com que muitos organismos sumissem antes mesmo deles serem descobertos. Descubra a seguir 6 dos 10…

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O Brasil é um país continental que possui cerca de 20% da biodiversidade do planeta. Mesmo assim, poucos animais desapareceram de nossas terras, o que pode ser explicado pela falta de investimentos científicos nos últimos séculos, o que fez com que muitos organismos sumissem antes mesmo deles serem descobertos. Descubra a seguir 6 dos 10 animais que perdemos nos últimos 500 anos.

A extinção é um processo natural no qual uma espécie desaparece completamente do nosso planeta. Ao longo do tempo, pequenas mudanças ambientais ou até mesmo o surgimento de uma nova espécie podem acarretar o desaparecimento de taxons, a chamada extinção de fundo. Em contrapartida, quando eventos extremos acarretam a destruição de uma parcela significativa das espécies do planeta em um curto intervalo de tempo (milhões, milhares ou centenas de anos), eles são chamados de extinção em massa.

Desde a pré-história, as ações humanas vêm impactando o planeta à nossa volta, o que pode ter impulsionado a extinção em massa dos grandes mamíferos pelo mundo, reduzindo o número de espécies em 80%. Nos últimos séculos, entretanto, a exploração excessiva dos recursos naturais vem reduzindo drasticamente as populações de todos os grupos taxonômicos, o que faz com que os cientistas já considerem que vivemos atualmente a sexta grande extinção em massa do nosso planeta.

Enquanto estudos de espécies e de padrões de extinções ocorreram no planeta por séculos, o Brasil foi, por muito tempo, ignorado pela ciência moderna nesse quesito, sobretudo enquanto éramos uma colônia de exploração de Portugal. Uma vez que nossa biodiversidade não era muito estudada, a mesma possui poucas espécies consideradas extintas nos últimos anos, quando comparamos a grandes potências científicas da Europa e da América do Norte. Dessa forma, estudar os casos de extinções que conhecemos é imprescindível para entendermos padrões de extinção e para não repetirmos os mesmos erros do passado.

Nesse texto, vamos explorar 6 das 10 espécies classificadas como Extintas que viveram no Brasil, de acordo com a IUCN ou o ICMBio, que consideram organismos que desapareceram recentemente (últimos 500 anos). Nessa lista, estamos considerando apenas animais da categoria Extintos, excluindo, portanto, animais Extintos na Natureza, Extintos Localmente e Possivelmente Extintos. Vale lembrar também que uma espécie pode estar Extinta para uma das duas organizações e não para a outra e, nesses casos, ela também foi considerada. Para conhecer as outras 4 espécies de animais consideradas exintas no Brasil, leia o texto Extintos do Brasil – Conheça 5 espécies que perdemos nos últimos 500 anos.

1- Rhantus orbignyi – EX (IUCN)/ DD (ICMBio)

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Besouro Rhantus suturalis, espécie próxima do Rhantus orbignyi (que não possui fotos conhecidas) – Imagem por Michael Munich 

Espécie de besouro mergulhador muito pouco estudada, avaliada como extinta pela IUCN (onde é chamado de Meridiorhantus orbignyi) em 1996 e, desde então, ainda não reavalidada. Pelo menos três avistamentos foram feitos após 1996 e, provavelmente, a espécie terá seu status de conservação alterado nos próximos anos. Ela foi avaliada pelo ICMBio como DD (dados insuficientes para sua avaliação de ameaça). Vivia na Argentina e no Brasil.

2- Megadytes ducalis – EX (IUCN)/ DD (ICMBio)

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Indivíduo de Megadytes ducalis depositado no Museu de História Natural de Londres. Esse exemplar supostamente foi coletado em uma canoa cheia de água.

Espécie também pouco conhecida, considerado o maior besouro aquático do planeta. Descoberto no século XIX, foi avistado apenas duas vezes, na cidade de Condeúba – BA, com 10 exemplares depositados em museus da Europa. Vivia exclusivamente em rios da Caatinga. Espécie também avaliada como EX pela IUCN e DD pelo ICMBio.

3- Boana cymbalum – EX (IUCN)/ EX(ICMBio)

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Ilustração da Boana cymbalum feita para o projeto Extintos: Revealing the Beauty of Extinct Frogs from Brazil

Descoberta em 1963, em Campo Grande da Serra, também no município de Santo André – SP (assim como a Phrynomedusa fimbriata, também extinta), essa perereca da família Hylidae provavelmente desapareceu devido à expansão urbana da região . Foi decretada extinta pela IUCN em 2021 e na última atualização da lista de espécies ameaçadas do ICMBio, em 2022.

4- Limpa-folha-do-nordeste / Philydor novaesi – EX

(IUCN)/ EX(ICMBio)

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Foto de limpa-folha-do-nordeste – Por Ciro Albano 

Descoberto em 1979 no município de Murici – AL e descrito cientificamente em 1983, essa ave da família Furnariidae foi avistada apenas 5 vezes na história, em matas densas de uma faixa de 50 km entre o Alagoas e Pernambuco. Seu último avistamento confirmado ocorreu no dia 13 de setembro de 2011. Foi declarada extinta pelo governo brasileiro em 2014 e pela IUCN em 2019, com ambas as organizações acreditando que o último indivíduo deve ter desaparecido em 2011 devido ao desmatamento intenso na região.

Vivia na área conhecida como Centro de Endemismo Pernambuco, lar de diversas outras espécies ameaçadas ou extintas, como o gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti). Em menos de 30 anos, a floresta na área de Murici, em Alagoas, foi reduzida em mais de 60%.

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Foto de limpa-folha-do-nordeste – Por Ciro Albano 

Vivia em regiões de matas de morros, em uma altitude entre 400 e 550 metros, e se deslocava rapidamente no emaranhado de cipós da região. Alimentava-se de insetos que viviam entre folhas no chão da floresta ou em bromélias nas partes mais elevadas das árvores.

5 – Caburé-de-pernambuco / Glaucidium mooreorum -CR (IUCN)/ EX(ICMBio)

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Ilustração do caburé-de-pernambuco – Por Wilson Medeiros

O caburé-de-pernambuco foi uma pequena coruja de hábitos pouco conhecidos, nativa de florestas de baixada de uma pequena área do estado de Pernambuco. Encontrada apenas duas vezes na história, foi descrita cientificamente apenas em 2002, um ano após seu segundo registro. Uma gravação de sua vocalização foi realizada em 2001 e, embora seu canto pareça assustar outras espécies de aves na sua região de ocorrência original, cientistas não conseguiram encontrar nenhum novo indivíduo nos últimos 13 anos.

A IUCN ainda classifica a espécie como Criticamente Ameaçada, com uma população estimada de até 49 indivíduos, embora sua última avaliação tenha sido em 2019.

6 – Dusicyon avus – EX (IUCN) / NE (ICMBio)

Espécie de canídeo nativo da Argentina, Brasil, Chile, e Uruguai, é um caso atípico na avaliação de espécies extintas. Esse animal do tamanho aproximado de um Pastor Alemão provavelmente desapareceu do Brasil há mais de 10 mil anos, mas sobreviveu na Patagônia até cerca de 400 anos atrás. Achados arqueológicos e paleontológicos indicam, inclusive, que essa espécie servia como animal de estimação para indígenas locais até cerca de 1.500 anos atrás.

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Dusicyon avus na Patagônia – Arte por Hodari Nundu

Era um predador de hábitos similares aos lobos, embora seu comportamento social não tenha sido confirmado. Uma espécie próxima, apelidada de lobo-das-malvinas (Dusicyon australis), sobreviveu na ilha com o mesmo nome até 1876, tendo sido observada pessoalmente por Charles Darwin na região em 1834.

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Lobo-das-malvinas (Dusicyon australis) empalhado no Museu de Otago – Foto de Kane Fleury

Leia também: Extintos do Brasil – Conheça 5 espécies que perdemos nos últimos 500 anos.

Referências

Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção – ICMBio (2018)

Portaria MMA Nº 148, de 7 de junho de 2022

IUCN RedList

SALVE – ICMBio

Balke, Michael; Hájek, Jiří; Hendrich, Lars (2017). “Generic reclassification of species formerly included in Rhantus Dejean (Coleoptera, Dytiscidae, Colymbetinae)”Zootaxa4258 (1): 91–100

Hendrich, Lars; Manuel, Michael; Balke, Michael (2019). «The return of the Duke—locality data for Megadytes ducalis Sharp, 1882, the world’s largest diving beetle, with notes on related species (Coleoptera: Dytiscidae)

 Butchart, Stuart H.M.; Lowe, Stephen; Martin, Rob W.; Symes, Andy; Westrip, James R.S.; Wheatley, Hannah (2018). «Which bird species have gone extinct? A novel quantitative classification approach» (requer pagamento). Biological Conservation (em inglês). 227: 9–18.

 Pereira, G.A.; Dantas, S.M.; Silveira, L.F.; Roda, S.A.; Albano, C.; Sonntag, F.A.; Leal, S.; Periquito, M.C.; Malacco, G.B.; Lees, A.C. (2014). «Status of the globally threatened forest birds of northeast Brazil». Papéis Avulsos de Zoologia54 (14): 177-194

Da Silva, J.M.C.; Coelho, G.; Gonzaga, L.P. (2002). «Discovered on the brink of extinction: a new species of pygmy-owl (Strigidae: Glaucidium) from Atlantic forest of northeastern Brazil». Ararajuba10 (2): 121-130

Abbona, Cinthia & Lebrasseur, Ophélie & Prevosti, Francisco & Peralta, Eva & Gonzalez Venanzi, Lucio & Frantz, Laurent & Larson, Greger & Gil, Adolfo & Neme, Gustavo. (2024). Patagonian partnerships: the extinct Dusicyon avus and its interaction with prehistoric human communities. Royal Society Open Science

Prevosti, Francisco J.; Ramírez, Mariano A.; Schiaffini, Mauro; Martin, Fabiana; Udrizar Sauthier, Daniel E.; Carrera, Marcelo; Sillero-Zubiri, Claudio; Pardiñas, Ulyses F. J. (November 2015). “Extinctions in near time: new radiocarbon dates point to a very recent disappearance of the South American fox Dusicyon avus (Carnivora: Canidae)”Biological Journal of the Linnean Society116 (3): 704–720.








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