Se você não aguenta o calor, saia do centro urbano em que você vive. Ative o boletim meteorológico local e você provavelmente notará uma tendência estranha. As temperaturas são, muitas vezes, mais altas nas cidades do que nas áreas rurais vizinhas. Essa discrepância de temperatura é o resultado de um fenômeno bizarro conhecido como o efeito da ilha de calor.

Como o nome indica, esse efeito faz das cidades ilhas de calor. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, as temperaturas nas cidades dos Estados Unidos podem ficar até 10 graus Fahrenheit mais altas do que nas áreas vizinhas. Normalmente, a disparidade de temperatura não é tão grande, mas mesmo alguns graus podem fazer uma enorme diferença. A demanda por ar condicionado no verão leva a contas de energia mais altas. E muitos argumentam que isso também aumenta as emissões de gases de efeito estufa pelas usinas de energia que fornecem energia extra.
Talvez o pior resultado do efeito ilha de calor seja o número de mortes relacionadas ao aumento de temperatura. Embora as tempestades causadoras de danos recebam a maior atenção da mídia, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica relata que o calor geralmente é mais mortal. Nos EUA, o calor normalmente mata mais pessoas a cada ano do que o conjunto de furacões, inundações e raios [1].

Belo Horizonte não foge a esse padrão. De 1910 a 2000 a temperatura média anual da cidade era de 21° C. Entretanto, considerando-se o período mais recente, ou seja, de 1980 a 2000, a temperatura média anual cresceu para 21,5° C. Por meio de uma tabela é possível verificar que, de uma lista de dez temperaturas médias anuais mais elevadas dos últimos 100 anos, seis foram registradas a partir de 1990.

Moraes (2002) propõe o valor de 4,7° C para o aumento de temperatura do centro da cidade em relação ao seu entorno rural. A ilha de calor de Belo Horizonte gera também uma pluma de contaminação térmica que se estende na direção dos municípios de Contagem e Betim.
Para entender o efeito da ilha de calor urbana, primeiro precisamos entender algumas regras simples da física. Objetos de cores escuras são excelentes absorvedores de luz e emitem mais calor. Superfícies claras, ao contrário, refletem quase toda a luz.

Quando um objeto absorve a luz, ele converte a luz em energia térmica e a emite de volta como calor. É por isso que usar uma camisa preta em um dia quente só vai deixar você mais quente. Por outro lado, vestir uma camisa branca o ajudará a refletir a luz do sol e a mantê-lo mais fresco.
Telhados verdes, como este localizado no topo da Prefeitura de Chicago, ajudam a compensar o efeito da ilha de calor urbana.

Felizmente, ao conhecermos a causa do efeito de ilha de calor urbana, podemos controlá-lo de forma significativa. Certas técnicas reduzem a demanda por ar condicionado e, consequentemente, reduzem as contas de energia. Os planejadores urbanos podem pintar as estruturas de branco ou outras cores claras para minimizar o efeito da ilha de calor urbana.

Certos revestimentos de alta refletividade também podem ser aplicados no asfalto para reduzir seu fator albedo, um dos principais contribuintes para o efeito de ilha de calor urbana.

Uma tendência que vem ganhando popularidade é a instalação de telhados verdes em cima de edifícios da cidade. Um telhado verde é simplesmente um telhado que inclui plantas e vegetação, conferindo resfriamento evaporativo e compensando o efeito de ilha de calor urbana.

Outras soluções como a aspersão do telhado também ajudam a reduzir o efeito de ilha de calor urbana. Os sprinklers molham a superfície do telhado para que o ar ao redor resfrie com a evaporação. Árvores e vegetação urbana contribuem para o resfriamento evaporativo e fornecem sombra.

A melhor maneira de minimizar as ilhas de calor nas cidades é por meio do planejamento urbano adequado, promovendo a fiscalização da emissão de poluentes, o plantio de árvores e a preservação das áreas verdes existentes.
Referências
- NOAA (em inglês)
- Synneffa
- EPA (em inglês)
- Asimakopoulos


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