Insetos, muitas vezes tão odiados e incompreendidos, são animais extremamente importantes nos ecossistemas e, hoje, a extinção de muitas espécies é um problema que preocupa muitos cientistas. Os insetos são os animais mais abundantes do planeta Terra. Se todos juntos fossem colocados em uma grande massa assustadora, eles superariam 17 vezes a massa de carbono de toda a humanidade.
Os insetos superam todos os peixes nos oceanos e todo o gado existente. Sua abundância, variedade (podem existir até 30 milhões de espécies) e onipresença significam que os insetos desempenham um papel fundamental nas teias alimentares e ecossistemas: desde as abelhas que polinizam as flores de culturas alimentares, como amêndoas, até os cupins que reciclam árvores mortas nas florestas.
Esse texto foi baseado no artigo “Declínio mundial da entomofauna: Uma revisão de seus fatores” e no livro “The Insect Crisis: The Fall of the Tiny Empires That Run the World” (Em português: A Crise dos Insetos: A Queda dos Pequenos Impérios que Governam o Mundo), no qual o jornalista do The Guardian, Oliver Milman, diz: “Há muitas pequenas coisas neste mundo que mantêm no alto tudo o que valorizamos”, e não é nenhuma novidade que ele esteja falando dos insetos.

Que os insetos são extremamente importantes, nós já sabemos, porém hoje em dia a queda na sua biodiversidade é algo preocupante. “O ritmo das extinções modernas de insetos supera a dos vertebrados por uma grande margem”, escrevem os autores de uma nova e alarmante revisão de literatura, publicada no jornal Biological Conservation, sobre o declínio da população de insetos.
Quantas vezes já fomos picados por insetos e nossa primeira reação é questionar a existência desses pequenos animais? Porém, basta se livrar de todas as moscas do mundo para que você também se livre do tão amado chocolate. Mas nenhum ser vivo está no mundo para servir nossa espécie e, muitas vezes, não reconhecemos o quanto somos dependentes de outras espécies de insetos em relação à polinização, eliminação de resíduos, controle de pragas e reciclagem de nutrientes.
Um estudo de 2017 na Alemanha observou um declínio de 75% nos insetos voadores ao longo de três décadas. “O declínio generalizado da biomassa de insetos é alarmante”, escreveram os autores.

O que é “mais preocupante”, escrevem os autores, é que as perdas parecem afetar, tanto os insetos “especialistas”, quanto os insetos “generalistas”.
Os insetos generalistas são pouco específicos, apresentando os mais variados hábitos alimentares e habitat. Normalmente esses organismos apresentam uma grande taxa de crescimento e capacidade de dispersão.
Os insetos especialistas, por sua vez, são muito exigentes. Vivem apenas em determinado habitat e possuem uma dieta extremamente específica. Nesse caso, podemos afirmar que possuem um nicho ecológico bastante característico.
Ambos os tipos de insetos estão enfrentando grandes perdas. “Isso sugere que as causas do declínio de insetos não estão ligadas a habitats específicos, mas afetam características comuns compartilhadas entre todos os insetos”, escrevem os autores do estudo alemão.
O que aconteceria se os insetos desaparecessem ?
Os seres humanos podem ter construído civilizações, mas os insetos são donos do mundo. Afinal, mais da metade de todas as espécies conhecidas são insetos. Então, se todos eles desaparecessem de repente, você notaria.
Fato é que não podemos sobreviver sem insetos. A polinização é provavelmente o exemplo mais conhecido do que os insetos fazem pelas pessoas. Às vezes são as abelhas, às vezes são as moscas, besouros ou quaisquer que sejam. A maioria das frutas e vegetais que gostamos de comer e também alimentos como o café e o chocolate não existiriam sem os insetos.
A polinização é necessária para a maioria das flores silvestres. Então, se perdermos grande parte dos nossos insetos, perderemos nossas flores silvestres, o que significa que qualquer outra ser que goste de comer plantas selvagens desaparecerá. Os insetos estão no centro de todo tipo de processo ecológico que você possa imaginar.

Até mesmo os mosquitos que são vetores de doenças têm sua função ecológica. Ou servem de alimento, ou polinizam algum vegetal, ou o que quer que seja. Mas nem todo organismo tem que ter um propósito. Pode ser que uma ou duas espécies de insetos sejam extintas e isso não teria nenhum efeito perceptível. O problema é que, se perdermos cada vez mais deles, os ecossistemas se dissolverão lentamente.
Um exemplo real da importância dos insetos ocorreu quando os colonos europeus levaram gado e cavalos para a Austrália pela primeira vez, no final dos anos 1700. Eles aprenderam uma lição importante: besouros são extremamente úteis. À medida que os animais com cascos comiam e defecavam, o esterco começou a se acumular em todo o continente. Enquanto os besouros de esterco na Grã-Bretanha comiam e quebravam o cocô de vaca, os besouros australianos nativos não tocavam no esterco porque evoluíram para consumir apenas dejetos de marsupiais, que são secos e fibrosos. Então o cocô de vaca e de cavalo se acumulou.
Sem os agentes funerários da natureza, terras agrícolas, florestas e desertos entrariam em colapso e haveria cadáveres espelhados por toda parte. Mais de 500 espécies desses agentes funerários vivem em todo o mundo, devorando carne morta até que nada além de ossos permaneça.
O que está matando os insetos?
A maioria dos cientistas concorda que a diminuição de insetos é provocada por é uma combinação de fatores, principalmente associados à maneira como a agricultura mudou nos últimos cem anos. Mudamos para esse tipo de sistema de agricultura industrial, com campos muito grandes e monoculturas que são tratadas com muitos pesticidas. Nesse ambiente, é muito difícil para a maioria dos insetos sobreviver.
O estado da biodiversidade dos insetos é “terrível” porque sabemos o que acontece quando os ecossistemas perdem insetos: eles também perdem outras espécies. Os principais fatores associados ao declínio de insetos são:
- Perda de habitat como resultado do desenvolvimento humano, desmatamento e expansão da agricultura;
- Poluição, particularmente através de pesticidas, fertilizantes e resíduos industriais;
- Parasitas e patógenos (como os vírus que atacam abelhas) e espécies invasoras;
- Mudanças climáticas.

A restauração de habitats, juntamente com uma redução drástica nos insumos agroquímicos e o ‘redesenho’ agrícola, é provavelmente a maneira mais eficaz de impedir novos declínios. O uso de pesticidas também precisa diminuir drasticamente. A menos que mudemos nossas maneiras de produzir alimentos, os insetos como um todo seguirão o caminho da extinção em algumas décadas e, após a deles, poderá ser o fim da nossa própria espécie.
Referências:
Artigo : “More than 75 percent decline over 27 years in total flying insect biomass in protected areas” (Mais de 75% de declínio ao longo de 27 anos na biomassa total de insetos voadores em áreas protegidas)
Artigo “Worldwide decline of the entomofauna: A review of its drivers” (Declínio mundial da entomofauna: Uma revisão de seus fatores)
Livro : “The Insect Crisis: The Fall of the Tiny Empires That Run the World.” ( Em português: A Crise dos Insetos: A Queda dos Pequenos Impérios que Governam o Mundo.)
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