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10 lugares que mais sofrerão com mudanças climáticas no futuro

As populações de algumas áreas do globo já estão sentindo os intensos efeitos das mudanças climáticas à medida que eles acontecem na forma de eventos climáticos extremos, como, por exemplo, furacões, inundações repentinas e incêndios. Descubra os 10 países que mais podem sentir esses efeitos no futuro.

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Mudanças Climáticas

As populações de algumas áreas do globo já estão sentindo os intensos efeitos das mudanças climáticas à medida que eles acontecem na forma de eventos climáticos extremos, como, por exemplo, furacões, inundações repentinas e incêndios. Já falamos mais sobre isso no texto O Impacto Por Trás das Manchetes: Como as mudanças climáticas já estão afetando a vida no planeta.

Segundo o Global Climate Risk Index (CRI), entre 2000 e 2019, mais de 475.000 pessoas perderam a vida por consequência direta de eventos climáticos extremos. Segundo o Índice, Porto Rico, Mianmar e Haiti foram identificados como os países mais afetados no período entre 2000 e 2019. Eles são seguidos pelas Filipinas, Moçambique e Bahamas.

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Também se projeta que as mudanças climáticas tenham efeitos prejudiciais na economia global. Um relatório recente da Oxford Economics descobriu que a Terra poderia aquecer em 2 graus Celsius até 2050, reduzindo o produto interno bruto global em até 7,5%. Não é surpresa para ninguém que os países mais afetados serão alguns dos mais pobres da África e da Ásia. A longo prazo, se as temperaturas subirem 4 graus Celsius, em 2100 esse efeito pode reduzir a produção de alimentos em até 30%.

Desigualdade climática

Não há dúvida que as mudanças climáticas afetarão o mundo inteiro, porém é importante afirmar que essa mudança ocorre de forma desigual. Os países em desenvolvimento, os lugares com altos níveis de pobreza e os países com governos não unificados agora enfrentam os mais graves riscos das mudanças climáticas, já que estão mal equipados para encontrar maneiras de se preparar e prevenir ameaças ambientais.

O mesmo Relatório Global Climate Risk Index (CRI), além de citar os países que já foram afetados por essas mudanças em anos anteriores, fez um apanhado sobre quais são os 10 lugares mais vulneráveis daqui pra frente.

Os países com o maior risco

1. Japão

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Foto de Victor Lu/ Unsplash

Em 2018, o Japão foi atingido por três eventos climáticos extremos excepcionalmente fortes, como chuvas intensas em julho, que foram medidas diariamente e atingiram o dobro do que antes era considerado o dia mais chuvoso do país. As chuvas torrenciais resultaram em inundações repentinas e deslizamentos de terra, matando mais de 200 pessoas e danificando mais de 5.000 casas, bem como provocando a evacuação de 2,3 milhões de pessoas. Os danos causados pelas tempestades totalizaram mais de US$ 7 bilhões.

De meados de julho até o final de agosto de 2018, uma onda de calor severa também ocasionou 138 mortes e mais de 70.000 hospitalizações devido às insolações e exaustão pelo calor. Já em setembro, o tufão Jebi atingiu o país, tornando-se o ciclone tropical mais intenso que o Japão já viu em mais de 25 anos. Jebi quebrou vários recordes históricos de ventos no Japão, causando danos econômicos de mais de US$ 13 bilhões. Já fizemos um texto sobre como o aquecimento do planeta pode gerar eventos mais extremos em Chuvas intensas e Mudanças Climáticas: uma nova realidade.

2. Filipinas

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Foto de Cris Tagupa/ Unsplash

O tufão Mangkhut destruiu a parte norte das Filipinas em setembro de 2018 , classificado como categoria 5, e foi considerado o tufão mais poderoso registrado em todo o mundo na época. Mangkhut atingiu velocidades de até 270 quilômetros por hora quando chegou à costa, afetando mais de 250.000 pessoas em todo o país. Cerca de 59 pessoas foram mortas, a maioria por deslizamentos de terra desencadeados pelas fortes chuvas.

3. Alemanha

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Foto de Ilya Panasenko/Unsplash

Não se surpreenda ao ver a Alemanha em uma lista como essa. Há alguns anos o país tem batido recordes de períodos mais quentes desde que os registros começaram em função das fortes ondas de calor. O país vem enfrentando temperaturas de quase 4,4 graus Celsius acima da média. Em julho de 2019 o serviço meteorológico DWD da Alemanha registrou uma temperatura de 41,2°C na cidade de Duisburg e o porta-voz Andreas Friedrich disse que elevações semelhantes foram verificadas nesse mês de julho de 2022 nos mesmos locais ao longo do rio Reno. Em 2018, cerca de 8.000 agricultores pediram ajuda de emergência federal no valor aproximado de US$ 1,18 bilhão para compensar suas perdas.

4. Madagascar

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Foto de Graphic Node/Unsplash

Em fevereiro desse ano, os ciclones Batsirai e Emnati atingiram a costa leste da ilha de Madagascar. Milhares de casas foram destruídas e as colheitas devastadas, aumentando a insegurança alimentar na região. Cerca de 136 pessoas morreram e 423.800 foram afetadas. Entre os dois ciclones, a tempestade tropical Dumako atingiu o nordeste em meados de fevereiro. Quatorze pessoas morreram em inundações. Já no início de março, a tempestade Gombe não causou nenhum dano significativo, mas a tempestade tropical moderada Jasmine, que se seguiu no final de abril, matou cinco pessoas e afetou mais de 4.800.

Anos antes, em janeiro de 2018, a ilha de Madagascar foi atingida pelo ciclone Ava, que afetou a parte leste da ilha, onde as cidades foram inundadas e os edifícios entraram em colapso. Ava chegou a velocidades máximas de 190 km/h e 51 pessoas morreram. Já em março do mesmo ano a ilha foi atingida pelo ciclone Eliakim, que afetou mais de 15.000 pessoas, incluindo 17 mortes e quase 6.300 deslocamentos temporários. Os ciclones Ava e Eliakim juntos forçaram cerca de 70.000 pessoas a buscar refúgio.

5. Índia

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Foto de Kyran Low/ Unsplash

Ondas de calor recordes que assolam a Índia estão ameaçando os rendimentos das culturas em meio ao aumento da demanda global por grãos. Em resposta, o governo indiano impôs recentemente uma proibição às exportações de trigo. A chegada antecipada das ondas de calor resultou na marcha mais quente da Índia já registrada, de acordo com o Departamento Meteorológico da Índia. As altas temperaturas continuaram nos meses seguintes e até junho, atingindo um pico perto de 50 graus Celsius. O primeiro relatório de avaliação de mudanças climáticas da Índia, elaborado em 2020, revelou que a temperatura média do país deve aumentar 4,4 graus Celsius até o final do ano 2100.

A temporada anual de monções, que dura de junho a setembro, afetou severamente a Índia em 2018, especialmente o estado de Kerala. Mais de 220.000 pessoas foram forçadas a deixar suas casas, e 20.000 casas e 80 represas foram destruídas. Os danos totalizaram US$ 2,8 bilhões. Os ciclones Cyclones Titli e Gaja também atingiram a costa leste da Índia em outubro e novembro de 2018. Com velocidades de vento de até 150 quilômetros por hora, o ciclone Titli matou pelo menos oito pessoas e deixou cerca de 450.000 sem eletricidade.

6. Sri Lanka

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Foto de Roxanne Desgagnés/Unsplash

A guerra civil de três décadas, os efeitos da pandemia de COVID-19 e a crise econômica do país dominaram a atenção da nação insular do Sri Lanka. Isso significa que outras questões importantes, como os efeitos das mudanças climáticas, ficaram fora do radar do governo.

Essas mudanças incluem o aumento das temperaturas, que devem atingir os setores mais importantes do Sri Lanka, como o turismo, a agricultura comercial e a manufatura. Além disso, o aumento da incidência de transmissão de doenças e dos desastres naturais tornará o país vulnerável às catástrofes inesperadas. Preocupado com isso, o governo do Sri Lanka tem realizado projetos e assinado acordos de financiamento na ordem de US$ 92 milhões com o Programa de Resiliência Climática do Banco Mundial.

7. Quênia

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Foto de Thomas Bennie/ Unsplash

As chuvas sazonais afetaram os países africanos do Quênia e Ruanda, bem como outros países da África Oriental. Entre março e julho de 2018, o Quênia experimentou quase o dobro da precipitação normal de sua típica estação chuvosa. Os rios mais importantes do país, nas terras altas centrais, transbordaram, afetando 40 dos 47 condados e causando a morte de 183 pessoas, ferindo 97 pessoas e deslocando mais de 300.000 pessoas.

8. Ruanda

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Foto de Faustin Tuyambaze/ Unsplash

As fortes chuvas de abril de 2022 também afetaram Ruanda, causando inundações ao longo do rio Sebeya. Cerca de 25.000 pessoas de 5.000 famílias foram afetadas, e suas casas foram destruídas ou danificadas por lama e transbordamento. As inundações agravaram os casos de cólera e resultaram em uma epidemia do vírus Chikungunya, transmitido pela picada de mosquito, que causa febre, dor nas articulações e erupções cutâneas.

9. Canadá

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O Canadá está batendo recordes de temperaturas extremamente frias no inverno e enfrentando um calor intenso no verão. Em maio de 2019, mais de 4.000 pessoas foram deslocadas por causa de inundações, que afetaram a região sul da Colúmbia Britânica. Já com a chegada do verão, uma quantidade enorme de neve derreteu devido às temperaturas muito elevadas, fazendo com que os rios transbordassem. A mesma região sofreu a pior temporada de incêndios florestais já registrada, resultando na evacuação de 16.000 pessoas. Foram 2.117 incêndios, que queimaram a região no oeste do Canadá e fizeram com que o céu ficasse repleto de fumaça, tornando a qualidade do ar entre as piores do mundo.

10. Ilhas Fiji

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Foto de Jeremy Bazanger/ Unsplash

A ilha de Fiji sofre com os efeitos recorrentes de ciclones. O ciclone Gita, com ventos com pico de 125 km/h, chegou ao sul de Fiji e causou mais de US$ 1 milhão de prejuízo e a evacuação de 288 pessoas. Duas semanas depois, o ciclone Josie e as graves inundações que se seguiram mataram oito pessoas e mais de 2.000 foram realocadas.

Como se pode perceber, a lista dos lugares mais vulneráveis às mudanças climáticas inclui, não somente países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como também países desenvolvidos. Essa constatação somente confirma que é fundamental que todos os países se unam para frear os impactos que o ser humano vem provocando no meio ambiente.

Referências


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