Guerra à Ciência – Parte III – Aquecimento Global e seus opositores

Nos dias atuais, notamos uma grande quantidade de céticos que não acreditam que o aquecimento global esteja se intensificando devido às ações antrópicas. Muitas pessoas nos Estados Unidos – uma porcentagem bem maior que em outros países – mantêm incredulidade sobre esse consenso ou acreditam que os ativistas do clima estão usando a ameaça do aquecimento global para atacar o livre comércio e a sociedade industrial em geral.

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Foto de Vidar Nordli-Mathisen

Para alguns descrentes da mudança climática, o fato de que alguns cientistas na década de 1970 estavam preocupados com a possibilidade de uma era do gelo próxima é suficiente para invalidar a preocupação com o aquecimento global agora. O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que consiste em centenas de cientistas operando sob os auspícios das Nações Unidas, divulgou seu quinto relatório nos últimos 25 anos. Este repetiu, mais alto e mais claro do que nunca, o consenso dos cientistas do mundo: a temperatura da superfície do planeta subiu cerca de 1,5 graus Celsius nos últimos 130 anos e as ações humanas, incluindo a queima de combustíveis fósseis, são muito provavelmente a principal causa do aquecimento desde meados do século XX.

Alguns ativistas ambientais querem que os cientistas, além de desempenhar seus papéis nas universidades, se envolvam mais nas batalhas políticas. Qualquer cientista que vá por esse caminho precisa fazer isso com cuidado, diz Liz Neeley. Segundo ela, “essa linha entre comunicação científica e advocacia é muito difícil de se afastar”. No debate sobre a mudança climática, a alegação central dos céticos é a de que a ciência é politicamente tingida, impulsionada pelo ativismo ambiental e não por dados concretos, ao dizer que o aquecimento é uma ameaça séria e real. Isso não é verdade e calunia os cientistas honestos, mas torna-se mais plausível a olhos desconfiados se os cientistas forem além de sua perícia profissional e começarem a defender políticas específicas.

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Foto de Harrison Moore

No debate sobre o clima, as consequências da dúvida provavelmente são globais e duradouras. Muitos céticos da mudança climática alcançam seu objetivo fundamental de deter a ação legislativa de combate ao aquecimento global. Eles não precisam ganhar o debate por meio de méritos, apenas influenciar a sala o suficiente para impedir que as leis que regem as emissões de gases do efeito estufa sejam aprovadas.

O que motiva a negação?

Há algo, que está em jogo a nível subconsciente, que nos permite desconsiderar as grandes evidências que estão à nossa frente, tais quais as de que o aquecimento global é real. Mesmo havendo consenso de que a mudança climática está ocorrendo e de que os humanos a estão exacerbando, ainda há pessoas, incluindo políticos, que se recusam a reconhecer as evidências.

Nós temos que mudar a maneira como falamos de alterações climáticas. A psicologia diz que os sentimentos gerados ao falarmos sobre o assunto são culpa e medo, ao invés de comprometimento. O que se observa é exatamente o oposto do engajamento; quando sentimos algo ruim, é normal que nos afastemos do problema para nos aproximarmos de algo que nos faça sentir melhor. Muitos pensam que outras pessoas devem lidar com isso, e não eles mesmos. Grande parte das pessoas enxerga o aquecimento global como uma mudança distante que acontecerá daqui há muito tempo. Além disso, os gases de efeito estufa, causa fundamental do problema, são invisíveis aos nossos olhos.

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Foto de Ekaterina Sazonova

“Uma grande parte duvida não pela experiência, e sim pela motivação”, disse Paul Thagard, professor emérito do Departamento de Filosofia da Universidade de Waterloo, especializado em ciência cognitiva. “Os psicólogos falam muito sobre ‘inferência motivada’ que se dá quando as pessoas têm motivações fortes, são muito seletivas no tipo de evidência em que acreditam”. Por exemplo, aquelas pessoas cuja subsistência depende da indústria petrolífera podem temer que a mudança climática ameace seus empregos. Outros podem recear que o governo tire dinheiro de seus bolsos na forma de gastos públicos em esforços de mitigação de carbono.

10 Principais argumentos utilizados pelos céticos e porque eles podem ser refutados:

  • O clima já mudou antes: Sim, o clima reage a qualquer força que o faça mudar; os seres humanos são atualmente a força dominante. 
  • O sol é o causador da mudança climática:
    Nos últimos 35 anos, o sol mostrou uma tendência de arrefecimento. No entanto, as temperaturas globais continuam a aumentar. Se a energia do sol está diminuindo enquanto a Terra está aquecendo, então o sol não pode ser o responsável por essa alteração da temperatura.TvsTSI.png
  • Não há consenso entre cientistas:
    A teoria de que os seres humanos estão causando o aquecimento global é defendida por Academias de Ciências de 80 países, além de muitas organizações que estudam a ciência do clima. Mais especificamente, cerca de 95% dos pesquisadores do clima que publicam ativamente artigos sobre o assunto endossam a posição de consenso.
  • O planeta está esfriando:
    A última década, de 2000 a 2009, foi a mais quente já registrada.
  • Estamos indo para uma nova era do gelo:
    Devemos nos preocupar mais com os impactos do aquecimento global nos próximos 100 anos, e não com era do gelo, que não ocorrerá até os próximos 10.000 anos.

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  • O CO2 gerado por ação humana é uma pequena porcentagem de emissões de CO2:
    O ciclo natural adiciona e remove CO2 na Terra de forma natural, mantendo um equilíbrio. Enquanto isso, nós humanos adicionamos CO2 extra sem remover na mesma proporção.
  • É um ciclo natural:
    Nenhuma força natural conhecida é capaz de gerar as mudanças abruptas do aquecimento observado, exceto os gases de efeito estufa.
  • Cientistas do clima fazem isso pelo dinheiro: 
    Os cientistas do clima poderiam ganhar muito mais dinheiro em outras carreiras, principalmente trabalhando para a indústria do petróleo.
  • Vulcões emitem mais CO2 do que humanos:
    Os vulcões emitem em torno de 0,3 bilhões de toneladas de CO2 por ano. Isso representa cerca de 1% das emissões humanas de CO2, que são de aproximadamente 29 bilhões de toneladas por ano.
  • É uma variabilidade interna e normal: 
    A variabilidade interna só pode levar em conta uma mudança na temperatura média global do ar de aproximadamente 0,3° C em períodos de várias décadas, e estudos científicos mostraram consistentemente que ela não pode explicar mais do que uma pequena fração do aquecimento global no século passado.

 

 

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Referências

 “The psychology of climate change: Why people deny the evidence” ;

“Why Do Many Reasonable People Doubt Science”;

Site Skeptical Science 

Guerra à Ciência – Parte II – Os Perigos das Vacinas

 

As vacinas são consideradas por muitos o maior avanço médico da história. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a vacinação previne cerca de 2 a 3 milhões de mortes todos os anos e, caso fosse mais implementada, poderia evitar mais 1,5 milhão. Mesmo assim, milhares de pessoas pelo mundo se recusam a aceitar esse procedimento, sobretudo quando se trata de seus filhos. Mas afinal, as vacinas realmente são necessárias? Elas realmente podem causar autismo ou alergias? E vacinar deveria ser uma escolha pessoal?

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Há cerca de 10 mil anos, uma doença mortal surgiu no Norte da África e, rapidamente, se espalhou por todo mundo. Transmitida pelo ar, a varíola causava febres, vômitos, úlceras na boca e erupções cutâneas. Ela foi responsável por bilhões de mortes ao longo da sua história, dizimando grande parte das populações indígenas quando chegou nas Américas e matando mais de 500 milhões de pessoas somente no século XX. Para proteger a população local dessa temível doença, uma monja chinesa desenvolveu, no século X, um procedimento conhecido como variolação, no qual ela moía cascas de feridas de portadores de varíola e assoprava o pó formado no nariz de pessoas saudáveis, que se tornavam imunes. Esse método eficaz foi criado após essa monja observar que portadores de varíola que se curavam nunca mais contraíam a doença e, após muitos séculos, essa prática se tornou comum em várias partes do oriente.

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Monge realizando a variolação – Artista desconhecido

Durante o século XVIII, médicos europeus passaram a perfurar feridas de varíola de pessoas infectadas com uma lâmina e a arranhar pessoas saudáveis com ela, o que provocava a imunização na maioria dos pacientes, com cerca de 3% morrendo por contrair a varíola. Somente em 1798 uma vacina segura para a doença foi criada pelo médico Edward Jenner, ao observar que fazendeiros que haviam contraído varíola bovina não contraíam a varíola humana. Após anos de experimentação e aperfeiçoamento, a vacina da varíola passou a ser distribuída por todo o mundo, salvando a vida de milhões de pessoas anualmente e abrindo o caminho para o desenvolvimento da imunização artificial para diversas outras doenças.

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Edward Jenner é considerado o pai da vacinação

Em 1904, o governo brasileiro decretou uma lei que tornava obrigatória a vacinação da varíola para todos os cidadãos do Brasil por sugestão do médico Oswaldo Cruz, durante os projetos de modernização do Rio de Janeiro, que era a capital do país. Certificados de vacinação eram exigidos para diversas atividades cotidianas, como casamentos, compras de imóveis e matrículas em escolas. Essa exigência, somada ao despejo de milhares de habitantes da cidade para o alargamento de ruas e avenidas, gerou a famosa Revolta da Vacina, na qual a população se rebelou contra agentes de saúde que vacinavam a todos de forma compulsória. Barricadas foram erguidas e diversos prédios foram queimados, o que levou o governo a decretar estado de sítio, com a suspensão de direitos individuais, e a colocação do exército nas ruas, o que resultou na prisão de 900 pessoas, 30 mortes e quase 500 deportações para o estado do Acre.

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Charge da revista O Malho, de 29 de outubro de 1904, poucos dias antes do estouro da Revolta da Vacina: “Nem com um exército, o “Napoleão da Seringa e Lanceta”, como muitos se referiam a Oswaldo Cruz na época, conseguia conter a fúria da população contra a vacinação compulsória” (Crédito: Leonidas/Acervo Fiocruz)

Anos depois, em 1979, a varíola foi erradicada em todo o mundo, sendo a primeira doença humana extinta pelo homem. Além dela, o sarampo, a poliomelite, a tuberculose e muitas outras tiveram seus números reduzidos drasticamente e, por muito tempo, caminharam para sua aniquilação mas, nos últimos anos, seus números voltaram a crescer, uma vez que muitos pais pararam de vacinar seus filhos. Um dos principais fatores que ocasionaram o crescimento do movimento anti-vacina no século XXI foi a associação errônea entre a vacinação e o aparecimento de autismo e alergias. A conexão entre o autismo e as vacinas foi apontada por um artigo, em 1998, que, desde então, já foi refutado por mais de 20 outros artigos. Além disso, dos 13 autores originais dessa publicação, 10 afirmam que suas conclusões foram errôneas. Um estudo de 2014 avaliou 1,2 milhão de crianças de todo mundo e nenhuma relação com o autismo foi encontrada. Quanto às alergias, um estudo com mais de 1.200 crianças nos Estados Unidos apontou que crianças não vacinadas têm maior tendência a alergias, uma vez que não possuem uma resposta imune tão efetiva.

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Por Dr. Melvin Sanicas

Outro argumento contra as vacinas está relacionado com os seus riscos para a saúde que, na realidade, são ínfimos quando comparados às doenças que elas previnem. Na vacinação tradicional, uma forma enfraquecida de um patógeno (embora vacinas modernas utilizem proteínas ou trechos de RNA) é injetada no corpo do paciente, que irá desenvolver anticorpos para combater essa infecção. Dessa forma, ao entrar em contato com a forma potente da doença para qual foi imunizado, seu organismo possuirá uma “memória” de como combater aquela doença. Portanto, ao ser vacinado, o indivíduo poderá apresentar sintomas brandos de uma doença, mas ficará protegido pelo resto de sua vida.

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Retirado de resumov.com.br

Por fim e talvez o principal motivo do movimento anti-vacina na atualidade é o desconhecimento das doenças do passado. Estamos tão acostumados com a proteção das vacinas que não nos lembramos de um mundo em que nossos irmãos morriam de tuberculose com poucos anos de vida e onde epidemias destruíam até 30% da população de cidades em poucas semanas. A falta de conhecimento gera, também, a ausência de medo na população, que trata doenças infecciosas como um pequeno resfriado. Antes do advento das vacinas, cerca de 20.000 crianças ficavam paralisadas todos os anos nos Estados Unidos devido à poliomelite. A rubéola, por sua vez, gerava mais de 15 mil abortos nos EUA anualmente e, das 20.000 crianças que nasciam com a doença, mais da metade ficava surda, 3.000 ficavam cegas e cerca de 1.500 teriam problemas cognitivos por toda sua vida.  O sarampo era uma doença contraída pela maior parte da população, cuja vacina salvou mais de 20 milhões de vidas entre 2000 e 2016, segundo dados da OMS.

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Gráfico apontando relação direta entre a vacinação e a redução do número de casos de coqueluche no Brasil – Pelo Ministério da Saúde

Em 2019, o maior surto de sarampo em 20 anos aconteceu em Nova York, devido à redução da procura pela vacinação. O Brasil, por sua vez, já havia erradicado essa doença e hoje, infelizmente, possui um número crescente de casos. A poliomelite, rubéola, catapora e tuberculose têm voltado a diversos países, matando inúmeras pessoas, sobretudo idosos e crianças. Segundo a OMS, o movimento anti-vacina é um dos maiores desafios da saúde do planeta no momento, que deve ser combatido pela população. Devemos, de forma científica e respeitosa, demonstrar a importância da vacinação e sua eficácia para as pessoas ao nosso redor. Além disso, devemos sempre lembrar que, ao vacinar, você protege não só sua família, mas reduz também a chance de um surto em sua cidade. Diversas pessoas não podem vacinar por problemas de saúde, restando às outras pessoas da sociedade garantirem também sua proteção.

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Número de casos de Sarampo pelo mundo – No Brasil, a doença já havia sido erradicada – Fonte OMS

Em casos extremos, o governo pode exigir a obrigatoriedade da vacinação para garantir a segurança de toda a população. Ao contrário do programa de Oswaldo Cruz, ninguém deve receber a vacina à força, mas o governo pode restringir o acesso de pessoas não vacinadas para a febre-amarela, por exemplo, a locais de risco, como parques e praças, o que incentivará cada vez mais pessoas a se protegerem. Dessa forma, rumaremos para um futuro livre de doenças e cada vez mais seguro.

Referências

http://webpages.fc.ul.pt/~mcgomes/vacinacao/historia/index.html

https://www.who.int/features/factfiles/immunization/en/

https://www.cdc.gov/media/releases/2014/p0424-immunization-program.html

https://www.medicalnewstoday.com/articles/324619.php

Artigo “Vaccines are not associated with autism: An evidence-based meta-analysis of case-control and cohort studies” https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0264410X14006367

http://www.medicinanet.com.br/conteudos/conteudo/2086/coqueluche.htm

http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/66-o-rio-de-janeiro-como-distrito-federal-vitrine-cartao-postal-e-palco-da-politica-nacional/2917-a-revolta-da-vacina

Guerra à Ciência – Parte I – Por que as pessoas não acreditam mais nos cientistas?

Desde o fim da Idade Média, no século XV, movimentos como o Renascentismo e o Iluminismo auxiliaram no desenvolvimento técnico-científico de nosso planeta. Cada vez mais, diversas pessoas pararam de se dedicar às profissões mais comuns e passaram a se dedicar à ciência, que tomou o lugar da religião na explicação de eventos da natureza e se tornou o principal molde da sociedade, sendo respeitada pela maior parte das esferas sociais. Entretanto, nos últimos anos, o pensamento científico da sociedade como um todo entrou em um retrocesso e a ciência vem perdendo força. Afinal, o que fez com que a ciência perdesse sua credibilidade? Nessa série de textos iremos abordar os grandes alvos do movimento anticientífico e os diversos perigos por trás desse discurso, que ameaça, não só o aperfeiçoamento de nossas tecnologias, como também a vida de milhões de pessoas.

Famoso quadro De Anatomische les van Dr. Nicolaes Tulp, de Rembrandt, que aponta o renascimento científico no século XVII

A ciência é baseada no método científico, que consiste no conjunto de regras básicas adotadas para a realização de experiências, com o objetivo de produzir conhecimento. Por meio da observação de um fato e de um questionamento (o que queremos saber daquele fato observado), o cientista irá formular uma hipótese, que será testada de modo que outros cientistas possam repetir seu feito. Após seu experimento, uma análise de dados será realizada e, caso sua hipótese estiver errada, o cientista poderá criar novas hipóteses. Posteriormente, ele apresentará suas conclusões, comentando os resultados obtidos. Após a realização de todas as etapas do método científico, as afirmações serão chamadas de teorias. Um argumento muito usado por anticientistas é de que algo considerado como “apenas uma teoria” demonstra simplesmente a falta do entendimento de como funciona a ciência.

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Esquema de como funciona o Método Científico retirado do site omundodaquimica.com.br

Acredita-se que o movimento anticientífico tomou força a partir dos anos 70, impulsionado inicialmente por grandes setores da economia. Ao questionar o aquecimento global, por exemplo, a produção petrolífera, que movimenta bilhões de dólares anualmente, possibilita que mais pessoas continuem a investir nesse setor, tão prejudicial para o planeta. Dessa forma, algumas indústrias, sobretudo nos Estados Unidos, tentam reduzir a credibilidade de pesquisas científicas como forma de defender seus interesses econômicos, ideologias e crenças, além de financiarem políticos que, por sua vez, também defendam esses interesses.

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Embora dependa totalmente da ciência para seu desenvolvimento, a indústria petrolífera é uma das principais forças contra as ciências climáticas na atualidade

A Anticiência tem como princípio a apresentação de argumentos contra pesquisas e teorias científicas sem bases teóricas concretas, ou seja, que não se utilizam de métodos científicos. Quando direcionada a pessoas que não entendem a fundo o funcionamento da ciência, essa argumentação falaciosa pode convencer milhões de indivíduos, ameaçando a confiabilidade das instituições sérias de pesquisa. Quando relacionada a fatos banais do cotidiano, a anticiência pode não ser preocupante, mas, caso ameace a saúde pública e as decisões políticas do planeta, ela pode se tornar um grande perigo para toda a sociedade.

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Imagem da “Terra Plana”, um dos principais movimentos anticientíficos da atualidade

Um outro ponto extremamente importante é a popularização da internet. O acesso rápido e fácil à informação e a possibilidade do desenvolvimento de conteúdos sem nenhum rigor científico fizeram com que textos e mensagens falsas, sobretudo em redes sociais e no WhatsApp, se propagassem rapidamente. A noção de que a mídia convencional não é imparcial fez com que muitas pessoas se esquecessem de que os escritores autônomos também podem ser parciais, colocando suas crenças pessoais na frente do rigor técnico.

Por fim, os maiores causadores do retrocesso da ciência são a mídia e os próprios cientistas. Enquanto 97% dos cientistas concordam com o aquecimento global, apenas 60% da população dos Estados Unidos acredita em sua existência. Muitas vezes, ao apontar dois lados de um tópico, os argumentos científicos e não-científicos são apontados como equivalentes, o que descredibiliza o método científico perante a população. Por sua vez, os cientistas têm grande dificuldade em expor suas ideias para as pessoas comuns, pecando consideravelmente na divulgação de seus trabalhos. Quando questionados, os pesquisadores, muitas vezes, tendem a apontar a falta de conhecimento de seu questionador, ao invés de realmente tentar entender o por quê daquela pessoa pensar assim e, consequentemente, poder explicar melhor suas descobertas.

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O Movimento Anti-Vacina é, segundo a OMS, um dos maiores perigos atuais para a saúde pública mundial

Por ser tão perigosa, a luta contra a anticiência é algo que deve partir de todos, ensinando, de forma calma e respeitosa, àqueles que não concordem com conceitos empíricos. Dessa forma, mais pessoas entenderão que a ciência não fornece respostas concretas mas, sim, tenta responder perguntas baseando-se em experiências e testes rigorosos e não-enviesados.

Nos próximos textos de nossa série, mostraremos como ideias como a Terra Plana, o Movimento Anti-Vacina, o negacionismo cego ao aquecimento global e o Design Inteligente vêm ganhando força e moldando a sociedade de diversas formas diferentes, ameaçando, inclusive, nossa própria sobrevivência.

Referências

https://netnature.wordpress.com/2017/02/27/por-que-os-cientistas-estao-perdendo-a-luta-para-comunicar-a-ciencia-ao-publico-comentado/

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2605200203.htm

https://netnature.wordpress.com/2017/02/27/por-que-os-cientistas-estao-perdendo-a-luta-para-comunicar-a-ciencia-ao-publico-comentado

http://futureatrisk.blogspot.com/2010/09/o-movimento-anti-ciencia-e-anti.html

 

 

 

 

5 curiosidades e 30 fatos sobre mudança climática que você precisa saber

O que se entende por mudança climática?

O sistema climático é dinâmico e está sempre mudando. No entanto, ‘Mudança Climática’ é um termo que hoje é usado para se referir às mudanças aceleradas dentro do sistema climático, resultantes de alterações antropogênicas da composição atmosférica. A mudança no balanço energético global causada pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa leva a padrões alterados de clima em todo o mundo. As mudanças não ocorrem necessariamente de forma linear ao longo do tempo, nem ocorrem uniformemente em todo o mundo.

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Foto de Alto Crew

O aquecimento global pode ser verdade mesmo se tivermos um inverno mais frio?

O aquecimento global refere-se ao aumento global da radiação líquida que chega ao planeta como um todo (como resultado da composição alterada da atmosfera). Essa energia recebida é redistribuída em todo o planeta pela atmosfera e pelos oceanos, que impulsionam o sistema climático e criam padrões variados de calor e umidade em todo o mundo. Um inverno rigoroso em uma parte do mundo não é contraditório ao aquecimento global médio.

Por que estamos planejando a mudança climática? Não devemos concentrar nossos esforços em tentar pará-la?

As intervenções antropogênicas que já ocorreram mostram que já estamos vinculados a um sistema climático alterado e não há como evitar mudanças aceleradas na temperatura, na precipitação e nos níveis do mar. Assim, além de tentar limitar a mudança reduzindo as emissões, devemos também entender e gerenciar os riscos climáticos, que são inevitáveis.

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Foto de Markus Spiske

Se a mudança climática não vai acontecer por um longo tempo, por que planejar isso por enquanto?

A mudança climática não é apenas uma coisa do futuro. Embora as mudanças de curto prazo possam ser menos extremas do que as mudanças projetadas para 2100, a alteração no clima já está ocorrendo e os riscos nos próximos 50 anos podem ser significativamente diferentes dos riscos atuais. É por isso que a adaptação flexível aos riscos das mudanças climáticas é tão importante e é uma das principais razões para escrever essas diretrizes.

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Foto de Matt Artz

Quais os sinais visíveis da mudança climática ?

Há fortes evidências de aquecimento climático nas últimas décadas a partir de observações de aumentos na temperatura média global do ar e dos oceanos, derretimento de neve e gelo e aumento do nível do mar. O último relatório do Painel Internacional sobre Mudança Climática afirma que os lençóis de gelo da Groenlândia e da Antártida têm perdido massa, assim como a maioria das geleiras do mundo, o gelo do mar Ártico e a cobertura de neve da primavera também continuam a diminuir. O relatório também conclui que a elevação do nível do mar desde meados do século XIX tem sido maior do que a taxa dos dois milênios anteriores e aumentou em média 0,19 milhões desde 1901. Embora nenhuma mudança global consistente na precipitação seja observável, há evidências substanciais de mudanças zonais, como o aumento da precipitação média nas latitudes médias do hemisfério norte sobre a Terra que ocorreram desde a década de 1950. Aumentos na freqüência de eventos de precipitação pesada foram observados na Europa e na América do Norte, e aumentos na frequência e severidade das secas foram observados em grande parte do Hemisfério Norte. Estudos de atribuição sugerem que essas mudanças excedem o que pode ser explicado pela variabilidade natural do sistema climático.

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Foto de William Bossen

Fatos curiosos

  • Fato 1 : a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) e outras agências concordam que a mudança climática é real e é causada principalmente pela atividade humana.
  • Fato 2: A temperatura média global é atualmente de 14°C. Os cientistas preveem que ela pode subir outros 6°C no século 21, se nada for modificado.
  • Fato 3: A temperatura média global é calculada usando vários registros de temperatura em todo o mundo, reunidos pela NOAA, e verificados por outras agências, incluindo a NASA.
  • Fato 4: Normalmente, a luz solar irradia através da atmosfera da Terra e aquece a superfície, depois volta ao espaço. O aquecimento global ocorre quando o calor é retido pelos gases do efeito estufa e, em vez de irradiar de volta, continua a aquecer a superfície da Terra, elevando as temperaturas.
  • Fato 5: Embora a Terra tenha passado por temperaturas mais altas do que as de hoje, a taxa de aquecimento agora desestabilizou e acelerou, criando condições nas quais os humanos acharão cada vez mais difícil prosperar.
  • Fato 6: 2014 foi registrado como o ano mais quente do mundo na história. Embora o aumento da temperatura tenha ocorrido em todo o mundo, os pontos mais quentes incluíram o oeste dos EUA, o leste da Rússia chegando ao Alasca, pontos no interior da América do Sul e a maior parte da Europa até o norte da África.
  • Fato 7: A atividade solar afeta definitivamente a temperatura da Terra, pois é a principal fonte de energia natural. No entanto, os cientistas dizem que a atual mudança climática não é devida apenas ao aumento da atividade solar, porque ao invés de um aquecimento uniforme em todo o mundo, há aquecimento em certas áreas e resfriamento em outras.
  • Fato 8: A atmosfera superior da Terra está esfriando enquanto a baixa atmosfera está aquecendo, devido ao aprisionamento do calor na baixa atmosfera provocado pelos gases do efeito estufa.
  • Fato 9: Tempo frio ou neve não significam que as temperaturas globais não estão subindo, pelo contrário. Os climas mais quentes demonstram a existência de mais vapor de água no ar, o que, por sua vez, significa mais chuva e neve a longo prazo.
  • Fato 10: Os gases de efeito estufa são formados por:

→ Vapor de água – ocorre normalmente na atmosfera autoperpetuante.

→ Óxido Nitroso – gerado pelo cultivo de solo, uso de combustível fóssil, produção de ácido nítrico e queima de biomassa.

→ Metano – gerado por processos naturais e atividades humanas, como cultivo de arroz, manejo de esterco doméstico e decomposição de resíduos.

→ Dióxido de Carbono – Um componente da atmosfera da Terra gerado por processos naturais, incluindo erupções vulcânicas e respiração, também geradas por atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis.

→ Clorofluorcarbonos (CFCs) – um composto feito pelo homem que foi usado em muitos processos de fabricação e outros bem regulados agora.

  • Fato 11: Gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, elevam a temperatura da Terra, que por sua vez aumenta o nível de vapor d’água no ar. O vapor de água em si é um gás de efeito estufa que também provoca a elevação da temperatura.
  • Fato 12: O buraco da camada de ozônio não tem muito a ver com a mudança climática. Ele consiste no afinamento da camada de moléculas de ozônio na atmosfera, causada por clorofluorcarbonos que costumavam ser usados de forma generalizada na fabricação. A camada de ozônio impede que muitos raios ultravioleta atinjam a Terra.
  • Fato 13: Um orçamento de US$ 40 milhões foi alocado para pesquisas sobre mudança climática desde 1990.
  • Fato 14: Devido ao efeito estufa, a temperatura média da terra é de 15 graus ao invés de -18 graus.
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    Foto de Jens Johnsson
  • Fato 15: O dióxido de carbono constitui apenas 3,6% do total de gases de efeito estufa, dos quais 0,12% são atribuídos às atividades humanas.
  • Fato 16: O dióxido de carbono não é o único gás contribuinte para as mudanças climáticas. Outros gases, como o metano e o óxido nitroso, são muito mais perigosos do que o dióxido de carbono.
  • Fato 17: O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) é um dos principais órgãos que lutam contra as mudanças climáticas. Essa entidade é política e não científica.
  • Fato 18: O Protocolo de Kyoto, acordo internacional firmado para analisar e lutar contra as mudanças climáticas, custará mais de 100 trilhões de dólares, fazendo com que comunidades em desenvolvimento e subdesenvolvidas participem.
  • Fato 19: De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (WPF.org), 375 milhões de pessoas são afetadas anualmente por desastres causados por mudanças climáticas. 
  • Fato 20: Nos últimos 50 anos, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou em 30% devido à queima de combustíveis fósseis e emissões de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, óxido nitroso e outros gases, aprisionando mais calor na baixa atmosfera.
  • Fato 21: O aumento das temperaturas causará mais mortes, não por razões naturais, mas como resultado de superaquecimento e disseminação rápida de doenças mortais.
  • Fato 22: Exemplos clássicos de mudanças climáticas podem ser vistos por meio de danos causados pelas fortes chuvas e desastres como o furacão Katrina em 2005.
  • Fato 23:  95% das mortes causadas por mudanças no clima ocorrem em países em desenvolvimento.
  • Fato 24: A mudança climática pode causar sérios impactos à saúde, como estresse por calor, frio extremo, levando a mortes provocadas por doenças cardíacas.
  • Fato 25: Muitas variedades de flora também morrem devido a ambientes inóspitos – a mais conhecida são os corais.
  • Fato 26: A mudança climática aumentou o número e a variedade de pragas que disseminam doenças, como a dengue e a malária.
  • Fato 27: A mudança climática causa mais de 600.000 mortes anualmente, algumas delas devido a doenças causadas pelo aumento da temperatura.
  • Fato 28: Muitas doenças também são provocadas pela contaminação da água transportada para áreas atingidas pela seca.
  • Fato 29: As doenças transmitidas pela água contaminada pelas enchentes mataram mais de três milhões de pessoas desde 2005.
  • Fato 30: Os preços dos alimentos aumentaram e continuarão a subir cerca de 60% até 2030, devido aos efeitos das mudanças climáticas nas lavouras e na pecuária.

Alguma atitude pode e deve ser tomada em relação às mudanças climáticas, seja em grande escala, por meio de governos, empresas e comunidades, ou mediante um esforço individual para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. A hora para começar já passou e não existe um Planeta B.

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Como as áreas alagadas podem influenciar na mudança climática

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Enchentes são nossa culpa?!

O planeta está aquecendo ou resfriando?

 

Referência:

Relatorio IPCC, NASA e NOAA

Os melhores amigos do homem? – Como cães e gatos podem prejudicar nossos ecossistemas

Cães e gatos são, sem dúvida, os animais mais presentes em nosso dia-a-dia. Há pelo menos 14.000 anos e 9.000 anos, respectivamente, esses animais desempenham diversas funções em nossas vidas, como no auxílio para a caça, pastoreio, proteção, transporte, alimentação, controle de pragas e companhia, sendo também muito importantes para a cultura de diversos países. Entretanto, por mais que esses animais sejam de extrema importância para nós e que sejam amados pela maior parte da população, eles podem representar grandes riscos ao meio ambiente.

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Cães e gatos fazem parte de culturas por todo mundo, sendo incrivelmente importantes para a sociedade de muitos países

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Dentro das cidades, a presença de cães e gatos tende a diminuir a diversidade de pequenos animais, como aves e lagartos, em quintais e jardins do mundo todo, uma vez que esses pets espantam e caçam a fauna selvagem. Caso esse comportamento fosse mantido apenas dentro das zonas residenciais, o impacto já seria muito grande. Ainda assim, a maior parte dos gatos domésticos pode vagar livremente, saindo de sua casa quando tem vontade e, dos 900 milhões de cães vivos no mundo, apenas 83% ficam presos, a maioria vivendo soltos em cidades e em zonas rurais.

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Cães e gatos em zonas rurais frequentemente matam pequenos animais, o que pode impactar a fauna local

Para mensurar o impacto de gatos domésticos na vida selvagem, pesquisadores desenvolveram diversos projetos por todo o mundo, com resultados alarmantes. Estima-se que, somente na Inglaterra, gatos sejam responsáveis pela morte de mais de 70 milhões de animais todos os anos. Dados do Smithsonian Conservation Biology Institute apontam que, nos Estados Unidos, esses felinos matam entre 1.3 a 3.7 bilhões de aves e entre 6.3 a 22.3 bilhões de mamíferos. Em arquipélagos, as situações são ainda mais assustadoras, uma vez que o alto índice de endemismo faz com que muitas espécies estejam susceptíveis às extinções. Na Austrália, esses invasores já foram diretamente responsáveis pela extinção de 20 mamíferos nativos e por ameaçar ainda hoje mais 124.  Na Nova Zelândia, o governo propôs, inclusive, o extermínio desses animais, que foi realizado em pequenas ilhas do país.

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Gato feral na Austrália – Foto por Taavo Kuusiku

Programas de eliminação dessa espécie exótica, entretanto, nem sempre se mostram efetivos. Ao eliminar os gatos de algumas ilhas da Oceania, a população de ratos (também introduzido) aumentou drasticamente, ameaçando ainda mais a fauna local. Esse tipo de desequilíbrio mostrou-se problemático, uma vez que se observa a presença de ratos na maior parte das ilhas nas quais gatos foram também introduzidos, o que leva os pesquisadores a questionarem a eficiência dessas ações.

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Pragas de ratos são comuns por toda a Oceania em áreas com ausência de gatos

Os cães domésticos, por sua vez, possuem um impacto direto menos significativo. Entretanto, o abandono excessivo, somado à falta de barreiras físicas que impeçam a fuga de grande parte desses animais, contribuiu para o surgimento de grandes populações ferais, ou seja, quando um animal doméstico adquire características que permitem sua sobrevivência na natureza. Grandes matilhas de cães ferais vivem hoje na América do Sul, Europa e Ásia, onde caçam desenfreadamente grandes herbívoros e ameaçam mais de 200 espécies pelo mundo. Impactam, também, nas populações de grandes carnívoros, por transmitirem doenças e oferecerem intensa competição.

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Cachorro feral caçando um antílope (acima) e um cervo (abaixo) , na Índia – PITAM CHATTOPADHYAY e VIKASPATIL

Dogs attack a spotted deer in Karnata state of south India

O extermínio de cachorros também é empregado, nos casos em que esses carnívoros ameacem diretamente a fauna afetada ou vidas humanas. Em Bucareste, na Romênia, a população de cães de rua com comportamentos ferais cresceu drasticamente nas últimas décadas. Somente em 2012, mais de 16.192 pessoas foram mordidas por cães na cidade e, em 2013, uma criança de quatro anos foi atacada e morta, o que gerou extremo descontentamento popular com esses animais. Desde então, mais de 25 mil desses canídeos foram mortos por agentes governamentais. No Chile, por sua vez, grandes matilhas passaram a viver nos arredores de Santiago, caçando e matando veados ameaçados locais, o que gerou a liberação da caça de cães.

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Bucareste possui uma das maiores populações de cães de rua do mundo, mesmo após o extermínio em massa desses animais

Então, o que devemos fazer? Primeiramente, vale ressaltar que a culpa por esses acontecimentos é exclusivamente nossa e que erros humanos não devem justificar o mau-trato a esses organismos. O abandono e o manejo incorreto desses animais fazem com que eles ofereçam riscos, não só para as pessoas, mas para todo o ecossistema, o que deve ser tratado de forma extremamente delicada. O governo neozelandês e ONGs locais vêm incentivado a população a castrar seus gatos e a não adquirir um novo após eles morrerem, o que poderia extinguir os gatos do país até 2050. Essa orientação vem sendo copiada por alguns países insulares. A Holanda, por sua vez, conseguiu acabar com todos os cães de rua do país, por meio de amplas campanhas de sensibilização da população, de feiras de adoção e da promoção da castração gratuita para animais domésticos. Já o Chile e a Nova Zelândia capturam cães e gatos ferais e os devolvem à natureza após a sua castração, o que evita o crescimento populacional.

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Após castrados, gatos da Nova Zelândia retornam à natureza, impossibilitando a geração de impactos nas gerações futuras.

Para oferecer segurança às pessoas e aos animais, devemos ter a consciência de que cães e gatos são organismos que, como qualquer outro, têm o poder de impactar em seu ambiente. Ao mantermos gatos e cães em casa, fora dos momentos de passeio, evitamos a morte desenfreada de inúmeras espécies nativas. Além disso, a castração é uma excelente opção para quem possui animais soltos, uma vez que impede a reprodução indesejada e, consequentemente, evita o abandono, reprimindo, também, o sofrimento animal. Devemos evitar ao máximo alimentar cachorros e gatos de rua em ambientes como parques, uma vez que estes lugares abrigam uma enorme variedade de vida selvagem, que pode correr riscos com a presença desses animais . Por fim, devemos lembrar que, além de nossos amigos, esses seres são nossa responsabilidade e que, cuidando bem do seu pet, você estará também zelando pelo nosso planeta.

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Atualmente, nenhum cão vive nas ruas da Holanda, que é considerado o lugar do mundo com o maior bem estar canino.

Referências

https://theconversation.com/the-bark-side-domestic-dogs-threaten-endangered-species-worldwide-76782

https://www.bbc.com/news/science-environment-47062959

https://cascadesraptorcenter.org/articles/the-effects-of-cats-on-wildlife

https://www.smithsonianmag.com/science-nature/moral-cost-of-cats-180960505/

https://www.protectnatureto.org/wp-content/uploads/2017/07/Impacts-of-dogs-on-wildlife-10-Aug-16.pdf

https://www.clintonherald.com/news/local_news/feral-cat-program-plans-forwarded/article_2dc67114-3caa-56fd-9747-5cc7713567ae.html

Artigo publicado na Nature “The impact of free-ranging domestic cats on wildlife of the United States” – https://www.nature.com/articles/ncomms2380

 

 

Como as áreas alagadas podem influenciar na mudança climática

Os cientistas desenterraram e juntaram provas em mais de mil locais antigos de zonas úmidas de todo o mundo, que estão atualmente cobertos por campos, florestas e lagos. Penhascos, pedreiras, construções de estradas e amostragem científica revelaram depósitos de terras úmidas, ricas em carbono, enterrados sob outros tipos de solos e sedimentos.

Muitas zonas úmidas são caracterizadas por depósitos espessos de material vegetal (ou turfa) não decomposto, que é frequentemente preservado, indicando a presença de zonas úmidas em anos anteriores. Os pântanos enterrados frequentemente incluíam pântanos costeiros que haviam sido inundados pelo aumento do nível do mar e áreas alagadas que haviam sido enterradas por geleiras, inundações ou sedimentos depositados pelo vento.

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Dados globais

Os pesquisadores compilaram as informações sobre esses depósitos de terras úmidas enterradas, inclusive onde foram encontrados, quando se formaram e por que foram enterrados. O estudo foi conduzido pelo Dr. Treat, na Universidade da Finlândia Oriental, e pelo Dr. Thomas Kleinen, no Instituto Max Planck de Meteorologia na Alemanha. A Dra. Claire Treat, da Universidade do Leste da Finlândia, salientou: “Ficamos muito surpresos quando começamos a combinar os nossos dados de diferentes locais ao redor do mundo. Pensamos que seriam apenas alguns dados e acabaram sendo apenas a ponta do iceberg.

“Quando começamos a procurar mais exemplos de estudos anteriores, identificamos mais de 1.000 locais de áreas úmidas (wetlands) enterradas em todo o mundo”. Dra. Claire Treat

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Os locais de zonas úmidas enterradas foram encontrados, desde as altas ilhas do Árctico, do Canadá e da Sibéria, até a África tropical e Indonésia, ao sul do nosso continente e Nova Zelândia. Alguns se formaram a menos de 1.000 anos atrás, enquanto outros se formaram durante o período de clima quente entre as duas últimas glaciações, há mais de 100.000 anos.

Novas descobertas

Usando esses registros de presença de zonas úmidas desde o início do último interglacial, há 130 mil anos, os pesquisadores descobriram que as zonas úmidas nas latitudes norte respondiam às mudanças no clima. Muitas zonas úmidas foram formadas quando o clima era mais quente e muitas delas foram enterradas durante períodos de avanço glacial e resfriamento do clima. Quando estava frio, poucas novas terras úmidas se formaram até o clima se aquecer novamente. Alguns destes sedimentos de turfa enterrados permanecem até hoje.

Essas novas descobertas de picos generalizados enterrados sugerem que, em geral, o enterro de turfa pode resultar na lenta transferência de carbono da atmosfera para a terra, compensando uma pequena parte do aquecimento climático no passado.

O Dr. Treat afirmou: “O fato das turfas estarem enterradas e permanecerem em terra é basicamente como um vazamento inverso no que normalmente consideraríamos um sistema fechado de como o carbono se move ao redor da Terra, da atmosfera para a terra e os oceanos.

“Essa nova descoberta não está representada em nossos modelos do ciclo de carbono global e pode ajudar a explicar alguns comportamentos que diferem entre modelos e observações”.

Os resultados também sugerem que as áreas úmidas atuais podem continuar a compensar as concentrações crescentes de CO2 atmosférico, à medida que o clima se aquece, caso permaneçam inalteradas pela drenagem e pelos incêndios florestais.

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De acordo com o estudo, as áreas úmidas de solos congelados do hemisfério norte e das regiões tropicais armazenam mais de 600 pentagramas de carbono. Isso corresponde a mais de dois terços do total de carbono presente na atmosfera, e quase a mesma quantidade presente na biomassa florestal global.

As wetlands ou zonas úmidas são muito vulneráveis às alterações no uso e ocupação do solo causados por ações antrópicas. Essas mudanças interferem no sequestro de carbono na atmosfera e suas características estarão associadas, em geral, à condições locais.

A importância das wetlands enterradas não está associada somente ao ecossistema e à preservação de espécies. Ela também é um meio de reduzir a quantidade de gases de efeito estufa, minimizando o impacto do homem na atmosfera.

 

 

Referência: 

Baseado em um comunicado de imprensa da Universidade da Finlândia Oriental.

 Artigo : Wetlands In a Changing Climate: Science, Policy and Management

O Fim dos Gigantes – Conheça o papel do ser humano na extinção dos animais pré-históricos

Imagine uma grande savana, repleta de herbívoros pastando, equinos selvagens, macacos e aves. Grandes mamíferos semi-aquáticos dividem os rios com enormes crocodilianos, enquanto as áreas abertas abrigam grandes manadas de elefantes e grandes animais pescoçudos, que se alimentam de folhas de acácias. Felinos de grande porte caçam em bandos familiares e grandes migrações cortam todo o continente, seguindo as chuvas sazonais. Embora pareça um clássico cenário de um safári africano, estamos falando da América do Sul, há cerca de 20 mil anos. Ecossistemas complexos, recheados com animais gigantes, eram extremamente comuns em todos os continentes, com exceção da Antártida, até pouco mais de 40 mil anos atrás. O que aconteceu com essa fauna? Por que, de todos os locais do planeta, a África foi o lugar em que mais se preservou desde o Pleistoceno? E, afinal, a culpa foi nossa?

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Megafauna da América do Sul durante o Pleistoceno – Por Maurício Antón

Para entender o desaparecimento dos grandes animais, devemos entender, primeiro, quem eles são e como era o mundo durante os últimos milhares de anos. Megafauna é um termo utilizado para se referir a quaisquer animais com mais de 40kg, segundo alguns autores, e com mais de 100kg, segundo outros. Para nosso texto, consideraremos o primeiro conceito, por abranger grande parte da megafauna extinta. Há cerca de 21 milhões de anos, um longo período de glaciações tornou o clima terrestre extremamente seco, o que promoveu a redução de florestas e o aparecimento de grandes savanas e pradarias por todo o mundo. A ampla disponibilidade de alimento e a pressão seletiva de grandes predadores permitiu uma rápida diversificação de grandes herbívoros, que consequentemente geraria a seleção de carnívoros cada vez maiores. Há 6 milhões de anos, a expansão do gelo na Antártida tornou o planeta ainda mais frio e seco, fazendo com que as pradarias fossem os maiores ecossistemas em terra firme.

Savana africana há 2 milhões de anos – Por Maurício Antón

Entretanto, o reinado da megafauna começaria a ruir há cerca de 3 milhões de anos. Desde o final do Mesozóico, a América do Sul vivia isolada do resto do mundo, possuindo animais e plantas totalmente endêmicos, como tatus e preguiças gigantes, tamanduás, grandes ungulados, marsupiais carnívoros e aves do terror. Mudanças geológicas durante o Plioceno, há 2,7 milhões de anos, conectaram a América do Norte à América do Sul, gerando o Grande Intercâmbio Interamericano, no qual diversas ondas de migração permitiram trocas faunísticas entre os continentes. A entrada em massa de herbívoros vindos do norte causou uma enorme pressão nas populações de ungulados sul-americanos, que aos poucos foram se extinguindo até restarem poucas espécies. Por outro lado, a chegada de onças e tigres-dentes-de-sabre eliminou a presença das grandes aves carnívoras e marsupiais predadores nos ecossistemas neotropicais.

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Ecossistema sul-americano do Mioceno, com a presença de grandes condores, marsupiais carnívoros, notoungulados e preguiças-gigantes – Por Oscar Sanisidro
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O Grande Intercâmbio Interamericano permitiu a chegada de diversos mega-herbívoros no continente, como elefantes (Cuvieronius hyodon) e antas (Tapirus sp.) – Artista desconhecido
A chegada de tigres-dentes-de-sabre afetou, tanto  as populações de herbívoros nativos (acima), quanto de outros carnívoros, como as aves-do-terror (abaixo) – Por Maurício Antón e Julio Lacerda

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A onça-pintada (Panthera onca) é um dos animais provenientes da América do Norte que ainda vivem em nossa fauna. Nessa imagem, a onça é cercada por Glyptodon reticulatus adultos após matar um filhote – Por Velizar Simeonovski

Enquanto isso, um novo grupo de animais surgiu na África, que mudaria para sempre o curso da história do planeta: os hominíneos. Esses estranhos primatas que viviam em grandes grupos familiares começaram a criar ferramentas há cerca de 3,1 milhões de anos, o que rapidamente moldou a sua evolução. Em milhares de anos, nossos ancestrais transformaram-se, de coletores e carniceiros a caçadores ativos, que utilizavam tecnologias relativamente complexas para matar grandes animais. Rapidamente, o gênero Homo se espalhou por toda África e, no meio do Pleistoceno, já havia colonizado a Ásia e Europa. Nessa época, diversas espécies de girafídeos, camelídeos, elefantes e carnívoros foram extintos pela África e Ásia, provavelmente devido à expansão humana.

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Caçadores Homo habilis – Por Maurício Antón

O final do Pleistoceno foi marcado por diversas mudanças no planeta. Há cerca de 130.000 anos, uma onda de extinções ocorreu por todo o Hemisfério Norte, varrendo ecossistemas inteiros, devido ao rápido ciclo de avanços e retrações de geleiras pelos continentes. Setenta mil anos atrás, uma nova onda de extinções varreu a Ásia e Europa, mas, dessa vez, a culpa provavelmente foi nossa. Embora pareça impossível que a megafauna tenha sido extinta por primatas relativamente pequenos, a reprodução extremamente lenta desses animais e a preferência humana por caçar filhotes foi um fator determinante para o declínio dos mega-herbívoros, que provocou o declínio subsequente dos mega carnívoros. Após a extinção dos mamutes na Sibéria, há 10 mil anos, o solo foi sendo compactado e se tornou praticamente infértil, extinguindo os grandes ecossistemas no norte da Ásia.

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Humanos caçando um rinoceronte-lanoso – Por Julio Lacerda
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Os mamutes eram indispensáveis para a complexidade dos ecossistemas na Sibéria – Por Beth Zaiken

Há cerca de 45 mil anos, a chegada dos seres humanos na Austrália coincide com o declínio da megafauna. Nessa grande área, diversos marsupiais do tamanho de rinocerontes conviviam com lagartos gigantes e com leões-marsupiais. Provavelmente, o uso do fogo para limpar pastagens e para atrair grandes herbívoros para áreas de caça foram o principal fator para o declínio tão acentuado desses animais tão estranhos.

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Thylacoleo e o canguru-gigante são exemplos da megafauna australiana extinta pelo homem – Por Maurício Antón
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Wombates-gigantes eram frequentemente caçados pelo Megalania, um lagarto de 6 metros – Por Laurie Beirneil

A chegada do ser humano na América do Norte pelo Estreito de Bering, há 15 mil anos,  comprometeu ainda mais as populações já fragilizadas pela retração de geleiras. Nessa época, grande parte da megafauna icônica da Europa, Ásia e Austrália já havia desaparecido completamente. As diversas ondas migratórias pelas Américas impactaram diferentes grupos de animais em épocas distintas, mas os mega-herbívoros (com mais de 1000 kg) foram os primeiros a desaparecer. Além disso, os humanos locais ainda roubavam caças provenientes dos ataques dos lobos-gigantes e tigres-dentes-de-sabre, o que também reduziu suas populações.

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Mastodontes desapareceram há cerca de 11 mil anos – Por Roman Yevseyev

Na América do Sul, por sua vez, poucos dados apontam causas reais para a extinção da megafauna, mas, com certeza, o homem também possui certo nível de culpa. A maior parte dos grandes animais do Pleistoceno sumiu completamente do continente há cerca de 13 mil anos (que também coincide com a chegada humana), deixando enormes ecossistemas vazios em seu caminho. Estima-se que o Cerrado, que ainda hoje é a savana mais biodiversa do mundo, teria muito mais animais gigantes que a África, caso o ser humano não tivesse colonizado o continente.

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Savana sul-americana antes da chegada dos humanos no continente
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Tigre-dentes-de-sabre (Smilodon populator) e preguiça-gigante (Megatherium americanum) extintos entre 11 e 7 mil anos atrás – Por Rodolfo Nogueira

Por fim, as colonizações do Caribe (6 mil anos atrás), das ilhas do pacífico (3 mil anos), de Madagascar (2 mil anos) e da Nova Zelândia (700 anos) dizimaram rapidamente a frágil megafauna insular do mundo. As últimas preguiças-gigantes do mundo morreram há 5 mil anos em uma pequena ilha do Caribe, mais de mil anos depois da invenção do vinho. Os últimos mamutes, por sua vez, morreram há 2650 anos, após a construção das Pirâmides do Egito mais famosas. Pouco a pouco, o mundo foi obtendo a formação faunística que conhecemos hoje, grande parte por nossa culpa.

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Moa (Diornis spp.), ave extinta de 3 metros de altura da Nova Zelândia – Por Mark A. Garlick

Embora a África tenha sido o primeiro continente afetado pela ação humana, ele foi o menos atingido pela extinção em massa entre o Pleistoceno e o Holoceno. Parte disso se deve à sua geolocalização, uma vez que seus ciclos climáticos não foram tão alterados pelas glaciações. Além disso, a evolução dos hominíneos nesse local contribuiu para a maior resistência da megafauna ao homem, uma vez que evoluíram em conjunto por milhões de anos. As colonizações humanas em outros continentes foram extremamente rápidas, impedindo a seleção de características mais vantajosas que permitiriam as adaptações necessárias para a sua sobrevivência.

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Principais espécies da megafauna de cada continente, com espécies viventes (verde) e extintas (preto). A África é o continente com a megafauna mais bem preservada desde o Pleistoceno.

 

Nos últimos milênios, o ser humano extinguiu mais de 83% das espécies de mamíferos do nosso planeta, o que contribuiu para a destruição de redes tróficas complexas e ecossistemas inteiros. Em nossa presença, as espécies se extinguem cerca de mil vezes mais rápido do que ocorreria em condições normais, número este que só aumenta com a degradação ambiental, introdução de espécies exóticas e caça predatória, crescentes a cada ano pelo mundo.

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Comparação entre densidade atual de diferentes grupos de animais (esquerda) e densidade esperada caso as extinções do Pleistoceno não tivessem ocorrido (direita) – Por Svenning et. al.

A megafauna de nosso planeta está em risco. Temos extinguido nossa grande fauna há milhares de anos e, com ela, extinguimos também redes complexas de interações que ocasionam o desaparecimento de diversos outros organismos. Se não tomarmos cuidado, em poucos anos nossos elefantes, rinocerontes, tigres e leões terão seguido o caminho de seus antigos vizinhos. Precisamos ter a consciência de que o espaço em que vivemos já pertenceu a inúmeros organismos extintos e que, cabe a nós, impedir que esse erro continue se repetindo.

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Representação da fauna do Pleistoceno no centro da cidade de Los Angeles – Por Brian Engh

Referências

Extant Megafauna Frugivores

https://www.theguardian.com/environment/2018/may/21/human-race-just-001-of-all-life-but-has-destroyed-over-80-of-wild-mammals-study

https://www.bbc.com/news/science-environment-41417633

Artigos

Science for a wilder Anthropocene: Synthesis and future directions for trophic rewilding research – Jens-Christian Svenning, Pil B. M. Pedersen, C. Josh Donlan, Rasmus Ejrnæs, Søren Faurby, Mauro Galetti, Dennis M. Hansen, Brody Sandel, Christopher J. Sandom, John W. Terborgh, and Frans W. M. Vera

Megafauna and ecosystem function from the Pleistocene to the Anthropocene
Yadvinder Malhi, Christopher E. Doughty, Mauro Galetti, Felisa A. Smith, Jens-Christian Svenning, and John W. Terborgh

 

 

Minimalismo e o Ambientalismo: movimentos que andam lado a lado

Você já se perguntou sobre a história do minimalismo e o que o minimalismo, como estilo de vida, realmente significa? É provável que você tenha ouvido falar sobre isso, mesmo que você não pratique. Há uma história interessante sobre a prática do minimalismo que, além de trazer às pessoas uma vida mais plena e feliz, ajuda o meio ambiente.

O que é o minimalismo como estilo de vida?

O minimalismo moderno é uma prática de consciência e intenções em relação a seus pertences, tempo e energia. Algumas pessoas erroneamente tentam usar a palavra da mesma forma que você faria para o design minimalista, que seria “caracterizado pela extrema escassez”. Minimalismo é uma prática porque é feito de forma consciente e consistente. Não existem regras ou padrões para definir um minimalista. O objetivo não é atingir a perfeição ou um estado obsessivo. É priorizar e viver de uma maneira que pareça completa e autêntica.

Minimalistas colocam ênfase nos pertences porque acreditam que os ambientes em que moram e o que consomem afetam grandemente todos os outros aspectos de suas vidas. Todos os nossos pertences exigem algo de nós, seja nosso tempo, nosso foco, nossa energia. Com o minimalismo, há um foco maior naquilo que realmente importa, praticando a consciência dos pertences que possuímos e de como eles nos afetam. A diminuição é na quantidade, focando na qualidade.

É uma mudança de mentalidade

Minimalismo é uma mudança de mentalidade como qualquer outra área de melhoria focada. Quando você decide ficar saudável, por exemplo, você precisa mudar sua mentalidade sobre comida e exercício. Como o minimalismo tem uma forte ênfase na priorização, ele naturalmente continua em outras áreas de sua vida. Então, enquanto você pode começar por organizar sua casa, você acaba também agilizando sua agenda e priorizando seus relacionamentos. Ao invés de comprar aquilo que você já possui, o minimalismo é focado em coisas duráveis e de qualidade que serão úteis por muito mais tempo. Sua mente começa a filtrar as coisas de maneira diferente por meio de uma prática construída sobre o que realmente importa.

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História do Minimalismo

Se você está procurando por algumas origens distantes do minimalismo, pode realmente encontrar menções ao longo da história. Muitos grupos religiosos, do budismo ao cristianismo, têm alguma menção de renunciar posses para ganhar foco espiritual ou sabedoria. Alguns exemplos mais extremos incluem monges budistas e freiras católicas. Isso apenas lhe dá uma ideia de até onde os princípios da redução de pertences podem contribuir para o ganho em áreas de maior importância.

Agora, se você procurar uma definição de minimalismo em um dicionário oficial provavelmente não encontrará o que procura. Isso porque, até muito recentemente, a palavra minimalismo não era usada para definir um estilo de vida. De fato, originalmente não tinha nada a ver com desordem ou pertences. O termo minimalismo tornou-se popular nos anos 50 e 60 para tendências simplistas, primeiro na música e depois na arte e no design. As ideias eram as mesmas, para remover tudo, exceto o instrumento ou as peças de design.

À medida que o minimalismo se tornou popular no design e na arquitetura das casas, as pessoas começaram a perceber os aspectos visualmente atraentes do minimalismo para si mesmos. Mas isso foi apenas o começo.

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Arquitetura Minimalista

Minimalismo é um movimento em direção à simplicidade e longe do consumismo.

Minimalismo e sua relação com o meio ambiente

O consumismo como conhecemos se iniciou na Revolução Industrial. Foi quando mudamos de produtos artesanais para produtos industrializados e começamos a produzir em massa. A produção em massa levou à superprodução.

Naomi Klein, em seu livro This Changes Everything, diz que “a verdade é que, se quisermos viver dentro dos limites ecológicos, precisaremos retornar um estilo de vida semelhante ao que tivemos nos anos 70, antes que os níveis de consumo enlouquecessem nos anos 80 ” Até mesmo o papa Francisco, em sua encíclica, culpou a “cultura do consumismo” pela mudança climática.

A fast fashion, por exemplo, cresceu como uma indústria por causa do consumo excessivo. De acordo com um artigo de Sarah Ripper, da Uplift, as pessoas estão comprando 400% mais roupas do que há 20 anos, e os impactos ambientais são surpreendentes. Em 2014, verificou-se que 85% dos materiais produzidos pelo homem encontrados nas margens dos oceanos eram de microfibras, materiais sintéticos usados ​​em roupas. Além disso, para produzir a demanda de 2 bilhões de jeans por ano são necessários 7.000 litros de água para cada peça. Com tudo isso em mente, é hora de as pessoas adotarem um estilo de vida mais simples e consumirem menos.

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O minimalismo é apenas para os privilegiados?

O minimalismo, no entanto, gera alguns debates sobre a tendência dessa prática ser apenas para os privilegiados e para aquelas pessoas que possuem acesso ao conhecimento. Um artigo de Kyle Chaka, publicado no New York Times, discute como a tendência atual sobre o minimalismo se baseia em “capital social, uma rede de segurança e acesso à internet”. Além disso, o artigo considera o minimalismo de hoje como “arrogante” e que ele apenas nos faz consumir “mais de menos”. Porém, segundo pesquisa do IBOPE, as Classes A e B representam 53% do potencial de consumo no Brasil. Dessa forma, mesmo que a onda minimalista seja de maior acesso elitista, essa prática vai abranger aqueles que mais consomem, reduzindo assim grande parte da geração de resíduos para o meio ambiente.

No mesmo estudo mencionado anteriormente, os pesquisadores descobriram que “o consumismo era muito mais alto nos países ricos do que nos países pobres e que aqueles com as taxas mais altas de consumo tinham até 5,5 vezes o impacto ambiental da média mundial”. Segundo relatório da Christian Aid, 20% da população mundial é responsável por cerca de 80% do consumo de recursos globais e o mundo está consumindo 50% a mais do que é ambientalmente sustentável.

Assim como muitos outros movimentos pelo mundo, é importante lembrar o quanto o minimalismo gera uma melhor qualidade de vida nas pessoas e na redução dos impactos negativos ao meio ambiente. Entender a cadeia produtiva de tudo aquilo que consumimos, desde a sua produção até o destino final, deveria ser uma obrigação de todo cidadão. Sendo assim, parece que hoje em dia muitas pessoas têm encontrado a felicidade em minimizar as coisas que possuem, incorporando o mantra “menos é mais”, onde possuir menos é proporcional à liberdade.

Bem-vindo a um novo mundo no qual, mesmo sendo dedicado ao consumismo e à produção em massa, já existem milhares de pessoas que estão trazendo a mudança e tentando minimizar a pegada destrutiva que os seres humanos vêm deixando no mundo. Haverá um dia em que não poderemos escolher se seremos minimalistas ou não, pois os recursos serão tão escassos que essa prática, que hoje ainda é pouco conhecida, será uma imposição. 

 

 

 

 

 

Referências: 

Climate Tracker

Livro “This Changes Everything”

Artigo “What is the real cost of That Dress?”

Artigo “The Oppressive Gospel of the Minimalism”

Artigo “Consumerism plays a huge role in climate change”

A Volta dos que Não Foram – Como espécies extintas podem ser encontradas novamente

Recentemente, um grupo de pesquisadores do Equador se deparou com uma enorme surpresa durante um trabalho de campo. Em uma expedição na floresta de Chocó, os cientistas se depararam com a perereca Gastrotheca cornuta, uma espécie que possui estruturas semelhantes a chifres, olhos dourados e uma estranha bolsa nas costas das fêmeas que serve para guardar seus ovos. O mais impressionante é que esse animal não era visto há mais de uma década e, portanto, era considerado extinto na natureza. Mas afinal, como esse anfíbio retornou da extinção?

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Foto de uma Gastrotheca cornuta em cativeiro, com ovos em sua bolsa nas costas – Foto por Joel Sartore

Ao contrário da desextinção, que consiste na clonagem de espécies extintas ou na manipulação de espécies atuais para aproximá-las de seus antepassados, o processo que vemos aqui é completamente natural. Devido à falta de técnicas mais precisas para encontrar espécies, à sua localização isolada ou simplesmente à extensão de nosso planeta, muitas vezes animais e plantas são dados como extintos e reaparecem anos depois. São as chamadas “Espécies Lazarus”, em alusão a Lázaro, personagem Bíblico que morreu e foi ressuscitado por Jesus Cristo. Embora raras, essas espécies demonstram nossa falta de conhecimento da complexidade do mundo natural e nos dão uma nova chance de preservar organismos considerados extintos anteriormente. A seguir, veremos alguns exemplos de animais e plantas que quebraram a barreira da extinção e, pelo menos ao nosso ver, retornaram à vida.

Minhoca gigante de Washington (Driloleirus americanus)

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Foto: Universidade de Idaho, Kelly Weaver

O primeiro animal da nossa lista é um caso clássico, que demonstra as nossas limitações para encontrar as espécies que buscamos. Essa grande minhoca, que pode chegar a quase um metro de comprimento e que exala um odor semelhante ao do lírio, não era vista desde a década de 1980 e foi considerada extinta por vários anos, até ser redescoberta em 2005. Embora provavelmente ameaçada, essa espécie não é facilmente encontrada, sobretudo, devido a seu habitat, mais de 5 metros abaixo da superfície.

Gecko-de-crista                          (Correlophus ciliatus)

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Foto: Harry Lyndon-Skeggs

Esse simpático lagarto foi descoberto na ilha de Nova Caledônia, em 1866 e, anos depois, foi considerado extinto pela ciência, uma vez que não foi mais avistado depois de seu primeiro registro. Entretanto, após uma forte tempestade ocorrida em 1994, um desses indivíduos caiu do alto de uma árvore e foi encontrado pelo cientista Robert Seipp. Por viver no alto das árvores em uma região remota, a espécie permaneceu escondida por mais de um século e, após várias expedições, centenas de indivíduos foram encontrados. Por muitos anos, cientistas reproduziram esses animais em cativeiro para estudo e, por um tempo, sua exportação foi permitida pelo país. Atualmente, é um dos lagartos mais populares como pet no mundo, sendo criado legalmente em diversos países, embora seu status no ambiente natural ainda seja preocupante.

Tartaruga Gigante de Galápagos de Fernandina                                                        (Chelonoidis phantastica)

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Foto: Rodrigo Buendía

Mesmo em uma ilha, encontrar um animal pode ser um desafio. Descoberto em 1906, esse jabuti gigante nunca mais foi visto e, portanto, acreditava-se que a espécie havia se extinguido. Apenas um exemplar havia sido coletado, o que fez com que muitos cientistas duvidassem que essa fosse uma espécie distinta das outras tartarugas-gigantes-de-Galápagos já conhecidas. Entretanto, para a surpresa de muitos, uma fêmea foi encontrada em fevereiro de 2019 e, devido a expedições no local, acredita-se que outros indivíduos ainda existam. Sua população atual não deve ultrapassar os 5 indivíduos, o que torna sua sobrevivência pouco provável, mas sua descoberta abre portas para tentativas de sua preservação.

Cachorro-do-Mato-Vinagre           (Speothos venaticus)

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Um dos casos mais curiosos de nossa lista aconteceu no Brasil, no estado de Minas Gerais. Peter Lund, considerado o pai da paleontologia brasileira, foi um brilhante cientista dinamarquês que passou grande parte da sua vida em Lagoa Santa, onde se dedicou a estudar e classificar espécies fósseis e atuais. Em sua casa, ele criava diversos animais para estudo que, posteriormente, sacrificava para registrar sua estrutura óssea. Um dos animais que criou foi um cachorro-do-mato-vinagre, que considerou uma nova espécie. O que ele não percebeu foi que a espécie já havia sido descoberta poucos anos antes, em 1839, por ele mesmo. Ao encontrar um fóssil de um canídeo em uma caverna, ele imaginou que se tratava de uma espécie extinta há milhares de anos, mal sabendo ele que teria um exemplar vivo em sua casa, quatro anos depois.

Metasequoias                                            (Metasequoia glyptostroboides)

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O reaparecimento de criaturas desaparecidas há centenas e até milhares de anos é impressionante, mas nada se compara aos organismos que ressurgem após períodos geológicos inteiros. As metasequoias eram conhecidas apenas pelo registro fóssil, supostamente extintas há mais de 100 milhões de anos, durante o período Cretáceo. Entretanto, em 1943, um pesquisador chamado Zhan Wang coletou amostras de estranhas árvores que encontrou em uma região remota da China e descobriu a similaridade entre as espécies, que foram sinonimizadas em 1946.

Celacanto                                                           (Latimeria spp.)

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Fóssil de celacanto do Cretáceo
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Celacanto atual (Latimeria chalumnae) – Foto de oceana.org

Os celacantos são, sem dúvida, os táxons lazarus mais famosos. Esses animais eram conhecidos a partir de fósseis e, junto com os dinossauros não-avianos, pterossauros e diversos répteis marinhos, teriam sido extintos na última grande extinção em massa de nosso planeta, há 66 milhões de anos. Em 1936, entretanto, Marjorie Courtenay-Latimer, curadora de um museu na África do Sul, foi surpreendida ao ver um espécime em uma rede de pesca. Desde então, celacantos já foram vistos em diversos países africanos e, anos depois, uma segunda espécie foi descoberta na Indonésia.

Anomalocaridid

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Anomalocaris canadensis (ROM 51214) – Foto por Jean-Bernard Caron
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Representação de um Anomalocarideo – Por Julio Lacerda

Muitas vezes, a preservação de um determinado grupo no registro fóssil é extremamente reduzida, sobretudo devido à dinâmica dos solos, o que gera grande representatividade de táxons lazarus na paleontologia. É o caso dos Anomalocarideos, um grupo de artrópodes do Cambriano que desapareceu completamente no final desse período e reapareceu milhões de anos depois, no meio do Ordoviciano. Por alguma razão, nenhum desses animais foi preservado durante uma grande escala temporal (ou os que foram ainda não foram encontrados), o que gera um buraco no nosso conhecimento desse grupo.

Mas, afinal, espécies redescobertas devem ser divulgadas?

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Rinoceronte-de-Bornéu (Dicerorhinus sumatrensis harrissoni) – 

Embora encontrar viva uma espécie considerada extinta possa auxiliar na sua proteção, casos no passado mostraram que isso nem sempre acontece. O rinoceronte-de-Bornéu (Dicerorhinus sumatrensis harrissoni) foi considerado extinto por 27 anos, até ser redescoberto em 2013, o que fez com que o governo criasse leis de proteção à esse animal. Atualmente, estima-se que sua população seja de 15 animais e, desde a criação das leis protetivas, pouco foi feito para garantir e fiscalizar o seu cumprimento. Pesquisadores temem que, com a redescoberta desses animais, caçadores sejam atraídos para a região em busca dos seus chifres, que podem valer quantias exorbitantes no mercado negro. Portanto, a descoberta das espécies lazarus podem determinar sua sobrevivência ou sua extinção. Os táxons lazarus são para sempre um lembrete dos organismos de nosso planeta que quase perdemos, muitas vezes por nossa causa, além de serem uma nova chance para mudar positivamente o destino de uma espécie.

Referências

https://www.theguardian.com/science/2019/mar/10/the-five-back-from-the-brink-species-thought-exctinct-giant-tortoise-horned-marsupial-frog

https://www.nationalgeographic.com/animals/2018/12/lost-marsupial-frog-rediscovered-ecuador-choco-forest/

http://theconversation.com/meet-the-lazarus-creatures-six-species-we-thought-were-extinct-but-arent-50274

https://scroll.in/article/915875/species-thought-to-be-extinct-are-being-sighted-again-are-they-rising-from-the-dead

https://faunalytics.org/is-secrecy-good-conservation-policy-the-case-of-lazarus-species/

https://www.theguardian.com/environment/2019/feb/21/giant-tortoise-believed-extinct-for-100-years-found-in-galapagos

https://www.iucnredlist.org/species/170517/128969920

https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/02/20/encontrada-no-equador-tartaruga-gigante-considerada-desaparecida-ha-um-seculo.ghtml

Artigo “A review of bush dog Speothos venaticus (Lund, 1842) (Carnivora, Canidae) occurrences in Paraná state, subtropical Brazil”, por Tiepolo, L. M. et al. – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-69842016000200444

https://www.forbes.com/sites/kionasmith/2019/02/28/when-species-come-back-from-the-dead/#3884edc1206c

Artigo “The Pleistocene Bush Dog Speothos pacivorus (Canidae) from the Lagoa Santa Caves, Brazil” – Por Berta, A.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hora do Planeta: protestando por um planeta melhor

A Hora do Planeta é um evento anual e voluntário, geralmente realizado na última noite de sábado do mês de março, quando milhões de pessoas e empresas apagam luzes e desligam a maioria dos aparelhos elétricos para celebrar a sustentabilidade e mostrar seu apoio às ações que ajudarão a resolver o problema do aquecimento global .

A primeira Hora do Planeta

A Hora do Planeta foi inspirada em uma demonstração ocorrida em Sydney, Austrália, em 31 de março de 2007, quando mais de 2,2 milhões de habitantes da cidade e mais de 2.100 empresas desligaram luzes e aparelhos elétricos não essenciais, por uma hora, para fazer um protesto poderoso sobre a principal colaboradora do aquecimento global: a eletricidade movida a combustíveis fósseis.

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Essa única hora representou uma redução de 10,2% no consumo de energia em toda a cidade. Ícones globais como o Sydney Opera House ficaram escuros, casamentos foram realizados à luz de velas e o todo o planeta ficou sabendo.

Hora da Planeta se torna global

O que começou em 2007 como um protesto dramático de uma cidade contra o aquecimento global tornou-se um movimento mundial. Patrocinada pelo WWF (grupo de conservação que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa da geração de eletricidade em 5% ao ano), a Hora do Planeta tem a participação oficial de um número crescente de cidades, países, empresas e indivíduos em todo o mundo. Apenas um ano depois, em 2008, a Hora do Planeta se tornou um movimento global, com a participação de mais de 50 milhões de pessoas em 35 países e territórios. Pontos de referência globais, como a Sydney Harbour Bridge, a CN Tower, em Toronto, a Golden Gate Bridge, em San Francisco, e o Colosseum, em Roma, permaneceram como símbolos silenciosos de esperança e sustentabilidade.

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Luzes da Torre Eiffel desligadas pela hora do planeta.

Em março de 2009, centenas de milhões de pessoas participaram da terceira Hora do Planeta. Mais de 4000 cidades em 88 países e territórios demonstraram seu apoio ao planeta desligando suas luzes. A Hora do Planeta cresceu novamente em 2010, quando 128 países e territórios se uniram à causa global da ação climática. Construções icônicas e pontos de referência em todos os continentes, exceto na Antártida, e pessoas de quase todas as nações e classes sociais desligaram as luzes para mostrar o seu apoio. Em 2011, a Hora do Planeta adicionou algo novo ao evento anual, convocando os participantes a “ir além da hora” ao se comprometerem com, pelo menos, uma ação ambiental para dar continuidade durante o ano todo, com o objetivo de tornar o mundo um lugar melhor.

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O Propósito da Hora do Planeta

A finalidade, é claro, é inspirar as pessoas a reduzirem o seu consumo de energia todos os dias, não somente ficando no escuro por uma hora a cada ano, mas dando passos simples que podem ter um efeito definitivo. É mostrar, por meio de uma hora no escuro, que podemos impactar positivamente o planeta fazendo pouco.

Os sessenta minutos de celebração são um lembrete pontual de que nossos hábitos têm interferência direta na natureza. O símbolo 60+ quer dizer que todas as horas devem ser a Hora do Planeta.

Precisamos agir agora

♦ A cada ano, devido ao consumo desenfreado e do desperdício, estamos acabando com os recursos naturais disponíveis para o período mais cedo. Em 2018, isso ocorreu em 1º de agosto.

♦ As áreas úmidas são a categoria mais afetada pelas atividades humanas e já perdeu 87% de sua extensão.

♦ A pesca excessiva e a poluição pelo plástico estão ameaçando os nossos oceanos. Já a poluição, a fragmentação e a destruição de habitats estão acabando com a biodiversidade da água doce.

♦ O Brasil possui a maior área de floresta tropical contínua do planeta, o que ajuda a regular o clima, produzir água, estocar carbono e muito mais.

♦ Nos últimos 50 anos, 20% da Amazônia já desapareceu. Se o desmatamento atingir 25%, a floresta poderá entrar em um “ponto de não retorno”, passando por um processo irreversível de savanização.

♦ O desmatamento já atingiu mais de 50% do Cerrado. É nele que estão as nascentes dos mais importantes rios brasileiros, como o Paraná, o Tocantins e o São Francisco.

♦ No Brasil existem oficialmente 3.286 espécies ameaçadas em flora e fauna. O maior número se encontra na Mata Atlântica.

Algumas cidades brasileiras já estão confirmadas para a Hora do Planeta 2019:

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Quer saber o que você pode fazer durante a hora em que as luzes estão apagadas? O WWF sugere várias possibilidades, como um jantar à luz de velas , uma festa do Bloco da Hora do Planeta ou um piquenique noturno com a família ou amigos. E enquanto estiver fazendo isso, pense no que mais você pode fazer para ajudar a proteger e preservar o meio ambiente.

Para participar basta apagar as luzes no dia 30 de março de 2019  às 20:30, durante uma hora, registrar o momento postando com a #HoraDoPlaneta e marcar o @tunesambiental no Instagram. Clique aqui e saiba mais!

Esse simples gesto trará consciência àqueles que vivem na Terra, com o objetivo de deixarmos um legado positivo para as futuras gerações. Apague as luzes!

 

 

 

 

 

Referências:

Thought.Co

WWF

Como secar um mar – A triste história do Mar de Aral

O Mar de Aral é um lago de água salgada, localizado na Ásia Central, entre o Cazaquistão e uma região autônoma do Uzbequistão denominada Caracalpaquistão, que surgiu há cerca de 9 mil anos, no período Holoceno. Durante muito tempo, ele foi o quarto maior mar do planeta, com uma área de aproximadamente 68.000 km² e um volume de 1.100 km³. Entretanto, desde 1960, esse mar vem encolhendo drasticamente, com apenas 10% de seu tamanho original. Em menos de 60 anos, conseguimos reduzir um mar a três pequenas lagoas, em um dos maiores desastres ambientais da história. Mas, afinal, como isso foi possível? E ainda, há esperança para o Mar de Aral?

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Esse grande corpo d’água era irrigado por dois grandes rios, denominados Amu Daria e Syr Darya. Após o fim da Primeira Guerra, esses dois rios passaram a ser parcialmente desviados para irrigar áreas agrícolas na União Soviética. Nas próximas duas décadas, os planos de irrigação aumentaram drasticamente, o que levou grande desenvolvimento para a região. O Mar de Aral tornou-se um intenso ponto de pesca e de desenvolvimento militar, com grandes navios espalhados por sua superfície. Embora o avanço humano tenha sido rápido, ele não afetou a biodiversidade local no primeiro momento, que era composta por inúmeras espécies de aves, insetos, grandes manadas de mamíferos e, sobretudo, peixes. Mais de 35.000 toneladas de peixes eram capturadas anualmente, o que correspondia a mais de 80% da economia local, enquanto mais de 100.000 pessoas viviam da agropecuária.

Indústria de pesca no Mar de Aral durante a década de 1940

A partir de 1960, entretanto, a demanda por produtos de moda na URSS aumentou drasticamente, o que fez com que o governo desviasse ainda mais água dos rios Amu Daria e Syr Darya para irrigar as plantações de algodão. O influxo de água para o Mar de Aral diminuiu até 22% da quantidade original , o que fez com que a taxa de evaporação fosse maior que a taxa de reposição no local. Ao longo dos anos, o nível da água decaiu  24 metros e sua área foi reduzida a 10% da original, ocasionando um aumento significativo na salinidade do ambiente, o que, junto com o uso desenfreado de agrotóxicos, acabou com a indústria de pesca na região.

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Nível do Mar de Aral ao longo dos anos

Atualmente, essa região tornou-se um complexo de pequenos lagos cercados por um deserto, na qual 12 espécies de mamíferos, 6 de anes e 11 de plantas estão quase extintos localmente. Grandes navios são encontrados a centenas de metros de qualquer fonte d’água e camelos caminham por uma área que, poucos anos atrás, era um mar cheio de vida.

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Entretanto, nem tudo está perdido. Desde os anos 2000, esforços da Ucrânia e do Cazaquistão, juntamente com a ONU, vêm melhorando a qualidade de vida das populações locais e a saúde do lago como um todo. Mais de 1,2 bilhões de dólares foram investidos pela Ucrânia na manutenção do nível atual do mar, criando sistemas de reabastecimento e reduzindo a retirada de água de seus afluentes. Uma enorme reserva foi criada na região, na qual mais de 740.000 hectares de floresta foram plantadas, além de diversos investimentos na infraestrutura da população local. Desde 2016, a produção de peixes no local aumentou 6 vezes e o nível da porção norte do lago subiu 8 metros.

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Pescadores no Mar de Aral – Foto por Carolyn Drake

Estima-se que o estrago nunca será reparado mas, devido aos esforços de governos e à ajuda da população local, o maior desastre hídrico da história poderá ser amenizado. O Mar de Aral será, para sempre, um lembrete da capacidade de destruição e da ganância humana, assim como de sua capacidade de mudanças positivas no mundo.

Referências

https://www.aljazeera.com/programmes/earthrise/2012/07/201271912543306106.html

https://www.theguardian.com/sustainable-business/sustainable-fashion-blog/2014/oct/01/cotton-production-linked-to-images-of-the-dried-up-aral-sea-basin

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/02/150226_mar_aral_gch_lab

http://www.earthtimes.org/conservation/international-cooperation-recovery-aral-disaster/2734/

http://www.aralconference.uz/en/about_aral/

Doomsday Clock: O relógio do Juízo Final

O Relógio do Juízo Final chegou mais perto da meia-noite, de dois minutos e meio a dois minutos. Ao anunciar a decisão, o Boletim dos Cientistas Atômicos citou “o fracasso do presidente Trump e de outros líderes mundiais em lidar com ameaças iminentes de guerra nuclear e mudança climática”. Mas o que é o Relógio do Juízo Final e quão preciso ele é?

Uma Breve História do Relógio do Apocalipse

O Relógio do Juízo Final ou Relógio do Apocalipse foi criado em 1947 pelo conselho do Boletim dos Cientistas Atômicos da Universidade de Chicago como uma resposta às ameaças nucleares. O conceito é simples – quanto mais próximo o ponteiro dos minutos estiver da meia-noite, mais próximo o conselho acredita que o mundo está para acabar. O relógio foi originalmente concebido por um grupo de cientistas atômicos envolvidos no Projeto Manhattan, o programa responsável pela produção das primeiras armas nucleares. Os cientistas produziram regularmente um boletim detalhando o progresso e as atualizações em armamentos nucleares, e o relógio foi inicialmente concebido como uma ilustração para a capa da primeira edição. Desde então, o relógio voltou para trás e para frente – de dezessete minutos para a meia-noite, em 1991, para dois minutos para a meia-noite, em 1953.

“O relógio do Boletim não é um indicador para registrar os altos e baixos da luta internacional pelo poder; destina-se a refletir mudanças básicas no nível de perigo contínuo em que a humanidade vive na era nuclear” Eugene Rabinowitch, Boletim dos Cientistas Atômicos

O relógio faz sentido?

O Relógio do Juízo Final enfrentou críticas ao longo dos anos, com alguns céticos duvidando da natureza do relógio. Escrevendo no site The Conversation, Anders Sandberg sugeriu que as maiores ameaças da humanidade são provocadas pelo homem, ou seja, neste caso, “as formas normais de estimativa de probabilidade não são apenas inadequadas, elas são ativamente enganosas”.

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“A probabilidade de 1,4% por ano de guerra nuclear parece muito exata, mas a estimativa é baseada em uma lista de suposições potencialmente suspeitas”, escreveu Sandberg. “A chance de pelo menos um deles estar errado é alta. Pode ser melhor reconhecer explicitamente a incerteza “.

É importante lembrar, no entanto, que o relógio não está apontando para a precisão total. Em vez disso, é um símbolo das ameaças globais e uma forma de “informar o público sobre as ameaças à sobrevivência e ao desenvolvimento da humanidade”, portanto, não há necessidade de entendê-lo literalmente.


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O Boletim leva vários fatores em consideração ao calcular a hora no relógio:

  • Ameaças nucleares;
  • Alterações Climáticas;
  • Biossegurança;
  • Bioterrorismo;
  • Ameaças diversas.

 

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A Linha do Tempo do Juízo Final

Aqui estão algumas das oscilações mais significativas na história do Relógio do Juízo Final.  

  • 1947 – 7 minutos para a meia-noite: em sua primeira aparição, a mão do relógio ficou sete minutos para a meia-noite para destacar a “urgência dos perigos nucleares”;
  • 1949 – 3 minutos para a meia-noite: o relógio chegou cada vez mais perto da meia-noite, quando a União Soviética testou seu primeiro dispositivo nuclear;
  • 1953 – 2 minutos para a meia noite: os EUA criaram a bomba de hidrogênio;
  • 1963 – 12 minutos para a meia-noite: testes nucleares atmosféricos terminaram;
  • 1984 – 3 minutos para a meia-noite: as relações EUA-Soviética atingiram seu nível mais frio em anos;
  • 1991 – 17 minutos para a meia-noite: a Guerra Fria terminou e o relógio recuou;
  • 2015 – 3 minutos para a meia-noite: o Relógio do Apocalipse de 2015 ficou preso entre três minutos e meia-noite devido a “mudanças climáticas descontroladas, modernizações de armas nucleares globais e arsenais de armas nucleares enormes”, que representam “uma ameaça extraordinária e inegável à existência contínua de armas nucleares”. 

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O que aconteceu da última vez em que o relógio foi atualizado?

Em 2017, o relógio passou de três minutos para dois minutos e meio para a meia-noite. O Boletim cita como causas a ascensão do nacionalismo, os comentários de Donald Trump sobre as armas nucleares e a ameaça de uma corrida armamentista entre os EUA e a Rússia. Nesse ano foi a primeira vez em que uma fração foi usada no tempo.

O ano de 2018

O ano que se encerrou mostrou-se perigoso e caótico, porém foi um ano em que muitos dos riscos anunciados na última declaração do Relógio trouxeram grande alívio. Em 2017, vimos uma linguagem imprudente no reino nuclear aquecer situações já perigosas e reaprendemos que minimizar as avaliações baseadas em evidências sobre o clima e outros desafios globais não leva a melhores políticas públicas. Embora o Boletim dos Cientistas Atômicos se concentre no risco nuclear, a mudança climática e as tecnologias emergentes assumem o centro do palco na declaração do Relógio deste ano.

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Na frente da mudança climática, o perigo pode parecer menos imediato, mas evitar aumentos catastróficos de temperatura a longo prazo requer atenção urgente agora. As emissões globais de dióxido de carbono ainda não mostraram o início do declínio que deveria ocorrer caso o aquecimento cada vez maior fosse evitado. As nações do mundo terão que diminuir significativamente suas emissões de gases de efeito estufa para manter os riscos climáticos gerenciáveis, e até agora, a resposta global ficou muito aquém do desafio. Além dos domínios nuclear e climático, a mudança tecnológica está afetando as democracias do mundo, à medida que os Estados buscam e exploram oportunidades para usar as tecnologias de informação como armas, entre elas campanhas de fraude baseadas na Internet para minar eleições e a falta da confiança popular em instituições essenciais ao livre pensamento e à globalização.

É urgente que, coletivamente, façamos o trabalho necessário para produzir uma declaração do Relógio de 2019 que rebobine o Relógio do Juízo Final. Envolva-se, mude e ajude a criar esse futuro. A hora é agora.

Referência 

2018 Doomsday Clock Statement Science and Security Board – Bulletin of the Atomic Scientists : Editor, John Mecklin

 

Jurassic Park da vida real: Podemos (e devemos) clonar nossas espécies extintas?

Em 1993, Steven Spielberg nos apresentou uma das ficções científicas mais famosas do mundo, popularizando as ideias do livro de Michael Crichton lançado em 1990. O seu “Parque dos Dinossauros” (Jurassic Park, no título original) popularizou a ideia da clonagem como forma de trazer de volta à vida seres extintos, o que era, até então, algo impossível na visão do público geral. Mas afinal, o quão perto estamos de ressuscitar seres extintos? E ainda, devemos realmente tentar?

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Cena do filme Jurassic Park 

No “Jurassic Park” os cientistas da empresa InGen coletam DNA de animais extintos por meio da coleta do sangue existente dentro de mosquitos presos em âmbar (resina vegetal fossilizada) há milhões de anos atrás. A partir desse DNA de grandes dinossauros, esses animais foram clonados e, posteriormente, colocados em um parque temático, que seria aberto para visitação. Entretanto, para a tristeza de muitos, provavelmente nunca veremos um Tiranossauro caminhando por nosso planeta, uma vez que o DNA possui uma meia-vida de 521 anos, ou seja, ele perde 50% de informações nesse tempo. Mesmo em condições ideais, nenhum DNA sobreviveria a mais de 6,8 milhões de anos, o que significa que o Jurassic Park é um sonho quase impossível. Embora pesquisas recentes de “reversão genética” tenham tentado devolver às aves algumas características de seus ancestrais (uma vez que as aves são um grupo de dinossauros), esses animais nunca serão completamente parecidos com qualquer espécie de dinossauro que já existiu.

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Réplica de mosquito preso em âmbar feita por  Peter Brown
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Da esquerda para a direita – Embriões de galinha, galinha experimental com características ósseas de dinossauros extintos e filhote de crocodilo – Artigo por  Bhart‐Anjan S. Bhullar et. al.

Mesmo assim, nem tudo está perdido. Na última década, avanços nos estudos de sequenciamento e de engenharia genética mostraram-se eficazes para encontrar DNA antigo em fósseis mais recentes e, por meio de estudos matemáticos, completar as lacunas feitas pelo tempo. É o que está sendo feito nesse momento no Museu de Mamutes de Yakutsk, na Rússia, onde DNA foi extraído de mamutes que morreram e foram preservados sob o gelo da Sibéria. Os cientistas esperam conseguir completar lacunas nesse DNA e implantá-lo em um óvulo de elefante, que irá carregar o filhote em sua barriga por 22 meses. Outra possibilidade seria comparar o DNA do mamute com o de elefantes atuais e substituir possíveis diferenças em um óvulo de elefante, fornecendo genes-chaves do mamute, como os responsáveis por seu tamanho ou pela produção de pelos. Caso esses esforços deem certo, em breve poderemos ter mamutes caminhando na Terra novamente.

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Lyuba, um filhote de mamute de 41.800 anos que morreu com apenas 30 dias de vida

Mas afinal, o que faríamos com um mamute? O Pleitocene Park é uma iniciativa russa de recriar, em uma área de 160 km², as condições das estepes locais antes da chegada dos seres humanos na área. Após a reintrodução de mais de 20 mamíferos de grande porte nativos, as condições do ambiente, que antes era coberto por gelo permanente (permafrost), mudaram drasticamente, possibilitando o crescimento de gramíneas e árvores de grande porte. Esse estudo, além de demonstrar os impactos da ação humana na paisagem local, visa também criar um ambiente em que mamutes poderiam ser reintroduzidos. Esse parque, embora ainda altamente experimental, pode ser a esperança para essa espécie extinta.

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O Pleitocene Park conta com mais de 20 espécies que, anteriormente, estavam extintas localmente nessa região da Sibéria
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Em um futuro próximo, mamutes poderão caminhar novamente pela Sibéria

Entretanto, muitos ainda estão céticos com esses resultados. O jornalista Brian Swiket, especialista em evolução e autor de livros sobre o assunto, afirma que esses animais clonados seriam apenas uma reinvenção dos seus progenitores extintos, uma vez que eles “não saberiam como ser um mamute pois nunca viram um mamute”. Além disso, outras espécies trazidas de volta da extinção não teriam a mesma sorte. O mundo atual é bem diferente do que era há milhares de anos atrás e os animais que deixaram de ser extintos poderiam não se adaptar, sendo extintos mais uma vez, considerando que seus habitats originais foram destruídos. Para cientistas como George Church, entretanto, esses animais poderiam ser a chave para recriar seus ecossistemas extintos, abrindo o caminho para sua própria preservação.

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Fauna da região da Beringia no Pleitoceno – perto da área do Pleistocene Park – Arte por  Beth Zaiken

Além disso, existe um outro lado da clonagem de espécies extintas: a sobrevivência das espécies atuais. No ano 2000, morreu o último exemplar de íbex-dos-pireneus (Capra pyrenaica pyrenaica), uma  subespécie de cabra-montesa que vivia entre a França e a Espanha. Felizmente, um ano antes, seu material genético havia sido colhido para estudo por cientistas espanhóis e, por meio de financiamento governamental, eles implantaram o DNA desse animal em óvulos de cabras-montesas viventes (Capra pyrenaica victoriae). Após 439 tentativas, 57 embriões foram gerados e implantados em cabras, mas apenas 7 engravidaram. Dessas, apenas uma deu à luz ao primeiro clone de um animal extinto da história, batizado de Célia (o mesmo nome do último exemplar vivente de íbex-dos-pirineus). Infelizmente, o filhote sobreviveu apenas por 10 minutos, extinguindo a espécie pela segunda vez na história.

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Foto de um dos últimos íbex-dos-pireneus – Fotógrafo desconhecido
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Célia, primeiro clone de um animal extinto do mundo, que morreu minutos após seu nascimento

Embora essa tentativa de recriar a espécie tenha falhado, ela abriu portas para esse tipo de pesquisa por todo o planeta, incluindo o estudo de clonagem de mamutes. Atualmente, os cientistas buscam clonar animais extintos recentemente como tigres-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus, extinto em 1936) e alguns sapos da Austrália e Madagascar (extintos na década de 1980). Além disso, a “reversão genética” usada para tentar transformar galinhas em dinossauros extintos também vem sendo empregada para recriar características de espécies que desapareceram há pouco tempo, como o auroque, ancestral extinto do boi atual e a quaga (Equus quagga quagga), subespécie de zebra extinta no século XIX, ambos “trazidos de volta à vida” por seleção artificial.

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Ao empregar técnicas de clonagem e de ressurreição de animais extintos em espécies ameaçadas, podemos, em teoria, salvar espécies à beira da extinção. Um projeto da Embrapa e do Zoológico de Brasília preserva atualmente material genético de diversos animais como onças, lobos-guará, veados, tamanduás e primatas. Com um banco genético com mais de 400 espécies, esse zoológico pode, futuramente, auxiliar na preservação de nossa fauna com a clonagem e a engenharia genética. Infelizmente, seria necessário clonar centenas de animais da mesma espécie, cada um com material genético de um indivíduo diferente,  para manter uma população viável, mas os avanços científicos na área se mostram promissores.

Picture of a federally endangered jaguar (Panthera onca) at the Chapultepec Zoo in Mexico City.
Onça-pintada, um dos animais cotados para a clonagem pelo Zoológico de Brasília – Foto por Joel Sartore

Atualmente, a maior crítica da desextinção é a banalização da extinção. Caso, no futuro, clonar um animal extinto seja algo extremamente fácil e barato, esforços para impedir que a extinção ocorra em primeiro lugar podem ser vistos como desnecessários, aumentando a degradação de nossos ecossistemas. Além disso, quais direitos esses animais teriam? Como discutido no filme Jurassic World – Fallen Kingdom, provavelmente esses organismos seriam propriedade dos cientistas que os cloraram e, consequentemente, os mesmos poderiam explorá-los de diversas formas possíveis. Não é difícil imaginar pessoas pagando fortunas para caçar tigres-dentes-de-sabre em safáris nos Estados Unidos, lojas da Europa vendendo roupas feitas com pelo de rinocerontes-lanosos, pratos caríssimos feitos com carne de preguiças-gigantes ou o governo russo exterminando mamutes após uma superpopulação devido à falta de predadores, que agora ameaça a agricultura local.

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Representação de um safari comanimais do Pleistoceno – Por Mauricio Antón

Contudo, se feita com responsabilidade, a desextinção pode ser uma ferramenta para salvar nossas espécies e para corrigir nossos erros do passado. Zoológicos com mamutes podem ser um lembrete do tempo em que o ser humano extinguia as espécies indiscriminadamente, sem ter consciência de seus impactos. Podemos reconstruir ecossistemas e devolver a vida a milhares de animais e plantas que foram extintos por nossa culpa, conscientes da importância de sua preservação, além de reproduzir milhões de espécies para tirá-las da extinção. Mais do que nunca, temos o poder de mudar o futuro de nossas espécies atuais, e, até mesmo, das extintas. Se essa mudança será para o bem ou para o mal, só depende de nós.

Referências

Clonagem de animais extintos e desextinção

https://www.express.co.uk/news/science/977045/jurassic-world-park-dinosaur-tyrannosaurus-rex-clone-cloning

http://www.nhm.ac.uk/discover/could-scientists-bring-dinosaurs-back.html

https://nypost.com/2017/01/07/how-scientists-actually-could-bring-dinosaurs-back-to-life/

Artigo “A molecular mechanism for the origin of a key evolutionary innovation, the bird beak and palate, revealed by an integrative approach to major transitions in vertebrate history”, por Bhart‐Anjan S. Bhullar et. al.

Livro ” How to Clone a Mammoth“, por Beth Shapiro

Revista Superinteressante  “Ressurreição – A volta dos animais extintos já começou” -Edição 332 – Maio de 2014

 

Clonagem de animais atuais

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI329340-18537,00-EMBRAPA+POLEMIZA+COM+PROJETO+PARA+CLONAR+ANIMAIS+EM+EXTINCAO+PARA+ZOOS.html

 

 

 

 

 

 

Brumadinho: por que esse tipo de crime ambiental continua acontecendo?

Na tarde da última sexta-feira, dia 25, uma barragem de minério de ferro da Vale rompeu-se na cidade de Brumadinho, próxima a Belo Horizonte (MG). Com isso, uma onda de rejeitos da mineração, uma lama viscosa e escura, avançou sobre mais de 300 funcionários da mineradora, dezenas de moradores que viviam nas proximidades, em uma zona rural, e incontáveis espécies da fauna e flora local.

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Fonte: FEAM

No domingo, dois dias depois da enxurrada de lama, os moradores tiveram que evacuar devido a uma segunda ameaça de rompimento na outra barragem de água, estimulando pânico e indignação, o que demonstra a falta de responsabilidade pela poderosa indústria de mineração. Sirenes soaram antes do amanhecer, provocadas por níveis de água perigosamente altos em uma barragem de água pertencente ao complexo de minério de ferro. No final do dia, os moradores foram autorizados a voltar para suas casas. Mas, para muitos brasileiros, este último alerta foi mais uma prova de que o sistema que regula a indústria de mineração está quebrado, arriscando a vida das pessoas e colocando em risco o meio ambiente. Ainda assim, poucos esperam que as regras sejam mais rígidas com o novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que prometeu durante sua campanha restringir multas e facilitar as regulamentações na mineração e em outras indústrias que exploram recursos naturais.

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Fonte: FEAM

Auditores independentes verificam a segurança das barragens por meio de inspeções regulares e análise de registros escritos. O problema, segundo especialistas como Milanez e Luiz Jardim, professor de geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é que as mineradoras escolhem e contratam os auditores e fornecem toda a documentação que os mesmos analisam. Isso não mudou nos três últimos anos desde o desastre de Mariana, disse Jardim. No mínimo, a estrutura regulatória do estado se tornou mais frouxa, uma vez que a queda nos preços das commodities internacionais levou empresas de mineração a cortar custos, e, em alguns casos, levando-as a preencher barragens além da capacidade, reduzir orçamentos de segurança e deixar de implementar sistemas de emergência, disseram especialistas.

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Imagem de barragem retirada do site da Samarco

A primeira ruptura de uma barragem tradicional pelo método de montante, provavelmente foi a de Barahona, no Chile. Durante um grande terremoto ocorrido em 1928, a barragem se rompeu, matando mais de 50 pessoas, o que resultou em uma inundação catastrófica. A barragem de Barahona foi substituída por uma mais estável, pelo método de jusante, com o uso de ciclones para obter o material grosseiro dos rejeitos para a construção da barragem (ICOLD, 2001).

Alguns exemplos de rompimentos em barragens de contenção de rejeitos e de resíduos industriais no cenário mundial:

  • Setembro de 1970 – Mufilira, Zambia: 89 mortes, 68.000 mderramados na área de mineração;
  • Fevereiro de 1972 – Buffalo Creek, EUA: 125 mortes, 500 casas destruídas;
  • Novembro de 1974 – Bafokeng, África do Sul: 3 milhões de mde lodo seguiram por 45 km, resultando em 12 mortes;
  • Janeiro de 1978 – Arcturus, Zimbawe: 20.000 m3, uma morte;
  • Julho de 1985 – Stava, Itália: 269 mortes, os rejeitos seguiram por 8km;
  • Fevereiro de 1994 – Merriespruit, África do Sul: 17 mortos, 500.000 mde lodo seguiram por 2km;
  • Agosto de 1995 – Omai, Guiana: 4.2 milhões de m3 de lodo cianeto;
  • Setembro de 1995 – Placer, Filipinas: 50.000 m3, 12 mortos;
  • Março de 1996 – Marcopper, Filipinas: 1.5 milhões de toneladas de rejeitos;
  • Agosto de 1996 – El Porco, Bolívia: 400.000 toneladas envolvidas;
  • Outubro de 1997- Pinto Valley, EUA: liberação de 230.000 mde rejeitos;
  • Abril de 1998 – Aznalcóllar, Espanha: liberação de 4-5 milhões de m3  de água tóxica e lodo;
  • Dezembro de 1998 – Haelva, Espanha:   liberação    de    50.000 m3    de   resíduos industriais tóxicos e ácidos;
  • Abril de 1999 – Placer, Surigao del Norte, Filipinas: 700.000 toneladas de rejeitos contaminados com cianeto foram derramadas. 17 casas destruídas;
  • Janeiro de 2000 – Baia Maré, Romênia: 100.000 mde cianeto contaminaram a água com os rejeitos derramados;
  • Março de 2000 – Borsa, Romênia: 22.000 toneladas de rejeitos contaminados por metais pesados foram liberados, contaminando água e solo;
  • Setembro de 2000 – Mina de Aitik, Suécia: 1,8 milhões de mde água liderada;
  • Outubro de 2000 – Martin Country Coal Corporation, Kentucky, EUA: 0,95 milhões de mde rejeitos derramados nos rios a jusante, provocando mortalidade de peixes e tornando a água imprópria para o abastecimento;
  • Junho de 2001 – Mineração Rio Verde Ltda. Nova Lima, MG. O rompimento da barragem resultou em 5 mortes, danos à fauna, flora e unidade de conservação, danos à adutoras de abastecimento de água, assoreamento de rios, o que gerou pagamento de multa e prestação de serviços sociais;
  • Março de 2003 – Indústria Cataguazes de Papel. Cataguazes, MG. Lixívia negra causou interrupção no fornecimento de água;
  • Março de 2006 – Rio Pompa Mineração Cataguazes. Miraí, MG. Vazamento de lama casou danos ambientais, prejuízos materiais e suspensão de abastecimento de água em cidades de MG e RJ;
  • Janeiro de 2007 – Reincidente: Rio Pompa Mineração Cataguazes. Miraí, MG. Rompimento da barragem causou danos ambientais, prejuízos materiais, suspensão do abastecimento de água; mais de 500 pessoas desalojadas;
  • Novembro de 2015 – Mineradora Vale. Mariana (MG). A barragem de Fundão se rompeu e liberou 62 milhões de m³ de lama. A fauna, flora e economia da região ainda estão se recuperando.

“Estes não são eventos excepcionais. Barragens se rompem. Mais barragens irão se romper.” “Ou o sistema de monitoramento é falho, ou as empresas descobriram como contorná-lo.”, disse Jardim.

O quadro é muito mais grave do que parece para 68% das cidades com barragem, ou seja, 48 municípios mineiros, 162 estruturas possuem alto potencial de dano ambiental e são consideradas de Classe III.

Há grandes diferenças entre barragens de rejeito e barragens convencionais:

  • Barragens de contenção de rejeitos são tipicamente construídas em estágios, enquanto que as barragens convencionais são geralmente construídas em um estágio único, em um curto período de tempo. Como resultado, as condições das barragens de contenção de rejeitos estão sempre mudando devido ao aumento progressivo da carga dos rejeitos na fundação do reservatório com o tempo e, por isso, sua segurança deve ser continuamente reavaliada;
  • Barragens convencionais são tipicamente de propriedade do Estado ou companhias de utilidade pública, com autoridades que gerenciam o recurso hídrico. Estes proprietários geralmente possuem recursos substanciais à sua disposição. Do contrário, as barragens de contenção de rejeitos, que são de propriedade da companhia de mineração, não fornecem nenhum benefício direto ao público;
  • As companhias de mineração geralmente não possuem profissionais próprios com experiência em barragens, recorrendo, então, a consultores externos ao seu quadro de funcionários. Isso introduz uma nova questão no gerenciamento das instalações de rejeitos: a perda potencial da boa e clara comunicação e a perda da continuidade do projeto;
  • Barragens de contenção de rejeitos geralmente retêm materiais sólidos e água que podem ser considerados contaminantes, se liberados para o meio ambiente. A composição destes materiais depende do processo industrial e do tipo de mineral explorado. A contaminação do meio ambiente pode acontecer por meio de drenagem ácida, infiltração dos contaminantes para o lençol freático, contaminação do solo e água superficial a jusante, com grande potencial de afetar a fauna local que utiliza a água de outras barragens como manancial.

O ponto comum é que as barragens demandam gestões específicas, ou seja, cada barragem apresenta peculiaridades em relação ao local em que se encontra, ao tipo de processo industrial e às características dos rejeitos, ao tipo de construção e operação e, por isso, não devem ser utilizadas fórmulas prontas, comuns para todas as barragens.

“Não existe barragem totalmente segura no estado de Minas Gerais” Superintendente do IBAMA – Júlio César Grilo

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou nesta segunda-feira, dia 28, que os responsáveis pela tragédia devem responder criminalmente.

“É preciso responsabilizar severamente do ponto de vista indenizatório a empresa que deu causa a esse desastre, e também promover a persecução penal, a punição penal é muito importante”, destacou a procuradora.

Raquel Dodge afirmou que será conduzido um trabalho minucioso para identificar as áreas nas quais foram cometidas as infrações e a devida responsabilização: cível, ambiental, criminal e trabalhista.

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Anos depois, os responsáveis da Samarco pela tragédia de Mariana ainda estão impunes

 

A indústria bilionária da mineração deve entender que, por mais alto que seja o lucro obtido, o valor ambiental (e isso inclui TODAS as vidas perdidas no evento criminal) é impagável, imensurável e irreversível.  É preciso modificar e enrijecer as leis ambientais para evitar que esse tipo de crime possa passar impune, tornando-o como hediondo. O Brasil chorou por Mariana e chora mais uma vez por Brumadinho. A diferença é que agora vamos lutar para que nunca mais a sustentabilidade seja deixada de lado e para que nosso Brasil não se torne mais uma mistura triste de lágrimas, sangue e lama.

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Rastro de destruição em Brumadinho

 

Referências

DUARTE. Anderson – Classificação das Barragens de Contenção de Rejeitos de Mineração e de Resíduos Industriais no Estado de Minas Gerais em Relação ao Potencial de Risco. 2008

VIEIRA, V. P. P. B. Análise de riscos em recursos hídricos – fundamentos e Aplicações. Porto Alegre-RS: Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), nov. 2005.

UNITED STATES COMMITTEE ON LARGE DAMS – USCOLD. Tailings Dams Incidents. 2004 

Conheça a ilha mais mortal do Planeta – e ela está no Brasil!

Quando pensamos em um ranking das ilhas mais perigosas do planeta, logo imaginamos destinos exóticos, em terras longínquas, do outro lado do mundo. Entretanto, para conhecer o “lugar mais perigoso do mundo para se visitar”, eleito em 2010 pelo site Listverse, basta se deslocar pouco mais de 18 milhas náuticas da costa do estado de São Paulo.

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Localização da ilha mais perigosa do mundo

A Ilha da Queimada Grande, também conhecida como Ilha das Cobras, encontra-se a 35 quilômetros da cidade de Itanhaém, a segunda cidade mais antiga do Brasil. Foi descoberta em 1532, pela expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza e, desde então, diversos barcos atracaram no local inúmeras vezes, o que resultou em várias mortes, sobretudo devido a naufrágios na região. Para tornar o desembarque de pescadores mais seguro e auxiliar os barcos e navios que circundavam a área, o governo brasileiro instalou um farol no topo da ilha, no final do século XIX, o que desencadeou uma série de eventos que contribuíram para a fama do lugar.

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O Navio Tocantins é uma dentre várias embarcações que afundaram perto da ilha – Foto por Clécio Mayrink
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Farol antigo da Ilha da Queimada Grande – Foto por Igor Fontes

Durante o início do século XX, dezenas de pessoas se mudaram para a ilha, incluindo pescadores e a família de um faroleiro, que ficou responsável pela manutenção da estrutura. Para abrir caminho na região, era comum que os moradores ateassem fogo no mato seco, o que conferiu à ilha o seu nome. Entretanto, nos primeiros meses de ocupação o local já apresentou diversos desafios. Primeiramente, essa ilhota não possui uma fonte de água potável, o que dificultou drasticamente o assentamento de uma população na área. Em segundo lugar, o ambiente contava com outra ameaça mortal, que logo se mostraria decisiva para o seu destino: a presença de uma espécie de cobra.

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Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), espécie endêmica da Ilha

O primeiro registro da Jararaca-ilhoa na ilha foi em 1911 e, desde então, os moradores passaram a temer o animal. Embora existam poucos registros da época, acredita-se que grande parte dos incêndios do lugar foram causados com o objetivo de diminuir a população desse animal, que frequentemente matava galinhas, gatos e cães, além de cavalos e jumentos. Nos anos seguintes, algumas mortes humanas foram atribuídas a esse animal, o que fez com que a ilha fosse evacuada entre 1918 e 1925, quando o farol foi automatizado. (Embora a história de que a família do faroleiro tenha sido morta por cobras em uma só noite seja frequentemente mencionada, não existem registros históricos que comprovem essa narrativa). Desde 1984, o desembarque no local é expressamente proibido, sendo permitido apenas pela marinha e por biólogos autorizados do ICMBio.

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Foto por Wolfgang Wuster

Mas afinal, por que a Jararaca-ilhoa é considerada tão mais perigosa do que as outras cobras? E ainda, como essa espécie foi parar na ilha? Durante a última era glacial, há cerca de 12 mil anos, Queimada Grande era um morro que fazia parte do litoral do continente mas, com o derretimento acentuado dos glaciares a partir de 11 mil anos atrás, esse pedaço de terra ficou isolado, apartando também uma população de jararacas. Ao longo de milhares de anos, esses animais adquiriram características exclusivas, selecionadas para melhor se adaptarem às condições da ilha. Por não existirem mamíferos nativos no local, o veneno dessas serpentes semi-arborícolas é extremamente tóxico, com o objetivo de matar rapidamente as aves, sua principal presa. Embora fontes afirmem que seu veneno é cerca de 15 vezes mais potente que o das cobras do continente, pesquisas recentes demonstram que sua ação é apenas mais específica, o que justifica a morte súbita dos pássaros de que se alimentam.

Exemplo de uma jararaca arborícola (Bothriechis schlegelii) caçando uma ave – Foto por Chris Jimenez

Outro fator que torna a jararaca-ilhoa tão perigosa é sua densidade demográfica: devido à ausência de predadores, a ilha contava com uma enorme quantidade desses animais. As primeiras contagens, realizadas por Afrânio do Amaral (entre 1914 e 1929) e pelo Dr. Alphonse Richard Hoge (entre 1947 e 1970), apontaram que a população desses animais ultrapassava os 12 mil indivíduos, com mais de 5 serpentes por metro quadrado. Entretanto, pesquisas mais recentes demonstram um declínio populacional acentuado, com pouco mais de dois mil exemplares na ilha, sobretudo devido ao impacto humano durante sua ocupação no local e ao tráfico internacional desses animais, uma vez que seu veneno vem sendo utilizado para o estudo de diversos medicamentos. Essa queda populacional, somada à área restrita em que esse animal vive, fizeram com que ele fosse classificado como Criticamente Ameaçado pela IUCN, uma vez que, se medidas protetivas não forem bem empregadas, essa espécie corre grande risco de desaparecer em um futuro próximo.

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Jararaca-ilhoa adulta e filhote – Fotógrafo desconhecido

A jararaca-ilhoa é um exemplo de como a fama de um animal pode quase levá-lo à extinção – ou resgatá-lo. Devido à seu endemismo e às propriedades específicas de seu veneno, sua população é constantemente monitorada desde 1984 e seu lar se tornou uma grande reserva natural. Além disso, a Marinha do Brasil proíbe que a pesca seja realizada no entorno do local, o que também contribui para a preservação da vida aquática.

Foto: Igor Fontes

A Ilha da Queimada Grande nos mostra a importância de se conhecer o ambiente à nossa volta e, mais importante, a respeitá-lo. Isso confere segurança, tanto para o ser humano, quanto para a natureza onde esse ambiente está inserido.

Referências

Textos 

https://www.hipercultura.com/ilha-da-queimada-grande/

http://www2.itanhaem.sp.gov.br/turismo/ilha-queimada-grande/

https://www.bbc.com/portuguese/geral-43115867

Site

http://www.ilhaqueimadagrande.com.br

Artigos

A biological survey of the pitviper Bothrops insularis amaral (serpentes, viperidae): An endemic and threatened offshore island snake of southeastern Brazil (2008) – DUARTE, M. R. et. al.

Butantan Institute and the Golden lancehead: one hundred years of his- tory, myths and science (2012) – Kasperoviczus, K. N. et. al. 

 

 

Engenheiros da Natureza – Como alguns animais conseguem transformar o ambiente em que vivem

Desde os primórdios da humanidade, alteramos o solo, os rios e as paisagens que nos cercam.  Com nossa inteligência coletiva, fomos capazes de criar sistemas de drenagem de água, cidades com milhões de habitantes, estruturas que podem ser vistas do espaço e, até mesmo, monumentos que já duram milhares de anos e que, provavelmente, continuarão aqui mesmo depois que formos extintos. Entretanto, ao longo de milhões de anos de evolução, diversos grupos de animais do nosso planeta desenvolveram técnicas de construção e de manipulação ambiental extremamente complexas, superando, em alguns casos, até mesmo as construções humanas!

Peixes

Embora diversos peixes tenham a capacidade de construir ninhos e tocas complexas (com destaque para os ciclídeos), nenhum se compara à capacidade criativa do baiacu japonês chamado Torquigener albomaculosus. Por muitos anos, mergulhadores na costa do Japão observaram estranhas estruturas submersas, com mais de dois metros de diâmetro, que rapidamente ficaram conhecidas como “círculos nas plantações marinhos”, em referência a estranhos padrões observados em regiões agrícolas dos Estados Unidos e Europa e atribuídos por alguns a alienígenas.

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Felizmente para os cientistas locais, o mistério foi solucionado nos anos 90 e o criador desses padrões era um pequeno peixe, com pouco mais de 12 centímetros de comprimento. Para atrair fêmeas, os machos dessa espécia criam esses gigantescos ninhos de areia, cujo formato faz com que a areia de seu centro, onde os ovos da fêmea serão depositados, não sofra com correntes marinhas e permaneça inalterado nas próximas duas semanas, tempo em que o macho guardará seu ninho sozinho.

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Macho de Torquigener albomaculosus construindo seu ninho – Por Yoji Okata

 

Mamíferos

Desde seu surgimento, os mamíferos vêm criando uma enorme variedade de tocas subterrâneas, sendo essas as mais complexas dentre os vertebrados. Acredita-se, inclusive, que os mamíferos tenham se originado de uma linhagem de mammaliaformes cavadores no período Triássico e, em diversas linhagens, retornaram para a vida fossorial. A primeira toca de mammaliaforme conhecida pertence ao Docofossor brachydactylus, um pequeno docodonte do Jurássico que vivia grande parte da sua vida em túneis simples. 

Esquema do esqueleto e representação gráfica do Docofossor brachydactylus – Por April I. Neander

Dentre todos os grupos de mamíferos, o que mais se destaca atualmente na construção de tocas são os roedores. O rato-toupeira-pelado, por exemplo, vive em colônias de até 300 indivíduos, governadas por uma rainha e com uma hierarquia muito semelhante à das formigas, na qual operárias irão construir uma grande rede de túneis interligados com mais de quatro quilômetros de comprimento, com separações de câmaras para diferentes funções, cavados com seus incisivos. 

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Túnel subterrâneo de um rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber)

Os cães-das-pradarias (gênero Cynomys) vivem em grandes cidades subterrâneas, em campos abertos da América do Norte. Historicamente, a maior dessas cidades, no Texas, tinha uma população de 400 milhões de indivíduos e ocupava uma área de 64.000 quilômetros quadrados. Embora as populações desses animais tenham decaído drasticamente no último século, suas técnicas de engenharia mantiveram-se as mesmas. Primeiramente, eles constroem um grande túnel com duas entradas, que servirá como uma “avenida principal” em sua cidade. De todos os lados, diversas câmaras serão feitas, para funcionar como residência para as famílias, berçários, depósitos de alimentos e banheiros comunitários.

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Família de cães-da-pradaria (Cynomys ludovicianus)
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Esquema de toca coletiva de cão-das-pradarias

Além disso, suas cidades contam com um sofisticado sistema de ar-condicionado natural, no qual há um fluxo constante de ar para dentro das tocas, baixando as temperaturas e renovando o oxigênio disponível para esses animais.

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Esquema de “ar-condicionado” dos cães-da-pradaria, construído com base em uma diferença de pressão entre as entradas da toca.

Um outro construtor extremo é o extinto Palaeocastor fossor, animal semelhante ao castor, que viveu no Mioceno e que criava estruturas perfeitamente espiraladas com até 3 metros de profundidade , cujo modelo nenhum animal foi capaz de copiar até hoje.

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Toca fossilizada de um Paleocastor, em exposição nos Estados Unidos.
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Representação de tocas de um Paleocastor – Por Julio Lacerda

Atualmente, existem outras duas espécies de castor capazes de construir estruturas tão surpreendentes quanto as tocas de seus primos extintos. O castor-americano (Castor canadensis) e o castor-europeu (Castor fiber) vivem em rios e lagos de grande parte do Hemisfério Norte (tendo sido introduzidos na Argentina) e, ao contrário do que muitas pessoas pensam, esses animais não vivem em represas. Caso encontrem um lago para morar, os castores irão derrubar árvores (roendo a base com seus dentes) e utilizarão seus galhos para construir uma toca semi-flutuante, cuja entrada se encontrará submersa, e onde irão dormir e criar seus filhotes.

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Toca semi-flutuante de um castor em um lago
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Esquema de uma toca de castor

Caso esses animais não encontrem um lago adequado, eles irão coletar galhos para construir uma represa, criando, assim, lagoas artificiais, nas quais erguerão sua toca. Esses animais são capazes de modificar o curso de rios deliberadamente, de criar vazantes e, até mesmo, de criar micro ecossistemas inteiros. A maior represa de castores do mundo, no Canadá, possui 850 metros de comprimento,  sendo quase três vezes mais comprida que a represa de Hoover, em Nevada.

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Castor construindo uma represa
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Represa de castores na Argentina

Aves

Diversas famílias de aves adquiriram o hábito de fazer ninhos complexos de forma independente, para oferecer maior proteção e criar um microambiente com temperatura favorável para seus filhotes ou para atrair o sexo oposto. Desde ninhos feitos de barro a estruturas suspensas que pesam toneladas, esses animais conseguem construir as mais belas casas do reino animal. Apesar de extremamente elaborados, eles não possuem grande impacto em seu ambiente.

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Ninhos comunitários do pássaro-tecelão (Philetairus socius) podem pesar várias toneladas
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Os pássaros-cetim da Oceania são conhecidos por criarem ninhos complexos adornados com frutas e flores coloridas para atrair parceiros
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João-de-barro (Furnarius rufus) ao lado de seu ninho
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Ninho de grama trançada de um Ploceus philippinus

Artrópodes

Dentre os artrópodes, as aranhas são os mais conhecidos entre os construtores. Apesar de possuírem teias extremamente elaboradas, nesse texto elas serão apenas citadas, uma vez que suas estruturas são pequenas, com raras exceções, podendo chegar a até 25 metros de comprimento. Esses animais serão abordados em um texto futuro.

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A seda produzida pela aranha está entre as substâncias orgânicas mais resistentes do planeta

Dentre os Hymenopteros (ordem que também inclui abelhas e vespas), as formigas são os animais com maiores habilidades de construção. Além disso, algumas espécies possuem um sistema de castas extremamente complexo, com uma rainha, soldados, mega soldados e diversos tipos de operários, com uma diferença de tamanho de até 500 vezes entre eles. As colônias contínuas podem chegar a até 7 milhões de indivíduos, distribuídos entre os aposentos reais, quarteis generais, berçário, fazendas de fungos e depósito de dejetos. A maior dessas cidades contínuas foi descoberta aqui no Brasil, com uma área de 50 metros quadrados e mais de 8 metros de profundidade e sua construção moveu mais de 40 toneladas de terra.

Underground city: The network of tunnels and dens built by millions of Leaf Cutter ants in Brazil
O maior formigueiro contínuo já descoberto, com mais de 50 metros quadrados
Sophisticated: Scientists reveal concrete casts of the circular chambers and roads connecting them
Imagem mostrando as diversas câmeras que compunham o formigueiro gigante

Entretanto, um outro grupo de animais supera todos os outros de nossa lista: os cupins. Embora pequenos e sem um “plano de construção”, os cupins conseguem criar verdadeiros impérios, assim como as formigas, com uma pequena diferença: o seu tamanho. Esses insetos, com poucos milímetros de comprimento, são capazes de criar chaminés para ventilar a colônia com até 8 metros de altura, em um sistema ainda mais eficiente que o dos cães-da-pradaria.

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Chaminé de um cupinzeiro com 6 metros de altura na Austrália – Fotógrafo desconhecido
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Fluxo de ar em um cupinzeiro

Entretanto, no final de 2018, cientistas publicaram na revista Current Biology a descoberta de um cupinzeiro de 4 mil anos de idade, que abrangia a Bahia e o norte de Minas Gerais. Com uma área total de mais de 230 mil quilômetros quadrados, essa megalópole é tão grande quanto a Grã-Bretanha, sendo, portanto, a maior estrutura biológica do planeta, maior que nossas maiores cidades. Para sua construção, foram movidos mais de 10 km cúbicos de terra, o suficiente para construir quatro mil vezes as Pirâmides de Gizé .

Botanist Roy Funch carried out radioactive dating to determine the age of the giant termite mounds near Palmeiras
Uma das 200 milhões de chaminés de ventilação da maior cidade do mundo
Chaminés estão espalhadas em uma área de 230 mil quilômetros quadrados – Fotos por Roy Funch
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Espécie responsável pela colônia gigante

 

Embora esses animais não tenham um vasto conhecimento em matemática, física ou química, eles são capazes de parar rios, derrubar árvores, criar sociedades e construir estruturas grandes o bastante para serem vistas do espaço. Além de aprendermos com suas técnicas, esses organismos são capazes de nos ensinar a ter humildade perante a natureza e de nos mostrar que a coletividade pode, literalmente, mover montanhas.

 

Referências

Baiacu

https://blog.nationalgeographic.org/2013/08/15/whats-this-mysterious-circle-on-the-seafloor

https://www.smithsonianmag.com/smart-news/pufferfish-create-underwater-crop-circles-when-they-mate-620736/

Docofossor

https://www.washingtonpost.com/news/morning-mix/wp/2015/02/13/meet-the-furry-jurassic-period-critters-that-outwitted-the-dinosaurs/?utm_term=.d65fd93eec74

Rato-toupeira-pelado

https://nationalzoo.si.edu/animals/naked-mole-rat

Cão-das-pradarias

https://www.britannica.com/animal/prairie-dog

Palaeocastor

http://www.eartharchives.org/articles/legend-of-the-devil-s-corkscrews/

Castor

https://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/northamerica/canada/7676300/Worlds-biggest-beaver-dam-can-be-seen-from-space.html

Formigas

Como é o interior de um formigueiro?

https://www.coolweirdo.com/giant-ant-hill-megalopolis-discovered-in-brazil.html

https://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2095335/Underground-ant-city-Brazil-rivals-Great-Wall-China-labyrinth-highways.html

Cupim

https://www.independent.co.uk/news/science/termite-colony-brazil-bigger-britain-pyramids-university-of-salford-study-a8668136.html

https://www.cell.com/action/showPdf?pii=S0960-9822%2818%2931287-9

 

 

 

 

Cenário apocalíptico: a Terra já está cheia de nós!

O planeta terra possui 4,5 bilhões de anos, porém a existência humana é bem mais curta do que isso. Se o Big Bang tivesse ocorrido há 24 horas atrás, os seres humanos teriam aparecido no planeta nos últimos 3 segundos. Você já imaginou quanto impacto já causamos em tão pouco tempo de história planetária? Tanto impacto ao planeta em tão pouco tempo de existência. Nós nos denominamos HOMO SAPIENS, ou HOMEM INTELIGENTE em português. Não há quem questione se somos inteligentes. É muito bom sermos espertos, mas será que somos espertos o suficiente para nosso próprio bem?

Nós alcançamos coisas inimagináveis, dividimos átomos e construímos máquinas para viajar no universo. Mas os mesmos átomos que dividimos serviram para criar armas nucleares e, ao mesmo tempo que exploramos galáxias em busca de novas estadias para a humanidade, negligenciamos nossa própria casa Gaia. Então não me diga que isso possa ser sabedoria, pois isso é bem diferente. Quando a inteligência fala, a sabedoria ouve, e nós estamos convenientemente tapando nossos ouvidos para os gritos da mãe natureza e fechando os nossos olhos para todos os sinais de socorro que ela nos envia.

Devido ao ritmo cada vez mais acelerado da mudança, nunca poderemos ter bem a certeza se os adultos nos estão a transmitir sabedoria intemporal ou algum dado tendencioso e já ultrapassado – Yuval Harari

Pessoas sábias sabem que toda ação gera uma reação oposta e de mesma intensidade. Se fôssemos inteligentes, não ficaríamos chocados quando estivéssemos de frente com tempestades de intensidade nunca antes vistas, mais secas, furacões e queimadas impressionantes?  Mas estamos poluindo mais do que antes, cortando mais árvores do que nunca e, em tempo recorde, aumentamos a taxa de animais em extinção em 1000 vezes do normal. Entre os próximos 10 e 100 anos, os animais selvagens característicos mais encontrados em livros de escola serão extintos. Não encontraremos mais na natureza leões, rinocerontes, tigres, gorilas, elefantes, ursos polares, devido a três segundos. As espécies que estão aqui há mais tempo que os humanos não desaparecerão do planeta por nossa causa.

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Nós, seres humanos, transformamos o ciclo da vida da Terra em um ciclo de conveniência e precisamos reconhecer que todos os seres estão conectados de uma forma que nossa ignorância não consegue compreender. A terra está cheia. Cheia de nós. Cheia de nossas coisas. Cheia de nossos resíduos. Cheia de nossas demandas. Nossa economia agora é maior do que seu hospedeiro, o nosso planeta. Isso quer dizer que nossa economia é totalmente insustentável. Quando as coisas não são sustentáveis, elas paralisam.

O crescimento econômico vai parar devido ao fim dos recursos baratos que vão acabar por causa da crescente demanda humana em todos os sistemas da Terra. Os humanos têm uma ideia louca e megalomaníaca de que podemos ter um crescimento infinito em um planeta finito. A Terra não se importa com o que precisamos. A mãe natureza não negocia. Ela apenas define regras e apresenta as consequências.

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Nós tendemos a olhar para o mundo, não como um sistema integrado, mas como uma série de questões individuais. Nós presenciamos os protestos para ocupação dos Sem Terra, as crises de endividamento em espiral, uma crescente desigualdade social e a influência do dinheiro na política. Mas enxergamos, erroneamente, cada uma dessas questões como problemas individuais que devem ser resolvidos. Na verdade, isso são apenas evidências do doloroso processo de quebra do sistema. Eu poderia te apresentar inúmeros estudos e evidências para provar isso, mas não será necessário, pois as evidências estão ao nosso redor. A crise é agora e é inevitável. A questão é como vamos reagir a tudo isso. Imagine o que acontecerá com nossa economia quando a bolha de carbono explodir. Quando os mercados financeiros reconhecerem que não há mais esperança de impedir que o clima saia do controle. As indústrias de petróleo e carvão estarão acabadas.

Imagine o Oriente Médio sem a renda do petróleo e com governos em colapso. Imagine a China, a Índia e o Paquistão entrando em guerra, pois os impactos climáticos geram conflitos sobre a comida e a disponibilidade de água. Imagine nossa indústria de alimentos altamente sintonizada para evitar desperdícios e nosso sistema agrícola falhando, enquanto as prateleiras dos supermercados estiverem esvaziando. Imagine 50% de desemprego no Brasil, já que a economia global está dominada pelo medo e pela incerteza. Imagine o que isso significa para a sua segurança pessoal, à medida que uma população civil fortemente armada fica cada vez mais irritada com o motivo pelo qual isso foi permitido.

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Apenas tire um momento, respire e pense: o que você sente ao ler tudo isso? Quando pensamos sobre as possibilidades que estão à nossa frente, devemos sentir um pouco de medo. Todos nós estamos em perigo. Nós evoluímos para responder ao perigo com medo, para motivar uma resposta poderosa. Conseguimos coisas notáveis ​​desde que trabalhamos para cultivar alimentos, há cerca de 10.000 anos. Para as pessoas que acreditam que os humanos podem resolver qualquer problema, saibam que essa tecnologia é limitada. Os mercados podem ser uma força para o bem, pois é histórico que é preciso uma boa crise para nos levar adiante. Quando sentimos medo e percebemos a perda, somos capazes de coisas extraordinárias.


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Após o bombardeio de Pearl Harbor, em apenas quatro dias o governo proibiu a produção de carros civis e redirecionou a indústria automobilística. A partir daí, ocorreu um extremo racionamento de comida e energia. Isso mostra como uma empresa responde a uma ameaça de falência e como a mudança que parecia impossível acontece. Pense em como mudanças de estilo de vida, que anteriormente pareciam muito difíceis, de repente se tornam relativamente fáceis. Nós podemos transformar nossa economia. A única coisa que precisamos mudar é como pensamos e como nos sentimos.

Sei que os fundamentalistas do mercado livre dirão que mais crescimento, mais coisas e 9 bilhões de pessoas fazendo compras é o melhor que podemos fazer. Eles estão errados. Nós podemos ser mais. Nós podemos ser muito mais. Podemos escolher esse momento de crise para perguntar e responder às grandes questões da evolução da sociedade. Como e o que queremos ser quando crescermos como seres humanos? Quando deixaremos essa adolescência desajeitada, onde pensamos que não há limites e sofremos delírios de imortalidade? Bem, é hora de crescer com sabedoria. Para nos tornarmos mais maduros. Como as gerações antes de nós, estaremos crescendo em guerra. Não uma guerra entre civilizações, mas uma guerra pela sobrevivência da civilização.

Leia também :

Ainda dá tempo de salvar nossas espécies mais ameaçadas?

Referências: 
 Yuval Harari – 21 lições para o Século XXI
National Geografic – Environment Studies 

Os Mistérios dos Oceanos

Os oceanos formam os maiores biomas de nosso planeta, tendo, portanto, destaque em nossa imaginação. Desde tempos antigos, os mares moldam culturas, cidades e, até mesmo, países, influenciando a culinária, a mitologia, a arquitetura, inclusive as características físicas de determinados povos. Embora eles cubram cerca de 70% da superfície terrestre, conhecemos apenas 5% dos mares e 1% do leito oceânico, segundo dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).

Descubra alguns mistérios e curiosidades sobre esse ambiente de bilhões de anos que possui montanhas, rios, lagos, vulcões, animais brilhantes e criaturas tão grandes que um homem adulto poderia nadar em suas artérias!

Tamanho

Os oceanos cobrem uma área total de 360 milhões de quilômetros, o equivalente a 36 vezes o tamanho dos Estados Unidos ou a 42 vezes o tamanho do Brasil. Possuem um total de 1,3 bilhão de quilômetros cúbicos de água, o que significa que, se fossem colocados apenas sobre o Brasil, se entenderiam por 152,6 metros de altura, ultrapassando até mesmo nossa camada de ozônio!

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Fonte: Wikimedia Commons

Os oceanos possuem uma profundidade média de 3,8 quilômetros. Considerando que a luz é incapaz de ultrapassar profundidades maiores que 1 quilômetro, podemos concluir que a maior parte da superfície do nosso planeta nunca receberá a luz solar e que os maiores ecossistemas de nosso planeta são completamente escuros. A região mais profunda, por sua vez, possui cerca de 11,3 km de profundidade. Caso o Monte Everest fosse colocado no fundo desse abismo, denominado de Fossa das Marianas, ainda faltariam mais de dois quilômetros até a superfície.

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Profundidade da Challenger Deep, ponto mais fundo da Fossa das Marianas, em comparação com o Monte Everest – Retirado do site Venngage

Lagos oceânicos

Embora pareçam coisa de ficção científica, enormes lagos se escondem nos oceanos, a milhares de metros de profundidade. As chamadas “brine pools” são regiões de água extremamente densa, com salinidade de três a oito vezes maior do que o entorno, que não se misturam e possuem uma turbidez elevada. Possuem uma biodiversidade única, com características que possibilitam que esses animais sobrevivam a condições extremas (devido à ausência de luz nas profundidades em que esses lagos ocorrem, não existem plantas no local).

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Três lagos oceânicos, de aparência extremamente turva – Fonte: Lophelia II 2010 Expedition, NOAA-OER/BOEMRE National Oceanic and Atmospheric Administration

Por serem extremamente salgados, esses lagos são tóxicos para a maioria dos organismos. Milhares de animais entram anualmente nessas lagoas, sobretudo em busca de alimento, e nunca mais conseguem sair. Assista a seguir um trecho de um episódio da série Blue Planet, da BBC, que mostra os perigos desses ambientes para a vida local (imagens fortes). Felizmente, o animal em questão conseguiu escapar, mas nem todos têm a mesma sorte.

 

Animais gigantes

Devido ao grande espaço, à redução do peso na água e à enorme disponibilidade alimentar, os maiores animais do planeta se encontram na água. O maior e mais famoso desses é, sem dúvida, a baleia-azul (Balaenoptera musculus). Com até 33 metros de comprimento e pesando até 190 toneladas, essas criaturas produzem sons que podem ser ouvidos a mais de 800 quilômetros de distância! Seus pulmões suportam até 5.000 litros de ar, sua língua é tão pesada quanto um elefante adulto e sua boca é capaz de reter 90 toneladas de alimento por vez. Sua aorta possui de 23 a 38 cm de diâmetro, grande o bastante para passar um ser humano adulto.

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Uma baleia azul -jovem . Fotógrafo desconhecido
Tamanho de uma baleia-azul em comparação com um elefante-africano e com um ser humano – Fonte: Enciclopédia Britanica
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Modelo de um coração de uma baleia-azul no Museu de Ontário, no Canadá

Um evento evolucionário frequentemente estudado pelos biólogos marinhos é o chamado “deep-sea gigantism”, ou “gigantismo abissal”, em português. Por razões ainda desconhecidas, os invertebrados que vivem em regiões fundas dos mares tendem a crescer até tamanhos descomunais. Lulas-gigantes de até 18 metros (que inspiraram lendas como a do Kraken), caranguejos maiores que os seres humanos e águas-vivas com dezenas de metros de comprimento povoam as regiões mais inóspitas de nossos oceanos, causando medo e admiração em quem os encontra.

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Lula-gigante (Architeuthis sp.)  encontrada na costa da Nova Zelândia em Agosto de 2018 – Foto por Daniel Aplin
Japanese spider crab is listed (or ranked) 1 on the list Horrifying Examples Of Abyssal Gigantism
Caranguejo-aranha-japones (Macrocheira kaempferi) encontrado em 1920 – Foto:   Popular Science Magazine, jun. 1920
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Isópodes marinhos gigantes podem ser encontrados em mares de todo o mundo
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Menos comumente, o gigantismo também ocorre em peixes, como nesse Regalecus glesne, animal que inspirou as lendas de serpentes marinhas gigantes.

Aliens submarinos

Devido a adaptações para suportar a imensa pressão nas regiões abissais e a características que possibilitam que esses organismos vivam em um local com completa ausência de luz solar, os animais das regiões abissais são, sem dúvidas, aliens aos nossos olhos. A bioluminescência (produção de luz por seres vivos) é a forma de comunicação mais comum da natureza e, mesmo assim, ainda nos surpreende até hoje. (Por serem pouco conhecidos, a maioria dos animais a seguir não possui nomes em português).

Camarão abissal translúcido – Espécie desconhecida
Barreleye, peixe abissal argentino com cabeça transparente. Note o cérebro (amarronzado) e os seus olhos verdes voltados para cima
Colourful sea creatures on black background
Diversidade abissal (Spiny King Crab, Facless Cusk, Monkey Brittle Star. Em baixo: Smooth-head Blobfish, Flesh-eating amphipod e Threadfin Dragonfish) fotografada por Robert Zugaro
Lizardfish (Peixe-lagarto em tradução literal) por Robert Zugaro
Tomopteris, um anelídeo abissal
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Lophiiformes, também conhecidos como tamboril, são peixes abissais com uma isca bioluminescente para atrair suas presas. São famosos por terem aparecido no filme Procurando Nemo, da Pixar
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Salpas, tunicados coloniais bioluminescentes, fotografadas por Tyler Pockran
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O tubarão-charuto (Isistius brasiliensis) é uma espécie de tubarão bioluminescente do Brasil que possui um

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“The Bloop”

The bloop é o nome dado a um som misterioso registrado por oceanógrafos de vários países desde 1997, que provém de uma mesma fonte, em algum ponto do Oceano Pacífico. Esse barulho, que inicialmente se acreditava ser de origem biológica e que viaja por mais de 5.000 quilômetros, ainda não foi desvendado, mas atualmente acredita-se que tenha origem geológica ou que seja gerado por rachaduras em geleiras. Entretanto, essas teorias ainda não foram confirmadas, e o mistério continua.

 

Embora muito estudados, os oceanos ainda continuam extremamente misteriosos. A destruição e a poluição humana podem acabar com milhares de espécies nos próximos anos, antes mesmo que sejam descobertas. As nossas ações dos próximos anos podem determinar a proteção ou a ruína dos maiores e mais antigos ecossistemas do planeta.

Referências

Site https://www.marineinsight.com/environment/top-10-amazing-ocean-mysteries-and-phenomena/

Site https://listverse.com/2016/06/20/10-intriguing-mysteries-lurking-deep-under-the-ocean/

Vídeo do canal Sci Show

Texto https://www.livescience.com/14493-ocean-exploration-deep-sea-diving.html

Sobre o tamanho dos oceanos: https://www.megacurioso.com.br/numeros-malucos/37077-voce-tem-ideia-de-qual-e-o-tamanho-do-oceano-.htm

Artigo: Microbial Diversity of the Brine-Seawater Interface of the Kebrit Deep, Red Sea, Studied via 16S rRNA Gene Sequences and Cultivation Methods, de Eder et. al.

Texto https://www.wired.co.uk/article/bloop-mystery-not-solved-sort-of

A poluição pode acabar com nossa Internet nos próximos dez anos – e não há nada que você possa fazer para impedir!

A internet é uma das maiores invenções dos últimos tempos, mas ela corre sérios riscos, devido à poluição antropológica. Mas essa é a menor de nossas preocupações. Podemos estar criando uma armadilha para nós mesmos e ser aprisionados em nossa própria ignorância.

Colocar algo no espaço é incrivelmente difícil. Para isso, é preciso se locomover muito, muito rápido, primeiramente na vertical, para deixar a atmosfera, e depois de lado, para começar uma espécie de círculo ao redor da Terra, vertiginosamente. Se isso for feito com sucesso, o objeto entrará em uma baixa órbita terrestre e, a menos que consiga exercer alguma força, nunca sairá dela.

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Grande parte da infraestrutura espacial está orbitando em volta da Terra, a algumas centenas de quilômetros sobre a superfície, antes que a resistência do ar possa diminuir sua velocidade a ponto de trazê-la de volta à Terra. 

Essa é a fonte de nossa maior armadilha: resíduos espaciais. Para entendermos o funcionamento dessa poluição espacial, temos que entender o funcionamento de foguetes. Os foguetes são cilindros de metal que armazenam grande quantidade de combustível no seu interior. Sempre que uma quantidade de combustível acaba, os tanques vazios são descartados para deixar o foguete mais leve. Algumas partes caem na Terra e outras queimam na atmosfera, mas a maior parte das peças se mantém orbitando na Terra. Após décadas de viagens espaciais, a baixa órbita terrestre tornou-se um ferro-velho de foguetes auxiliares que foram descartados, de milhões de estilhaços de explosões, além de satélites quebrados. 

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Atualmente, sabe-se que existem na órbita terrestre 2.600 satélites extintos, 10.000 objetos maiores que um monitor, 20.000 tão grandes quanto uma maçã, 500.000 do tamanho de uma bola de gude e pelo menos 100.000 objetos tão pequenos que não podem ser rastreados. Esses detritos estão se movendo a uma velocidade de até 30.000 km/hora, circulando a terra várias vezes por dia. Portanto, toda vez que colocamos no espaço um satélite ou um foguete, estamos lançando uma infraestrutura bilionária direto em uma zona de perigo. 

Hoje, a rede de satélites exerce funções essenciais no mundo moderno: comunicação global (Internet), GPS e navegação, dados meteorológicos, observação de asteróides, dentre outros. Se apenas um entulho espacial do tamanho de uma mísera bala atingisse um dos nossos 1.100 satélites em funcionamento, ele seria destruído instantaneamente. É dessa maneira que 3 ou 4 satélites são destruídos todos os anos. 

Como a quantidade de satélites e de lixo espacial tendem a crescer dez vezes na próxima década, estamos alcançando um ponto de inflexão. Dessa forma, um simples colapso entre duas partículas poderia gerar uma reação em cadeia, que transformaria satélites em funcionamento em mais lixo, gerando uma nuvem de mais estilhaços orbitando pela Terra. Esses detritos iriam colidir com mais e mais partículas, gerando um lento e destrutivo efeito dominó. Com mais e mais satélites sendo destruídos, o dano cresceria exponencialmente. 

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O pior cenário imaginável é simplesmente aterrorizante, já que, com o tempo, seria criado ao redor da Terra um campo de detritos, possivelmente, muito perigoso de atravessar. Os planos de criação de uma base lunar e de colônias em Marte poderia sofrer grandes atrasados por causa disso. E o pior. A perda de nossa infraestrutura espacial nos levaria tecnologicamente de volta à década de 70, ou seja, nada de Internet, GPS, etc. 

Entretanto, ainda não é necessário se desesperar, pois temos soluções para virar esse jogo. Enquanto a  indústria espacial vem estudando maneiras de diminuir seus resíduos, há muitas pessoas pensando em como remover detritos espaciais sem gerar mais lixo durante o processo. Algumas das soluções principais seriam a utilização de captura e retorno de lixo espacial, o emprego de força magnética por meio de imãs gigantes e, até mesmo, o uso de lasers. 

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Qualquer que seja a tecnologia escolhida para remover o lixo espacial, os responsáveis terráqueos precisam agir rápido, antes que 100 milhões de partículas se tornem 1 trilhão e a armadilha esteja pronta. Se nada for feito, nossa aventura no espaço pode acabar antes mesmo de começar. 

Referências 

NASA – Orbital debris : https://www.orbitaldebris.jsc.nasa.gov
NASA – Missions : https://www.nasa.gov/mission_pages/station/news/orbital_debris.html
Canal Kurzgesagt in a Nutshell



Ainda dá tempo de salvar nossas espécies mais ameaçadas?

Quando pensamos em espécies ameaçadas, geralmente lembramos de pandas, tigres e elefantes. Embora estejam em risco de desaparecer completamente do planeta, sua fama ajudou a financiar diversos projetos de conservação, que trabalham dia e noite para salvar esses organismos únicos. Entretanto, pesquisas apontam que, anualmente, mais de 2000 mil espécies são extintas (alguns dados sugerem que cerca de 200 são extintas diariamente, totalizando mais de 73.000 ao ano), das quais a maioria é totalmente desconhecida para o público comum. Sendo assim, ainda dá tempo de salvar as espécies mais ameaçadas do planeta? E ainda, o que podemos aprender com nossos erros e acertos?

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Jubarte, uma das espécies ameaçadas mais famosas do planeta

O ato de preservar uma espécie ameaçada consiste em seu monitoramento, proteção governamental, fiscalização, prevenção de caça/pesca e, em alguns casos, sua reprodução em cativeiro, bem como todo o processo de reabilitação e de devolução à natureza. Embora pareça relativamente simples, a maioria das espécies é negligenciada ou sequer é conhecida, enquanto outras lutam contra a destruição de habitat, a caça ilegal ou com a falta de investimentos do governo. Em outros casos, por outro lado, alguns animais cuja extinção era considerada inevitável voltaram à natureza de forma surpreendente, graças ao esforço de governos e até de organizações não governamentais.

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Tigre-da-tasmânia, uma espécie extinta em 1936 devido à negligência do governo australiano.     A primeira e única lei visando sua proteção foi aprovada 59 dias após sua extinção.

Um bom exemplo da importância dessas ações de proteção é o caso da saiga (Saiga tatarica), um antílope peculiar que possui uma tromba e que vive em grandes bandos, em estepes da Ásia. Originalmente, essa espécie vivia em toda a América do Norte, Europa e Ásia mas, devido a mudanças climáticas e, mais recentemente, à ação do homem, sua população se reduziu de forma extremamente drástica, de milhões de indivíduos para poucas centenas, por volta de 1920. Entretanto, a proibição de sua caça pela antiga União Soviética elevou sua população para mais de 2 milhões de indivíduos em 1950, mostrando a eficiência de leis para a proteção animal. Após a queda da União Soviética, os novos países que dela faziam parte não mantiveram sua proteção, fazendo com que a espécie entrasse em declínio novamente. Atualmente, apenas 50 mil desses animais vivem na natureza, o que corresponde a aproximadamente 5% do número de 15 anos atrás.

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A saiga, um dos antílopes mais raros do mundo

No momento em que você está lendo esse texto, existem animais cuja extinção é apenas uma questão de tempo, e que, provavelmente, nada mais poderá ser feito. A vaquita (Phocoena sinus), uma espécie de golfinho do México com apenas 140 cm de comprimento, é, atualmente, um dos animais documentados mais ameaçados do mundo, sobretudo devido à poluição e ao uso de redes de pesca nas áreas em que vive. Segundo dados da IUCN (International Union for Conservation of Nature), sua população era de aproximadamente 600 animais em 1997, 100 em 2014, 60 em 2015, 30 em 2016 e apenas 12 em 2018. Embora seu declínio já estivesse acentuado nas últimas décadas, apenas em 2017 grandes projetos de proteção foram iniciados pelos governos do México e dos Estados Unidos. Após tentativas falhas de criação em cativeiro, essa espécie será, provavelmente, uma das próximas vítimas conhecida da ação humana.

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Uma vaquita, o cetáceo mais raro do mundo

Entretanto, nem tudo está perdido. Com um manejo correto e com investimentos governamentais ou do setor privado, uma espécie quase extinta pode, sim, florescer novamente. Dentro de inúmeros exemplos, o que mais se destaca é o do Falco punctatus.  Após constatarem uma população de apenas 4 indivíduos em 1974, os biólogos Gerald Durrell e Carl Jones criaram um santuário na Ile aux Aigrettes, no arquipélago de Maurício, com o objetivo de salvar essa ave. Foram anos de estudo, coleta e manejo de ovos e de monitoramento dos filhotes e adultos e, em 1984, sua população ultrapassava os 50 indivíduos. Por volta de 1990, uma população autossustentável já vivia na ilha e, atualmente, mais de 400 animais em idade reprodutiva estão vivos. Embora possuam baixa diversidade genética, estudos apontam sua viabilidade no ambiente.

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Falco punctatus, uma espécie que voltou da beira da extinção

Dessa forma, podemos perceber que, caso as espécies ameaçadas sejam corretamente manejadas, elas podem, sim, ter um futuro pela frente. Pelo mundo, diversos projetos como o Tamar possuem a missão de auxiliar na preservação e na reprodução de espécies ameaçadas, criando um futuro melhor para todo o planeta. Espécies como o rinoceronte-de-java (43 indivíduos) ou o íbis-eremita (500 indivíduos) podem não estar mais entre nós nos próximos anos mas, com toda certeza, o trabalho e a dedicação de centenas de profissionais em todo o mundo garantirão que muitas outras espécies perdurem por milhares de anos.

 

Referências

https://www.iucnredlist.org/

http://wwf.panda.org/knowledge_hub/endangered_species/saiga_antelope/

https://www.bbc.com/news/magazine-17826898

http://wwf.panda.org/our_work/biodiversity/biodiversity/

http://www.ubss.org.uk/resources/proceedings/vol18/UBSS_Proc_18_1_74-80.pdf

https://www.independent.co.uk/news/world/europe/endangered-saiga-antelope-mysteriously-dying-in-vast-numbers-in-kazakhstan-10274294.html

https://www.ecowatch.com/vaquita-on-brink-of-extinction-2233479187.html

https://news.mongabay.com/2018/03/only-12-vaquita-porpoises-remain-watchdog-groups-report/

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1055790302002543?via%3Dihub

 

 

 

 

 

O Desafio de Ser Sustentável

Com a evolução da humanidade e o crescimento populacional, estamos reduzindo problemas de miséria enquanto a natureza entra em colapso. Até onde a natureza pode ir e qual é ponto de equilíbrio para tudo isso?


A mente humana quer se preocupar. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, afinal, se um lobo está perseguindo você, se preocupar com isso pode salvar sua vida. Embora a maioria de nós não precise perder muito sono com lobos nos dias de hoje, a vida moderna apresenta muitas outras razões para preocupação: terrorismo, mudança climática, ascensão da inteligência artificial, invasões à nossa privacidade, e, até mesmo, o aparente declínio da internacionalização.

O ponto é que a competição de hoje entre as nações “na verdade representa um surpreendente acordo global”. E esse acordo global torna mais fácil a cooperação, bem como a competição. Nossa cooperação global pode ter dado alguns passos atrás nos últimos dois anos, mas antes disso demos alguns passos adiante.

Então, por que temos a impressão de que o mundo está em declínio? Por quê a sensação estranha de que estamos rolando ladeira abaixo?  Em grande parte, porque estamos muito menos dispostos a tolerar o infortúnio e a miséria. Mesmo que a quantidade de violência no mundo tenha diminuído bastante, nós nos concentramos no número de pessoas que morrem a cada ano em guerras porque nossa indignação com a injustiça cresceu.

Apesar dos riscos significativos para a vida humana e não humana, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) ainda estão aumentando. Algo tem que mudar e esse algo é mais significativo do que aqueles com o poder de estimular a mudança estão dispostos a admitir. A Calculadora Global do governo do Reino Unido é um bom exemplo. Esta ferramenta, recentemente lançada, nos permite modelar a compatibilidade de nossos alimentos, viagens, moradia e ambiente de trabalho com metas nacionais para limitar as mudanças climáticas. O secretário do clima, Ed Davey, afirma que a calculadora mostra que “todos no mundo podem prosperar enquanto limitam a elevação da temperatura global a dois graus, evitando os impactos mais sérios da mudança climática”. No entanto, mesmo as mudanças mais ambiciosas que a ferramenta preconiza desviam um pouco de nossos atuais padrões “normais” de comportamento Resta saber qual  seria o governo  que adotaria as mudanças “extremamente ambiciosas”. Portanto, se já se sabe qual será nosso futuro, porque tantos postergam para modificá-lo? Pelo simples motivo de que muitos de nós não estarão mais aqui quando as consequências de uma irresponsabilidade generalizada chegar a acontecer, ou seja, o típico egoísmo coletivo. 

A crise ambiental é realmente uma crise de consciência. A maioria das pessoas sabe que o mundo natural está enfrentando grandes desafios e muita degradação, mas poucos sabem a verdadeira extensão das mudanças e privações que o meio ambiente enfrenta, além dos seus efeitos estendidos sobre o bem-estar humano e todas as outras formas de vida na Terra. Há uma grande lacuna entre a multiplicidade de problemas que o ambiente enfrenta em todas as frentes e o nível de conscientização que a maioria das pessoas tem sobre esses problemas. Durante este período crítico da história humana, nossa geração recebeu a tarefa urgente de reverter os danos da civilização industrial e superar talvez o maior desafio que a humanidade já enfrentou. A ideia seria haver uma união como uma força consciente e sustentável para assegurar a estabilidade de nosso futuro ambientalmente, economicamente e socialmente. Não podemos destruir o planeta, devastar a sua biodiversidade, alterar o clima e continuar a viver da riqueza das gerações futuras sem nos condenarmos e às custas da nossa civilização no processo.

O movimento ambientalista, com mais de um milhão de organizações ambientais, de justiça social e indígenas presentes, é o movimento que mais cresce na Terra. O ambientalismo se tornou uma questão humana mais ampla e unificadora, na qual todos os sistemas vivos da biosfera estão em constante e acelerado declínio. O aquecimento global, por exemplo, é real, destrutivo e seus impactos futuros desafiam a imaginação, mas nossa vontade coletiva de fazer a diferença é tão real e igualmente desafiadora diante de grandes desafios. Tudo começa com a superação da ideia de que você é pequeno demais para fazer a diferença. Além desse obstáculo, as possibilidades são infinitas e o céu é só o limite.

Os impactos da mudança climática e do dano ambiental são frequentemente observados de uma forma direta, em que o nível do mar é medido e as temperaturas são monitoradas. O aquecimento global já teve efeitos observáveis no meio ambiente, como o derretimento de geleiras, a quebra prematura de gelo em rios e lagos, o aumento das secas, a intensificação do clima extremo e a mudança de plantas e de animais. Sem uma ação efetiva para deter a queima de combustíveis fósseis e reduzir os níveis de gases de efeito estufa liberados pela atividade humana, os seres humanos e a vida selvagem no mundo enfrentarão um futuro inóspito. Haverá um aumento das perturbações para a sociedade devido às condições meteorológicas extremas, com inundações e tempestades mais frequentes, secas mais severas e ondas de calor, elevação do nível do mar e aquecimento do permafrost (tipo de solo existente na região do Ártico). Em muitas regiões, os efeitos da escassez de água e do calor extremo afetarão negativamente a agricultura. Os efeitos no mundo natural serão severos, com uma grande perda de recifes de corais gerada pelo aquecimento dos oceanos e o sumiço de florestas tropicais à medida que os incêndios se tornarem mais frequentes. Esses impactos também serão sentidos enormemente em termos econômicos.

 Yuval Harari

Em um mundo cada vez mais complexo, como qualquer um de nós pode ter informações suficientes para tomar decisões fundamentadas? É tentador recorrer a especialistas, mas como você sabe que eles não estão apenas seguindo o rebanho? O problema do pensamento grupal e da ignorância individual afeta a todos

É fundamental que cada ser vivo pensante consiga tomar consciência, praticando a atenção plena sobre o que ocorre para além de nossa pequenez. Após a tomada de consciência e a empatia com as gerações futuras é natural que, automaticamente, atitudes mais sustentáveis, minimalistas e conscientes tomem conta das nossas decisões. Mesmo que, em algum momento, essas atitudes não sejam sempre perfeitas, o sentimento de culpa dará uma nova cara às próximas ações. 

Mudanças no nosso conforto serão necessárias em prol de um bem maior, para além de algumas gerações passadas e presentes. Nosso compromisso deve ser firmado para que nosso legado não seja em vão. 

Referências 


21 Lições Para o Século 21 
The Global Calculator 

Mineração: Um risco iminente em Minas Gerais

A mineração é um dos setores básicos da economia do país e contribui de forma decisiva para o bem estar e a melhoria da qualidade de vida das presentes e futuras gerações, sendo fundamental para o desenvolvimento da sociedade, desde que seja operada com responsabilidade. Porém, a realidade é muito diferente da utopia e, muitas vezes, as atividades minerárias trazem com elas um enorme impacto ao meio ambiente, afetando, não só as florestas, como também o solo e o equilíbrio hidrológico.

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Hoje em dia é impossível implantar projetos realmente importantes sem se pensar no impacto que ele pode causar ao meio ambiente. Por meio da mineração, o homem extrai recursos naturais que alimentam a economia e sem ela nenhuma atividade subsequente pode vir.

A história e as tradições de Minas Gerais estão fortemente ligadas à atividade mineradora e às suas reservas minerais. Afinal, o Estado extrai mais de 160 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e responde por 29% de toda a produção mineral do país, por 53% da produção de minerais metálicos e por cerca de 50% de todo o ouro produzido no Brasil. Única fonte nacional de produção de zinco, Minas Gerais também é o maior produtor de ferro, ouro, fosfato, grafita, lítio e calcário, além de ser o responsável pela geração de 75% de todo o nióbio do mundo.

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Fonte: BOSCH

Os depósitos minerais encontram-se onde as condições geológicas são favoráveis à sua formação. A este condicionante dá-se o nome de “rigidez locacional da jazida”. Alguns fatores geográficos estão relacionados à posição do jazimento, tais como: densidade da população, topografia, clima e aspectos sócio-econômicos, dentre outros, que poderão influir de forma positiva ou negativa na extração econômica destas riquezas.

A lavra de minerais industriais, frequentemente, apresenta um alto potencial impactante. Em contrapartida, poucos minerais desta classe são tóxicos e o uso de reagentes químicos no tratamento deles é limitado. Por isso, os principais problemas ambientais deste tipo de mineral são o impacto visual, o abandono das lavras, a poeira, o ruído e a vibração.

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Em Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, há dois parques estaduais que possuem importância estratégica para o abastecimento de água na Região Metropolitana. Localizado na confluência das serras do Curral, Três Irmãos e da Moeda, o Parque Estadual Serra do Rola-Moça é considerado essencial para o abastecimento urbano da região. Ele foi criado há 24 anos atrás justamente para a proteção das nascentes que fornecem água para os mananciais de água que abastecem a RMBH (Região Metropolitana de Belo Horizonte). O Parque Estadual da Baleia, que fica na base da Serra do Curral, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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Hoje esses principais mananciais de Belo Horizonte estão ameaçados devido ao extrativismo mineral. No caso da Serra do Curral, a ameaça vem da Mina Corumi da Empresa de Mineração Pau Branco (Embrapa), localizada no Bairro Taquaril, zona Leste de BH.

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) também identificou que a cava feita pela mineradora provocou alterações no balanço hídrico da região, por meio da redução da vazão das nascentes.

A ameaça ambiental ainda é maior que isso: há um risco de retomada da atividade minerária, atualmente embargada, que pode desestabilizar de vez o topo do maciço da Serra do Curral.

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Cava criada pelo extrativismo da Serra do Curral

site_noticias_1315169013.jpg“Há um novo projeto da Taquaril Mineração (que pertence à Construtora Cowan) e está em fase de licenciamento. Ele prevê um potencial de exploração de 25 milhões de toneladas de minério por ano no lado novalimense da Serra do Curral. Caso seja aprovado, 150 hectares de floresta de Mata Atlântica em transição para o Cerrado serão devastados para a implantação do empreendimento.” Ecológico – Edição 99

É preciso estarmos atentos às possíveis consequências hídricas e de riqueza natural, principalmente das Serras de Minas, que podem ser perdidas juntamente com a exploração minerária. Tendo em vista o conceito cada vez mais forte de desenvolvimento sustentável, faz-se necessário um programa eficiente de disposição de resíduos gerados por parte da mineração, pois, de uma forma geral, o uso dos bens minerais no momento é inevitável. Além disso, a elaboração de Estudos de Impacto Ambientais (EIA) bem feitos e estruturados é primordial para se averiguar e mensurar qualitativamente e quantitativamente os impactos causados. Precisamos proporcionar um meio ambiente adequado para as futuras gerações, afinal de contas, a vida sempre deve estar em primeiro lugar.

 

 

 

Referências  

Aspectos e impactos ambientais de pedreira em área urbana. 

Licenciamento Ambiental e Impactos Ambientais de Atividades de Mineração. FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente. Manaus, AM.

CRPM. Perspectivas do Meio Ambiente do Brasil – Uso do Subsolo. MME – Ministério de Minas e Energia, 2002. Disponível em http://www.cprm.gov.br.

Revista Ecológico número  112

Quais são as propostas do futuro presidente para o Meio Ambiente?

No dia 28 de outubro de 2018, Jair Messias Bolsonaro venceu, com 55,13% dos votos válidos, a corrida eleitoral brasileira, sendo nomeado o 38º presidente do país e assumirá o cargo em 1 de janeiro de 2019. Mas, afinal, quais são suas propostas com relação ao meio ambiente? Que medidas tomará para proteger a maior biodiversidade do planeta? E ainda, o que podemos esperar de seu governo?

Plano de Governo

Em seu plano de governo não existem mensões diretas ao tema. Indiretamente, o militar mensiona o meio ambiente ao retratar um novo modelo institucional para a agricultura, no qual o estado teria menos poder para determinar como a agropecuária no país deve ser gerida. Embora essa proposta ofereça maior autonomia ao agricultor para administrar a sua fazenda, o que pode auxiliar pequenos produtores, ela irá abrir espaço para que grandes latinfundiários expandam suas terras, sobretudo em áreas de cerrado e de florestas da Amazônia Legal. Além disso, ele propõe a união de temas relacionados à agricultura em uma só pasta, para “sair da situação atual onde instituições relacionadas ao setor estão espalhadas e loteadas em vários ministérios” (tópico que abordaremos mais a frente).

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Aquecimento Global

O futuro presidente também aponta, em seu planto de governo, o “fim do monopólio da Petrobras sobre o gás natural”, o que, segundo ele, contribuiria para “reduzir as emissões de CO2 e ajudar a integrar outras fontes renováveis intermitentes.” Em contrapartida, o integrante do PSL afirmava que iria retirar o Brasil do Acordo de Paris, que tem como objetivo reduzir as emissões de carbono em escala global. Na reta final da campanha, o então canditado disse que iria manter o Brasil no acordo, apesar de criticar o documento. Após a eleição de Bolsonaro, o presidente francês Emmanuel Macron alertou o presidente da importância da cooperação internacional para a preservação do planeta, deixando claro que pretende ser um parceiro do Brasil nesse quesito.

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Ministérios

Um dos tópicos mais polêmicos, o plano de governo do Partido Social Liberal explicita que, para reduzir gastos, irá fundir os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Após voltar atrás com essa ideia, o político afirmou, na última semana, que iria manter sua decisão. Essa proposta, embora possa, em teoria, ajudar a enxugar os gastos públicos, irá facilitar o licenciamento ambiental para grandes latifundiários, o que irá ameaçar ainda mais nossos biomas, uma vez que cerca de 128 terrenos do tamanho de campos de futebol são desmatados por hora na Amazônia. Para saber mais, leia a nota publicada hoje pelo Ministério do Meio Ambiente clicando aqui.

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Reservas

Bolsonaro afirma que pretende reduzir grande parte das reservas atuais. Segundo ele, “O Brasil não suporta ter mais de 50% do território demarcado como terras indígenas, áreas de proteção ambiental, parques nacionais e essas reservas todas, atrapalha o desenvolvimento. Você quer derrubar uma árvore que já morreu leva dez anos, quer fazer uma pequena central hidrelétrica é quase impossível, não podemos continuar admitindo uma fiscalização xiita por parte do ICMBio e do Ibama, prejudicando quem quer produzir” (sic). Somado a isso, ele afirma, também, que não concederá nem um centímetro de terra a mais para reservas indígenas e quilombolas.

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Charge de Turcios

Caça

Embora não tenha sido diretamente mencionada após a eleição de Bolsonaro, esse assunto preocupa os ambientelistas, uma vez que ele já afirmou, em vídeo, ser a favor da liberação da caça, inclusive em reservas, por esse ser um “esporte saudável”. Posteriormente, o até então candidato afirmou que se referia apenas a espécies invasoras, como o javali, o que não foi mencionado no vídeo original circulante.

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Javali no estado de São Paulo – Foto da Revista Fórum

Amazônia

Outra preocupação dos ambientalistas diz respeito à “abertura comercial da Amazônia para o mundo“, mencionada por Bolsonaro em diversas ocasiões. Segundo ele, é preciso que países como os Estados Unidos façam uso da terra para auxiliar em sua preservação. “Será que a Amazônia ainda é nossa? Em 1982, a Argentina falou que as Malvinas eram deles. Perderam. Hoje em dia, ouso dizer que dificilmente a Amazônia é nossa”, afirmou.

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A Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, pode ser aberta à exploração estrangeira nos próximos anos – Imagem da Revista Exame

Emenda Constitucional 95/2016

Apesar de Bolsonaro ter votado a favor da Emenda Constitucional n.º 95, de 2016, que limita o teto dos gastos públicos pelos vinte anos seguintes, a acessoria do presidente afirmou que não descarta eventuais manutenções em propostas de governos anteriores, podendo inclusive revogá-las. Isso seria um grande avanço para o país, uma vez que sua revogação permitiria o aumento de recursos para pesquisas, que poderá auxiliar na preservação da biodiversidade.

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A revogação da PEC dos gastos pode auxiliar na preservação de nossa biodiversidade

Conclusão

Após esse panorama em relação às ações que podemos esperar do Governo Bolsonaro para o Meio Ambiente, devemos nos preocupar? A resposta é sim e não. Primeiramente, é importante ressaltar que um presidente não governa sozinho. Suas decisões deverão ser aprovadas pelo Congresso Nacional e, ainda que aprovadas, poderão ser alteradas futuramente. Além disso, suas escolhas serão avaliadas com mais atenção no futuro, podendo gerar bons frutos para o país. Nesse momento, é nosso dever observar o que ocorre na Câmara dos Deputados e no Senado para que possamos cobrar do novo governo mudanças que auxiliarão o planeta. Afinal, um mandato dura apenas 4 anos, mas suas ações podem gerar consequências que permanecerão para sempre.

 

 

Referências

Seu plano de governo : https://abrilveja.files.wordpress.com/2018/10/plano-de-governo-jair-bolsonaro.pdf

https://oglobo.globo.com/brasil/ensino-superior-vai-para-ciencia-tecnologia-saiba-quais-sao-os-15-ministerios-definidos-por-bolsonaro-23201813?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar&fbclid=IwAR1xm9zK-1P0t55mPyhmxieR4HYaEPoINhWM8U-qFV34Mab7xEoNQbi2eI0

http://www.impactounesp.com.br/2018/09/as-propostas-ambientais-do-candidato.html

https://www.opovo.com.br/noticias/politica/2018/10/as-acoes-de-bolsonaro-e-haddad-para-o-meio-ambiente.html

https://congressoemfoco.uol.com.br/eleicoes/conheca-as-propostas-de-bolsonaro-e-haddad-para-o-meio-ambiente/

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/lideres-da-direita-na-europa-desejam-boa-sorte-a-bolsonaro-macron-fala-em-tragedia-eleitoral.shtml

https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-nao-vai-tirar-brasil-do-acordo-de-paris-23185397

https://extra.globo.com/noticias/brasil/bolsonaro-diz-que-pode-retirar-brasil-do-acordo-de-paris-se-eleito-23034957.html

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/18/politica/1526612140_988427.html

http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/10/saiba-como-cada-deputado-votou-em-relacao-pec-do-teto-de-gastos.html

 

 

 

 

 

Amazonas: O rio brasileiro que surgiu na África

O Rio Amazonas é considerado por muitos o maior rio do planeta. Com quase 7 mil quilômetros de comprimento, uma bacia que ocupa cerca de 40% de toda a América do Sul e uma vazão de 209.000 m³/s (o equivalente à vazão combinada dos sete outros maiores rios do planeta), esse corpo d’água é responsável por 20% de toda água doce despejada nos oceanos diariamente. Mas afinal, de onde vem toda a sua água? Como é possível que ele exista? E ainda, como ele surgiu?

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Encontro do Rio Negro e do Rio Solimões, afluentes do Amazonas

As origens do Rio Amazonas remontam à Gondwana, um supercontinente formado pela junção da América do Sul, África, Antártida, Austrália e do sub-continente indiano. Na metade do período Cretáceo, há cerca de 100 milhões de anos, uma grande bacia, apelidada de  “proto-Amazon-Congo river system” existia desde a porção central do continente africano até o Oceano Pacífico. Um grande rio que cruzava os dois continentes no sentindo leste-oeste, oposto ao Amazonas atual, foi, provavelmente, um dos maiores que já existiram na história do nosso planeta, mas foi parcialmente destruído com o surgimento do Oceano Atlântico. A nova bacia exclusivamente africana formou o molde para o que se tornaria o Rio Congo milhões de anos depois.

Representação gráfica da bacia de vários rios atuais em comparação com a geografia durante a quebra da Gondwana

Durante a separação dos dois continentes, o fluxo de água na porção sul-americana foi cortado, e, posteriormente, sua bacia foi invadida pelos oceanos circundantes, criando uma área de mares rasos e recifes. Posteriormente, a porção Atlântica foi fechada com o surgimento de uma cadeia de montanhas na região, deixando aberta apenas a conexão com o Oceano Pacífico e, posteriormente, criando rios que desaguariam no mar interior do continente.

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Modelo paleogeográfico representando os possíveis mares rasos na América do Sul durante a fragmentação da Gondwana, 122 milhões de anos atrás  (ARAI, 2005, 2007, 2011) – Retirado da apresentação “Reconstrução paleogeográfica com base em paleontologia: Estudo de caso do Atlântico Sul Aptiano”, feita por Mitsuru Arai com apoio da Petrobrás

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O surgimento de uma cadeia de montanhas na porção leste da América do Sul  fechou a ligação da bacia proto-amazônica com o Oceano Atlântico – Diagrama feito pela UNC (EUA).

A quebra da Gondwana foi causada pela movimentação no sentido leste-oeste da Placa Sul-Americana, que colidiu com a Placa de Nazca, que, por sua vez, se movia no sentido oeste-leste.  Esse choque ocasionou a subducção de Nazca e, consequentemente, o fechamento do braço do pacífico para dentro da América do Sul, na região que se tornaria os Andes. Esse processo gerou um mar interior com espécies, sobretudo do pacífico, que deixaram linhagens que evoluíram em condições salobras e, posteriormente, na água doce, uma vez que o constante fluxo de rios para o mar interior e a deposição de sais foi progressivamente reduzindo a salinidade da água. Atualmente, mais de 20 espécies de raias de água-doce, filogeneticamente próximas a raias de água-salgada do Pacífico, vivem no Amazonas.

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A colisão entre as Placas de Nazca e a Placa Sul-Americana criou a porção norte da Cordilheira dos Andes – Imagem retirada do site mapsofworld.com

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O fechamento do braço do Pacífico no interior da América do Sul criou um grande lago de água doce, com espécies únicas descendentes de animais do Pacífico –  (Acima)                                                       Comparação entre espécies de raias do Pacífico e da Bacia do Amazonas (Abaixo)

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Nos milhões de anos seguintes, o surgimento de uma cordilheira na porção central do continente, além do aparecimento da floresta amazônica 15 milhões de anos atrás, criou uma rede de afluentes que desaguavam no grande lago amazônico, que transbordou e criou um novo rio em direção ao Pacífico. (Para entender como as florestas podem alterar o regime de chuvas e criar rios, clique aqui). Há cerca de 9 milhões de anos, golfinhos do Pacífico colonizaram o continente, dando origem aos botos dulcícolas. Entretanto, o crescimento acelerado dos Andes durante o Mioceno, entre 8 e 6 milhões de anos atrás, cortou a sua drenagem, criando uma rede de planícies alagadas entre as duas cordilheiras, além de um rio que seguia na direção do Atlântico na porção leste dos Arcos Purus. Essa bacia endorreica foi o que originou a Bacia do Solimões, que existe até hoje na área e possui uma fauna exclusiva.

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Isthminia, golfinho extinto do Pacífico ancestral dos botos – Artista desconhecido

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Boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), uma das três espécies atuais de botos continentais sul-americanos – Foto por Martina Kiselová

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O surgimento dos Arcos Purus e, posteriormente, dos Andes, criou uma bacia endorreica na região Amzônica

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Fauna amazônica durante o Mioceno contava com roedores de 700 quilos (Phoberomys) e com jacarés de 10 metros (Purussaurus) – Arte por Julio Lacerda

Pouco tempo depois, essa bacia cavou seu caminho pelos Arcos Purus e originou um rio que unia as porções leste e oeste dessa cordilheira, criando, finalmente, o Rio Amazonas. O ciclo de glaciações ocorrido nesse período colaborou para a drenagem do grande lago para dentro do rio, além de favorecer que milhares de litros de água, vindos dos Andes, entrassem na bacia, o que aumentou ainda mais o seu fluxo. Cerca de 4 milhões de anos atrás, surgiu uma corrente de ar, que partia da África e chegava na Amazônia, carregando toneladas de nutrientes do recém formado Saara para a floresta, o que colaborou para a sua expansão. O crescimento da floresta corroborou para a manutenção do rio e para o surgimento de inúmeras outras bacias da América do Sul, através dos rios voadores. Cerca de 3 milhões de anos atrás, uma nova leva de animais vindos do Atlântico colonizou sua foz e alguns se adaptaram à água-doce, como o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), que vive exclusivamente no rio, e o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), espécie marinha que pode ser eventualmente encontrada a mais de 4.000 quilômetros de seu delta.  A quantidade de sedimentos transportados pelo rio era tanta que essa característica moldou o leito oceano perto de sua foz e possibilitou a fixação de corais, que são nutridos pelos sedimentos da bacia. Um recife com mais de 9,500 km² existe no local até hoje, com uma fauna conhecida de 40 espécies de coral, 60 espécies de esponja (sendo 29 ainda não descritas pela ciência) e 73 espécies de peixes.

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Configuração simplificada atual da bacia amazônica

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Peixe-boi-da-amazonia (Trichechus inunguis) – Por Doug Perrine

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Tubarão-de-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) – Por mark Colin – acima-  pode ser encontrado a mais de 4.000 quilômetros da foz do rio – abaixo

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Recife de coral próximo da foz do Amazonas

A configuração e os ciclos atuais do Rio Amazonas são, relativamente, muito recentes, tendo sido firmadas há pouco mais de 400 mil anos. Entretanto, a porção central da bacia manteve uma configuração similar nos últimos milhões de anos, sobretudo nas regiões de planícies alagadas. O lento fluxo de água nessas áreas gerou meandros extremamente longos, que caracterizam a área. Durante a época das cheias, a região se torna uma grande planície alagada, com uma diferença de até 7 metros no nível da água em algumas regiões.

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Meandros do Rio Amazonas – Foto por SK Films

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Planícies alagadas do Amazonas – acima – e foto de árvores submersas – abaixo – Por Cristian Dimitrius

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Atualmente, no seu ponto mais largo, o Rio Amazonas pode alcançar 11 quilômetros entre uma margem e outra e até 100 metros de profundidade em sua região mais profunda. Possui mais de 2.500 espécies de peixes, além de centenas de espécies de plantas endêmicas. Ele desloca tanta massa diariamente que é capaz de criar uma anomalia no campo eletromagnético da Terra sobre a América do Sul.  Ele é essencial para a manutenção da floresta e de inúmeras comunidades locais. Sua relevância mundial se deve, principalmente, a seu valor sócio-ambiental e a sua história, que nos mostra a mutabilidade do planeta e, ao mesmo tempo, nos ensina a importância da preservação de nossa natureza.

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Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), uma das milhares de espécies de animais que dependem da manutenção do rio para sua sobrevivência – Foto retirada do site ietravel.com

Referências

Sobre o Amazonas

Texto “Amazon River”, publicado no site geologypage.com

Origem Gondwanica do Amazonas

Artigo “Modification of the Western Gondwana craton by plume–lithosphere interaction”, por Hu et al.

Texto “The Amazon-Congo River

Origem dos Andes e Inversão do Fluxo do Amazonas

Texto “Age of the Amazon River estimated at 11 million years”, publicado no site  Mongabay.com

Artigo “Amazonia Through Time: Andean Uplift, Climate Change, Landscape Evolution, and Biodiversity”, por Hoorn et al.

Artigo “Eustatic and tectonic change effects in the reversion of the transcontinental Amazon River drainage system”, por Caputo e Soares

Artigo “Late Miocene onset of the Amazon River and the Amazon deep-sea fan: Evidence from the Foz do Amazonas Basin”, por Figueiredo et al.

Cetáceos Sul-Americanos

Artigo “Isthminia panamensis, a new fossil inioid (Mammalia, Cetacea) from the Chagres Formation of Panama and the evolution of ‘river dolphins’ in the Americas”, por Pyenson et. al

Tubarão-cabeça-chata no Amazonas

Texto “Sharks In The Amazon River?”, publicado no site rainforestcruises.com

Recife Amazônico

Artigo “An extensive reef system at the Amazon River mouth”, por Moura et al.

 

 

 

 

 

Ilhas de Calor: um problema urbano

Se você não aguenta o calor, saia do centro urbano em que você vive. Ative o boletim meteorológico local e você provavelmente notará uma tendência estranha. As temperaturas são, muitas vezes, mais altas nas cidades do que nas áreas rurais vizinhas. Essa discrepância de temperatura é o resultado de um fenômeno bizarro conhecido como o efeito da ilha de calor.

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Como o nome indica, esse efeito faz das cidades ilhas de calor. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, as temperaturas nas cidades dos Estados Unidos podem ficar até 10 graus Fahrenheit mais altas do que nas áreas vizinhas. Normalmente, a disparidade de temperatura não é tão grande, mas mesmo alguns graus podem fazer uma enorme diferença. A demanda por ar condicionado no verão leva a contas de energia mais altas. E muitos argumentam que isso também aumenta as emissões de gases de efeito estufa pelas usinas de energia que fornecem energia extra.

Talvez o pior resultado do efeito ilha de calor seja o número de mortes relacionadas ao aumento de temperatura. Embora as tempestades causadoras de danos recebam a maior atenção da mídia, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica relata que o calor geralmente é mais mortal. Nos EUA, o calor normalmente mata mais pessoas a cada ano do que o conjunto de furacões, inundações e raios [1].

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Pessoas se refrescando em rio durante onda de calor no Paquistão em 2017, em que as temperaturas chegaram a 53.5°

Belo Horizonte não foge a esse padrão. De 1910 a 2000 a temperatura média anual da cidade era de 21° C. Entretanto, considerando-se o período mais recente, ou seja, de 1980 a 2000, a temperatura média anual cresceu para 21,5° C. Por meio de uma tabela é possível verificar que, de uma lista de dez temperaturas médias anuais mais elevadas dos últimos 100 anos, seis foram registradas a partir de 1990.

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Moraes (2002) propõe o valor de 4,7° C para o aumento de temperatura do centro da cidade em relação ao seu entorno rural, conforme constatado em medições realizadas entre 16 e 18 horas do dia 23 de agosto de 1999. A ilha de calor de Belo Horizonte, além de criar impacto ambiental de natureza térmica na área urbana, gera também uma pluma de contaminação térmica que se estende preferencialmente de acordo com o sentido predominante dos ventos na região metropolitana, na direção dos municípios de Contagem e Betim. Dessa forma, o autor resume a natureza da ilha de calor de Belo Horizonte e sua forma de ação.

Então, o que cria o efeito de ilha de calor urbana e como os planejadores urbanos podem reduzi-lo?

Os telhados das construções e o asfalto da cidade costumam ser de cor escura, o que ajuda a impulsionar o efeito da ilha de calor urbana.

Para entender o efeito da ilha de calor urbana, primeiro precisamos entender algumas regras simples da física. Além disso, devemos entender que os objetos podem absorver e refletir a luz. Na verdade, a cor de um objeto depende do tipo de luz que ele reflete. Por exemplo, um objeto verde reflete a luz verde e absorve todas as outras cores visíveis da luz. Quando vemos um objeto verde, percebemos que ele é verde porque reflete o comprimento de onda verde de volta aos nossos olhos. Objetos de cores escuras são excelentes absorvedores de luz. De fato, as superfícies pretas absorvem quase toda a luz. Por outro lado, superfícies coloridas, mais claras, não absorvem muita luz. Ao contrário, elas refletem quase tudo.

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Então, o que a absorção da luz tem a ver com o calor? Quando um objeto absorve a luz, ele converte a luz em energia térmica e a emite de volta como calor. Como os objetos negros absorvem mais luz, eles também emitem mais calor. É por isso que usar uma camisa preta em um dia quente e ensolarado só vai deixar você mais sexy. A camisa preta absorve a luz e a emite como calor em sua pele. Por outro lado, vestir uma camisa branca o ajudará a refletir a luz do sol e a mantê-lo mais fresco.

Telhados verdes, como este localizado no topo da Prefeitura de Chicago, ajudam a compensar o efeito da ilha de calor urbana.

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Terraço da Prefeitura de Chicago

Felizmente, ao conhecermos a causa do efeito de ilha de calor urbana, podemos controlá-lo de forma significativa. Certas técnicas reduzem a demanda por ar condicionado e, consequentemente, reduzem as contas de energia.

Como as superfícies escuras e a baixa capacidade de reflexão da radiação solar das estruturas urbanas aquecem a área, a solução lógica seria reverter essa tendência. Os planejadores urbanos podem fazer isso pintando as estruturas de branco ou de outras cores claras. Essa técnica básica ajuda muito a minimizar o efeito da ilha de calor urbana.

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A manutenção de estruturas urbanas escuras favorecem o surgimento de ilhas de calor

No entanto, algumas pessoas não gostam da ideia de uma cidade toda branca e gritante. Nesse caso, a utilização de revestimentos de baixa refletividade, com cores diferentes do branco, seria uma alternativa. Esses tipos de revestimento refletem radiação invisível sem refletir toda a luz [2]. Ou seja, eles mantêm um objeto relativamente frio sem sacrificar a sua cor.

Certos revestimentos de alta refletividade também podem ser aplicados no asfalto. As vedações de cavacos de asfalto e as camadas de vedação de emulsão são dois exemplos desse tipo de revestimento, que tratam o asfalto para tornar a sua superfície mais refletiva [3]. Os processos reduzem o fator albedo do asfalto, que é um dos principais contribuintes para o efeito de ilha de calor urbana.

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Pavimentação branca foi adotada em Los Angeles para reduzir a temperatura das cidades

Uma tendência que vem ganhando popularidade é a instalação de telhados verdes em cima de edifícios da cidade. Essa solução não tem nada a ver com cor. Um “telhado verde” é simplesmente um telhado que inclui plantas e vegetação. Os telhados verdes conferem ao ambiente o mesmo efeito de resfriamento evaporativo que as cidades perdem quando cortam a vegetação. Assim, um telhado verde não só impede que o telhado do edifício absorva calor, como também resfria o ar em torno dele, compensando o efeito de ilha de calor urbana até certo ponto. Ademais, muitos edifícios sustentáveis ​​usam telhados verdes para reduzir sua dependência do consumo de energia.

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Outras soluções que vêm sendo utilizadas também ajudam a reduzir o efeito de ilha de calor urbana, como por exemplo, a aspersão do telhado, método de resfriamento evaporativo. Os sprinklers molham a superfície do telhado para que o ar ao redor resfrie com a evaporação [4]. Planejadores urbanos também estão montando estacionamentos tradicionais ao longo de lotes onde existem árvores e vegetação. As árvores altas não apenas contribuem para o resfriamento evaporativo, mas também fornecem sombra muito necessária.

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Aspersão do telhado com água reutilizada oferece uma solução ecológica e prática para o resfriamento do edifício

A melhor maneira de minimizar as ilhas de calor nas cidades é por meio do planejamento urbano adequado, de modo a promover a fiscalização da emissão de poluentes na atmosfera, o plantio de árvores e a preservação das áreas verdes existentes.

 

Referências

  1. NOAA (em inglês)
  2. Synneffa
  3. EPA (em inglês)
  4. Asimakopoulos

Para saber mais:

ILHA DE CALOR URBANA, METODOLOGIA PARA MENSURAÇÃO:
Belo Horizonte, uma análise exploratória

O Campo de Força Terrestre – Como nosso campo eletromagnético nos protege e pode um dia destruir a nossa sociedade

 

A Terra é o quinto maior planeta do sistema solar e o mais denso de todos. Com um manto formado sobretudo de ferro derretido, a constante movimentação e atrito do magma em seu interior gera correntes elétricas que, consequentemente, criam campos magnéticos, que, por conseguinte, geram correntes elétricas e assim sucessivamente. Essa característica de nosso planeta possibilitou a formação de campos eletromagnéticos,  que atuam como um grande imã por toda a superfície.

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Representação do Campo Eletromagnético Terrestre e de suas influências – Por Tila Barrionuevo

Os chamados Polos Magnéticos são duas regiões específicas de nossa crosta onde esse campo eletromagnético se torna mais forte. Localizados próximo aos Polos Geográficos da Terra, esses pontos direcionam as faces opostas de imãs do mundo todo, ou seja, a face norte de um imã sempre apontará para o sul geográfico e vice-versa. Dessa forma, o Polo Norte Magnético encontra-se no Polo Sul Geográfico (na Antártida), enquanto o Polo Sul Magnético, que direciona a face norte das bússolas convencionais, está localizado no Polo Norte Geográfico, em uma área próxima à Groenlândia.

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Desde 206 AC, com a invenção da bússola, utilizamos os campos eletromagnéticos terrestres para nossa orientação espacial, tomando como referência o polo norte geográfico. Entretanto, embora essa técnica milenar pareça infalível, os polos terrestres não são imutáveis, deslocando-se lentamente em direções variadas com o passar do tempo. Embora pequenas mudanças nos campos magnéticos terrestres sejam comuns, uma inversão completa dos polos magnéticos terrestres ocorre mais ou menos a cada 200 mil anos, o que pode causar grandes impactos em todo o planeta. No passado, esse processo já ocorreu em um período de milhares de anos e, até mesmo, em poucos dias, o que torna seus efeitos nos dias de hoje imprevisíveis.

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A Inversão dos Polos Magnéticos iria colocar os polos geográficos e magnéticos na mesma posição, fazendo com que as bússolas apontassem para o Sul

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Representação de épocas de reversão dos polos magnéticos terrestres desde o Jurássico

O campo magnético terrestre atua como um campo de força, protegendo a crosta de ventos solares, ou seja, emissões de partículas altamente energéticas pelo sol com alto poder mutagênico. Uma inversão repentina dos polos magnéticos poderia, durante poucas horas, enfraquecer essa proteção, expondo nosso planeta a tempestades solares. Caso isso ocorra, um pulso eletromagnético vindo dessa estrela poderia danificar todos os equipamentos eletrônicos da Terra, parando carros, derrubando aviões, desligando computadores, sistemas de distribuição de água e toda a rede elétrica mundial, provocando o fim da sociedade como conhecemos.

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Outro impacto significativo da inversão de polos seria em nossa fauna. Milhares de espécies, incluindo lagostas, salmões, nematódeos, aves, tubarões e tartarugas, se orientam através do campo magnético terrestre, utilizando um sentido conhecido como magnetocepção. Uma mudança eletromagnética brusca iria desorientar esses animais significativamente, alterando padrões de migração e causando enormes revoadas de pombos nas cidades e no campo.

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Cena do filme The Core demonstrando a ação do campo eletromagnético nas aves

Por fim, um efeito que seria percebido em diversas áreas do mundo seria a alteração nos padrões de auroras boreais e austrais. Esses fenômenos são formados pela interação de partículas solares com o campo eletromagnético terrestre, o que seria exacerbado caso esses campos fossem enfraquecidos. Durante a inversão, essas luzes poderiam ser observadas inclusive em regiões tropicais do mundo, criando verdadeiros espetáculos de luzes e de cores.

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Atualmente, os polos magnéticos terrestres estão se movendo cerca de 60 quilômetros por ano e o campo eletromagnético de nosso planeta está aproximadamente 10% mais fraco do que quando foram realizadas as primeiras medições, o que pode indicar a aproximação dessa inversão. Sendo assim, devemos nos preocupar? A resposta é não. Embora os efeitos desse fenômeno sejam imprevisíveis, ele provavelmente demorará milhares de anos para ser completado, o que não enfraqueceria o campo de força terrestre a ponto de destruir as nossas tecnologias.

Portanto, enquanto a inversão dos polos não acontece, confie na sua bússola e agradeça a existência dessa proteção gerada pelo interior de nosso planeta, que permitiu a formação da vida que conhecemos e a manutenção de toda a nossa tecnologia.

 

Referências

 

http://www.saense.com.br/2016/03/a-importancia-do-campo-magnetico-terrestre-para-o-surgimento-da-vida-na-terra/

https://news.nationalgeographic.com/2018/01/earth-magnetic-field-flip-north-south-poles-science/

https://www.livescience.com/61958-africa-blob-earth-magnetic-flip.html

 

10 atitudes que você deve evitar para ajudá-lo a ser mais SUSTENTÁVEL

Esta lista contém atitudes diárias que podem ser modificadas para contribuir com a preservação da natureza. Elas dizem respeito a hábitos de compras, hábitos alimentares e até mesmo à utilização de materiais que podem ser ruins para o meio ambiente e você ainda não sabe.

1 – Enviar materiais biodegradáveis para os Aterros Sanitários:

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Esta opção não é tão ruim para o meio ambiente como as outras, porém é uma oportunidade desperdiçada. Muitos resíduos orgânicos que jogamos fora poderiam servir para compostagem, incluindo frutas, hortaliças, casca de ovo, borra de café, alguns tipos de sachês de chá e até mesmo guardanapos e papeis toalha. A compostagem feita em casa é bem mais fácil do que muitas pessoas acreditam. Ela deve ser realizada em um local apropriado, com terra, e após colocar o resíduo orgânico ele deve ser coberto com matéria seca. Você ficaria impressionado com a quantidade de lixo que seria reduzida através da compostagem de matéria orgânica. Além disso, você vai adorar a qualidade do composto orgânico para o solo que vai ser produzido em sua composteira.

2 – Comer soja

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Comer soja pode não ter o grande e massivo impacto causado pela carne, porém consumir produtos à base desse grão também pode ser ambientalmente ruim. Muitos dos produtos de soja, que são consumidos na cadeia produtiva, são geneticamente modificados, o que já seria uma questão controversa por si só. Muitas vezes, o mercado da soja não é apropriadamente licenciado e, em muitos lugares do mundo, utiliza pesticidas não regulamentados . Além disso, muitas áreas são desmatadas para o plantio dessa commodity. Como uma alternativa, tente utilizar soja não geneticamente modificada, orgânica, ou até mesmo outros grãos ricos em proteínas.

3 – Utilizar sabonetes e shampoos com sulfatos

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Um agente formador de espuma e muito barato, denominado Lauriléter Sulfato de Sódio (SLES / LSS), é um detergente e surfactante que faz parte de muitos produtos de higiene pessoal. Esse composto pode fazer você se sentir mais limpo e hidratado, porém o que beneficia o seu corpo pode não fazer bem à Mãe Natureza. O LSS não é biodegradável e pode permanecer no meio ambiente por um longo período de tempo. Ele também pode estar contaminado com o 1,4-dioxano, que é uma sustância já caracterizada pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) como provável agente cancerígeno. Então, comprador, evite utilizar sabonetes e shampoos com sulfato, não somente pelo meio ambiente, como também para a sua saúde.

4 – Esfoliar seu rosto com microesferas.

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Usualmente utilizados para renovar a pele do rosto, as microesferas esfoliantes são terríveis para o meio ambiente. Essas pequeninas e arredondadas esferas de plástico são encontradas em muitos produtos de beleza para esfoliação, em pastas de dente, entre outros. Porém, esses pedaços minúsculos de plástico passam até mesmo através de filtros e vão parar em rios e lagos, até chegarem aos oceanos. Ao chegarem nessas águas, esse material é consumido por peixes, que poderão voltar à nossa casa em forma de alimento. Hoje a venda desse produto já é proibida em países como os Estados Unidos, porém, no Brasil, até o momento, somente o estado do Rio de Janeiro proibiu a produção, fabricação, distribuição, comercialização, venda, estocagem e armazenagem desse material, por meio da Lei 8.90/2018, publicada no Diário Oficial do dia 31/08/2018.

5 – Jogar fora os cartuchos de impressora e baterias

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Os biodegradáveis não são os únicos materiais que vão parar em aterros sanitários. As pilhas e baterias, que contêm uma pequena quantidade de ácido de mercúrio, chumbo, níquel, lítio e/ou cádmio, também são descartadas nesses locais. Quando uma pilha ou bateria é jogada fora ao invés de ser reciclada, estas substâncias químicas vão vagarosamente desintegrar as suas cápsulas e vazar para o meio ambiente, levando à contaminação do solo, água, peixes e pássaros. Da mesma forma, a tinta de impressoras contamina o solo e pode causar problemas a longo prazo. Sem contar o fato de que, para se fabricar apenas um cartucho de tinta, são utilizados mais de 70 ml de óleo. Portanto, imprima menos e recicle mais.

6 – Negligenciar o uso de embalagens plásticas

A worker sorts plastic bottles at a recycling centre in Hefei

Os materiais que utilizamos para embalar nossos alimentos têm um enorme impacto no meio ambiente. Pense nos alimentos que você consome todos os dias: algum deles é embalado em plástico descartável? Até mesmo os vegetais têm sido embalados em plástico. Esse assunto já foi tema nesse texto. Muitas dessas embalagens plásticas vão parar em aterros e até mesmo no oceano. Para diminuir esse impacto e começar uma mudança de fato é necessário que diminuamos o consumo de industrializados e que passemos a levar as nossas próprias sacolas, de pano ou retornáveis, para o supermercado.

7 – Comer carne em excesso

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Como muitos já sabem, a industria da carne é bem cruel com o meio ambiente. Além dos gases de efeito estufa, emitidos diariamente em decorrência da indústria pecuária, grandes áreas são desmatadas todos os dias no Brasil e no mundo para a criação de animais ou para as plantações destinadas à alimentação dessa cadeia produtiva. Não bastasse isso, para suprir toda a linha de produção, desde o crescimento do animal até a sua chegada à mesa do consumidor, uma quantidade alarmante de água é utilizada. Para a comercialização de um quilograma de carne bovina são necessários pelo menos 13.000 litros de água. A superprodução de carne tem levado à depreciação da qualidade dos solos e ao aumento da poluição climática e do gasto exacerbado de água. Até que seja possível a criação de carne em larga escala nos laboratórios, para diminuir esse impacto devemos reduzir o consumo de carne. Para saber mais sobre esse assunto, clique aqui.

8 – Consumir Óleo de Palma

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O óleo de palma está presente em muitos produtos que compramos e consumimos diariamente, como itens de beleza e alimentação. Apesar de ser muito bom e útil, a quantidade de recursos para produzir esse insumo é muito limitada, sendo impossível acompanhar o crescimento massivo da demanda. Isso tem levado a práticas insustentáveis de crescimento da planta e muitas áreas estão sendo desmatadas para a sua produção, o que tem gerado riscos de extinção para várias espécies, como os orangotangos. Esse tema também já foi abordado anteriormente. Para ler, basta clicar aqui.

9 – Ferver água

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Muitos de nós adora tomar um café ou um chá quentinho, mas muitas vezes não pensamos no impacto que esse ato e muitos outros podem causar. Na verdade, essa atitude vai muito além de uma água quente.  Para se ferver uma pequena quantidade de água, uma enorme quantidade de energia é utilizada. Essa energia poderia iluminar uma casa inteira. Se estamos fervendo uma quantidade maior do que necessitamos ou se não prestamos atenção depois que a água já atingiu a temperatura que desejamos, estamos jogando fora uma enorme quantidade de energia a troco de nada. Isso não é válido somente para o ato de se ferver uma água, mas para desperdícios de energia de um modo geral.

10 – Comprar calça jeans

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Roupas jeans são a escolha de muitas pessoas na hora de se vestirem, devido ao seu conforto e praticidade. Você já parou para pensar a quantidade de recursos utilizados para a fabricação de cada calça jeans? De acordo com a marca Levis, mais de 3700 litros de água são utilizados na vida útil de apenas uma peça de jeans. Algumas pessoas estimam até mais de 6000 litros de água somente no algodão de uma única calça. Se seu produto não for suficientemente durável, você estará gastando uma quantidade enorme de água virtual em algo que será rapidamente descartado. Isso é válido para todo produto de consumo. Sendo assim, otimize suas compras priorizando a qualidade ao invés da quantidade.

 

Essas são apenas algumas atitudes que podemos tomar no nosso dia a dia. Portanto, usufrua daquilo que você gosta e que lhe faz bem, porém tendo consciência e escolhendo melhor o que consumir, com vistas à uma vida mais leve e sustentável.

 

Planeta de Fogo: Como os vulcões podem ameaçar nossa existência

Os vulcões são estruturas geológicas que consistem em uma abertura da crosta terrestre que permite o escapamento de gases e magma (rochas derretidas no interior do manto terrestre) para a superfície (tornando-se, assim, lava), nos limites de placas tectônicas. Embora existam mais de 1500 vulcões ativos ao redor do mundo e pelo menos um entre em erupção por semana, poucos possuem o poder de gerar grandes estragos. Entretanto, os vulcões no passado alteraram o clima, geraram tempestades elétricas que duraram meses, criaram anos de frio intenso e, ainda, quase extinguiram completamente a vida no planeta. Mas, afinal, quais são seus verdadeiros riscos?

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Fluxo de lava no Havaí após erupções de 2018 – Fonte: abc.net.au

Em 26 de agosto de 1883, um evento geológico iniciou-se de forma repentina em um pequeno arquipélago entre as ilhas de Java e Sumatra, na Indonésia. Uma erupção vulcânica colossal, com uma energia equivalente a 200 megatons (cerca de 6200 vezes mais forte do que a energia das bombas de Hiroshima e Nagasaki combinadas) destruiu mais de 70% da ilha e do arquipélago a seu redor, lançando cinzas a mais de 80 quilômetros de altura e enviando uma onde de choque que circulou o planeta quatro vezes. Além disso, criou também o barulho mais alto já registrado na história, rompendo o tímpano de pessoas em um raio de 60 quilômetros, que pôde ser ouvido claramente a mais de 5 mil quilômetros de distância.

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Desenho do vulcão de Krakatoa antes de sua erupção em 1883 – Kean Collection

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Representação do vulcão durante sua erupção de 1883, que eliminou cerca de 70% da área original da ilha – London, Trubner & Co., 1888

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Mapa da região mostra a área da ilha perdida após a erupção (área pontilhada)

Esse desastre matou diretamente 36 mil pessoas, cujos corpos foram encontrados em diversas regiões do Oceano Índico, incluindo a África do Sul, em decorrência de tsunamis de mais de 40 metros de altura. No ano seguinte após a tragédia, a temperatura global caiu em mais de 1.2 °C, o que modificou as correntes marinhas e o regime de chuva por vários anos. Esse fenômeno, conhecido como inverno vulcânico, é gerado quando uma enorme quantidade de cinzas e partículas de ácido sulfúrico e água reduz a chegada de luz ao solo, o que pode gerar secas, nevascas e ondas de frio por diversos anos.

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A enorme quantidade de cinzas liberadas durante uma erupção pode reduzir a taxa de radiação que chega ao solo, resfriando o planeta

A enorme quantidade de cinzas na atmosfera de todo o mundo fez com que os dias se tornassem mais escuros e que, durante o por do sol, o céu adquirisse diversas tonalidades de vermelho vivo e roxo. O fenômeno durou vários anos e foi tão evidente, que diversos historiadores o apontam como a inspiração do quadro O Grito (Skrik), pintado em 1893 por Edvard Munch.

Cores do quadro “O Grito”, de Edvard Munch, podem ter sido inspiradas nos eventos visuais ocorridos em todo mundo após a erupção do Krakatoa.

Embora uma erupção vulcânica possa ter efeitos devastadores, ela é apenas uma fração do verdadeiro poder do manto de nosso planeta. Quando um depósito de magma fica retido próximo à superfície, ele progressivamente irá crescer e acumular gases, criando uma elevação nas camadas de solo acima em uma taxa de até 1,9 metros por ano. Em determinado momento, a pressão torna-se tão grande que uma enorme erupção é gerada, enviando pelo menos 1000 quilômetros cúbicos de tefra (fragmentos de rocha sólida e de cinzas) para a atmosfera, cerca de 100 vezes mais que o expelido pelo Krakatoa. Após sua explosão, ele irá desmoronar e formará uma caldeira, que geralmente será preenchida por água.

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Magma acumula-se abaixo da superfície e, ao longo de milhares de anos, pode gerar pressão suficiente para uma explosão de grande porte 

Atualmente, o mundo conta com 20 supervulcões ativos, sendo o mais famoso o localizado no Parque Nacional de Yellowstone, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos. Sua caldeira foi criada após uma explosão catastrófica, cerca de 2,1 milhões de anos atrás, mas sua câmara de magma é muito mais antiga, com cerca de 18 milhões de anos. No passado, essa câmara resultou em erupções que cobriram partes da América do Norte em mais de dois quilômetros de cinzas, sendo o supervulcão mais potencialmente perigoso das Américas.

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Localização dos supervulcões ativos pelo mundo – Por Maphobbyist

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Representação da enorme quantidade de cinzas vulcânicas expelidas pela caldeira do Yellowstone e dos efeitos da chuva ácida resultante , durante o período Mioceno – Arte por Adrienne Stroup

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Centenas de fósseis encontrados na região indicam que mais de dois quilômetros de cinzas cobriram pradarias no centro da América do Norte

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As fontes termais coloridas do Parque Nacional de Yellowstone são um lembrete da caldeira de magma subterrânea do local 

Uma erupção do supervulcão de Yellowstone poderia destruir diretamente parte dos Estados Unidos, além de gerar tempestades elétricas que se estenderiam por centenas de quilômetros. A enorme quantidade de ácido sulfúrico lançada na atmosfera geraria intensas chuvas ácidas, que aumentaria a acidez de partes dos oceanos Pacífico e Atlântico e prejudicaria o regime de chuvas no mundo todo. Somado a isso, o frio intenso, juntamente com a chuva ácida, poderiam gerar ondas de fome, o que prejudicaria nossa sociedade por dezenas de anos. Felizmente, estima-se que a probabilidade do supervulcão de Yellowstone explodir nos próximos anos seja de uma em 730.000, mas o mesmo não pode ser dito de outros locais do mundo.

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Toda área destacada no mapa representa a região que seria atingida por uma grande quantidade de cinzas, que cobriria completamente a região em vermelho  

Atualmente, o supervulcão mais perigoso do planeta está localizado na região de Campi Flegrei, na Itália. Essa área possui um total de 24 caldeiras, com a maioria delas estando debaixo do mar, que se conectam internamente, formando uma câmara de magma gigante. Acredita-se que a área, que se eleva cerca de 2 metros a cada 1,5 ano, está acumulando pressão há milhares de anos e atividades recentes, como o terremoto de 21 de agosto de 2017, podem indicar que sua erupção está mais próxima do que nunca.

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Mapa mostrando algumas das caldeiras que compõe a região de Campi Flegrei, na Itália

Para mensurarmos o poder dos vulcões, voltaremos no tempo cerca de 252 milhões de anos, no final do período Permiano. Uma enorme câmara de magma, em uma área que hoje corresponde à Sibéria, acumulou tanto calor que, em vez de explodir em uma grande erupção, fundiu toda a terra acima, criando rios de lava que jorraram por mais de 200 mil anos em uma área de 7 milhões de km², o equivalente ao tamanho do Brasil. A quantidade de gases liberada foi tão grande que ativou uma reação em cadeia, provocando a extinção de aproximadamente 96% das espécies terrestres.

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Derramamentos de lava na Sibéria durante o Permiano cobriram uma área maior que o Brasil, resultando em mudanças no planeta que extinguiriam cerca de 96% da vida na Terra – Arte por José-Luis Olivares

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Arte por Julio Lacerda

Os vulcões são a maior força moduladora de nosso planeta e, ao longo da história, foram responsáveis por diversos eventos que, inclusive, possibilitaram o surgimento da vida (que trataremos posteriormente em um texto). Eles nos mostram a força e o poder da natureza, além de seus perigos, e nos ensinam o quão pequenos somos perante o nosso planeta. Eles são a maior e a mais ameaçadora lembrança do passado do nosso planeta e, provavelmente, continuarão a ser um enorme desafio para a vida no futuro.

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Vulcão da fictícia Isla Nublar, da franquia Jurassic World

Referências

Vídeos

 

Artigos

“The 1883 eruption of Krakatau” – Por SELF, Stephen et al.

“Volcanic eruptions and climate”- Por Robock, Alan

Textos

https://www.economist.com/briefing/2015/04/11/after-tambora

https://www.scientificamerican.com/article/what-causes-a-volcano-to-erupt-and-how-do-scientists-predict-eruptions/

https://www.aps.org/publications/apsnews/200405/backpage.cfm

https://www.earthmagazine.org/article/benchmarks-june-1977-first-excavations-nebraskas-ashfall-fossil-beds

 

Até onde a humanidade pode ir?

A humanidade sempre está inovando e descobrindo novas tecnologias a cada dia. Porém, para tudo há um limite estabelecido e chegará um momento em que não poderemos ultrapassar esse limite, não importando o quanto estejamos dispostos a tentar.

Nós vivemos em um braço silencioso da Via Láctea, uma galáxia em espiral de um tamanho mediano, e com mais de 100.000 anos luz de diâmetro. Ela é formada por bilhões de estrelas, nuvens gasosas, matéria escura, buracos negros, estrelas de nêutrons e planetas, além de um enorme e massivo buraco negro no centro. De longe nossa galáxia parece bem densa, mas, na realidade, ela consiste, em sua maioria, em espaços vazios. Com nossa atual tecnologia, enviar um ser humano para a estrela mais próxima levaria centenas de anos, o que nos demonstra o quão vasta é nossa galáxia.

Como muitos já sabem, não estamos sozinhos no universo. Pertencemos a um grupo composto também pela galáxia Andrômeda e mais de 50 galáxias anãs, chamado de “Grupo Local”, que consiste em uma região do espaço e que possui mais de 10 milhões de anos luz em diâmetro. O Grupo Local é um dos milhares de grupos de galáxias pertencentes ao “Super aglomerado de Virgem”, que atualmente foi renomeado para “Superaglomerado Laniakea”.

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O Superaglomerado Laniakea, por sua vez, é apenas um dos milhões de superaglomerados que compõem o universo observável.

Suponhamos, por apenas um instante, que tenhamos um futuro glorioso e que a humanidade tenha se tornado uma civilização do tipo 3, que não seja aniquilada por alienígenas e consiga desenvolver as habilidades de realizar viagens interestelares baseadas no nosso atual entendimento de física. No melhor dos cenários, até qual distância conseguiríamos ir? Sinto dizer, mas conseguiríamos viajar apenas dentro do nosso Grupo Local.

Mesmo possuindo grande magnitude, o grupo local pertence a apenas 0,00000000001% do universo observável. Só de imaginar o quão ínfimo e limitado é a nossa ciência já é motivo para questionar o motivo de não podermos ir além. Tudo isso refere-se à “Natureza do Nada”. O nada, ou o lugar nenhum, como queira chamar, não é vazio, pois possui uma energia interna chamada pelos físicos de “flutuação quântica”. Em uma pequena escala  há uma ação constante de partículas e anti-partículas aparecendo e se anulando. É possível e mais fácil imaginar esse espaço vazio contendo regiões mais densas e menos densas.

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Flutuação Quântica

Há 13,8 bilhões de anos atrás, o Universo que conhecemos hoje consistia no “nada”. Logo depois do Big Bang, em um evento chamado de inflação cósmica, o universo observável expandiu de um tamanho de uma bolinha de gude para trilhões de quilômetros, em frações de segundos. Essa expansão do espaço foi tão rápida e extrema que todas as flutuações quânticas também se ampliaram e as distâncias subatômicas se tornaram distâncias galácticas com regiões mais e menos densas.

Depois da expansão, a gravidade começou a puxar toda matéria para perto novamente e, com o passar do tempo, as regiões mais densas, ou bolsões do universo, cresceram como grupos de galáxias semelhantes à que vivemos atualmente. Apenas aquilo que pertence ao nosso Grupo Local é vinculado a nós gravitacionalmente.

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Site Phys.com

Então, qual seria o principal problema para viajarmos do nosso Grupo Local para outro bolsão? A matéria escura torna tudo bem mais complicado. Aproximadamente 6 bilhões de anos atrás, a matéria escura tomou conta do Universo. Ela é basicamente uma força ou efeito invisível que gera e aumenta a velocidade da expansão do Universo. Dessa forma, com o passar do tempo, estamos ficando mais e mais distantes dos outros grupos já que não estamos ligados a eles gravitacionalmente. Portanto, quanto mais o universo se expande, maior será a distância a ser percorrida entre grupos e a matéria escura empurrará o resto do universo para mais e mais longe de onde estamos.

Hoje, o grupo de galáxias mais próximo se encontra a uma distância de milhões de anos luz de nós e está se movendo para uma distância ainda mais longe a uma velocidade que nunca conseguiríamos alcançar. Seria até possível sairmos do nosso grupo local, porém sem nunca chegar a lugar nenhum.

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Enquanto nosso grupo se torna cada vez mais isolado, dentro do grupo nos tornamos cada vez mais próximos devido ao efeito gravitacional, de forma que um dia nos tornaremos, juntos, uma enorme e elíptica galáxia com o nome não convencional de “Milkdromeda”.

Chegará o momento em que não conseguiremos informações de nenhum outro grupo e tudo que restará será um grande e enorme vazio escuro sem a menor interação com outros bolsões. Aqueles que nascerem nessa nova galáxia nunca saberão da existência dos outros grupos e como são as radiações cósmicas, não entenderão como foi formado o Big Bang e pensarão que o universo é estático e eterno.

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Por enquanto ainda tentamos desvendar uma maneira de ultrapassar nosso sistema solar, mas ainda temos bilhões de anos para explorar a nossa galáxia. Somos muito sortudos em poder desfrutar, não somente o planeta em que vivemos e o nosso futuro, como também olhar para o céu e enxergar um passado distante que um dia não teremos mais.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

Blog “Starts with a Bang”.

Site Phys.com

Canal do Youtube “Kurzgesagt – in a nutshell”

 

 

Breve Histórico do Pensamento Evolutivo

Desde que nascemos, queremos compreender o mundo à nossa volta, suas origens e seu futuro, e alguns de nós continuamos em busca desse entendimento, mesmo quando crescemos – o caso, por exemplo, de filósofos e cientistas ao longo dos milênios. Um fenômeno que causa bastante espanto é a vida: de onde surgiram os seres vivos? Como surgiu essa diversidade incrível de formas e tamanhos corporais, de organismos “simples” como bactérias até organismos muito complexos e enormes, como sequoias e coelhos?

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                  Sequoiadendron giganteum, um dos maiores organismos viventes do planeta                                  Fotógrafo desconhecido

Diversos pensadores buscaram solucionar essa questão. Aristóteles, por exemplo, sustentava que o mundo era eterno, isto é, sempre existiu e sempre existirá. Para isso, as formas deveriam ser imutáveis e, consequentemente, os seres vivos não poderiam mudar ao longo do tempo e teriam existido desde sempre. Outras maneiras de explicar a vida eram as mitologias e seus respectivos criacionismos: criacionismo cristão, criacionismo greco-romano, criacionismo hindu, entre outros. Nenhuma dessas hipóteses tinha um embasamento sólido que resistisse a algumas observações contrárias, e por isso acabaram por ser abandonadas na busca dessa resposta.

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A Criação de Adão (Creazione di Adamo), pintada por Michelangelo entre 1508 e 1512

De qualquer forma, a visão mais aceita à época sobre a origem dos seres vivos era fixista e criacionista: Deus criou os seres vivos e, desde então, eles são os mesmos, fixos e estáveis. Apesar disso, havia quem questionasse essas ideias. Diderot e outros enciclopedistas, por exemplo, eram contrários ao fixismo, afirmando que as linhagens de seres vivos acumulavam variações ao longo do tempo. Erasmus Darwin, o avô de Darwin, também acreditava que havia mudanças nos seres vivos. Apesar disso, nenhum deles nunca apresentou nenhuma hipótese sobre os processos que levavam a essas mudanças.

As ideias fixistas pregavam que Deus criou os seres vivos e desde então eles permaneceram imutáveis – Quadro “Adam and Eve in the Garden of Eden” pintado no século XIX por Wenzel Peter

Uma figura importante que defendia o fixismo era Georges Cuvier. Naturalista francês, ele trabalhava no Museu de História Natural de Paris, estudando vertebrados, e defendia uma hipótese chamada catastrofismo: de tempos em tempos, ocorria um evento de extinção em massa, do qual sobreviviam poucos ou nenhum ser vivo. Essas extinções seriam seguidas de um surgimento repentino de novas formas de vida, que se manteriam estáveis e inalteradas até o próximo evento de catástrofe. Isso explicaria diferenças entre a fauna do passado e a fauna atual. Ironicamente, Cuvier é um dos fundadores da Anatomia Comparada, disciplina que hoje em dia é usada como evidência e ao mesmo tempo ferramenta de estudo da evolução darwinista.

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Georges Cuvier (1769 – 1832)

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Desenho de crânio de um Mosassauro feito por Georges Cuvier – Esse cientista era adepto ao catastrofismo, que pregava que, de tempos em tempos, uma grande catástrofe extinguia toda a vida na Terra, que seria posteriormente substituída

Outro personagem importante nessa história é Jean-Baptiste Lamarck. Ele foi o primeiro a, ao mesmo tempo, afirmar que as espécies mudavam ao longo do tempo e sugerir um mecanismo que levasse a essas mudanças. Evidência disso era a existência de seres fósseis que não existem mais, como por exemplo alguns moluscos – grupo com o qual ele trabalhava. Para Lamarck, dois princípios norteavam as mudanças das espécies ao longo do tempo: uma tendência natural pelo aperfeiçoamento das espécies e a famosa “Lei do Uso e Desuso”. A primeira agiria sempre aumentando o grau de complexidade e perfeição dos organismos, sendo assim responsável por mudanças em planos corpóreos. A segunda é uma mudança mais sutil de pais para filhos e leva à mudanças menos gritantes; essa era guiada por interações entre os organismos e seu nicho, e Lamarck defendia que caracteres adquiridos pelos pais são transmitidos para a prole.

Jean-Baptiste de Lamarck (1744 -1829), o criador das primeiras teorias da evolução

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Um exemplo comumente associado às ideias lamarckistas é o do pescoço das girafas: Segundo sua teoria, os animais iriam adaptar-se de acordo com o ambiente, modificando seu corpo ao longo de gerações em resposta à mudanças do meio

Duas críticas fortes podem ser feitas ao pensamento de Lamarck. Uma delas é contra a sua ideia de geração espontânea de seres: para explicar a existência de seres simples em uma hipótese em que os seres vivos sempre estão aumentando de complexidade, era necessário que esses seres surgissem constantemente. A outra é a aparente teleologia  do sistema Lamarckiano. Em outras palavras, a evolução, como proposta por Lamarck, tem um objetivo final pré-determinado (teleologia), ou seja, a perfeição dos seres vivos. Existem diversas correntes filosóficas e científicas que são a favor e contrárias à teleologia – inclusive à do próprio Darwin, mas o foco do presente texto não é esse debate.

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A teleologia, somada ao humanismo europeu do século XIX, criaram a ideia de que o ser humano é um organismo quase perfeito, sendo mais evoluído que seus antepassados extintos e que os outros organismos contemporâneos.

Mais uma figura que chegou para quebrar com o que se pensava até então foi Charles Darwin. Uma de suas influências era Malthus, economista que dizia que as populações humanas crescem numa taxa cada vez maior, enquanto que a capacidade de produção de alimentos aumenta linearmente, e que, por isso, há um limite de seres humanos que uma economia pode sustentar. De Malthus, Darwin tirou o conceito de “luta pela sobrevivência”: um ambiente pode apenas suportar uma quantidade determinada de indivíduos em um nicho (por exemplo, um número X de grandes herbívoros), e, por isso, esses indivíduos devem competir por acesso a esses nichos – entre espécies e dentro de uma mesma espécie. Os vencedores dessa competição conseguem gerar prole, processo chamado de “reprodução diferencial”.

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Fotografia de Charles Darwin (1809 – 1882)

Também influenciou o pensamento de Darwin o geólogo Charles Lyell, da teoria uniformitarista. De acordo com ele, os processos geológicos que vemos hoje em dia (erosão pelo vento, pelo movimento de água, etc.) seriam responsáveis pelos fenômenos que observamos em rochas e formações geológicas atuais. Isso se traduz na teoria da evolução através do conceito de reprodução diferencial aplicado ao longo de inúmeras gerações de seres vivos: mudanças hereditárias se acumulam de pai para filho e de filho para neto, de tal maneira que, após várias décadas ou séculos, é possível notar diferenças gritantes entre os membros de uma mesma linhagem.

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Mudanças graduais em gerações de organismos, ao longo de milhões de anos, geram as mudanças morfológicas entre diferentes espécies – Evolução das baleias modernas

Tendo como base essas e outras influências, e sua viagem em torno do mundo com o navio HMS Beagle – em especial os trechos em que o navio parou em arquipélagos -, Darwin foi capaz de formular a teoria da seleção natural: o meio seleciona organismos que, por um motivo ou por outro, se apresentam mais hábeis à sobrevivência, e esses organismos passam para a sua prole as características que a garantiram. O principal, para a teoria de Darwin, não é em si a sobrevivência do indivíduo, mas sim sua capacidade de reproduzir (e gerar prole que consiga reproduzir também). Como algumas evidências de que a seleção natural existe, ele propôs aves e tartarugas de Galápagos, interações ecológicas altamente específicas, e a seleção artificial que o ser humano fez com outras espécies, por exemplo de plantas e animais domésticos.

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Os tentilhões de Galápagos foram essenciais para a descoberta da seleção natural por Charles Darwin, após sua visita à esse arquipélago em 1835 –  Imagem por NGS Art Department

A teoria da evolução de Darwin foi duramente criticada. Alguns críticos apontaram que, como havia sido proposta, a teoria não apresenta nenhuma explicação da maneira como as características são transmitidas entre gerações. E de fato, a ideia de Darwin não respondia a essa questão. Outro desconforto com as ideias dele vem do fato de que, nesse sistema, o ser humano era apenas mais um animal, como outro qualquer, e não tinha nenhum lugar especial. Como pessoas mais inteligentes já disseram, este foi um dos atentados contra o amor-próprio da humanidade.

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Charge de 1871 representando Charles Darwin e seu “parentesco com os macacos”

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Após o surgimento da teoria da Evolução de Charles Darwin, o ser humano deixou de ser visto como um organismo superior e passou a ser considerado apenas uma dentre milhões de outras espécies

Mais recentemente, novas descobertas vêm transformando a maneira como se vê a evolução. A primeira grande reviravolta na teoria evolutiva foi a Síntese moderna, que busca unir o que já se sabia sobre hereditariedade, desde o proposto por Gregor Mendel, até descobertas mais recentes no campo da genética, e o que se sabia sobre mecanismos de evolução. O nosso conhecimento sobre a maneira como ocorre a evolução por processos alheios à seleção natural também se expandiu significativamente. Hoje sabemos que existem outras forças que podem levar uma população a se modificar ao longo das gerações – como efeito fundador, efeito gargalo, dispersão e vicariância, deriva genética, etc. – mas isso são temas para outros textos.

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Gregor Johann Mendel (1822 – 1884), conhecido como o pai da teoria da hereditariedade

Hoje em dia, alguns conceitos antigos também têm voltado a entrar em interesse de estudos. É o caso, por exemplo, de alguns caracteres adquiridos durante o desenvolvimento de alguns animais, que podem ser transmitidos à prole. Também foram criadas novas maneiras de se interpretar a evolução – Richard Dawkins expõe uma delas brilhantemente em seu livro O Gene Egoísta. Além do mais, o sistema de classificação dos seres vivos hoje usado na ciência (chamado sistema filogenético) busca inserir dados evolutivos nas classificações.

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Cladograma dos principais grupos de organismos viventes

Em suma, o pensamento evolutivo nunca parou de se renovar ao longo de toda a sua história e continua se transformando até os dias de hoje. Quais serão as próximas descobertas que revolucionarão nossa maneira de encarar a evolução dos seres vivos, apenas o futuro poderá dizer com certeza. Por enquanto, vale a pena procurar saber mais sobre o que já sabemos, bem como o que ainda não sabemos também.

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A imagem pode conter: Vítor Emídio de Mendonça, óculos, barba e close-up

Texto escrito por Vítor Emídio de Mendonça, graduando em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Minas Gerais e IC pelo Laboratório de  Mastozoologia

O que perdemos no fogo – Uma análise da importância do Museu Nacional para a ciência do mundo

O Museu Nacional, fundado por Dom João VI em 1818 com o nome de Museu Real, foi a maior instituição científica e maior museu do país, e um dos maiores da América Latina, o que lhe conferiu fama mundial. Instalado no Palácio Imperial, que abrigou a família real portuguesa e a família imperial brasileira entre 1809 e 1889, o museu foi criado com o objetivo de impulsionar os conhecimentos científicos no país, incluindo, inicialmente, rochas e animais empalhados. Ao longo dos anos, itens culturais do mundo todo, minerais, meteoritos, fósseis, ossadas e plantas foram adquiridos para o museu, que passou a ser o mais influente da América do Sul na época.

Em 1946 o museu passou a fazer parte da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que ficou responsável por sua manutenção até os dias de hoje. Em seu entorno, novos prédios e laboratórios foram erguidos, e passaram a compor o Horto Botânico, na Quinta da Boa Vista. Esses prédios serviram como base para inúmeras pesquisas realizadas no museu que, até o início de setembro, possuía mais de 20 milhões de peças em seu acervo. Nos últimos anos, entretanto, o descaso de políticas públicas com a cultura e a educação, somado a cortes de verbas, impediram a boa conservação do espaço e a manutenção periódica de suas dependências, o que ocasionou o acidente da última semana.

No dia 2 de setembro de 2018, um incêndio de grandes proporções queimou os três andares do Palácio Imperial, destruindo mais de 200 anos de coleta de materiais históricos e científicos. Estima-se que mais de 90% dos 20 milhões de itens pertencentes ao museu tenham sido incinerados, extinguindo anos de pesquisa, inúmeros materiais biológicos, uma parcela significativa da nossa história e de culturas inteiras. Afinal, o que perdemos no Museu Nacional?

Geologia

O depósito mineral do Museu foi, sem dúvidas, o menos afetado pelas chamas. Embora as elevadas temperaturas possam deteriorar concreções e aglomerados de minerais específicos, o fogo não é capaz de destruir todo o material. Entretanto, os inúmeros desabamentos no interior do edifício não só podem ter quebrado muitas dessas rochas, como também sua identificação no meio dos escombros é extremamente improvável. As maiores perdas nesse campo de estudo provavelmente foram as concreções carbonáticas em arenito fino do Cretáceo, oriundas da Antártida, diversas pedras preciosas e um frasco contendo petróleo do Poço de Lobato, a primeira reserva dessa substância encontrada no Brasil.

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Amostra de petróleo do Poço de Lobato

Imagem - Concreção carbonática da Antártica
Concreção carbonática da Antártida

Mesmo com as elevadas temperaturas do incêndio, parte dos meteoritos depositados no museu permaneceram praticamente intactos. Entretanto, peças menores poderão ser perdidas nos próximos dias com a remoção de escombros, devido à sua similaridade com pedaços de concreto.

Imagem - Bendegó
Meteorito Bendegó, maior meteorito brasileiro pesando 5 toneladas

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O meteorito foi um dos poucos sobreviventes do incêndio

 

Paleontologia

A paleontologia no Brasil se consolidou significativamente nos últimos 200 anos, sobretudo devido às descobertas em Lagoa Santa, Uberaba e na Bacia do Araripe, no Ceará. Grande parte dos fósseis encontrados no território nacional eram armazenados no Museu Nacional, que continha mais de 56 mil exemplares. Além dos mais de 4000 exemplares de plantas fósseis catalogadas, o museu continha um enorme acervo de braquiópodes, bivalves, insetos, quelônios e uma das maiores coleções de pterossauros do mundo, com exemplares de espécies únicas como o Tropeognathus mesembrinusCearadactylus atrox, Anhanguera santanae e do Tupandactylus imperator.

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Esqueleto de Tupandactylus imperator em exposição no Museu Nacional

 

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Reconstrução de Tupandactylus imperator por John Conway

Imagem - Fóssil de lagarto aquático
Fóssil de um Stereosternum de 280 milhões de anos perdido no Museu

A coleção de dinossauros presente no Museu era uma das mais diversas do país, contando com espécies exclusivas. Exemplares de Oxalaia quilombensisIrritator challengeriAngaturama limai e de uma possível nova espécie de Spinossaurídeo eram a prova da paleobiologia do Mesozoico em nosso país e auxiliavam a compreender a evolução desse grupo de animais semi-aquáticos do mundo todo.

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Representação de um Spinossaurídeo brasileiro – por Julio Lacerda

O primeiro grande dinossauro brasileiro a ser completamente montado também fazia parte do acervo do Museu. O Maxakalisaurus topai era um titanossauro do Cretáceo, de 13 metros de comprimento, cujos ossos foram encontrados no Triângulo Mineiro. Sua réplica se encontrava exposta no Museu, enquanto seus fósseis estavam guardados, mas ambos não resistiram ao incêndio.

Imagem - Titanossauro (réplica)
Maxakalisaurus topai, o maior grande dinossauro montado no brasil

Zoologia

A coleção zoológica do Museu era composta por mais de 5 milhões de insetos, sendo um dos maiores centros de pesquisa entomológica da América do Sul. Acredita-se que todo esse acervo tenha sido perdido, juntamente com inúmeros aracnídeos, crustáceos e moluscos. A coleção de vertebrados, por sua vez, ficava em outro prédio e não foi atingida, com exceção de mais de 80 espécies de aves e mamíferos empalhados e de um esqueleto de jubarte, que ficavam expostos no museu.

Imagem - Ordem Coleoptera (BESOUROS) [Parte 6]

Imagem - Ordem Orthoptera, subordem Ensifera (ESPERANÇAS E GRILOS)

Imagem - Besouros

Imagem - Duas belas borboletas
Parte dos 5 milhões de insetos destruídos no incêndio

Antropologia Biológica

Dentre diversas réplicas de crânios de hominídios, cabeças mumificadas, restos de tambaquis e objetos, o Museu contava com ossos de mais de 80 indivíduos do Paleolítico, com destaque para o crânio de Luzia, o ser humano mais antigo do Brasil. Encontrada no início dos anos 70, sua descoberta reescreveu a história dos humanos na América, uma vez que mostrou que diversas levas de migração chegaram à América, ao contrário do que se pensava anteriormente.

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Representação do rosto de Luzia ao lado de seu crânio

Imagem - Cabeça mumificada
Cabeça mumificada produzida pelo povo Jivaro

Dois dias depois do incêndio, um crânio, que poderia ser o de Luzia, foi encontrado em um cofre em meio aos escombros do Museu, mas ainda não houve confirmação do fato.

Arqueologia

O acervo do Museu contava com peças do Brasil pré-colombiano, como vasos, cestas e esculturas das culturas Marajoara, Maracá e Konduri, além de objetos de povos dos Andes e múmias andinas. Objetos doados ou comprados da África e do Mediterrâneo compunham salões do museu com vasos e estátuas da Grécia Antiga e de povos egípcios, incluindo sarcófagos, animais mumificados e uma das nove únicas múmias egípcias preparadas com linho colorido já encontradas no mundo.

Imagem - Tampa do caixão de Harsiese
Sarcófago egípcio

Imagem - Gato mumificado
Gato mumificado

Imagem - Escultura feminina sem cabeça
Estatua encontrada na Itália em 1853

Imagem - Múmia pré-histórica de indivíduo do sexo masculino
Múmia do Atacama

Imagem - Ponta de Projétil
Pontas de projéteis da pré-história brasileira

 

Etnologia

A sessão de Etologia do museu abrigava mais de 40 mil itens de culturas do mundo todo, sobretudo de povos indígenas e africanos. Máscaras de guerra, armas, marfins adornados, vestimentas, instrumentos musicais e até um trono de um rei africano foram perdidos no incêndio, juntamente com inúmeros objetos ritualísticos. Diversas peças presentes no museu eram de culturas extintas, que agora foram completamente apagadas de nossa história.

Imagem - Coifa de penas com manto
Coifa indígena de penas com manto

Imagem - Boneca
Boneca Karajá

Imagem - Baioneta
Baioneta africana do século XIX

Imagem - Zinkpo
Cópia do trono do  rei Kpengla feita no século XIX

Parte do acervo audiovisual foi mantido devido à sua digitalização prévia. Mesmo assim, inúmeras gravações de músicas e de línguas indígenas sem falantes vivos foram perdidas sem nenhum reparo possível.

Família Real

O Palácio Imperial teve sua estrutura pouco alterada desde a sua criação, preservando suas características arquitetônicas originais, que foram perdidas com o incêndio, com exceção da fachada original do edifício. O Museu possuía, também, peças originais utilizadas pela corte portuguesa no Brasil e pela família imperial.

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Museu Nacional

 

Esse acontecimento só veio comprovar o descaso dos governos federal e estadual com a ciência, história e cultura do Brasil, uma vez que, anualmente, o museu custava aos cofres públicos menos do que se gasta com apenas um dos 18 mil juízes do país. Assim como o Museu Nacional, milhares de outros museus do país ainda dependem de verbas públicas que, muitas vezes, são mal direcionadas. O Museu do Amanhã, por exemplo, não realiza pesquisas e, mesmo assim, recebe anualmente 24 vezes mais do que o Museu Nacional necessitava para a sua manutenção.

Os museus são importantes para a preservação da memória científica e cultural de toda uma sociedade, a partir dos seus conceitos e características, bem como dos materiais coletados durante a sua trajetória. Eles não são apenas construídos pelo passado. Eles também representam o presente e o futuro de um país, por produzir conhecimento e gerar frutos que poderão ser colhidos pelas próximas gerações.

 

Nenhum texto alternativo automático disponível.
“Humanos, quando terminarem de destruir tudo – a sua e a nossa memória – não esqueçam de apagar as luzes e fechar bem a porta… Nós que aqui estamos por vós esperamos.”
Arte de Márcio Castro

 

 

Referências

Notícias

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2018/09/04/museu-do-amanha-recebe-24-vezes-mais-verba-publica-do-que-museu-

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-09/ufrj-e-governo-federal-divergem-sobre-verba-enviada-ao-museu-nacional

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/09/03/museu-nacional-teve-90-de-seu-acervo-perdido-em-seis-horas-de-incendio.ghtml

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2018/09/03/luzia-e-ossos-de-dinossauro-estavam-em-cofres-e-podem-ter-resistido-ao-fogo.htm

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2018/09/03/luzia-e-ossos-de-dinossauro-estavam-em-cofres-e-podem-ter-resistido-ao-fogo.htm

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/descentralizada-digitalizacao-salva-parte-de-acervo-indigena-do-museu-nacional.shtml

Artigos

MARTILL, D. M. et al (1996) A new crested maniraptoran dinosaur from the Santana Formation (Lower Cretaceous) of Brazil

AURELLIANO, T. et al (2018) SEMI-AQUATIC ADAPTATIONS IN A SPINOSAUR FROM THE LOWER CRETACEOUS OF BRAZIL

Vídeo

 

Imagens

http://www.museunacional.ufrj.br/index.html

5 cidades sustentáveis e o que podemos aprender com elas.

Cidades em todo o mundo estão vivendo em extremos e exibem desempenhos polarizados nos três pilares da sustentabilidade.  O Índice Arcadis de Sustentabilidade é baseado em três categorias: “Pessoas”, “Planeta” e “Lucro”. A categoria Pessoas inspeciona saúde, educação, igualdade de renda, equilíbrio entre trabalho e vida privada, crime e moradia e custo de vida – esses indicadores podem ser amplamente considerados como a chamada “qualidade de vida”. A segunda categoria, Planeta, inspeciona os “fatores ambientais” de uma cidade, como o uso de energia renovável, consumo de energia, espaços verdes dentro da cidade, emissões de gases de efeito estufa, água potável e muito mais. Já a categoria Lucro classifica as cidades de acordo com sua infraestrutura, turismo, PIB per capita, importância da cidade em redes econômicas globais e taxas de emprego.

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3 pilares da sustentabilidade: Pessoas – social / Planeta – meio ambiente / Lucro – econômico.

A Arcadis fez uma parceria com o Centro de Pesquisas Econômicas e Empresariais (Cebr) para explorar como as cidades estão indo nessas três áreas. O Cebr avaliou 100 das principais cidades do mundo, usando 32 indicadores diferentes, para desenvolver uma classificação indicativa da sustentabilidade de cada um. Uma cidade recebe uma pontuação em cada um dos três pilares da sustentabilidade e a pontuação geral da cidade é igual à média dos três subíndices.

O Índice Arcadis de Cidades Sustentáveis 2016 classificou 100 cidades globais em três dimensões ou pilares de sustentabilidade: Pessoas, Planeta e Lucro, representando sustentabilidade social, ambiental e econômica, para oferecer uma imagem indicativa da saúde e riqueza das cidades para o presente e o futuro.

Uma clara ligação entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental é aparente. Portanto, as cidades nas economias avançadas estão em grande parte no topo, enquanto as economias emergentes e em desenvolvimento tendem a se agrupar em direção ao fundo.

A maior tensão inerente a uma economia sustentável, seja ela referente a uma cidade ou a um país, é a análise para descobrir se o bem-estar das gerações futuras é comprometido pelo estilo de vida das gerações atuais. Atualmente, todas as economias avançadas colocam em risco os padrões de vida futuros por meio de altas emissões de gases de efeito estufa, por não reciclarem suficientemente os recursos finitos que utilizam e por esgotar suas fontes de energia não renováveis. Alguns exibem os efeitos adversos dessas atividades melhor do que outros.

Como tal, o Índice de Cidades Sustentáveis ​​não é uma classificação típica de desenvolvimento. Algumas economias emergentes são inesperadamente altas em relação a um ranking de desenvolvimento “padrão”, enquanto algumas economias desenvolvidas caem em suas obrigações para o futuro. Podemos olhar para os três subíndices para ver em quais dimensões as cidades de sustentabilidade estão tendo bom desempenho e nas quais elas têm oportunidades para novos investimentos e melhorias.

1 – Zurique – Suíça

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SusTec – empresa de tecnologia em Zurique

Zurique, a cidade número um do Índice de Cidades Sustentáveis, tem uma forte reputação como uma cidade contemporânea e habitável, conhecida por seu forte foco no ambientalismo, bem como em instituições financeiras de renome mundial. Apesar de liderar tanto o ranking geral, como o sub-índice do planeta, e ocupando o 5º lugar no lucro, Zurique aparece em 27º lugar no sub-índice de pessoas devido à acessibilidade, trabalho   e qualidade de vida, sendo as principais causas dessa disparidade.

A sociedade de 2.000 watts é a abordagem de Zurique para combater a mudança climática e a escassez de recursos: uma meta para as pessoas usarem 2000 watts de energia per capita (a quantidade global estabelecida como uso de energia “sustentável”).

Os compromissos incluem investimentos e foco em eficiência energética e em energias renováveis, construções sustentáveis, mobilidade para o futuro e um esforço para aumentar a conscientização pública, incluindo eventos como dias anuais do  meio ambiente.

O transporte público na cidade é considerado como um modelo altamente sustentável para outras cidades. Eléctricos, comboios, autocarros, metrôs e muito mais são altamente coordenados, tornando a mobilidade simples, rápida e acessível.

Como um centro econômico global, a cidade não só é capaz de atrair negócios, mas também pessoas, com uma boa qualidade de vida, oportunidades educacionais e de emprego atraentes, bem como um ranking de saúde líder no Índice. Várias empresas e indústrias inovadoras, pequenas e grandes, formam uma base importante da economia de Zurique. Além disso, altos níveis de produtividade e baixos custos de mão-de-obra não salarial reduzem os custos de produção em relação às economias concorrentes em todo o mundo. Tudo somado, isso faz de Zurique um lugar atraente para investir, viver e trabalhar.

2 – Singapura

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Jardins da Baía -Singapura

Uma série de iniciativas de sustentabilidade está em andamento e ajudará Singapura a evoluir e a permanecer competitiva. Mesmo sendo a melhor cidade classificada na Ásia e a segunda no mundo, a cidade continua sendo proativa. Por exemplo, com uma população prevista para crescer para mais de seis milhões de pessoas até 2030, o governo comprometeu-se a realizar investimentos significativos na próxima década para melhorar a mobilidade e a conectividade dentro da cidade. Este investimento inclui duas novas linhas subterrâneas, extensões para quatro linhas de MRT existentes, um novo terminal e pista no Aeroporto de Changi, uma ligação ferroviária de alta velocidade entre Singapura e Malásia e a realocação dos portos de containers.

A cidade também enfrenta o envelhecimento da população e a necessidade de maiores investimentos em infra-estrutura social. Isso, juntamente com longas horas de trabalho, desigualdades de renda e acessibilidade, impactam a classificação do sub-índice de pessoas de Singapura.

Singapura também estabeleceu uma meta ambiciosa de tornar, pelo menos, 80% de todos os edifícios “verdes” até 2030 como parte de um esforço conjunto para criar um ambiente vivo vibrante e de alta qualidade, que seja resiliente e apoie a agenda mais ampla da mudança climática. Investimentos adicionais em resiliência estão em andamento em Singapura, incluindo sua estratégia de “fechar o ciclo” da água.

Classificada em primeiro lugar no lucro, Singapura está no top 10 de todos os seis indicadores no sub-índice de lucro, liderando o mundo na facilidade de fazer negócios e empatando com Macau no primeiro lugar de turismo.

3 – Estocolmo – Suécia

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Estocolmo, cidade com mais de 880 mil habitantes espalhados pelos 6.519 km² de extensão territorial, investiu em planos de sustentabilidade que transformaram os rios da capital da Suécia que estavam poluídos em lugares adequados para pesca e implantaram lixeiras a vácuo que dispensam a coleta por caminhões. Além disso, ainda pretendem reduzir o uso de combustíveis fósseis nos próximos 37 anos.

O ano de 1972 foi importante para Estocolmo, pois a cidade foi sede da “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano” da ONU. O evento destacou a cidade em âmbito mundial pelo exemplo da combinação da gestão administrativa com o planejamento urbano, que ligado a tecnologias avançadas de gestão ambiental, trouxe inúmeros benefícios à população.

Os projetos para impulsionar os índices de qualidade de vida da população sueca estavam há décadas atrelados à melhoria do tratamento de esgotos, gerenciamento de resíduos sólidos, eficiência energética e qualidade do ar.

Desde a década de 70 são realizadas novas intervenções na estrutura da cidade. O serviço de tratamento das águas dos rios foi acionado e melhorou a sua qualidade, deixando-as apropriadas para a pesca e o lazer. Nem a água da chuva escapa das medidas sustentáveis. O planejamento de habitação da cidade investiu em sistemas que direcionam a demanda pluvial para unidades de tratamento específicas.

A prefeitura, através de parcerias com empresas de tecnologia da informação, reciclagem e eficiência energética, modificou o sistema de aquecimento da cidade, passando a utilizar energias renováveis, dentre elas a solar, responsável por 80% do aquecimento das empresas e residências.

4 – Viena – Áustria

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Viena é uma cidade inovadora. Em 2011 o seu prefeito, Dr. Michael Häupl, propôs a iniciativa para que Viena se tornasse uma cidade inteligente (smart city). Porém a aprovação só ocorreu em 25 de junho de 2014, quando começou a ser implementada.

Para isso, foi desenvolvido um planejamento de ações, planos e programas que constituem o documento chamado “The Smart City Wien Framework Strategy”. Essa iniciativa de longo prazo visa melhorar o desenho, o desenvolvimento e a percepção da cidade. Tem como objetivo principal integrar as atividades de trabalho e lazer vislumbrando que os cidadãos tenham uma vida equilibrada. Para isso, foram propostas ações para melhoria da infraestrutura, energia e mobilidade urbanas.

O pano de fundo para essas ações foram as Diretrizes da Comunidade Europeia para Energia e Mudança Climática, cujas metas são reduzir, até 2030, as emissões de CO2 em 40% em relação aos níveis de 1990 e, ao mesmo tempo, aumentar em 27% as fontes de energias renováveis e, até 2050, reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 80 a 95% em comparação a 1990.

5 – Londres – Inglaterra

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Londres é uma das maiores potências econômicas do mundo, ocupando o terceiro lugar no sub-índice de lucro. Situada no centro das finanças globais, a posição de peso-pesado de Londres, combinada com uma longa história de evolução cultural e econômica, mostra que a cidade está bem equipada para colher os benefícios, a longo prazo, de seu status como uma verdadeira cidade mundial. No entanto, para que o capital mantenha a competitividade a longo prazo, há uma série de questões que ainda precisam ser abordadas.

Com um ranking ambiental de 9, há o compromisso de melhorar o desempenho ambiental da cidade por meio, por exemplo, de ônibus de baixa emissão, programas de limpeza ambiental, infra-estrutura como o Thames Tideway Tunnel e ações voluntárias de seus cidadãos.

Classificando-se apenas em 37 no sub-índice de pessoas, as necessidades de mobilidade e moradia, associadas a uma metrópole crescente e densamente povoada, estão na vanguarda dos desafios da cidade. Com a população de Londres projetada para chegar a 10 milhões de pessoas até 2030, melhorar a capacidade de infraestrutura e fornecer o número e o tipo de casas certos, que permitam que todas as pessoas vivam e trabalhem, é fundamental.

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Azul -Sub-Índice “Pessoas”        Verde – Sub-índice “Planeta”        Vermelho – Sub-índice “Lucro

 

Referências:

BASEADO NO ÍNDICE Arcadis – Faça o Download :  Sustainable Cities Index 2016 Global Web

Site Pensamento Verde

O mar não está para peixe – Como a pescaria está matando nossos oceanos

A pescaria é uma prática extremamente difundida em diversas culturas humanas. Desde o seu surgimento, ela tornou-se parte integrante de várias tradições, compondo a culinária, o artesanato e, em muitos casos, até mesmo a religião dos povos que dependem dela. Entretanto, nos últimos anos, a pescaria industrial tornou-se uma ameaça, não só para as populações que dependem dos mares e rios como fonte de renda, como também para todos os ecossistemas oceânicos. Para fins didáticos, consideraremos pescaria o ato de matar ou capturar qualquer organismo aquático para o uso como alimento ou para a fabricação de roupas, ornamentos, joias ou outros produtos de luxo.

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Coleta feita por um navio pesqueiro – Fotógrafo desconhecido

Os primeiros registros da pesca entre os seres humanos datam mais de 40 mil anos atrás, durante o Paleolítico Superior. Acredita-se que, nessa época, os primeiros Homo sapiens sapiens que habitavam o leste da Ásia adquiriram o hábito de capturar peixes e moluscos de água doce utilizando técnicas rudimentares, prática que perdurou na região por milhares de anos e, progressivamente, foi sendo incorporada em diferentes populações. Em algumas regiões da Europa, os primeiros assentamentos humanos (cerca de 11.500 anos atrás) estão diretamente relacionados com a dominação da prática da pesca, uma vez que os rios eram fontes duradouras de alimento durante todo o ano para essas tribos.

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Anzóis feitos de conchas de 16 mil anos encontrados em Timor Leste 

A invenção das redes e anzóis de forma independente e em diferentes partes do mundo possibilitou que muitas comunidades utilizassem a pesca como principal fonte de carne por todo o mundo, mas somente a partir do século XVI, com o desenvolvimento das primeiras grandes embarcações pesqueiras, essa prática realmente se tornou uma ameaça para a vida marinha. A primeira vítima conhecida da pesca é a vaca-marinha-de-Steller (Hydrodamalis gigas), um peixe-boi de 9 metros de comprimento descoberto pelos europeus em 1741 e caçado até a sua extinção, em 1768.  De movimentos lentos e hábitos extremamente dóceis, esse animal era caçado para o aproveitamento do seu pelo, carne e pele, com a utilização de arpões que, posteriormente, serviriam para colocar outros grandes animais no rumo da extinção.

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Representação da caça de vacas-marinhas-de-Steller

Durante o século XVII, a demanda por óleo para a iluminação pública criou uma crescente demanda pela caça de baleias, principalmente no Oceano Atlântico. Por muito tempo, acreditou-se que a caça de baleias era uma fonte inesgotável dessa substância tão procurada mas, nos dois séculos seguintes, as populações de baleias de todo o mundo caíram drasticamente, aproximando diversas espécies, como a jubarte e a cachalote, da extinção, sobretudo por volta de 1930, quando mais de 50 mil desses animais eram mortos anualmente.

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Quadro do século XVIII representando navios baleeiros holandeses – Artista desconhecido

Ao longo do século XX, as práticas baleeiras foram proibidas em diversas regiões do mundo, o que possibilitou a recuperação de muitas das espécies afetadas por essa prática. Entretanto, com o crescimento populacional em todo o mundo, especialmente nas áreas litorâneas, a demanda por peixes e frutos do mar tornou-se cada vez maior, o que motivou a busca por técnicas cada vez mais eficientes para a captura desses animais. Grandes navios com redes de arrasto acopladas passaram a retirar dos oceanos milhares de organismos marinhos diariamente e, no final do século, mais de 22 milhões de toneladas de sardinhas eram pescadas anualmente.

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Representação esquemática de uma rede de arrasto feita pelo Monterey Bay Aquarium

Mesmo com leis criadas para a proteção de áreas marinhas e de diversas espécies aquáticas, a taxa de animais pescados tornou-se insustentável, uma vez que 31% das espécies de peixes são retiradas dos oceanos mais rápido do que a natureza consegue repor, enquanto 58% das espécies são pescadas nos valores máximos antes de um desequilíbrio, o que, a longo prazo, poderá reduzir drasticamente a população de diversas espécies. O bacalhau-do-atlântico (Gadus morhua), por exemplo, é um peixe apreciado pela culinária de diversos países, sobretudo na culinária nórdica e mediterrânea. Sua intensa pesca, entretanto, fez com que a biomassa total da espécie reduzisse em mais de 95% em todo o mundo, tornando-a, atualmente, uma espécie vulnerável.

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Pescaria do bacalhau-do-atlântico – Foto por Jeffrey L. Rotman/Corbis

A falta de sustentabilidade da indústria pesqueira é tão grande que muitas espécies são pescadas apenas por partes específicas do seu corpo, arrancadas com o animal ainda vivo, sendo posteriormente devolvido para morrer nos oceanos. Os tubarões são, atualmente, as maiores vítimas, uma vez que milhões desses animais são mortos para a retirada de suas barbatanas e, em seguida, são descartados no mar.

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Venda de nadadeiras de tubarão em Taiwan

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Após terem as nadadeiras arrancadas, os tubarões são devolvidos ainda vivos para o mar, onde morrerão for falta de oxigênio ou devido a seus ferimentos.

Um outro grande problema é a redução do tamanho dos organismos oceânicos. Historicamente, peixes grandes possuem um enorme valor comercial, com indivíduos vendidos por mais de 2 milhões de dólares para a indústria culinária. Isso fez com que a população média dos peixes diminuísse em todo o mundo, uma vez que os peixes grandes e geralmente mais velhos eram retirados dos mares, enquanto os peixes menores e que atingiam a maturidade sexual mais cedo sobreviviam, o que alterou de forma significativa a dinâmica reprodutiva desses organismos.

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O Atum é, atualmente, uma das maiores vítimas da seleção por tamanho no mundo

 

Além disso, milhares de animais são mortos diariamente por acidente, devido à pouca especificidade das técnicas de captura. Esses organismos, conhecidos como “fauna acompanhante” ou “bycatch”, geralmente se prendem às redes e morrem de exaustão ou afogados. Pescas de organismos de águas profundas, principalmente de camarões, possuem taxa de erro de captura que podem chegar a até 20:1, o que significa que, para cada camarão capturado, 19 animais são descartados de volta no mar. As principais vítimas são albatrozes, tartarugas, tubarões, peixes grandes e cetáceos.  Dados da WWF apontam que mais de 300 mil baleias e golfinhos morrem todos os anos, presos em redes de pesca, que é a maior ameaça para esses animais na atualidade. O menor cetáceo do mundo, conhecido como Vaquita (Phocoena sinus), provavelmente será o primeiro organismo a ser extinto pela pesca acidental, uma vez que seus números se reduziram drasticamente nos últimos anos e, atualmente, acredita-se que apenas 12 indivíduos estejam vivos no mundo.

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Tartaruga-de-couro presa em uma rede de pesca

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Pequenos cetáceos frequentemente morrem afogados em redes de pesca

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Menor cetáceo do mundo, menos de 12 vaquitas ainda vivem nas águas do Golfo da Califórinia

Por fim, a pescaria é, atualmente, a maior fonte individual de plástico para os oceanos. Enquanto os canudos compõem cerca de 0.03% do plástico dos oceanos por massa e cerca de 4% por volume, pesquisas recentes no Grande Depósito de Lixo do Pacífico apontam que mais de 46% de todo o plástico oceânico provém de redes e linhas de pesca. Indiretamente, a coleta de organismos marinhos e de rios prejudica não só a espécie afetada, mas todos os ecossistemas aquáticos do planeta.

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Toneladas de redes de pesca abandonadas (Ghost nets) ou rompidas compõe mais de 46% do plástico do oceano

Portanto, devemos banir a pesca? Embora essa prática seja incrivelmente prejudicial, deve-se entender que ela é parte integrante de diversas culturas e fonte de renda para milhões de pessoas em todo o mundo. Dessa forma, devemos ter consciência daquilo que consumimos e de seus verdadeiros impactos. Sempre que possível, opte por opções mais sustentáveis de proteína, por peixes provenientes de criatórios ou cuja procedência seja ecologicamente correta. Evite espécies cujas populações estão em colapso ou cuja pesca produza um grande impacto negativo, como atum, pirarucu, linguado, siris de mangues e camarões. Por fim, sensibilize as pessoas à sua volta dos impactos que sua alimentação pode causar no mundo. Afinal, caso não mudemos os nossos hábitos, o mar não estará mais para peixe.

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Referências

Ted “Will the ocean ever run out of fish?” por Ayana Elizabeth Johnson e Jennifer Jacquet

Hampton, J.; Sibert, J. R.; Kleiber, P.; Maunder, M. N.; Harley, S. J. (2005). “Changes in abundance of large pelagic predators in the Pacific Ocean”. Nature. 434: E2–E3.

https://www.nature.com/news/ocean-conservation-a-big-fight-over-little-fish-1.12325

https://oceanconservancy.org/

Sobre a história da pescaria

Sahrhage, Dietrich and Lundbeck, Johannes (1992) A History of Fishing. Springer

http://www.historyofinformation.com/expanded.php?id=3901

Sobre a Fauna acompanhante:

https://www.worldwildlife.org/threats/bycatch

https://brasil.oceana.org/pt-br/blog/o-que-e-bycatch

Sobre o plástico nos oceanos

https://news.nationalgeographic.com/2018/03/great-pacific-garbage-patch-plastics-environment/

https://mercyforanimals.org.br/canudinho-redes-pesca

https://phys.org/news/2018-04-science-amount-straws-plastic-pollution.html

Sobre a vaca-marinha-de-Stellar e Vaquita

http://www.iucnredlist.org/details/17028/0

https://en.wikipedia.org/wiki/Steller%27s_sea_cow

View at Medium.com

 

 

 

 

 

 

 

 

Hormônios e afins: o que você pode estar bebendo sem saber?

Já faz algum tempo que cientistas sabem que nem todas as substâncias que chegam em nossa água encanada são componentes naturais. Isso foi detectado através de testes na própria água da torneira e da observação de diversos efeitos peculiares para a saúde dos peixes que residem em nossos mananciais. Muitos peixes foram encontrados com órgãos sexuais masculinos e femininos e foi constatado que a fertilidade de peixes machos diminuiu a tal ponto que algumas espécies de peixes de água doce foram extintas.

A água usada para abastecimento público passa por um processo de tratamento e desinfecção mecânico e químico, que elimina toda a poluição microbiológica (coliformes totais – grupos de bactérias associadas à decomposição da matéria orgânica – e Escherichia coli).

“A água da torneira é controlada várias vezes por dia, para se ter certeza de que está sempre dentro dos padrões de qualidade”, afirma Jorge Briard, diretor de produção de água da Cedae, no Rio.

Em 2017, uma pesquisa encomendada a laboratórios independentes pelas ONGs “60 Milhões de Consumidores” e “Fundação Danielle Mitterrand-France Libertés”, na França, encontrou tanto agrotóxicos como medicamentos na água engarrafada. “Foi uma surpresa, porque mostra que até a água mineral está poluída. Achamos um agrotóxico, a atrazina, usado no cultivo do milho, que está proibido no país há mais de dez anos. Essa substância tem a propriedade de ser muito persistente no meio ambiente. O que significa que, em dez anos, chega ao subsolo”, explica Thomas Laurenceau, da 60 Milhões de Consumidores.

Em 2012, os pesquisadores concluíram que custaria à Grã-Bretanha £ 30 bilhões para livrar sua água de estradiol. O estradiol é um dos principais tipos de estrogênio que as mais de 2,5 milhões de mulheres britânicas tomam todos os dias na pílula anticoncepcional e descarregam em seus banheiros e no futuro suprimento de água. Os pesquisadores descobriram que esse hormônio potente está presente em 80% da água analisada na pesquisa e em 50 locais testados.

Não é de surpreender que nem o governo, nem os fornecedores de água e tampouco os que pagam as contas de água das suas casas estejam interessados ​​nesse esforço em descobrir todos os contaminantes que ela possui. A indústria farmacêutica está ativamente fazendo lobby contra o medo de ter que contribuir de alguma forma com as reais consequências desse tipo de poluição.

Estudos na Europa e nos Estados Unidos, que provavelmente se aplicam igualmente no Brasil, testaram positivamente a água potável para uma lista surpreendente de produtos farmacêuticos, como medicamentos para o coração, antibióticos, antidepressivos, betabloqueadores, anticoagulantes, canais de cálcio, carbamazepina (droga anticonvulsivante), digoxina, medicamentos para colesterol, naproxeno (um anti-inflamatório), analgésicos como paracetamol e codeína e tranquilizantes.

Grandes quantidades de antidepressivos também foram encontradas nos cérebros de alguns peixes de água doce, o que ilustra que nossa busca pela saúde sintética tem um preço alto.

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Hormônios e Farmacêuticos

Nesse estágio, os especialistas se preocuparam mais com os hormônios do que com os medicamentos em geral, pois, embora sejam necessários altos níveis de concentração de medicamentos antes de nossos corpos serem afetados, pequenas quantidades de hormônios podem ter um impacto maior.

No entanto, muitos cientistas alertaram que isso não é necessariamente certo. Na verdade, os hormônios podem afetar o corpo em níveis muito mais baixos do que os farmacêuticos, mas o impacto do consumo de pequenas quantidades de produtos farmacêuticos encontrados em nossa água potável, em um período de décadas, ainda pode ser prejudicial.May4-2.jpg

Se você beber três litros de água da torneira por dia, sendo que cada litro contenha apenas nanogramas de cada droga, é improvável que você consuma a mesma quantidade que uma dose prescrita durante toda a sua vida. Enquanto os pesquisadores e médicos sabem os efeitos de uma dose única, eles ainda não entendem os efeitos da presença permanente das drogas em nossa corrente sanguínea. Além disso, o consumo de medicamentos sintéticos tem aumentado a cada geração, sugerindo que a quantidade de medicamentos em nossa água continuará a crescer.

Sendo assim, é preocupante que os especialistas considerem que o risco seja insignificante, já que isso os impede de realizar estudos para provar que o consumo dessa água é realmente inofensivo. Portanto, no momento não podemos concluir enfaticamente que o consumo crônico de produtos farmacêuticos em nossa água potável é seguro.

Nova ideia

Nossa água pode estar contaminada por diferentes fontes e produtos químicos. Mas como saber se a água que chega até nós já passou por algum tipo de tratamento em Estações de Tratamento de Água ou Esgoto?

A sucralose pode desempenhar um papel na manutenção da contaminação da água, ajudando os pesquisadores e gerentes de recursos hídricos a identificar os pontos de concentração de poluentes, a fim de melhor gerenciá-los.

Esse adoçante vem sendo, cada vez mais, usado como “traçador” – uma substância que pode ajudar a identificar de onde vem a contaminação. Essa capacidade é importante para manter a qualidade da água, tanto em águas superficiais, quanto no abastecimento de água potável.

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O conceito de traçador não é novo: outras substâncias, principalmente a cafeína e alguns dos farmacêuticos, já foram usadas ​​para identificar qual a água que já fez sua caminhada pelo ralo. Então porque a sucralose, encontrada em uma variedade de produtos, está sendo considerada melhor do que todos os outros?  Porque ela é muito estável! Pesquisadores preferem usá-la porque ela não se degrada facilmente, seja no meio ambiente ou em uma estação de tratamento de água.

“O propósito de ter um adoçante artificial é que o corpo não o reconhece como combustível, então você não o usa para energia”, diz Piero Gardinali, professor associado da Universidade Internacional da Flórida. “Temos visto que, se você colocá-lo em uma estação de tratamento de águas residuais, nada acontece porque os microrganismos também não o reconhecem como alimento”.

É praticamente impossível testar cada contaminante existente em águas residuais, mas se os gerentes da qualidade da água detectarem a sucralose em um rio, por exemplo, ela pode ser usada como um sinal de alerta, indicando que alguma quantidade de água residual está presente. A partir dessa descoberta é possível, então, aprofundar a análise para saber se outros contaminantes também estão presentes e se estão colocando em risco a saúde do rio.

No entanto, muito mais importante do que qualquer teste para saber a qualidade da água que consumimos é entender que, para preservarmos a nossa saúde e a natureza, temos que nos precaver e repensar as nossas formas de descarte, bem como o impacto que causamos à nossa volta.

 

 

 

 

Referências

 Estudo realizado pela EPA

Artigo “What to do about the antibiotics and other drugs in our water?” de Elizabeth Grossman 

Artigo “Novel mechanisms for neuroendocrine regulation of aggression” de Kiran K.Soma e outros

Artigo “SYNTHETIC POLYMER CONTAMINATION IN BOTTLED WATER” de Sherri A. Mason, Victoria Welch, Joseph Neratko

https://gizmodo.uol.com.br/quimica-agua-analise/

Energia Nuclear – Parte III – Um risco necessário?

Nos textos anteriores, analisamos o desastre de Chernobyl do ponto de vista ambiental e vimos os lados positivos da Energia Nuclear. Embora seja considerada por muitos uma forma limpa de energia, quais são seus lados negativos? Devemos apostar nossa produção energética em uma tecnologia tão perigosa?

Nesse texto, abordaremos os 3 principais motivos de alguns cientistas e ambientalistas condenarem essa forma de energia:

1 – Acidentes nucleares

Desde o surgimento da Energia Nuclear e sua adoção pelo setor público de vários países, a partir de 1945, sete grandes acidentes envolvendo reatores nucleares ocorreram em todo o mundo. Embora os vazamentos radioativos tenham sido rapidamente contidos em três desses casos, os efeitos da radiação espalharam-se no ambiente e causaram grandes danos à biodiversidade e à população local, com destaque para Chernobyl e para Fukushima. Esse último, por exemplo, ocorreu em 11 de março de 2011, após um tsunami atingir o local. Embora nenhuma morte tenha sido diretamente vinculada ao acidente, mais de 1600 pessoas morreram durante o processo de evacuação, que retirou 300 mil indivíduos de suas casas. Esse acidente, ainda, lançou enormes quantidades de poluentes radioativos, não só na atmosfera, mas também nos oceanos, com impactos observados ainda hoje.

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Explosão de um dos reatores da Usina de Fukushima – Fotógrafo desconhecido

Não obstante os acidentes nucleares sejam, na maioria das vezes, causados por falhas humanas e desastres naturais, e não pela tecnologia em si, os riscos devem ser levados em conta. Caso, em um futuro próximo, a energia nuclear corresponda a 10% da produção energética mundial, estima-se que um acidente ocorrerá a cada 30 anos. Na hipótese desse número chegar a 30%, há chance desses desastres ambientais e sociais ocorrerem a cada 10 anos. Então, vale a pena arriscar a vida de milhares de pessoas por uma forma de energia teoricamente limpa?

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Pertences pessoais abandonados em Chernobyl após o desaste – Foto de Gerd Ludwig

2 – Uso bélico

A história da Energia Nuclear está intimamente ligada à criação de bombas atômicas, devido a suas similaridades técnicas. Durante a Guerra Fria, devido à crescente ameaça nuclear, foi assinado, em 1968, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que tem como objetivo evitar a disseminação de armas nucleares, bem como limitar o armamento dos cinco países que, na época, eram detedores dessa tecnologia (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China). Em teoria, todos os 189 países signatários, que ratificaram o acordo, se comprometeram a utilizar elementos radioativos apenas na produção energética e a não auxiliar outros Estados na obtenção dessas armas, o que nem sempre foi cumprido.

Em vermelho: Países não signatários do TNP

Nos últimos 40 anos, diversos países adquiriram armas nucleares, com auxilio direto ou indireto de tecnologias voltadas para a energia nuclear. Países como a Índia, Israel, Coreia do Norte e Paquistão desenvolveram mísseis nucleares, aproveitando-se de suas usinas de geração de energia, que serviam como uma forma de esconder os reais propósitos para a compra de compostos como o plutônio e o urânio. Outros países, como a África do Sul, Bielorrússia, Cazaquistão e Ucrânia, compraram armas nucleares de outros países no passado, o que também foi justificado como sendo parte de pesquisas energéticas.

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Teste nuclear realizado pelos Estados Unidos em 1946 nas Ilhas Marshall

A manutenção da energia nuclear pode, portanto, contribuir para a militarização radioativa em larga escala, o que pode por em risco países inteiros. Isso não só ameaça toda a nossa civilização, como também grande parte da vida no planeta, uma vez que uma guerra nuclear global poderia desencadear a extinção de milhares de ecossistemas.

3 – Resíduos radioativos

Esse tópico é, provavelmente, o mais polêmico dos abordados até agora. Se, por um lado, a energia nuclear não libera gases estufa na atmosfera, milhares de litros de água são usados no mundo todo, diariamente, para o resfriamento dos geradores das usinas, o que, por si só, não gera impactos ao ambiente. Entretanto, essa água  fervente é, geralmente, despejada em corpos d’água de forma irresponsável, o que pode aumentar significativamente a temperatura da água local e ameaçar os ecossistemas aquáticos da região.

Leitura termal aponta temperaturas muito elevadas próximo das saídas de Usinas Nucleares – Imagem pela Eurosense

Além disso, a tecnologia nuclear gera resíduos radioativos e extremamente tóxicos, cujo vazamento no ambiente poderia ocasionar impactos inestimáveis. Nos últimos anos, as usinas nucleares vêm estocando seu lixo em depósitos subterrâneos que, posteriormente, é selado com toneladas de concreto. Essa prática é, em teoria, extremamente segura, uma vez que o lixo gerado pela usina ficaria isolado dos ecossistemas e das pessoas a seu redor. No entanto, duas coisas devem ser levadas em consideração.

Primeiramente, a energia nuclear não é renovável. Embora seus resíduos possam, algumas vezes, serem aproveitados para a produção de mais energia, o seu acúmulo é inevitável a longo prazo. Em adição, o plutônio, o urânio e o tório são recursos esgotáveis, o que pode gerar uma crise energética futura.

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Área de mineração de urânio

Em segundo lugar, vale ressaltar que, embora o Tório seja promissor para as tecnologias futuras de reatores nucleares (como comentamos na segunda parte dessa série), essa tecnologia é muito recente e, portanto, ainda mais cara, o que a torna preterida pelas empresas de energia. Dessa forma, por muitos anos, a opção mais utilizada ainda será o urânio, elemento que possui  isótopos, cuja meia vida pode ultrapassar os 100 mil anos, tempo necessário para que a quantidade de átomos radioativos chegue à metade da quantidade inicial. Sendo assim, mesmo com a capacidade de nos proteger dos rejeitos nucleares, devemos colocar em risco populações futuras enterrando um material tão perigoso? Outro fator a ser considerado é que a nossa espécie, assim como todas as outras, não é eterna. Logo, seria ético nós nos beneficiarmos e colocarmos em risco espécies que estarão em nosso planeta muito depois de nossa extinção?

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Podemos concluir que a energia nuclear se revela como um possível aliado ao ser humano na produção energética, mas também como um grande risco. A história nos mostrou que, muitas vezes, boas ideias tiveram terríveis resultados quando empregadas de maneira incorreta. Sendo assim, caso essa forma de produção energética seja utilizada, ela deve ser empregada com extrema responsabilidade. Mais uma vez, percebe-se que nós humanos somos capazes de ajudar ou de prejudicar o nosso planeta. Entretanto, para não prejudicar, basta fazermos as escolhas certas.

 

Referências

Canal do Youtube Kurzgesagt – In a Nutshell

Desvantagens da energia nuclear

Artigo “A Comparative Analysis of Accident Risks in Fossil, Hydro, and Nuclear Energy Chains”, por BURGHERR, Peter et. al.

 

 

Energia Nuclear – Parte II – Tudo tem seu lado positivo!

Começamos nossa série de textos sobre energia nuclear mostrando como foi uma das piores catástrofes da história (Energia Nuclear – Parte I – Chernobyl: A recuperação de uma das áreas mais degradadas do planeta). Mas o que leva as pessoas a utilizarem uma forma de energia como essa? É o que mostraremos nesta segunda parte da série sobre energia nuclear.

Tudo ao nosso redor é composto de pequenos objetos chamados átomos. A maior parte da massa de cada átomo está concentrada no centro (que é chamado de núcleo) e o restante da massa encontra-se na nuvem de elétrons ao redor do núcleo. Prótons e nêutrons são partículas subatômicas que compõem o núcleo.

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Sob certas circunstâncias, o núcleo de um átomo muito grande pode se dividir em dois. Nesse processo, uma certa quantidade da massa do átomo grande é convertida em energia pura seguindo a famosa fórmula de Einstein, E = MC2 , onde M é a pequena quantidade de massa e C é a velocidade da luz (um número muito grande). Nas décadas de 1930 e 1940, os humanos descobriram essa energia e reconheceram o seu potencial como arma. A tecnologia desenvolvida no Projeto Manhattan usou com sucesso essa energia em uma reação em cadeia para criar bombas nucleares. Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, a nova fonte de energia encontrou uma casa na propulsão da marinha nuclear, fornecendo, aos submarinos, motores que poderiam funcionar por mais de um ano sem reabastecimento. Essa tecnologia foi rapidamente transferida para o setor público, onde usinas comerciais foram desenvolvidas e implantadas para produzir eletricidade.

Mas, como em tudo na vida, há o lado negativo e o lado positivo. Nesse texto abordaremos os 3 principais benefícios da energia nuclear:

1 – Energia Nuclear salva vidas

Em 2013 um estudo realizado pela NASA descobriu que, entre 1976 e 2009, a energia nuclear preveniu por volta de 1,8 mortes, mesmo se forem incluídas as mortes causadas por Chernobyl e Fukushima. Esse tipo de energia fica em último lugar no ranking de mortes por unidades de energia produzidas, já que o resíduo, mesmo sendo extremamente tóxico, geralmente é armazenado em algum lugar seguro, diferente dos resíduos de combustíveis fósseis, que são bombeados para o ar que respiramos todos os dias. Então, apenas reduzindo a quantidade de combustíveis fósseis, inúmeros casos de câncer, de problemas no pulmão e de acidentes em minas de carvão já foram evitados.

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Se pudéssemos escolher entre colocar uma quantidade enorme de substâncias perigosas em um buraco profundo ou jogá-la na atmosfera, qual alternativa pareceria mais lógica? Embora a energia nuclear pareça bem mais perigosa, apenas alguns eventos catastróficos nos vêm à memória, enquanto que o carvão e o petróleo matam vidas de forma silenciosa. A analogia mais próxima a isso seria a comparação entre se andar de avião ou de carro, pois, apesar de andar de carro seja muito mais perigoso, muito mais pessoas têm medo de andar de avião. Mesmo nos melhores casos, levaria pelo menos 40 anos para tudo ser totalmente adaptado para energia renovável. Portanto, enquanto ainda continuarmos utilizando combustíveis fósseis, a energia nuclear salvará muito mais vidas do que destruirá.

Além disso, com a energia nuclear, muitos países podem se aproximar da independência energética. Ser “viciado em petróleo” é uma grande preocupação de segurança nacional e global por várias razões. Se utilizássemos veículos elétricos, híbridos ou plug-in (PHEVs) alimentados por reatores nucleares, poderíamos reduzir nossas demandas de petróleo em ordens de grandeza. Além disso, muitos projetos de reatores nucleares podem fornecer calor de processo de alta qualidade, além da eletricidade, que pode, por sua vez, ser usada para dessalinizar água, preparar hidrogênio para células a combustível ou aquecer bairros, entre muitos outros processos industriais.

2 – Energia Nuclear reduz emissões de gases de efeito estufa

A energia nuclear é bem menos nociva ao meio ambiente do que outros tipos de energia. Desde 1976, mais de 64 gigatoneladas de gases de efeito estufa deixaram de ser enviados à atmosfera por causa da utilização de energia nuclear e, nos meados do século 21, a esse número poderão ser adicionados entre 80 e 240 gigatoneladas, que irão deixar de chegar ao ambiente.

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Pinturas nas torres de Orlando formam o maior mural da África do Sul

A taxa de consumo de energia dos seres humanos está subindo constantemente. Somente a China irá adicionar o equivalente a 600 MW em usinas de carvão a cada 10 dias para os próximos 10 anos. O país já queima 4 bilhões de toneladas de carvão por ano, já que esse combustível é barato, relativamente abundante e facilmente produzido. É de se imaginar que a humanidade não vai parar de utilizá-lo com tanta facilidade, mas a energia nuclear pode ser uma das poucas maneiras de amortecimento dos efeitos das mudanças climáticas, podendo prevenir uma catástrofe antropológica sem precedentes. Comparada a muitas coisas que fazemos, a energia nuclear é relativamente limpa. Então, mesmo que seja uma boa ideia pararmos de utilizar esse tipo de energia a longo prazo, ela pode ser uma solução para os próximos 100 anos se compararmos com as alternativas atuais.

3 – Novas tecnologias

Talvez as novas tecnologias que estão por vir possam solucionar os possíveis problemas gerados pelo resíduo nuclear e o perigo das usinas. Os reatores nucleares utilizados até hoje são, em sua maioria, tecnologia já ultrapassada, pois a inovação nessa área foi pausada em 1970. Há modelos como o Reator de Tório que poderiam resolver o problema como um todo. O Tório (Th) é abundante e, dificilmente, poderá se tornar uma arma nuclear. Por outro lado, ele gera quase duas ordens de magnitude de energia e menos rejeitos do que os reatores nucleares atuais. Além disso, o rejeito do seu material radioativo seria perigoso por um pouco mais de 100 anos em contraste aos quase 1000 anos do urânio.

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Comparativo do potencial energetico do Tório, Urânio e Carvão

Como método comparativo já se estima que 1T de Tório pode fornecer a mesma quantidade de energia que 200T de Urânio ou 3,5 milhões de toneladas de carvão. Portanto, enquanto não sabemos ao certo se as novas alternativas tecnológicas cumprirão sua expectativa, não deveríamos, ao menos, investir em mais pesquisas antes de renunciarmos à oportunidade de resolução de diversos problemas da humanidade?

Sendo assim, devemos ou não utilizar energia nuclear? O que sabemos é que em toda tentativa humana há riscos e que devemos tomar decisões baseadas em fatos e não em intuições.

Se quiserem saber o outro lado da história, aguarde o terceiro texto da série na próxima semana.

 

 

Referências

Kurzgesagt – In a Nutshell

El-Hinnawi, Essam. “Review of the Environmental Impact of Nuclear Energy.”

“Environmental Effects of Nuclear Power.” Nuclear Tourist.

“Nuclear Energy.” U.S. Environmental Protection Agency. U.S. EPA

“Nuclear Fission and Fusion.” IEA. International Energy Agency,

 “Radioactive Waste.” US Nuclear Regulatory Commission

 

 

 

 

Energia Nuclear – Parte I – Chernobyl: A recuperação de uma das áreas mais degradadas do planeta

Em 26 de abril de 1986, uma explosão na usina nuclear de Chernobyl, na região que atualmente pertence à Ucrânia, lançou vapores radioativos a quilômetros de distância e matou dezenas de pessoas. Apesar da área ainda se encontrar em isolamento devido ao elevado nível de radioatividade, mais de 30 anos depois do acidente, cientistas constatam que a chamada Zona de Exclusão tornou-se um refúgio para a vida selvagem da região. Como a vida selvagem pôde se recuperar de um dos maiores desastres ambientais da história? E ainda, o que podemos aprender com isso?

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Fotografia de Pripyat tirada com uma câmera infravermelha – Por Vladimir Migutin

Era um dia qualquer em Pripyat, cidade com cerca de 50 mil habitantes, fundada pela União Soviética com o intuito de oferecer moradia para todos os trabalhadores da usina de Chernobyl e para suas famílias, contendo toda infraestrutura necessária para uma vida tranquila. Repentinamente, diversas pessoas da cidade se dirigiram aos hospitais da cidade, apresentando sintomas como dores de cabeça, gostos metálicos na boca, tosse e vômito. Nas próximas horas, duas pessoas morreram e mais de 52 foram hospitalizadas, sem mesmo saber o motivo de sua enfermidade. Somente às 14 horas do dia 27 de abril, mais de 24 horas após o acidente, a população começou a ser evacuada e soube do ocorrido: durante um teste de segurança do Reator 4 da usina, falhas humanas permitiram que toda a água de resfriamento do reator fervesse, o que causou um superaquecimento e uma grande explosão, lançando toneladas de material radioativo na atmosfera, cerca de 20 vezes mais que as bombas de Nagasaki e Hiroshima em conjunto.

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Foto de 1986 da usina destruída

Nos próximos dias, milhares de pessoas foram evacuadas de uma área de 30 quilômetros em todas as direções ao redor do reator, que ficou conhecida como Zona de Exclusão. Embora o reator tenha sido tampado com toneladas de concreto por cerca de 15 mil trabalhadores, os efeitos da radiação ainda podem ser percebidos no local e por várias partes da Europa. Por todo continente, centenas de casos de deformidades congênitas e de cânceres foram associados a uma possível contaminação pelo acidente de Chernobyl, além de diversos episódios de alimentos com índices de radiação superiores aos esperados.

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Centro abandonado da cidade de Pripyat

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Devido à gravidade do acidente, moradores precisaram abandonar todos seus pertences pessoais durante os procedimentos de evacuação

Se mesmo fora da área de risco os impactos ainda podem ser sentidos, o que aconteceu dentro da Zona de Exclusão com a biodiversidade local? Os primeiros meses após o desastre foram marcados pelo aparecimento de uma enorme quantidade de animais e plantas mortos na região, em decorrência da exposição direta aos elevados níveis de radiação. Uma floresta local ficou conhecida como “red forest” (floresta vermelha), devido à coloração que suas árvores adquiriram após absorver substâncias radioativas, o que ocasionou a sua morte ao longo das semanas seguintes.

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Árvores mortas próximo da Usina abandonada

Todos os cavalos domésticos e a maioria dos cães que permaneceram no local morreram de câncer de tireoide e grande parte das aves nativas tornaram-se inférteis. Os impactos negativos ainda podem ser observados nas populações de aves atuais, que apresentam uma elevada taxa de tumores, deformidades nos bicos e mutações em sua coloração. Estima-se que cerca de 50% da biodiversidade local foi perdida logo após o impacto, mas, recentemente, Pripyat tornou-se uma nova esperança para a conservação.

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As aves da região apresentam inúmeras mutações como manchas, tumores e deformações físicas

Nos últimos 30 anos, a paisagem de Pripyat foi retomada por árvores, flores e arbustos, que crescem em meio a uma cidade abandonada às pressas. Pesquisas recentes apontam que, apesar da baixa biodiversidade e da redução da fertilidade dos animais locais, as espécies sobreviventes estão tendo um grande crescimento populacional, sobretudo grandes mamíferos como cervos, javalis, ursos, linces, lobos e o raro bisão-europeu. O isolamento mandatório do local impossibilitou a caça de grandes mamíferos que, consequentemente, se multiplicaram na Zona de Exclusão, tornando-se um “Parque Involuntário” (Zona de proteção criada sem intenção direta devido ao abandono de uma área previamente utilizada pelo ser humano).

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Atualmente, florestas crescem no meio de prédios em Pripyat

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Cervo fotografado em Pripyat pelas armadilhas fotográficas de TREE/RATE

Em 1998, após a constatação de que o local possuía populações viáveis de grandes mamíferos, equipes de conservação internacional soltaram 30 cavalos-selvagens-de-Przewalski (Equus ferus przewalskii) na região. Essa espécie, que se extinguiu na natureza por volta de 1969, conta hoje com diversos programas de reintrodução pelo mundo, sendo o de Chernobyl um dos que apresenta maior sucesso, com uma população ainda crescente.

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Cavalos-selvagens-de-Przewalski vivem hoje nos arredores de Pripyat

Chernobyl foi, por muitos anos, um sinônimo de destruição ocasionada pelo ser humano. Sua história será lembrada por centenas de anos como um símbolo da destruição e dos efeitos catastróficos da radiação na natureza. Entretanto, Pripyat é, hoje, uma lembrança do poder de recuperação e de regeneração da natureza. Mesmo com níveis elevados de radiação no local ainda hoje, a ausência humana possibilita o florescimento da vida, até mesmo de formas que nunca imaginamos.

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Essa experiência nos leva a crer que, muitas vezes, a capacidade de recuperação da natureza é maior do que o nosso poder de destruição. Por outro lado, quando o ser humano se propõe a ajudá-la, ela renasce e mostra todo o seu poder de regeneração.

Esse é o primeiro texto da série Energia Nuclear, que tratará os mistérios e desafios dessa nova forma de produção energética. Afinal, devemos optar pela produção de energia limpa se ela pode ser tão perigosa? Descubra nas próximas semanas!

Referências

Sobre os impactos do desastre de Chernobyl e Fukushima

Sobre os impactos na fauna

Sobre a abundância da fauna da Zona de Exclusão de Chernobyl

Vídeo sobre os animais de Chernobyl

Artigo sobre mutações na fauna: Landscape portrait: A lookat the impacts of radioactive contaminants on Chernobyl’s wildlife – Por Timothy A. Mousseau e Anders P. Møller

 

Os 7 principais tipos de PLÁSTICO e o que eles podem fazer com sua SAÚDE!

Os plásticos revolucionaram muitas indústrias por uma série de razões diferentes. Uma das principais inovações do século passado foi a introdução e ampla adoção de plásticos para muitas aplicações diárias, que anteriormente dependiam de materiais tradicionais como metal, vidro ou algodão.  Eles são materiais que resistem à degradação ambiental ao longo do tempo, são econômicos e amplamente disponíveis e são produzidos com uma abundante variedade de propriedades que permitem a sua adaptação a muitas aplicações diferentes.

Usado na fabricação de alguns tipos de embalagens plásticas de alimentos e no revestimento interno de latas, o bisfenol A (BPA, na abreviatura em inglês) já foi proibido, sobretudo em mamadeiras e copos descartáveis, em países como Canadá e Dinamarca, na União Europeia e em 11 estados norte-americanos. O Brasil optou por proibir a importação e fabricação de mamadeiras que contenham Bisfenol A, considerando a maior exposição e susceptibilidade dos usuários deste produto. Esta proibição está vigente desde janeiro de 2012 e foi feita por meio da Resolução RDC n. 41/2011. Segundo os cientistas, o BPA é instável e pode migrar da embalagem para os alimentos. Pesquisas sugerem que o composto é potencialmente cancerígeno e estaria associado a diabetes, infertilidade e problemas cardíacos, entre outros. Ao imitar a ação de hormônios como o estrogênio, o bisfenol funcionaria como um desregulador endócrino.

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Procure pelo selo que demonstra que aquele material não possui Bisfenol A  (BPA)

Hoje, os vários tipos de plásticos utilizados em muitos dos materiais descartáveis, por serem extremamente resistentes, se mantêm por muitos anos no meio ambiente. (Leia nosso texto sobre a poluição plástica.)   Além disso, deve-se saber ao certo quais são nocivos à nossa saúde. Em seguida, encontra-se a lista dos 7 principais materiais plásticos que você deve conhecer:

1. Polietileno tereftalato  (PETE ou PET):

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O PET é o plástico mais produzido no mundo. É usado predominantemente como uma fibra (conhecida pelo nome comercial de “poliéster”) e para engarrafamento ou embalagem, como por exemplo, para água engarrafada, garrafas de refrigerante, embalagens de alimentos para microondas e de detergentes.

Ele é relativamente seguro e é projetado para que as embalagens sejam utilizadas apenas uma única vez.

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Se pudéssemos resumir em três características para descrever os principais benefícios do polietileno em relação a outros plásticos e materiais, seriam:

  • Amplas aplicações como fibra (“poliéster”)
  • Barreira de umidade extremamente eficaz
  • Inquebrável ( Permanece por muitos anos na natureza)

Reciclagem: Amplamente reciclado.

2. Polietileno de alta densidade (PE – HD):Captura de Tela 2018-07-18 às 19.57.55.png

Existem várias variantes diferentes de polietileno. Polietilenos de baixa e alta densidade (LDPE e HDPE, respectivamente) são os dois mais comuns e as propriedades desses materiais variam entre as diferentes variantes.

No caso dos polietilenos de alta densidade, eles podem estar presentes em garrafas de 5 litros ou mais de produtos como leite, suco e água, em embalagens de xampu, em sacolas plásticas, entre outros.

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Este plástico é relativamente seguro à saúde.

Reciclagem: Pode ser reciclado.

3. Polivinil Clorado (PVC):Captura de Tela 2018-07-18 às 19.59.30.png

O Cloreto de Polivinila  ou Polivinil Clorado é talvez o mais conhecido, devido ao seu uso em aplicações de construção residencial e comercial. Diferentes tipos de PVC são usados ​​para encanamento, isolamento de fios elétricos, garrafas de água, antissépticos bucais, embalagens de delivery, etc.

O PVC pode conter bisfenol A, chumbo, ftalatos, dioxinas, mercúrio e cádmio. Ele é associado a carcinógenos e disruptores hormonais.

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Se pudéssemos resumir as características do PVC em três tópicos, seriam:

  • Prejudicial à saúde;
  • Rígido (embora diferentes variantes de PVC sejam realmente projetadas para serem muito flexíveis);
  • Durável

Reciclagem: Limitada.

4. Polietileno de baixa densidade (PEBD):Captura de Tela 2018-07-18 às 19.58.08.png

O PEBD é inerte à temperatura ambiente, exceto na presença de fortes agentes de oxidação, havendo também alguns solventes que causem dilatação. Pode suportar de forma contínua temperaturas de até 80 °C e, por curtos períodos de tempo, de no máximo de 95 °C.

Pode-se encontrar esse tipo de material em sacolas plásticas, tampas, papel filme, sacos de lixo, embalagens para alimentos e copos plásticos.

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Duas expressões para descrever os principais benefícios do polietileno de baixa densidade em relação a outros plásticos e materiais:

  • Flexível e resistente;
  • Relativamente seguro.

Reciclagem: Programas de reciclagem não aceitam  frequentemente itens feitos de PEBD.

5. Polipropileno (PP):Captura de Tela 2018-07-18 às 19.58.22.png

O polipropileno é usado em uma variedade de aplicações, entre elas, embalagens para produtos de consumo, peças plásticas para a indústria automotiva, dispositivos especiais como dobradiças vivas e têxteis. É semitransparente, tem uma superfície de baixo atrito, não reage bem com líquidos, é facilmente reparado contra danos e tem boa resistência elétrica (ou seja, é um bom isolante elétrico). Talvez sua característica mais importante seja que o polipropileno é adaptável a uma variedade de técnicas de fabricação, o que o torna um dos plásticos mais comumente produzidos e altamente exigidos no mercado.

Você pode encontrá-lo em embalagens de margarina, remédios, iogurtes e delivery, além de canudinhos e tampas.

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Duas características para descrever os principais benefícios do Polipropileno em relação a outros plásticos e materiais:

  • Relativamente seguro;
  • Simples de fabricar. 

Reciclagem: A reciclagem de itens de PP tem aumentado nos últimos anos.

6. Poliestireno (PS):Captura de Tela 2018-07-18 às 19.59.44.png

O poliestireno é amplamente utilizado em embalagens sob o nome comercial de “isopor”. Ele também está disponível como um sólido naturalmente transparente, comumente usado para produtos de consumo, como tampas de refrigerantes, copos, pratos, bandeja de ovos,  ou dispositivos médicos, como tubos de ensaio ou placas de Petri.

Muito CUIDADO! O estireno, principal matéria-prima utilizada na produção do isopor, é um composto químico que foi objeto de dezenas de estudos desde que os plásticos foram desenvolvidos. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) encara essa substância com algumas suspeitas.

De acordo com a EPA, “vários estudos epidemiológicos sugerem vínculo entre a exposição ao estireno e um aumento no risco de leucemia e linfoma. Entretanto, as evidências não são conclusivas devido à exposição a múltiplas substâncias químicas e a informação insuficiente sobre os níveis e a duração da exposição”.

Após análise de profissionais que têm contato diário com esse produto, a agência percebeu que as pessoas expostas ao poliestireno passaram a sofrer de problemas de saúde como dores de cabeça, depressão, perda auditiva e, até mesmo, problemas neurológicos.

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Reciclagem: Oportunidades limitadas para reciclagem do Poliestireno.

7. Outros

Captura de Tela 2018-07-18 às 20.00.06.pngOs plásticos que recebem o número 7 se referem a todos os plásticos criados após 1987. Este grupo inclui policarbonato (PC) e o polilactídeo (PLA), que são usados na fabricação de recipientes para alimentos, mamadeiras, copos infantis e garrafas de água reutilizáveis. Plásticos PC contêm bisfenol-A, o que também o torna perigoso. Além disso, a reciclagem para esses plásticos ainda não está disponível.

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Reciclagem: Plásticos de PLA são feitos a partir de fontes renováveis ​​de plantas, não podendo ser reciclados,  porém, podendo ser compostados.

Como saber qual o tipo de plástico você está utilizando?

Se você quiser descobrir que tipo de plástico está utilizando, basta olhar na embalagem o seu número de referência. Caso você não encontre o triângulo com o número interno, isso significa que o fabricante não se preocupou com esse tipo de informação. Sendo assim, já dá pra imaginar qual foi a preocupação dele com relação à qualidade do produto e de seus possíveis malefícios. Uma boa prática para preservar o meio ambiente e a nossa saúde é, ao comprar produtos plásticos, observar na embalagem que tipo de plástico foi utilizado na sua fabricação. A natureza agradece!

 

 

Referências:

ISO 1043 – 1 ; 2011

Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA)

ANVISA

Blog “Creative Mechanism”

Blog “Vida sustentável”

 

 

Organismos Geneticamente Modificados: Uma ameaça ou uma solução?

Após a descoberta do DNA como sendo uma molécula universal, presente em todos os seres vivos e em sua estrutura, em 7 de Março de 1953, cientistas do mundo todo puderam conhecer e, posteriormente, alterar o material genético dos organismos que conhecemos, para nosso uso, a partir de 1973. Os Organismos Geneticamente Modificados (GMO ou OGM, como são conhecidos), passaram a fazer parte de nossa rotina e alteraram nosso planeta de maneira inimaginável. Mas afinal, até que ponto podemos mudar a natureza? E quais são os riscos do progresso científico?

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Roedores geneticamente modificados com capacidade de brilhar no escuro

Os primeiros organismos geneticamente modificados surgiram cerca de 12 mil anos atrás, não no interior de um laboratório, mas sim, em nossas plantações. Quando o Homo sapiens sapiens domesticou as primeiras plantas, ele selecionou aquelas que possuíam características que mais o interessavam. Ele percebeu que, se uma determinada fruta era mais doce que as demais e que, ao plantar apenas suas sementes, as gerações seguintes passariam a possuir frutas mais doces, por exemplo. Plantas como melancia, banana, trigo, milho, couve e tomate não são encontradas no ambiente natural da forma que conhecemos, sendo, muitas vezes, irreconhecíveis.

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Diferenças de tamanho e aparência do milho natural (Zea luxurians) para o milho moderno (Zea mays) – Imagem por rrunrrun.blogspot.com

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Seleção artificial de diferentes partes da mesma planta (Brassica sylvestris) originou várias verduras modernas como o repolho, couve-de-bruxelas, rabanete, couve, brócolis, couve-flor, mostarda, etc. – Imagem do Santa Fe Farmers’ Market Institute

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Variedades natural e artificial da banana

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Pintura de Giovanni Stanchi do século XVII mostra como a melancia mudou com o passar do tempo

Além disso, ao criar animais e incentivar a reprodução dos mais dóceis, que produzem mais leite ou são mais eficientes, pôde-se gerar animais com inúmeras características tão diferentes de seus ancestrais, que impossibilitava, até mesmo, sua reprodução, surgindo novas espécies. Esse processo, conhecido como seleção artificial, possibilitou que nossos ancestrais, mesmo sem entender as normas por trás da genética e da hereditariedade, pudessem originar animais como lhamas, alpacas, cães, porcos, bois e cavalos.

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Diferenças morfológicas entre as subespécies doméstica (cão) e selvagem (lobo) de Canis lupus acima e de carneiros ( gênero Ovis) abaixo

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Com o surgimento das primeiras plantas geneticamente modificadas no mercado, em 1983, e dos primeiros animais, em 1985, grande parte da população acusou esses produtos de serem extremamente artificiais e, portanto, de não serem apropriados para o consumo humano. Entretanto, os homens vêm alterando animais e plantas para seu próprio benefício há milhares de anos, o que torna praticamente todos os nossos organismos domésticos artificiais. Então, quais são os verdadeiros problemas?

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Símbolo de Alimento Transgênico, encontrado em diversas embalagens

Primeiramente, vale ressaltar que, em muitos casos,  apenas grandes agricultores têm acesso a essa tecnologia, devido ao seu alto preço de mercado. Nos últimos anos, avanços na tecnologia genética puderam reduzir drasticamente o preço de mercado de plantas transgênicas, mas empresas como a Monsanto apostam em organismos estéreis (Genetic use restriction technology), com os quais o agricultor irá realizar apenas uma colheita e não conseguirá germinar uma segunda geração. Em teoria, esse mecanismo foi criado para impedir que plantas geneticamente modificadas se espalhassem pelo meio natural, mas essa técnica mostrou-se falha.

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As chamadas “Terminator Seeds” feitas à partir do Genetic use restriction technology impedem o plantio de novas gerações à partir das sementes plantadas, o que obriga o consumidor a comprar mais sementes das empresas distribuidoras

Outro forte argumento contra os OGM’s é seu risco à saúde humana. Muitas pessoas alegam que seu consumo pode trazer graves consequências, como câncer e alergias severas. Entretanto, após mais de 30 anos de uso e dezenas de pesquisas, constatou-se que, no geral, plantas geneticamente modificadas tendem a ser tão seguras quanto plantas “naturais”. Historicamente, foram constatados casos de alergias a plantas transgênicas em pessoas do mundo todo. Na verdade a alergia era ao organismo que forneceu genes responsáveis pela formulação de uma proteína específica da planta, mas esses  produtos foram rapidamente removidos do mercado.

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Entretanto, existe um perigo real com relação aos GMO’s : os pesticidas. Em teoria, podemos criar plantas resistentes a pragas ou a doenças específicas manipulando-as geneticamente, o que reduziria drasticamente a demanda por agrotóxicos em todo mundo. Empresas de menor porte rapidamente começaram a vender esses produtos, enquanto a Monsanto, líder de venda do mercado de sementes e defensores agrícolas, criou plantas que, ao invés de serem resistentes às pragas, são mais resistentes aos agrotóxicos. Hoje, cerca de 90% das grandes plantações dos Estados Unidos utilizam plantas resistentes a herbicidas e, consequentemente, seu uso e absorção pela planta são elevados, o que oferece risco à saúde da população e, mais ainda, ao meio ambiente, impactando campos, florestas, cursos d’água e populações de polinizadores.

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Agrotóxicos oferecem inúmeros riscos ambientais e à saúde da população, especialmente aos trabalhadores de lavouras – Imagem do jornal O Globo

Então, o que podemos ganhar com os organismos geneticamente modificados? Enquanto grandes empresas tentam monopolizar o mercado e forçar agricultores a utilizarem seus produtos, alguns pesquisadores criaram plantas que podem ser a solução para diversos problemas. O arroz-dourado, por exemplo, foi geneticamente criado para ser mais nutritivo e saudável, sobretudo para as populações mais pobres. Ao adicionar genes precursores de betacaroteno nessa planta, seus grãos tornaram-se fontes de vitamina A, essencial para o crescimento e desenvolvimento de crianças. O tomate-roxo, por outro lado, foi criado com pigmentos antioxidantes presentes em mirtilos, o que confere uma cor característica e diversos benefícios para a saúde de seus consumidores.

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Além disso, esses organismos podem ser utilizados para solucionar problemas ainda maiores. Recentemente, plantas resistentes à seca vêm sendo produzidas em diversas partes do mundo, o que aumenta a produtividade de pequenos agricultores e evita o desperdício. A produção de árvores resistentes a pragas está sendo, nos últimos anos, a solução para conservação de florestas em algumas regiões dos Estados Unidos e da Ásia, o que mostra um enorme potencial na conservação de espécies ameaçadas do mundo todo.

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Centenas de castanheiras-americanas (Castanea dentata) geneticamente modificadas serão introduzidas na natureza para contenção de pragas fúngicas

Por fim, a manipulação genética pode, inclusive, ser utilizada para a erradicação de vetores como o Anopheles, espécie de díptero responsável por transmitir a malária ao ser humano. Ao criar mosquitos imunes à doença por um gene dominante, espera-se que esse gene seja, ao longo do tempo, encontrado na maior parte da população de mosquitos, erradicando a doença nos próximos anos. A soltura desses mosquitos em larga escala ainda não foi aprovada devido a seus riscos, mas espera-se que essa seja uma solução para essa doença que mata milhões de pessoas anualmente.

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Anopheles, mosquito responsável pela transmissão da malária

Existe hoje no mercado uma substância utilizado por milhares de pessoas diariamente feita à base de um organismo transgênico: a insulina humana. No passado, pacientes portadores de diabetes tipo 1 utilizavam insulina retirada diretamente de porcos, o que gerava alguns efeitos colaterais no ser humano. Na década de 70, pesquisadores criaram bactérias Escherichia coli com genes humanos responsáveis pela produção desse hormônio e ainda são utilizadas no mundo todo para produzir a insulina comercial, salvando milhares de vidas anualmente. Mais de 400 produtos médicos são gerados hoje à partir de organismos transgênicos, dentre eles a vitamina C e medicamentos contra a AIDS.

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As possibilidades com a manipulação genética são infinitas, mas assim também são seus riscos. Essas tecnologias podem ser utilizadas para beneficiar, não somente a nossa sociedade, mas nossa biosfera como um todo. Infelizmente, os OGM’s ainda não estão sendo bem empregados mas, através do conhecimento e da mudança de hábitos, poderemos criar um mundo mais saudável, mais seguro e cada vez mais natural.

Referências

História dos OGM’s:

From Corgis to Corn: A Brief Look at the Long History of GMO Technology

Sobre a segurança dos OGM’s :

An overview of the last 10 years of genetically engineered crop safety research

Consumer Info About Food from Genetically Engineered Plants

Challenging Evolution: How GMOs Can Influence Genetic Diversity

Frequently asked questions on genetically modified foods – Organização Mundial da Saúde

How the Federal Government Regulates Biotech Plants 

Celebrating a Milestone: FDA’s Approval of First Genetically-Engineered Product

Sobre os OGM’s:

Genetically Engineered Crops – Experiences and Prospects

These vitamin-fortified bananas might get you thinking differently about GMOs

Genetically-modified purple tomatoes heading for shops

New genetically engineered American chestnut will help restore the decimated, iconic tree

Visiting Tanzania’s first-ever GMO crop trial

Insulina: “um dos primeiros trangênicos do mundo”

 

 

 

 

 

 

 

Buraco na Camada de Ozônio: foi apenas uma modinha?

Há um tempo não se fala mais sobre o buraco na camada de ozônio e os riscos que ele pode oferecer. Já imaginou um mundo no qual você não conseguiria sair na rua sem adquirir uma queimadura na pele ou mesmo correr sérios riscos de ter um câncer de pele futuramente?

No início do século XX, a General Motors criou uma substância chamada de clorofluorcarboneto, ou CFCs, que era praticamente um milagre, já que não era tóxica ou inflamável, era barata e muito utilizada para vários propósitos, como spray de cabelo, geladeiras, extintores, agente resfriador de ar condicionado, etc. Os gases CFCs começaram a ser empregados em muitas coisas, sem a preocupação de qual seriam as possíveis consequências desse uso exacerbado.

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Cloro se ligando ao átomo de oxigênio.

Somente em 1974 percebemos que esse composto estava se acumulando na estratosfera, transformando-se, por reações químicas, em cloro e, para isso, consumindo o ozônio.

Produção Global de CFC
Produção Global de CFC

O ozônio tem funções diferentes na atmosfera, de acordo com a altitude em que se encontra. Na estratosfera, o ozônio é criado quando a radiação ultravioleta, de origem solar, interage com a molécula de oxigênio, quebrando-a em dois átomos de oxigênio (O). O átomo de oxigênio liberado une-se a uma molécula de oxigênio (O2), formando, assim, ozônio (O3). Na região estratosférica, 90% da radiação ultravioleta do tipo B é absorvida pelo ozônio.

Portanto, uma das alternativas para que esse ozônio parasse de ser consumido seria conter a utilização dos CFCs que o consumiam. E como uma surpreendente reviravolta para a humanidade, nós fizemos a coisa certa.

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Nesse mesmo ano de 1974, Mario Molina e Sherwood Rowland, dois químicos da Universidade da Califórnia, em Irvine, publicaram um artigo na Nature detalhando as ameaças dos gases clorofluorcarbonos (CFC) à camada de ozônio . Depois disso, uma grande empresa estadunidense chamada SC Johnson, voluntariamente e muito espertamente, removeu os CFCs de seus produtos aerossóis, com a alegação de ser uma empresa ecologicamente correta e utilizando essa atitude a seu favor. Poucos anos depois  e após muito debate, a Agência de Proteção do EUA proibiu todos os tipos de aerossóis.

Sendo assim, muitas empresas, incluindo a SC Johnson, de maneira astuciosa, viram um novo mercado surgir e, a partir de então, começaram a vender produtos alternativos ao CFC para outros países que ainda não o haviam proibido. Nesse meio tempo, em 1984, foi identificado um enorme buraco na camada de ozônio e o mundo começou a pressionar  as autoridades para que um acordo global fosse traçado.

Finalmente, em 1987, foi firmado o Protocolo de Montreal, sendo o primeiro tratado internacional traçado em decorrência de uma ameaça mundial e o único acordo ambiental multilateral, cuja adoção é universal: 197 estados assumiram o compromisso de proteger a camada de ozônio. O tratado entrou em vigor em 01 de janeiro de 1989 e os países signatários se comprometeram a reduzir progressivamente a produção e consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs), até sua total eliminação.

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Camada de Ozônio

No Brasil o consumo de CFC como propelente em aerossóis sanitários, perfumes, inseticidas e outras aplicações foi banido por meio da Portaria ANVISA nº. 534, de 19 de setembro de 1988, antes mesmo de o Brasil ter ratificado o Protocolo de Montreal.

Em virtude da Resolução CONAMA nº. 267, de 14 de setembro de 2000, foi proibida a importação de CFCs a partir de janeiro de 2001, com exceção do CFC-12, utilizado para a manutenção de equipamentos, que somente em 2007 foi proibido.

O gráfico a seguir apresenta a tendência de recuperação da camada de ozônio esperada nos próximos anos:

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Tendência da recuperação da Camada de Ozônio

Somente com a proibição da substância que estava trazendo malefícios ao nosso planeta, já estamos conseguindo enormes avanços.

“O buraco da camada de Ozônio está aumentando mais tardiamente. Todas as medidas são independentes e, quando todas apontam para essa cura, é difícil imaginar qualquer outra explicação ”.  Susan Solomon

 

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Após três décadas de observação, os cientistas finalmente encontraram as primeiras impressões digitais de cura no notório buraco de ozônio localizado no hemisfério sul.

Essa descoberta sugere que a cura do ozônio está evoluindo de acordo com o cronograma esperado. A produção de CFCs cessou na década de 1990, mas essa substância tem uma vida útil de 50 a cem anos, de modo que as moléculas de cloro produzidas nos anos 70 e 80 ainda estão pairando na atmosfera. Ainda assim, essa ótima notícia é resultado de décadas de trabalho de cientistas, engenheiros e diplomatas em todo o mundo.

 “Tem sido uma história bastante notável. Isso nos dá esperança de que não devemos ter medo de enfrentar grandes problemas ambientais.”  Salomon

O que podemos aprender  com tal experiência? Que a união de vários países pode ser utilizada como forma de minimizar as mudanças climáticas e reduzir o plástico que estamos gerando diariamente e que tem chegado aos oceanos.

As mudanças significativas que foram feitas até aqui em relação à camada de ozônio estão evitando um futuro terrível. Isso mostra que a conscientização das pessoas e a união de todos os povos podem, sim, mudar o final da história. Vamos começar agora?

 

 

 

Para saber mais sobre o assunto leia nossos outros textos listados abaixo:

NÃO queremos salvar o Planeta!

É possível utilizar somente ENERGIA RENOVÁVEL no planeta?

O planeta está aquecendo ou resfriando?

 

 

 

 

 

 

Referências :

RESOLUÇÃO CONAMA no 267, de 14 de setembro de 2000

 

Site GRID – Arendal 

Site do Ministério do Meio Ambiente – Brasil

Axelrod, Regina S., and Stacy D. VanDeveer. The Global Environment: Institutions, Law, and Policy. Fourth ed., SAGE Publ., 2015.

Chasek, Pamela S., et al. Global Environmental Politics: Dilemmas in World Politics. Seventh ed., Westview Press, 2017.

Protocolo de Montreal: https://treaties.un.org/doc/Publication/UNTS/Volume%201522/volume-1522-I-26369-English.pdf

Informações NOAA CFCs: https://www.esrl.noaa.gov/gmd/hats/publictn/elkins/cfcs.html

Zoológicos devem ser proibidos?

Zoológicos são locais específicos para se manter animais selvagens que podem ser exibidos ao público. Por muito tempo, foram marcados por abusos e maus tratos e, ainda hoje, são frequentemente denunciados pelo mesmo motivo. Porém, devemos proibi-los?

As primeiras coleções de animais do mundo foram criados em 3500 A.C., em uma área correspondente ao atual Egito. Inicialmente, esses locais eram construídos para proteger animais considerados sagrados e para demonstrar poder, uma vez que apenas a nobreza poderia manter esses recintos. Essa prática tornou-se comum em diversas civilizações antigas, com destaque para a China, Índia, Mesopotâmia, Pérsia e, posteriormente, a Roma Antiga, onde os animais eram guardados principalmente para serem apresentados em lutas que aconteciam nas arenas e no Coliseu.

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Durante a Idade Média (entre os séculos V e XV), essa tradição se manteve em diversas regiões da Ásia, África e, sobretudo, na Europa, onde esses locais receberam o nome de Menagerie. Esses espaços privados, geralmente, estavam associados a famílias reais, que construíam exposições privadas de espécies exóticas, geralmente relacionadas a seus castelos, com destaque para a Torre de Londres no século XIII e para o Palácio de Versalhes, no século XVII. Nesses ambientes, os animais viviam confinados em pequenos espaços e eram submetidos a diversos tipos de abuso, principalmente os grandes predadores, como ursos e leões.

Representação do Menagerie da Torre de Londres

O conceito atual de zoológico surgiu em 1752, em Viena, no Tiergarten Schönbrunn (zoológico que ainda se encontra aberto nos dias de hoje), após a abertura do local para a visitação de toda a população, e não mais apenas da aristocracia. Rapidamente, os zoológicos tornaram-se um símbolo de ostentação e poder, não só para a nobreza, mas também para a burguesia da época. Até o século XX, donos de zoológicos pagavam caçadores profissionais para perseguir e capturar animais selvagens de diversas regiões do mundo, visando aumentar suas coleções e, mais recentemente, para proteger espécies raras, apesar do seu pouco tempo de vida em cativeiro, devido às suas péssimas condições de vida. Em diversas partes do mundo, animais extintos na natureza ainda viveram em zoológicos por muitos anos, o que moldaria esses ambientes no próximo século.

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Último tigre-da-tasmânia conhecido morreu em 7 de setembro 1936 em um zoológico da Alemanha

A partir de 1970, muitos zoológicos do mundo criaram programas de conservação visando, além da preservação de exemplares vivos, à reprodução de espécies em cativeiro, com programas de intercâmbio de animais entre essas instituições. A captura de espécies exclusivamente para expandir as coleções de zoológicos cessou e os recintos passaram a ser ampliados para garantir melhores condições de vida para os animais. Mesmo assim, centenas de casos de maus tratos a animais em zoológicos vão parar na mídia todos os anos, com destaque para zoológicos do leste europeu e do sudeste asiático, o que levanta a seguinte dúvida: zoológicos valem a pena?

Primeiramente, vale ressaltar que não existe algo como “zoológicos bons” e “zoológicos ruins”. Embora algumas dessas instalações tenham fama internacional devido aos esforços de conservação e outras sejam processadas constantemente por abusos, a diferença entre elas costuma ser bem mais tênue. Diversos zoológicos foram abandonados nos últimos anos devido às guerras e conflitos armados, deixando seus animais morrerem de fome e de sede, enquanto em outros, os animais apanham ou são torturados caso o seu comportamento não seja adequado conforme julgam os tratadores ou durante as exibições para os visitantes. Casos recentes, como o do gorila morto a tiros no zoológico de Cincinnati, nos Estados Unidos, além de denúncias contra o SeaWorld e contra o San Diego Zoo levantaram diversos debates sobre a ética por trás de animais mantidos em cativeiro.

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Corpo de girafa morta em zoológico da Dinamarca por tratadores para evitar cruzamento consanguíneo foi jogado aos leões, o que despertou grande revolta na população local.

Por outro lado, esforços de conservação devem também ser levados em conta. Atualmente, mais de 90% dos animais mantidos em zoológicos na Europa nasceram em cativeiro, embora apenas 10% represente espécies ameaçadas. Nos últimos anos, 33 espécies já extintas na natureza mantiveram populações relativamente estáveis em cativeiro, devido a programas de conservação realizados por zoológicos. O órix-cimitarra (Oryx dammah), por exemplo, desapareceu da natureza no ano 2000, mas cerca de 15 mil animais ainda vivem em coleções privadas e em zoológicos e, futuramente, poderão ser reintroduzidos em seu ambiente natural. Esforços dessas instituições conseguiram, também, preservar até o ano de 2018 os últimos rinocerontes-brancos-do-norte existentes. Infelizmente o último macho dessa espécie morreu esse ano, mas seu legado será eternamente lembrado na história da preservação de espécies em extinção.

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Órix-cimitarra, espécie extinta na natureza – Foto pela Exotic Wildlife Association

Uma das maiores ameaças para a fauna, atualmente, é o tráfico internacional. Somente no Brasil, entre 12 e 38 milhões de animais são retirados da natureza por ano para serem vendidos no mercado ilegal. Diversos bichos apreendidos vão parar em zoológicos, onde viverão o resto de suas vidas, uma vez que sua devolução para o ambiente natural é um processo delicado e que demanda muitos recursos. A proibição de zoológicos poderia, portanto, condenar milhares de animais à morte anualmente.

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Mico-leão-dourado, espécie frequentemente vítima do tráfico – Foto por Pedro Henrique Tunes tirada no Zoológico de Belo Horizonte

Por fim, zoológicos são essenciais para a conscientização ambiental. Ao conhecer uma determinada espécie, a população tende a ter mais empatia com programas de conservação destinadas a ela e a condenarem atividades que coloquem a sua vida em risco. Após a abertura do  Centro de Pesquisa e Reprodução de Pandas-gigantes de Chengdu, na China, as doações para o local aumentaram exponencialmente nos anos seguintes, o que forneceu mais recursos para as instalações, possibilitando que esse animal saísse da lista de espécies ameaçadas.

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Pandas-gigantes no Centro de Pesquisa e Reprodução de Pandas-gigantes de Chengdu – Por China Discovery

Então, devemos condenar diversos animais a uma vida em cativeiro para o bem estar de sua espécie? Temos o direito de permitir que alguns animais sejam torturados pelo bem de outros? E ainda, temos o direito de intervir nos zoológicos, uma vez que a sua existência é um aspecto cultural de diversos países? Não pretendemos, com esse texto, dar essas respostas, mas deixar uma reflexão baseada em experiências pessoais:

Na semana passada, tive a oportunidade de conhecer o Zoológico Nacional de Chile, em Santiago. Localizado no Parque Metropolitano e inaugurado em 1925, o parque conta com mais de 1000 animais, de 158 espécies diferentes. À primeira vista, o local parece um verdadeiro paraíso para seus moradores,  distribuídos em recintos interativos e com diversos enriquecimentos ambientais. Apesar dos cenários espetaculares, foi outra coisa que me chamou a atenção.

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Lêmures-de-cauda-anelada no Zoológico Nacional do Chile – Foto por Pedro Henrique Tunes

Além da enorme diversidade de animais pouco comum em zoológicos brasileiros, como bongos, suricatos, ursos e porcos-espinho, ele não só possui uma enorme diversidade de animais chilenos, como também diversos programas de reprodução e de reintrodução desses animais, com destaque para o condor-dos-andes, para a rã-de-Darwin (Rhinoderma darwinii) e para o pinguim-de-Humboldt (Spheniscus humboldti), sua principal atração. Seus esforços têm ajudado a recuperar as populações dessas três espécies, que, infelizmente, ainda enfrentam ameaças externas.

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Pinguim-de-Humboldt, espécie protegida pelo Zoológico Nacional do Chile – Foto por Pedro Henrique Tunes

Portanto, creio que zoológicos podem, sim, ter suas vantagens, caso seus recursos sejam bem empregados e seu trabalho de conscientização ambiental seja realizado, juntamente com os cuidados para o bem estar animal. O zoológico de Belo Horizonte, por exemplo, possui vários programas de reprodução de animais nativos, que, lamentavelmente, vêm sofrendo com cortes de verbas governamentais.

O fato é que os zoológicos devem existir para garantir a preservação, conscientização e o bem estar animal, devendo ser utilizados como aliados, e não como vilões, para a conservação de nossa fauna.

 

 

Referências

Texto “Are zoos good or bad” do How Stuff Works

Texto “HISTORY OF ZOOS” do canal CBD

Livro “Imperialismo Ecológico”, de Alfred W. Crosby

Documentário “Blackfish” sobre a captura de orcas e os maus tratos no SeaWorld

Notícias:

Gorila morto a tiros em zoológico :https://www.bbc.com/news/world-us-canada-36407643

Girafa morta em zoológico: https://www.bbc.co.uk/news/science-environment-26118748

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que medidas o Poder Público vem adotando em relação à sustentabilidade?

Já não é novidade pra ninguém que a preservação do meio ambiente é responsabilidade de todos, incluindo pessoas físicas, empresas, órgãos públicos, sociedades civis, entre outros. De acordo com o site do Ministério do Meio Ambiente (MMA) do Governo Federal, a responsabilidade socioambiental está ligada a ações que respeitam o meio ambiente e a políticas que tenham como um dos principais objetivos a sustentabilidade.

Cada vez mais, a preocupação com o meio ambiente vem se tornando tema frequente nas ações governamentais. Nesse sentido, o poder público exerce um papel fundamental na regulamentação e na fiscalização das empresas do setor privado, com vistas a minimizar os impactos provocados pelas atividades desenvolvidas pelas mesmas no meio ambiente. Mas o que as organizações públicas estão fazendo para diminuir os impactos ambientais dentro de sua própria estrutura?

Todos sabem que a Administração Pública age conforme uma grande empresa geradora de empregos e provedora de serviços públicos. Mas ao exercer suas atribuições, o poder estatal impõe aos seus usuários procedimentos burocráticos, como a abertura de processos, apresentação de formulários, alvarás, atestados, contratos, certidões, guias, notas fiscais e uma gama de documentos relacionados com as diversas atividades do setor público.

Burocracia II

Além disso, para implementar seus programas governamentais a máquina pública demanda gastos expressivos com energia elétrica, água, combustível, material de consumo, telefonia, etc. Mas, além dos gastos necessários, o desperdício ainda é um problema nesse setor. Quantas vezes não saímos à noite em nossa cidade e nos deparamos com prédios públicos totalmente iluminados, mesmo sabendo que nesse período não há ninguém trabalhando nesses locais?

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Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves – Sede Oficial do Governo de Minas Gerais

Em primeiro lugar, é necessário que o poder público se volte para as questões ambientais e chame para si a responsabilidade de planejar suas ações com esse foco, bem como de conscientizar seus servidores com vistas a combater o desperdício.

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Outro mecanismo recomendável para minimizar os impactos ambientais no setor público diz respeito à gestão de documentos, conjunto de procedimentos técnicos e operacionais referentes às atividades de produção, tramitação, classificação, avaliação e arquivamento dos documentos nas fases corrente e intermediária, visando sua eliminação ou recolhimento à guarda permanente. O apropriado gerenciamento de documentos nos órgãos públicos pode levar à substituição dos procedimentos burocráticos, realizados de maneira presencial, pelo processamento on-line, mais ágil e econômico.

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Além disso, com a produção e captação de documentos diversos, gerenciar tantos papéis é um grande desafio para a Administração Pública. A implantação de um sistema que permita a utilização de documentos eletrônicos pode ser empregada, com a devida validação, tendo em vista que a documentação oficial tem algumas restrições referentes às características necessárias para o caráter oficial dos documentos. Esse recurso também diminui, de forma substancial, o volume de papel utilizado.

Uma boa prática nesse sentido ocorreu no Poder Judiciário, com a criação do Processo Judicial eletrônico (PJe), sistema de informação desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com os tribunais de justiça, permitindo a instauração e o acompanhamento do ato processual em meio eletrônico. Uma estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendado pelo CNJ, constatou que as Ações na Justiça por meio do PJe tiveram tramitação mais rápida e de menor duração em comparação aos processos físicos, indicando um ganho de eficiência considerável. Mas, na minha opinião, o maior ganho se deu em relação à significativa redução na quantidade de papel utilizada, ao contrário da que os processos físicos demandavam.

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Outra experiência interessante ocorreu na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH) com a edição da Portaria Nº 6.701/2015, que adotou como padrão, no âmbito da Administração Municipal, a impressão “frente e verso” dos documentos e expedientes emitidos pelos setores que possuem impressoras com a referida função. Essa atitude pode gerar uma economia de até 50% no gasto com papel.

Mais uma forma sustentável a ser adotada pela Administração Pública diz respeito à utilização de papéis recicláveis. Você sabe qual a quantidade de árvore é necessária para a produção de papel comum? Considerando que uma árvore da espécie eucalipto, que é a mais utilizada no Brasil para a fabricação de papel, é capaz de produzir 20 resmas de papel do tamanho A4 com gramatura de 75 g/m² e que cada resma possui 500 folhas de papel, então 20 resmas possuem 10 mil folhas. Sendo assim, se uma árvore é capaz de produzir 10 mil folhas, isso significa que para produzir uma folha de papel é necessário 1/10.000 de árvore. Esse valor pode parecer insignificante mas, em longa escala, a fabricação de papel representa o corte de milhares de árvores, ainda que provenientes de reflorestamento. Já para a fabricação do papel reciclado não é necessário novo plantio ou derrubada de árvores, ou seja, a utilização desse tipo de papel diminui o desmatamento e ajuda a proteger o meio ambiente.

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Outro exemplo positivo refere-se ao Termo de Cooperação Técnica assinado entre o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Tribunal Regional do Trabalho (TRT – 3ª Região), Justiça Federal – Seção Judiciária de Minas Gerais, Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (TJMMG), Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG), Ministério Público de Minas (MPMG), Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), Defensoria Pública da União (DPU) e Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para a criação da Rede Sustenta Minas. Esse termo de cooperação tem como objetivo a instituição de um comitê de trabalho interinstitucional, com vistas ao estabelecimento de colaboração entre os órgãos e instituições participantes, visando ao intercâmbio de experiências e informações para a implementação de programas e ações de responsabilidade socioambiental. Ao compor a rede, os integrantes se comprometeram a criar grupos de cooperação nas áreas de racionalização e redução de custos, construções sustentáveis, capacitação e produção científica, destinação adequada de resíduos, compras sustentáveis e compartilhadas e qualidade de vida. No dia 05 de junho de 2018 foi realizado o I Seminário Rede Sustenta Minas, com o objetivo, dentre outros, de apresentar e divulgar boas práticas desenvolvidas pelos órgãos que compõem a Rede.

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Finalmente e não menos importante temos as compras públicas sustentáveis, previstas no artigo 3º da Lei nº 8.666/1993 (Lei de Licitações), alterado pela Lei nº 12.349/2010. De acordo com o referido artigo, a licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Conforme a Cartilha do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), licitações sustentáveis são licitações realizadas pela Administração Pública segundo critérios que visam minimizar impactos sobre o meio ambiente e a saúde humana.

As contratações públicas sustentáveis abrangem áreas como a aquisição de computadores verdes, equipamentos de escritório feitos de madeira certificada, papel reciclável, transporte movido à energia mais limpa, alimentos orgânicos, eletricidade produzida por fontes de energia renováveis, sistemas de ar condicionado de acordo com as soluções ambientais ecologicamente mais evoluídas, bem como a contratação de edifícios energeticamente eficientes.

Nesse contexto, pode-se destacar o próprio Banco Nacional do Desenvolvimento que implantou, desde 2011, a Política de Compras Sustentáveis do BNDES, tendo sido adotadas as seguintes medidas a partir de então: separação de resíduos recicláveis, adoção de medidas para o consumo de energia e de água, aquisição de canecas para reduzir o consumo de copos plásticos, adoção de critérios de sustentabilidade em procedimentos licitatórios, dentre outros.

Como se pode ver, a questão ambiental não se restringe mais ao campo ideológico, passando a se apresentar como obrigatória perante a sociedade e também perante o poder público. Cada vez mais se torna imprescindível reconhecer que a adoção de práticas sustentáveis beneficia toda a coletividade e que a Administração Pública tem função primordial, seja no âmbito da regulamentação, da fiscalização, das aquisições governamentais e da disseminação dos conceitos e ações de sustentabilidade na sociedade.

Referências:

Site http://www.mma.gov.br

Site http://www.pensamentoverde.com.br

Site portal6.pbh.gov.br/dom

Site www.tjmg.jus.br

Site http://www.bndes.gov.br

Site http://www.planalto.gov.b

 

Sobre a autora:

Cássia Tunes é graduada em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Especialista em Administração Pública pela Faculdade Senac Minas Gerais e Pós-graduanda em Direito Público pelo Centro de Atualização em Direito – CAD em parceria com a Universidade FUMEC.

Plástico: Uma Triste Realidade!

 

Já imaginou quanto plástico tem no oceano? Muitas vezes em nossas vidas ouvimos dizer que o oceano é uma grande imensidão e que não sabemos o que está escondido em suas profundezas. Porém essa vastidão é finita e não fazemos ideia da quantidade de lixo que produzimos diariamente. Nos últimos 10 anos, fabricamos e consumimos mais plástico que no último século. Metade do que foi fabricado é considerado descartável, mas seria inteligente fabricar algo descartável de um material quase indestrutível?

Sacola plástica no oceano - Poluição plástica

Os plásticos estão em toda parte. Enquanto você está lendo este artigo, provavelmente vários itens de plástico estão ao seu alcance (seu computador, sua caneta, seu telefone). Um plástico é qualquer material que pode ser adaptado ou moldado em qualquer forma.

A principal matéria-prima dos plásticos é o petróleo, elemento rico em carbono. Os plásticos são polímeros constituídos de unidades repetitivas de compostos menores contendo carbono, chamados monômeros. Com a combinação de vários tipos de monômeros em diferentes arranjos é possível fazer uma variedade quase infinita de plásticos. A maioria deles é inerte: você pode armazenar álcool, sabão, água, ácido ou gasolina em um recipiente de plástico sem dissolver o próprio recipiente. Esse material revolucionou o mundo.

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Cerca de 240 bilhões de litros de petróleo são usados diariamente apenas para atender à demanda para a fabricação de garrafas plásticas de água para os Estados Unidos, mas 90% delas são usadas apenas uma única vez. Isso corresponde a 2 milhões de toneladas de plástico indo para aterros no país ou caindo nos rios e no mar.8687410631_1d611b2b64_z.jpg

Somente neste ano, todo homem, mulher e criança irá descartar cerca de 136 quilos de plástico. Esse material pode ser considerado maravilhoso do ponto de vista da durabilidade. Por outro lado, também pode ser encarado como terrível, pois quase todo plástico que foi fabricado até hoje ainda está presente no Planeta, sem se decompor. A previsão menos pessimista é que em 2050, quando a população mundial chegar a 10 bilhões de pessoas, espera-se que a produção de plástico tenha triplicado e que a quantidade desse material e de peixes nos oceanos seja a mesma. O grande problema é que, hoje, apenas uma fração do plástico que usamos é reciclada e o resto chega até o meio ambiente.

Mais de 80% do plástico encontrado nos mares vem da terra. Ainda que você não viva próximo ao oceano, o mais provável é que o seu lixo plástico já tenha, de alguma maneira, chegado ao mar. É simples pensar que em todo esgoto não tratado há lixo e que dentro do lixo há muito plástico. O lixo que não continua nas ruas ou que afunda nos sedimentos dos rios flutua pelos canais fluviais através do leito principal da bacia hidrográfica até o oceano Atlântico. Hoje, já foi descoberto que no Mar Mediterrâneo há uma proporção de 1 para 2 plásticos por plâncton, conjunto de organismos de extrema importância para o ecossistema aquático.

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Nossos oceanos são guiados por cinco grandes correntes oceânicas, resultantes da rotação da Terra e dos ventos predominantes. Elas coletam o lixo que vem da foz dos rios, que chega ao mar, e eventualmente tudo que está no sistema acabará chegando nelas. Essas correntes formam espirais que acumulam tudo aquilo que vem com elas em um enorme redemoinho acumulador de lixo. Descobridor do aterro marinho gigante, também chamado de “vórtice de lixo”, o oceanógrafo norte-americano Charles Moore acreditava que estaria reunida naquelas águas cerca de 100 milhões de toneladas de detritos – que vão desde blocos de brinquedos Lego até bolas de futebol e caiaques. “A ideia original que as pessoas tiveram foi que era uma ilha de lixo plástico sobre a qual você quase poderia andar”, observa Marcus Eriksen, diretor de pesquisas da Algalita Marine Research Foundation, organização norte-americana criada por Moore. “Não é nada disso. É quase uma sopa plástica.”.

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Cinco principais áreas de acúmulo de lixo nos oceanos.

Os plásticos de alta densidade, usados para a fabricação de produtos para consumo, são quebrados pelo sol, pela água salgada e por pequenos animais em pequenas partículas chamadas de microplásticos, que podem ser consumidos por microorganismos que não conseguem quebrá-las, como os plânctons. Os microplásticos possuem superfície irregular e absorvem substâncias tóxicas que vêm juntamente com os resíduos. As partículas plásticas são consumidas pelos plânctons, que servem de alimentos para camarões que, por sua vez, são comidos por peixes, até pararem em nossa mesa. Além disso, muitos microplásticos são confundidos com os próprios plânctons e, dessa forma, podem se bioacumular em toda a cadeia alimentar.

Em um estudo da Scientifics Reports, pesquisadores examinaram 76 peixes para consumo humano na Indonésia e 64 na Califórnia. Foram encontrados plásticos em ambos. Quase um quarto apresentava detritos antropogênicos, tendo sido encontrado plástico em uma amostra da população da Indonésia, bem como plástico e fibras têxteis na população americana. Ao coletar amostras de mexilhões na costa da França, Bélgica e Holanda, foi detectado que os microplásticos estavam presentes em todos os organismos examinados.

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Caminho do plástico que sai da Ásia criando a Grande Porção de Lixo do Pacífico.

Enquanto isso, estima-se que o plástico dos oceanos mate milhões de animais marinhos todos os anos. Quase 700 espécies, incluindo as ameaçadas, foram afetadas por esse material. Alguns animais são prejudicados visivelmente – estrangulados por redes de pesca abandonadas ou por anéis plásticos. Provavelmente, muitos mais são prejudicados de forma invisível. Espécies marinhas de todos os tamanhos, do zooplâncton às baleias, comem microplásticos, pedaços menores que um quinto de uma polegada de diâmetro.

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Para resolver o problema é imprescindível que seja firmado um acordo internacional para reduzir o despejo de lixo plástico nos mares e oceanos e promover a limpeza das águas. Além disso, a WWF recomenda que todos os países do Mediterrâneo aumentem a reciclagem, proíbam os plásticos descartáveis, como sacolas e garrafas, e diminuam a utilização de microplásticos em detergentes ou cosméticos até 2025.

“A própria indústria de plásticos deve desenvolver produtos recicláveis e compostáveis feitos a partir de matérias-primas renováveis, e não produtos químicos derivados do petróleo”, indica a WWF.

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Além disso, é fundamental que haja uma mudança cultural em toda a população. Adotar atitudes que gerem menos lixo é um bom começo. Dessa forma, haverá maior pressão nas indústrias e maior demanda de um mercado que hoje é reduzido.

O nosso planeta enfrenta problemas causados por ações antrópicas e as mudanças devem ser imediatas. As espécies atuais precisam de nossa ajuda para não serem extintas. A hora é agora! Comece a reduzir seus resíduos hoje, plásticos ou não, para que amanhã não seja tarde demais.

Nota da autora: 

Produzir um texto como esse foi um grande desafio. Mesmo convivendo no dia-a-dia com resíduos plásticos, não imaginei como seria constatar, através de tantos documentários e imagens, como está a situação global. Dói muito perceber como estamos sendo negligentes e isso me faz questionar qual será o mundo que estamos deixando para as futuras gerações. Será que nossos descendentes um dia poderão nadar em cachoeiras e se banhar nas águas do mar? Que esse texto sirva de reflexão para todos e que desperte a mudança em cada um de nós. 

Leia mais sobre o assunto em:

https://www.nationalgeographic.com/magazine/2018/06/the-journey-of-plastic-around-the-globe/

Leia também: Texto “Não Queremos Salvar o Planeta.”

Referências:

WWF

Documentário “Plastic Oceans”

Sea Shepherd: http://www.seashepherd.org/

Projeto Vortex: http://www.projectvortex.org/

How Stuff Works: Plastic

ABM Yacht Support: Are we doing all that we can to clean oceans?

Artigos da Algalita Marine Research Foundation

A Teoria de Tudo que está Vivo – Parte III – O Reinado dos Mamíferos

Vimos o surgimento da vida complexa, a sua quase destruição e o aparecimento dos maiores animais terrestres de todos os tempos. O último capítulo de nossa história terminou com a queda de um enorme meteoro em nosso planeta, o que gerou uma escuridão quase completa por dois anos, que matou a maior parte das plantas, algas e animais. Dentre os grupos perdidos, encontram-se os pliossauros, plesiossauros, mosassauros, amonitas, pterossauros e a maior parte dos dinossauros. Os poucos sobreviventes desse desastre diversificaram-se e se espalharam pelos continentes durante o Cenozoico, que veremos a seguir.

Para facilitar o entendimento da cronologia dessa era geológica, dividiremos os dois períodos do Cenozoico (Paleogeno e Neoceno) em suas respectivas subdivisões, denominadas “épocas”. Além disso, devido à maior proximidade temporal desse capítulo de nossa história, um número superior de espécies e de evidências de evolução será apresentado. Focarei, portanto, em grupos de animais e de plantas com representantes vivos atualmente, sobretudo mamíferos,  e darei um enfoque maior ao que acontecia na América do Sul, que permaneceu isolada dos outros continentes por milhões de anos.

Paleogeno – 65 milhões a 23 milhões de anos atrás

Paleoceno – 65 milhões a 56 milhões de anos atrás

Os primeiros 10 milhões de anos do Cenozoico foram marcados por uma diversidade baixa de plantas, em um mundo que ainda se recuperava da queda de um asteroide gigante. A extinção de animais grandes, entretanto, abriu espaço para um processo de diversificação intenso, uma vez que vários nichos ecológicos tinham sido esvaziados durante o fim do  Cretáceo.

A maioria dos continentes já se encontrava em suas posições atuais durante o Paleoceno. Entretanto, o clima quente do planeta fez com que florestas tropicais se espalhassem por todos continentes, inclusive nos polos. Isso fez com que continentes isolados, como a America do Sul, Índia e Austrália (os dois últimos são considerados continentes pelas definições atuais) adquirissem uma fauna completamente única.

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Mapa do planeta pouco antes do fim do Período Cretáceo

Antes do fim do Cretáceo, surgiu um  grupo de mamíferos placentários (animais que possuem uma placenta que, dentre diversas funções, serve como fonte de nutrientes e oxigênio para o feto em desenvolvimento), conhecido como Condylarthra, que se espalhou por grande parte dos continentes. No Paleoceno, esses animais, com unhas transformadas em cascos, modificaram-se em grandes predadores, semelhantes a cães, e em animais herbívoros, tornando-se assim o primeiro grupo de mamíferos a se alimentar de plantas.

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Phenacodus, ungulado primitivo do Paleoceno

Na África, surgiram os primeiros ancestrais dos elefantes, que se tornariam os maiores animais terrestres atuais, milhões de anos depois. Esses animais semi-aquáticos possuíam pequenas trombas e presas que provavelmente eram mantidas dentro da boca.

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Phosphatherium escuillei, um dos primeiros elefantes conhecidos – Imagem por Roman Uchytel

Já na Ásia, surgiram os primeiros roedores verdadeiros (Rodentia) e coelhos e lebres (Lagomorpha), que não iriam se diversificar muito até a diversificação da grama, na próxima época que veremos. Os roedores eram, majoritariamente, arborícolas, enquanto os lagomorphos eram pequenos animais semelhantes aos  Ochotonideos atuais, que viviam em tocas subterrâneas.

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Paramys, um dos primeiros roedores conhecidos – Arte por S. Roberts

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Pika-chines (Ochotona curzoniae) é um lagomorpho atual muito semelhante a seus ancestrais do Paleoceno – Foto por Lee Anne Shaffer

Os primeiros protoprimatas surgiram no final do Cretáceo como pequenos animais arborícolas e, possivelmente, nectarívoros e insetívoros. Já no Paleoceno, tomaram forma mais semelhante aos dos lêmures atuais.

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Purgatorius, protoprimata mais antigo conhecido que surgiu no fim do Cretáceo e sobreviveu à extinção K-T. – Desenho por Nobu Tamura

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Carpolestes, protoprimata da América do Norte – Reconstrução por Doug M. Boyer

Enquanto isso, na América do Sul, Austrália e Antártida (que ainda era coberta por densas florestas), os marsupiais ocupavam nichos semelhantes aos dos gambás e cuícas atuais. Ao mesmo tempo, também na América do Sul, apareceram os primeiros Xenarthras, grupo de animais que incluem os tatus (Cingulata) e as preguiças e tamanduás (Pilosa), que se tornariam os protagonistas de nosso continente até o Pleistoceno.

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Riostegotherium, tatu primitivo do Paleoceno

Nesse continente, dinossauros sobreviventes da extinção do Cretáceo iram se tornar os maiores predadores da América do Sul nos próximos milhões de anos. Durante o Paleoceno, essas aves da ordem Cariamiformes especializaram-se em caçar os pequenos marsupiais sul-americanos e alguns pequenos ungulados primitivos da região.

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Paleopsilopterus itaboraiensis, uma das primeiras “aves-do-terror” conhecidas –  Por Geraldo França Jr.

Em diversas regiões do mundo, as aves tomavam formas muito similares aos das atuais, com o surgimento de corujas e flamingos (Phoenicopteridae). A extinção de aves marinhas do Cretáceo, como o Hesperornis, possibilitou que um grupo de aves perdessem a sua capacidade de voo e se tornassem adaptadas para o meio aquático, dando origem aos primeiros pinguins no continente chamado Zelândia.

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Waimanu manneringi, o primeiro pinguim verdadeiro – Arte por Roman Uchytel

Os répteis Sul-Americanos eram, sem dúvida, os maiores predadores do planeta durante o Paleoceno. O continente contava com crocodilos corredores, quelônios carnívoros, de até 3 metros de comprimento, e com cobras como a Titanoboa, uma serpente semi-aquática que ultrapassava os 13 metros e pesava mais de uma tonelada.

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Sebecus, crocodilo terrestre Sul-Americano – Imagem por Marcus Burkhardt

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Titanoboa alimentando-se de jacaré – Por Ícaro Yuji

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Quelônio carnívoro da América do Sul – Por Maija Karala

Durante o fim do Paleoceno, o planeta sofreu um aquecimento de 3ºC em apenas 20 mil anos, o que alterou a química dos oceanos e a umidade em todos os continentes e, consequentemente, moldou a evolução dos próximos milhões de anos. Esse aquecimento repentino, conhecido como Máximo térmico do Paleoceno-Eoceno, é o que marca o começo da nossa próxima época geológica.

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Temperatura média do ar em diferentes períodos geológicos –  Fonte :  NCAR

Eoceno – 55 milhões a 36 milhões de anos atrás

As altas temperaturas do planeta possibilitaram que os répteis do Paleoceno sobrevivessem por milhões de anos, até o meio do Eoceno. Embora poucos fósseis tenham sido encontrados no local, evidências mostram que a diversidade de plantas, répteis e mamíferos da Antártida durante esse período era enorme, uma vez que o continente ainda era coberto por uma densa floresta tropical. Lentamente, esse continente foi migrando para o sul através de movimentações tectônicas, desgrudando-se da América do Sul e da Austrália. Nessa mesma época, os primeiros pinguins atingiram o continente, vivendo na costa de um paraíso tropical.

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Imagem presente no artigo “Antarctic Peninsula and South America (Patagonia) Paleogene terrestrial faunas and environments:
biogeographic relationships” representando a fauna e flora hipotética da Antártida durante o Eoceno.

Entretanto, ao atingir sua posição atual, a Antártida criou uma corrente oceânica gelada denominada Corrente Circumpolar Antártica, que circulava em volta do continente e, lentamente, roubava seu calor e umidade. Entre 49 e 40 milhões de anos atrás, o continente congelou completamente, perdendo quase totalmente sua vegetação e extinguindo todos os seus vertebrados terrestres nativos, com exceção dos pinguins.

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Surgimento da  Corrente Circumpolar Antártica resfriou o continente até o meio do Oligoceno

Essa corrente gerou uma diminuição da umidade média de todo planeta, o que reduziu ampla parte das florestas e abriu espaço para vastas concentrações de animais em áreas abertas, que dariam origem aos primeiros perissodáctilos. Grandes animais, como os Brontotheriideos e os Dinocerata, tornariam-se os maiores mamíferos herbívoros da Terra até esse momento. Os Creodonta (animais carnívoros do Eoceno), assim como os primeiros cavalos, rinocerontes, ratos e morcegos dividiam seu território com aves gigantes conhecidas como Gastornis, que se alimentavam de pequenos mamíferos na América do Norte. Nessa época também surgiram as primeiras águias, condores e passarinhos (passeriformes). Cactos e palmeiras espalhavam-se pelos continentes, assim como árvores frutíferas, o que possibilitava alimento para diversos novos grupos de aves e répteis herbívoros. Embora as Poaceas tenham surgido no Cretáceo, foi somente  durante o Eoceno que elas começaram a se espalhar, sobretudo na forma de bambus e de gramas de crescimento sazonal.

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Fauna do Eoceno – Por Stephen Somers

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Gastornis alimentando-se de um cavalo primitivo

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Eoceno da América do Sul – Por Rolandi

Na África e na Ásia, dois grupos de animais migravam, progressivamente, para o mar. O primeiro deles, o dos peixes-boi (Sirenia), surgiu a partir de um grupo de herbívoros terrestres e, rapidamente, migrou para o outro lado do Oceano Atlântico, colonizando a América do Sul. O segundo grupo (Cetacea) surgiu a partir de um grupo de artiodáctilos onívoros que viviam próximos a rios e, posteriormente, migrou para o mar.

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Prorastomus sirenoides, um peixe-boi terrestre basal

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Indohyus sp., ancestral de todos os cetáceos atuais – Arte por Lucas Lima

Por fim, os primeiros primatas verdadeiros surgiram na Ásia. Esses animais noturnos e arborícolas rapidamente colonizaram a África e, posteriormente, atingiram a América do Sul através do fenômeno de balsas flutuantes (Fenômeno explicado no meu texto sobre espécies invasoras)

 Darwinius masillae, o primata fóssil mais bem preservado que se tem notícia – Por Esther van Hulsen

Oligoceno – 36 a 23 milhões de anos atrás

No Oligoceno surgiram os primeiros macacos-do-velho-mundo, que rapidamente extinguiram os primatas lemuriformes de todo o planeta, com exceção de Madagascar. Esses animais obtiveram grande sucesso na África, uma vez que o continente ainda possuía regiões quentes e úmidas, que possibilitava grandes florestas tropicais.

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Aegyptopithecus, por Roman Yevseyev

Os perissodáctilos eram, sem dúvida, os animais mais bem sucedidos desse período, adquirindo formas únicas na história do planeta e se espalhando pela Europa, Ásia, África e América do Norte. Os cavalos e antas adquiriram formas bem semelhantes a dos atuais, enquanto os rinocerontes cresceram e dominaram diversos nichos que hoje pertencem a outros animais.

Mesohippus, um cavalo Norte-Americano do Oligoceno – Por Mehdi Nikbakhsh

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Evolução de diversos tipos de cavalos até o Plioceno – Por Julio Lacerda

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Chalicotherium, um rinoceronte do Oligoceno – Por Julio Lacerda

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Com 5 metros de altura e 8 metros de comprimento, o Paraceratherium bugtiense era um rinoceronte sem chifre que ocupava um nicho semelhante ao das girafas. Foi o maior mamífero terrestre conhecido.

Com a redução das temperaturas e da umidade ao longo do Oligoceno, um novo tipo de habitat surgiu no planeta, que mudaria sua história para sempre: as savanas. O clima seco possibilitou a redução de florestas na maioria dos continentes, o que abriu espaço para que a grama se tornasse a forma de vida vegetal dominante. Ao contrário da maior parte das plantas rasteiras da época, a grama contém poucos nutrientes e possui compostos de sílica, denominados fitólitos, em sua estrutura. Essa característica torna sua digestão difícil, além de contribuir para o desgaste dos dentes dos herbívoros. Nesse contexto, surgiram os Artiodáctilos, grupo de animais que incluem os boi, camelos, cervos, cabras, porcos e antílopes atuais, que possuem dentes resistentes e de crescimento contínuo e um sistema digestivo complexo, com regiões fermentadoras capazes de digerir a grama. Esses animais rapidamente se espalharam pelo Hemisfério Norte e África onde ocuparam nichos de predadores e presas.

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Archaeotherium, um porco gigante carnívoro do Oligoceno – Por Julio Lacerda

Neogeno – 23 milhões de anos atrás até hoje

A transição do Paleogeno para o Neogeno é sutil no registro fóssil, e é demarcada pela extinção de alguns grupos de protozoários marinhos. Entretanto, o inicio desse período é marcado pelo surgimento do Himalaia, uma vez que a Índia, que havia permanecido isolada por milhões de anos, chocara-se com a Ásia e continuava migrando para o Norte.

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Mapa do planeta durante o Mioceno

Mioceno – 23 a 5.3 milhões de anos atrás

Durante o mioceno, as savanas cobriam a maior parte do planeta, com exceção da Antártida,  e substituíram também as grandes florestas da África. Isso fez com que a maior parte dos macacos, que até então eram majoritariamente arborícolas, começassem a viver em campos abertos. Cerca de 18 milhões de anos atrás, surgiram os primeiros ancestrais dos hominídeos, que dariam origem a todos os gibões, orangotango, gorilas, chimpanzés e humanos.

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Proconsul, o ancestral de todos os hominídeos atuais

Ao longo dos últimos milhões de anos, os ancestrais dos cetáceos foram, gradativamente, adquirindo adaptações para a vida aquática e aumentando de tamanho, com espécies de até 12 metros de comprimento. Enquanto isso, surgiram as primeiras lontras-marinhas do planeta, que passaram a viver nas primeiras florestas de Kelpie do mundo.

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Evolução dos ancestrais das baleias do Mioceno

A extinção dos répteis gigantes marinhos do Mesozoico possibilitou que os tubarões se tornassem os predadores dominantes do Cenozoico. Durante o Mioceno, esses animais adquiriram tamanhos descomunais, uma vez que o surgimento de grandes baleias possibilitou uma fonte de alimento rica em gordura.

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O Carcharodon megalodon podia atingir até 20 metros de comprimento – Fonte: Sciente Photo Library

Se fôssemos transportados ao fim do Oligoceno, provavelmente reconheceríamos a maior parte dos mamíferos do planeta. Elefantes dividiam as savanas da Europa, Ásia, África e América do Norte com cavalos, camelos, leões, ursos, hienas, lobos e antílopes. Nas florestas da Ásia, tigres caçavam orangotangos e girafas comiam folhas de bambus.

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Fauna africana do Mioceno – Por Mauricio Anton

Na América do Sul, crocodilos gigantes e aves-do-terror ainda eram os maiores predadores. Tatus e preguiças gigantes dividiam o habitat com ungulados muito diferentes dos existentes atualmente, que eram caçados por grandes marsupiais dentes-de-sabre carnívoros e por condores de mais de 7 metros de envergadura.

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Argentavis roubando a presa de um marsupial gigante – Por Thylacosmilus atrox by Velizar

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Purussauros, jacaré de 13 metros do Mioceno caçando Phoberomys, um roedor gigante da América do Sul – Por Julio Lacerda

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Thalassocnus natans, preguiça gigante aquática – Por Roman Yevseyev

Plioceno – 5,3 até 2,6 milhões de anos atrás

No início do Plioceno, na região da Etiópia, surgiu uma espécie denominada Australopithecus, o primeiro ancestral direto dos seres humanos conhecido. Esses pequenos animais bípedes provavelmente viviam em florestas de galeria e faziam excursões para as savanas, onde se alimentavam de frutas e de tubérculos.

Australopithecus, por John Gurche

Nessa época, a migração da América do Sul para o Norte fez com que os dois continentes finalmente se encontrassem, na região em que hoje é o Panamá. Esse contato fez com que os camelos, ursos, onças, veados, elefantes e antas Norte Americanos finalmente chegassem ao nosso continente, enquanto preguiças gigantes e aves-do-terror migraram para o norte. Essa foi, provavelmente, a maior troca faunística da história, em um evento que ficou conhecido como o “Grande Intercâmbio Americano”.

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Troca faunística ocorrida durante o Grande Intercâmbio Americano – Por Smithsonian Tropical Research Institute

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Um Titanis protege seus ovos de um pequeno felino

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Fauna brasileira após o Intercâmbio. Nessa imagem podem ser vistos animais tradicionalmente neotropicais (Como as Macrauchenias à frente e tatus e preguiças gigantes ao fundo) e espécies originalmente norte-americanas como tigres, cavalos e elefantes – Por Mauricio Antón

Pleistoceno – 2,6 milhões a 12 mil anos atrás

O Pleistoceno é conhecido por muitos como a “Era do Gelo”, uma vez que uma série de eventos de glaciação moldaram o planeta e extinguiram localmente grande parte das espécies cosmopolitas da época. Espécies icônicas, como os mamutes, rinocerontes lanudos e leões-das-cavernas eram comuns no hemisfério Norte, enquanto o hemisfério Sul tornava-se cada vez mais seco e, portanto, com um baixo número de florestas.

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Fauna europeia durante o Pleistoceno – Por Mauricio Antón

Devido à menor umidade do planeta, a competição entre os carnívoros aumentou significativamente nas Américas, o que extinguiu a maior parte das aves-do-terror durante o Pleistoceno, com exceção da família Cariamidae, que ainda possui dois representantes atuais (seriemas).

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Titanis, maior ave-do-terror da história, lutando contra um Smilodon – Por Julio Lacerda

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Seriema (Cariama cristata), representante vivente das aves-do-terror – Foto por Pedro Henrique Tunes

O resfriamento do planeta criou enormes quantidades de zooplâncton próximas dos polos, tornando-se fonte de alimento para os maiores animais que já estiveram em nosso planeta. A baleia-azul (Balaenoptera musculus) surgiu há cerca de 2 milhões de anos e, ainda hoje, patrulha os mares de todo mundo. Com até 33 metros de comprimento e pesando até 173 toneladas, esse animal possui um coração mais pesado do que um carro e artérias largas o bastante para caber um ser humano.

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Comparação do tamanho de uma baleia-azul com uma baleia primitiva (topo) e com um ônibus de dois andares

Na África, surgiram os primeiros representantes do gênero Homo, cerca de 400 mil anos atrás, que rapidamente se espalharam por todo o continente e, posteriormente, atingiram a Ásia, onde se diversificaram em diversas novas espécies. Cerca de 200 mil anos atrás surgiram as duas subespécies conhecidas de Homo sapiens, que rapidamente atingiram a Europa e a Ásia.

Algumas das várias espécies de Hominídeos encontradas na África – Fonte:  G. Grullón

Uma pequena espécie de Hominídeo surgiu na Indonésia, conhecida como Homo florensis. Com apenas 1,2 metros de altura, viveram na ilha de Flores, onde conviveram com elefantes anões e com os dragões-de-komodo (Varanus komodensis), lagartos de 3 metros de comprimento que existem ainda hoje.

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Homo florensis por Maurício Antón

A incrível capacidade cognitiva do gênero Homo, sobretudo da nossa espécie, está relacionada com a necessidade de se adaptar a um mundo em constantes mudanças. Isso possibilitou que o Homo sapiens desenvolvesse estratégias complexas de caça, roupas, ferramentas e armas, tornando-o o predador mais perigoso durante o Pleistoceno.

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Homo sapiens caçando um rinoceronte-lanudo – Por Julio Lacerda

Suas estratégias de caça permitiam que eles abatessem até as maiores presas que, devido à sua lenta taxa de reprodução, foram gradualmente entrando em extinção, uma vez que suas populações já estavam baixas devido às bruscas mudanças climáticas. Ao chegar na Austrália, cerca de 60 mil anos atrás, os Homo sapiens extinguiram toda a megafauna local. Nas Américas, o declínio das populações da megafauna também coincide com a chegada humana.

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A maior parte da megafauna australiana foi extinta há 60 mil anos, justamente com a chegada dos primeiros humanos. – Por  Peter Trusler

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Lêmures de 150 quilos conviviam com aves de 3 metros de altura em Madagascar até a chegada dos primeiros hominídeos na ilha

Holoceno – 12 mil anos até hoje

O Holoceno foi a época em que criamos a agricultura e pecuária, construímos cidades e impérios e, deliberadamente, moldamos o mundo a nossa volta. Mamutes nos acompanharam em nossa jornada até cerca de 3 mil anos atrás, quando as pirâmides do Egito já estavam erguidas. Os dodôs nos deixaram há pouco mais de 400 anos, os tigres-da-tasmânia sobreviveram para ver a Primeira Guerra Mundial e o Baiji nos acompanhou até o século XXI. A complexidade do ser humano e de suas relações com o planeta serão abordadas em um texto futuro, mas agora, pela primeira vez na história, um animal está conscientemente extinguindo milhares de espécies por ano e aquecendo a Terra de forma acelerada. Os testes nucleares e a ação dos plásticos nos oceanos possuem um potencial tão grande de alterar o nosso planeta que alguns cientistas propuseram a criação de uma nova era geológica, denominada de Antropoceno: A Era dos Humanos.

Epílogo

Vimos a vida complexa surgir e quase desaparecer, observamos um grupo de animais crescer até atingir tamanhos descomunais e aprender a voar e, após a queda de uma rocha espacial gigante, presenciamos o surgimento de protagonistas improváveis. Pequenos animais noturnos do Jurássico tornaram-se dos maiores animais que já estiveram em nosso planeta aos que mais modificaram seus ecossistemas. Os próximos capítulos de nossa história ainda são incertos, mas nossas atitudes poderão moldar o futuro de nossa biosfera. “A vida encontra um caminho”. Resta a nós permitir que esse caminho não seja destruído.

 

Referências

Canais do youtube Eons e SciShow

Site EarthArchives

Postagem da NatGeo sobre o primeiro primata 

Artigo “Antarctic Peninsula and South America (Patagonia) Paleogene terrestrial faunas and environments: biogeographic relationships” – REGUERO, M. A. et. al.

 

 

A Teoria de Tudo que está Vivo – Parte II – A Era dos Répteis

No último capítulo de nossa jornada, vimos a diversificação da vida, sua colonização de diversos novos ambientes e, no final do Paleozoico, nos deparamos com a maior extinção em massa que o planeta já viu, que quase destruiu a vida por completo. O desaparecimento de diversos grupos de organismos foi o que permitiu que os protagonistas da próxima era geológica se multiplicassem, aprendessem a voar e crescessem como nenhuma outra criatura terrestre do planeta cresceu antes.

Embarque na Era Mesozoica, marcada por grandes inovações evolutivas, pelo surgimento de mamíferos e aves e dominada pelos répteis.

Triássico – 250 a 200 milhões de anos atrás

Como visto no último capítulo de nossa história, o fim do Permiano foi marcado por acontecimentos que desencadearam a extinção de 95% de toda a vida nos oceanos e de 73% dos animais e plantas terrestres, em um evento conhecido como “The Great Dying”. Os primeiros milhões de anos que sucederam esse desastre foram marcados por uma recuperação lenta, no qual poucas espécies de plantas se espalharam por toda Pangeia, o único supercontinente que formava o planeta. As grandes concentrações de  COna atmosfera em decorrência da intensa atividade vulcânica do período anterior fizeram com que as temperaturas terrestres fossem cerca de 3ºC maiores do que a média mundial atual, o que possibilitou a formação de densas florestas por todo o globo.

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Representação das primeiras florestas após o fim do Permiano – Créditos Digital Journal

Por sua vez, os animais terrestres sobreviventes do Permiano se espalharam pelo globo e rapidamente se diversificaram em vários novos planos corporais. Os terapsídeos, ancestrais diretos dos mamíferos que atuavam como principais predadores durante o Permiano, diversificaram-se, sobretudo, em pequenos carnívoros e grandes herbívoros, com destaque para animais como os dicinodontes, que se espalharam por todo o globo.

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Lystrosaurus curvatus, pequeno Therapsideo herbívoro do início do Triássico – Arte pelo artista Theropsida do Deviantart

Os Temnospondyli, grupo extinto de anfíbios que surgiu no Carbonífero, dominaram os ambientes aquáticos dulcícolas, ocupando nichos ecológicos similares aos das salamandras e crocodilos atuais.

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Trematosaurus, um anfíbio Temnospondyli com 3 metros de comprimento da época –                 Por Vladislav Egorov

Nessa mesma época, surgiu também um grupo de anfíbios que iria futuramente se diversificar em diversos nichos e tamanhos, tornando-se atualmente o grupo mais diverso de animais terrestres. Esse clado, conhecido como Salientia, daria origem a todos os  anuros (sapos, rãs e pererecas), e rapidamente se tornou uma parte essencial de cadeias alimentares em todo o mundo.

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Triadobatrachus, ancestral de todos anuros modernos – Por Javier Valdez

Embora os répteis tenham sido coadjuvantes durante o Permiano, esses animais foram, sem dúvida, os protagonistas do Triássico e dos outros períodos do Mesozoico. A grande variedade de nichos que foram desocupados durante o fim do Permiano possibilitou uma intensa diversificação em formas nunca vistas antes na história do planeta. O primeiro grupo que se tem destaque são os Lepidossauros, animais com escamas queratinizadas dérmicas, capazes de trocar de pele e com padrões cranianos que lhes conferem grande força e mobilidade em sua mordida. Dividiram-se, durante o meio do Triássico, em três grandes grupos: Os Squamata (grupo que inclui todos os lagartos, cobras e amphisbaenas atuais), os Rhynchocephalia (tuataras e seus ancestrais extintos) e os Kuehneosaurus (primeiros vertebrados terrestres planadores conhecidos).

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Enyalius perditus, lagarto brasileiro estruturalmente similar aos primeiros Squamata – Foto por Pedro Henrique Tunes

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Tuatara, um Rhynchocephalo atual – Foto por Kristine Grayson

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Icarosaurus siefkeriKuehneosauro planador do Triássico

Apesar de sua enorme variedade e adaptabilidade, foi um outro grupo que dominou o planeta no Triássico: Os Archosauromorphos. Esses animais, com coração tetracavitário e cuidado parental desenvolvido nos grupos atuais, adquiriram adaptações que seriam cruciais para seu sucesso, incluindo planos corporais exclusivos na história do planeta.

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Euparkeria africana, o primeiro Archossauromorpho por Tobie Beale

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Longisquama insignis por Julio Lacerda

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Sharovipteryx mirabilis – Archosauro do Triássico que utilizava as patas de trás para planar – Por Gabriel Ugeto

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Drepanosaurus unguicaudatus por Gabriel Ugeto

Os Avemetatarsalia são um grupo de Archosauromorphos que se diversificaram no meio do Triássico em dois principais grupos. Os Pterossauros foram, provavelmente, os mais diversos na época, adquirindo adaptações para o voo, tornando-se, assim, os primeiros vertebrados a realizarem o voo verdadeiro.

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Evolução especulativa dos pterossauros por Maija Karala

Os dinossauros, por sua vez, adquiriram, sobretudo, características que possibilitavam uma movimentação mais rápida e uma maior eficiência respiratória. Entretanto, demorariam milhões de anos para que esses animais se tornassem o grupo dominante da terra.

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Lagerpeton chanarensis, dinossauro basal do Triássico por Gabriel Ugeto

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Desenho especulativo de Plateosaurus com protopenas – Por PaleoGuynda

Os Pseudosuchians, por sua vez, eram os verdadeiros donos do planeta. Medindo de poucos centímetros até 9 metros de comprimento, esses ancestrais dos crocodilos atuais podiam ser encontrados em inúmeros nichos ecológicos, de pequenos herbívoros cavadores encouraçados a grandes carnívoros bípedes, semelhantes à ideia que temos de um dinossauro.

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Ancestral bípede dos crocodilianos – Poposaurus gracilis – Artista Smokeybjb

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Gorgetosuchus pekinensis, pseudosuchio herbívoro recém descoberto pela ciência – Imagem em artigo referenciado no final do texto

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Luta entre dois pseudosuchios do Triássico – Por Julius Csotonyi

Os mares, por sua vez, se tornaram o lar dos primeiros ancestrais dos Ichtyossauros, um grupo de répteis que viveria no planeta até o meio do Cretáceo, ocupando nichos semelhantes aos de baleias e golfinhos.

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Cartorhynchus, ichtyossauro basal do Triássico – Por Julio Lacerda

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Shonisaurus, ichtyossauro de até 21 metros de comprimento

O Triássico foi, durante sua maior parte, um período seco e com uma enorme concentração de animais carnívoros. Essas duas características podem parecer simples, mas, provavelmente, foram o que desencadearam a quarta extinção em massa de nosso planeta, que dizimou cerca de 75% das espécies da Terra. Nessa época, o grande número de florestas, juntamente com a separação da Pangeia em dois novos continentes, criou uma enorme quantidade de vapor d’água na atmosfera, o que gerou um regime de chuvas como nunca visto em nosso Planeta. Estima-se que esse evento ocasionou um regime de chuvas semelhante ao de uma floresta tropical em todo o globo, durante mais de dois milhões de anos. Isso ocasionou enchentes em todo planeta e modificou a estrutura das florestas, o que possibilitou uma maior diversificação de plantas terrestres e, consequentemente, uma enorme variedade de dinossauros herbívoros durante o próximo período de nossa história. Além disso, acredita-se que a grande quantidade de animais carnívoros gerou um decaimento de todos os ecossistemas, que gradualmente foram perdendo sua diversidade ao longo de milhões de anos. Por fim, enormes emissões de gás carbônico nos oceanos reduziram drasticamente os seus níveis de oxigênio, o que contribuiu para o fim de muitos grupos marinhos. Dentre os animais extintos, destacam-se os crocodilianos bípedes, juntamente com a maior parte dos herbívoros e dos grandes anfíbios. Dentre os terapsídeos, os únicos sobreviventes são os cinodontes, pequenos animais noturnos que, futuramente, dariam origem aos mamíferos.

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A extinção dos grandes Pseudosuchos no fim do Triássico abriu espaço para a diversificação dos dinossauros

Jurássico – 200 milhões até 145 milhões de anos atrás

Durante o período Jurássico, duas novas adaptações conferiram aos dinossauros características exclusivas, que permitiram que eles se tornassem o grupo dominante do planeta. Primeiramente, em algum ponto do Triássico, um grupo de dinossauros desenvolveu uma característica única, que alteraria sua história evolutiva para sempre: as penas! Ao pensarmos nessa adaptação, logo pensamos em uma estrutura complexa e bipartida, que auxiliava no voo das aves, mas nem sempre foi assim. As  chamadas protopenas surgiram como estruturas simples e rígidas, provavelmente utilizadas como adorno corporal e, posteriormente, evoluíram em mais de 16 tipos diferentes, usadas para diversas funções. Não se sabe em que momento ou em que linhagem de dinossauros essas estruturas surgiram, mas no jurássico elas se diversificaram em diversas formas e tamanhos, tendo sido perdidas posteriormente em alguns grupos. Dentro dos ‎Saurischia (grupo mais basal de dinossauros que incluem os carnívoros e os sauropodes), os da subordem Theropoda são os que inegavelmente possuíam penas. Os terópodes do início do jurássico, que tiveram sua pele fossilizada, apresentavam escamas rígidas e, em poucos casos, protopenas chamadas “quills” (estágio 1 da figura abaixo), mas a variedade e a complexidade das penas foi aumentando ao longo da evolução desse grupo.

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Evolução dos diferentes tipos de penas básicos de dinossauros por Emily Willoughby

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Acima: Protopenas em terópode basal por Bob Nicholls                           Abaixo: Evidências de penas complexas e asas não funcionais em fóssil de Serikornis, terópode do fim do Jurássico por Emily Willughby

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Um novo grupo de dinossauros também surgiu nesse período, denominado Ornithischia, que possuíam modificações estruturais em seus ossos da púbis, possibilitando um maior espaço para seu sistema digestivo. Isso possibilitou o surgimento de animais herbívoros com longos intestinos e sistemas de fermentação complexos, que se diversificaram em diversas formas corporais, além das mais conhecidas pelo público geral, como os Estegossauros, Ankylossauros e, ao final do Jurássico, os primeiros Ceratopsianos. Dentre esses novos herbívoros, alguns grupos também possuíam protopenas, mas essas estruturas podem ou não ter evoluído de forma independente nos dois grupos.

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Cladograma tradicional da evolução dos dinossauros

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Representação de Kulindadromeus zabaikalicus, ornitópode basal que possuia penas

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Mymoorapelta mays, anquilossauro do Jurássico por Jack Wood

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Representação de um Stegosaurus lutando contra um Allosaurus pelo estúdio 252mya

Ainda durante o Jurássico, os Saurischia cresceram de forma considerável em comparação ao Triássico. Os saurópodes adquiriram tamanhos de até 20 metros de comprimento, enquanto os grandes terópodes da época atingiam até 10 metros de comprimento.

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Terópodes perseguindo grande Saurópode – Artista: Douglas Henderson

Na sombra desses gigantes surgiriam dois grupos que mudariam o planeta completamente durante o Cenozoico. Primeiramente, ancestrais terapsídeos originaram um grupo de pequenos animais noturnos com cuidado parental desenvolvido e capazes de produzir leite, que são popularmente conhecidos como mamíferos. Nos próximos milhões de anos, eles adquiriram adaptações para nadar, escalar ou planar, mas sempre mantendo seu tamanho reduzido.

A typical Jurassic ecosystem with docodonts, a group of now-extinct early mammals. Image Credit: April Neander
Diversidade de mamíferos primitivos do Jurássico por April Neander

Indo contra a tendência de seus parentes próximos, um grupo de terópodes foi gradualmente diminuindo de tamanho ao longo do Jurássico. Um grupo conhecido como Cuelurosauria, que futuramente também daria origem aos Tiranossauros e aos Dromaeossauros, diversificou-se em um grupo de pequenos dinossauros bípedes com penas complexas e que viviam em densas florestas. Ao longo de milhões de anos, esses animais adquiriram a capacidade de voo, originando, assim, as primeiras aves, que dividiam o céu com uma enorme variedade de pterossauros.

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Fóssil do Archeopteryx (acima) e representação gráfica (abaixo) por Emily Willoughby

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Fossilização de um Microraptor, espécie de dinossauro ancestral das aves que possuía quatro asas e era capaz de voar ativamente – David Silvas

Os mares, por sua vez, eram ainda dominados pelos Ichtyossauros, que agora compartilhavam seu território com Pliossauros e, posteriormente, também com os Plesiossauros, grandes répteis marinhos carnívoros. Além disso, um grupo de moluscos, denominados Amonitas, diversificou-se significativamente, se espalhando por todos os oceanos.

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Ichtyossauros, Plesiossauros e Amonitas dividiram o mar aberto por milhões de anos. Imagem por Dustdevil

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Pliossauros viviam próximos de ambientes costeiros e surgiram na mesma época que as primeiras grandes florestas de Kelpie  – Imagem por Nikolay Zverkov

Cretáceo – 145 até 65 milhões de anos atrás

 O período Cretáceo foi marcado por inúmeras mudanças na superfície de nosso planeta. Enquanto no Jurássico o planeta estava dividido em dois grandes continentes (Laurásia ao norte e Gondwana ao Sul), ao longo do Cretáceo os continentes adquiriram formas e posições similares ao que estão hoje. Isso ocasionou grandes alterações na biodiversidade do planeta, com episódios de especiação em locais isolados.

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Mapa da Terra durante o Jurássico – Por C. R. Scotese

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Mapa da Terra no Período Cretáceo – Fonte desconhecida

Os ancestrais dos ceratopsianos, assim como os animais do clado Pachycephalosauria,  surgiram na Laurásia e, por isso, estavam presentes apenas no Hemisfério Norte durante o Cretáceo, adquirindo uma grande variedade de formas e tamanhos durante esse período.

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Diferentes espécies de Ceratopsianos – Por Julio Lacerda

Nos mares, os Ichtyossauros foram extintos no início do período, o que abriu espaço para que um grupo de lagartos, parentes dos monitores e do dragão-de-komodo, migrassem para a água. Esses animais, conhecidos como Mosassauros, cresceram, adquiriram muitas adaptações para a vida na água e se tornaram os maiores predadores da época. Sua origem extinguiu uma enorme variedade de crocodilos exclusivamente marinhos, como os Metriorhynchus, o que possibilitou que as tartarugas, que haviam surgido no Triássico, pudessem se diversificar nos oceanos.

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Evolução dos Mosassauros por Julio Lacerda

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Mosassaurus sp. caçando um pliossauro – Por Henry Sharpe

Dentre os terópodes, os Dromaeossauros eram os mais bem sucedidos, espalhando-se por todo o mundo e atuando como carniceiros e predadores de topo em algumas regiões. A presença de penas nesses animais demonstra uma enorme interação intra-específica, o que indica a inteligência desses animais. Grupos como os Tiranossauros e Spinossaurideos também surgiram na época no hemisfério Norte e Sul, respectivamente, tornando-se os maiores carnívoros terrestres desses locais.

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O Velociraptor mongoliensis, uma das estrelas da franquia Jurassic Park, era um animal pequeno e emplumado – Imagem por Chris Masna

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Dakotaraptor por Fred the Dinosaurman

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Ancestrais do Tyrannosaurus rex eram completamente cobertos de penas, o que indica que provavelmente esses animais possuíam algum tipo de adorno de penas em seu corpo – Por Gabriel Ugeto

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Reconstrução de um Spinossaurídeo da Bacia do Araripe (Brasil) por Julio Lacerda

Os saurópodes atingiram tamanhos descomunais nesse período, sobretudo na América do Sul, tornando-se os maiores animais que já caminharam no planeta. Algumas espécies, como o recém nomeado Patagotitan, atingiam até 33 metros de comprimento (40 metros em algumas estimativas).

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Escala de tamanho do Patagotitan feita para o  American Museum of Natural History

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Maior animal terrestre da história – Patagotitan mayorum por Román Garcia Mora

Nesse período, as aves se diversificaram em vários grupos voadores e aquáticos, mas os pterossauros eram o grupo mais diverso, com animais de poucos centímetros até o enorme Quetzalcoatlus, com 5 metros de altura e uma envergadura de 11 metros de comprimento.

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Diversidade de Pterossauros em artigo de Longrich et. al. (acima) e por Julio Lacerda (abaixo)

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Um pequeno grupo de lagartos da época foi, progressivamente, perdendo suas pernas e adquirindo características que facilitavam a vida em um ambiente subterrâneo, originando, futuramente, as primeiras serpentes.

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Najash rionegrina, cobra com pernas do Cretáceo por Franz Anthony

Por fim, um grupo de plantas espermatófitas adquiriram características únicas nesse período, que moldariam a evolução de inúmeras espécies de animais e alterariam todos os ecossistemas da Terra. Surgiram, assim, as primeiras angiospermas, plantas com flores que atraíam animais para auxiliar em sua polinização através de estruturas coloridas ou de um néctar açucarado. As primeiras flores eram estruturas simples, muito diferentes das que conhecemos hoje, mas, no fim do Cretáceo, árvores com flores e uma enorme variedade de insetos polinizadores, como abelhas e borboletas, haviam surgido.

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Pachycephalosaurus e árvore florida – Por Julio Lacerda

No fim do Cretáceo, as três principais linhagens de mamíferos atuais (Monotremados, Marsupiais e Placentários) já existiam, mas seu papel será contado no próximo capítulo de nossa história.

Embora os dinossauros tenham sido um dos animais terrestres mais abundantes do Cretáceo, sua diversidade diminuiu de forma significativa até o final do período. As mudanças tectônicas ocorridas na época ocasionaram grandes emissões de gases vulcânicos na atmosfera que, aliados a um aquecimento global, extinguiram um grande número de espécies. Entretanto, um meteoro com mais de 10 quilômetros de diâmetro se chocou com o planeta, 65 milhões de anos atrás. Esse desastre fez com que todos os animais em um raio de milhares de quilômetros morressem e que uma nuvem de poeira cobrisse todo o planeta por cerca de dois anos. Essa escuridão fez com que a maior parte das plantas e algas não conseguissem realizar fotossíntese e morressem, o que destruiu todas as cadeias alimentares dos oceanos e da terra firme, matando os animais grandes do planeta em sua totalidade.

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Impacto do meteoro no chamado Evento K-T – Por Julius Csotonyi

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Nuvem de poeira impediu que a luz solar chegasse às plantas por cerca de dois anos

Todos os pterossauros, mosassauros, amonitas e plesiossauros morreram, deixando o planeta apenas para os pequenos animais. Os mamíferos herdaram um planeta muito diferente daquele em que evoluíram, e puderam ocupar novos nichos e crescer de tamanho como nunca antes. Quanto aos dinossauros, uma linhagem sobreviveu, e se tornou o pior inimigo dos mamíferos nos milhões de anos seguintes, mas essa é uma história para o nosso próximo capítulo. Novamente, a vida sobreviveu e evoluiu até formas que possibilitariam uma nova espécie que mudaria toda a biosfera: O Ser Humano.

 

 

Referências

Canais do youtube Eons e SciShow

Documentário Walking With Dinosaurs da BBC

Site Earth Archives

Artigos:

Late Maastrichtian pterosaurs from North Africa and mass extinction of Pterosauria at the Cretaceous-Paleogene boundary por Longrich N. R. et. al.

A New Aetosaur (Archosauria, Suchia) from the Upper Triassic Pekin Formation, Deep River Basin, North Carolina, U.S.A., and Its Implications for Early Aetosaur Evolution por Heckert A. B. et. al.

 

A Teoria de Tudo que está Vivo – Parte I – Do gênesis ao apocalipse

Prólogo

A Terra é um planeta com cerca de 4,6 bilhões de anos de idade, que passou 560 milhões de anos como qualquer outro planeta do novo do Sistema Solar, com uma superfície quente e escaldante e sem uma atmosfera complexa. Com o passar do tempo, sua superfície resfriou e a crosta terrestre foi formada, mantendo o magma em seu interior. A atmosfera era composta, principalmente, por metano, dióxido de carbono, amônia, hidrogênio e vapor d’água que, posteriormente, formaria os mares e oceanos. Esse planeta sem oxigênio e sem uma camada de ozônio seria, muito em breve, alterado por um componente único, que mudaria sua atmosfera, clima, geologia e sua história: a vida. Sua origem, juntamente com os primeiros 4 bilhões de anos de sua história, foram marcados por mudanças extremas em nosso planeta, com eventos de glaciação globais, movimentos tectônicos e extinções em massa, com a biota formada apenas por organismos unicelulares (devido à sua complexidade, esse tema será tratado em uma postagem futura). O surgimento de organismos pluricelulares será o marco que dará  início a essa série de textos, focados na história da vida complexa do nosso planeta, e que nos mostrará como e por que estamos aqui.

Na primeira parte dessa jornada, embarque para o Paleozoico, a era que se inicia com uma explosão de vida e termina com quase sua extinção.

Nota do autor: Embora para facilitar o entendimento do texto sejam utilizados termos como “aparecem”, “surgem” ou “evoluem por causa disso”, a evolução é um processo complexo que demora milhões de anos para acontecer. Um organismo não surge a partir de outro para realizar determinada tarefa ou porque as condições não estavam adequadas e ele teve que se modificar. A evolução é um processo complexo e, muitas vezes, surpreendentemente aleatório, no qual uma pequena mutação genética pode ocasionar em uma mudança fenotípica do organismo, o que pode ou não conferir uma vantagem. Os organismos mais adaptados ao ambiente, após milhões de anos de acúmulo de pequenas mutações, irão sobreviver, enquanto aqueles que não conseguirem lidar  com as mudanças ambientais serão extintos. 

Pré-Cambriano – 4,6 bilhões a 542 milhões de anos atrás

Pré-Cambriano é o nome genérico para toda a escala de tempo no planeta anterior ao período Cambriano. Durante essas eras geológicas, pouco mudou do ponto de vista da complexidade dos organismos. Grandes avanços como o surgimento da fotossíntese e da célula eucariótica possibilitaram booms de diversidade, mas as evidências de organismos multicelulares desse período são escassas. No final do Pré-Cambriano, após milhões de anos de ciclos de glaciação que congelaram nosso planeta completamente, iniciou-se o Período Ediacariano (de 635 a 542 milhões de anos atrás), época em que poderiam ser encontrados organismos como esponjas e cnidários, assim como diversos tipos de algas. Animais pertencentes à chamada “Biota de Ediacara”, seres tubulares, bentônicos (vivendo no solo marinho) e majoritariamente sésseis (imóveis), apareceram nesse período e ocuparam diversas regiões oceânicas.

Resultado de imagem para ediacaran biota 252myaApesar de possuírem algumas características que indicam seu parentesco com os organismos bilaterais, que veremos mais a frente, esses organismos são diferentes de tudo aquilo que conhecemos,  por possuírem um crescimento fractal complexo em algumas espécies e simetria trilateral em outras. Alimentavam-se, assim como esponjas e águas-vivas primitivas, filtrando a água a seu redor, não precisando sair do lugar.

Pteridinium (esquerda) e Tribrachidium (direita), por Franz Anthony

Ainda pouco se sabe sobre esses animais, mas esses organismos apareceram repentinamente no registro fóssil, e assim também sumiram. Acredita-se que seu desaparecimento está relacionado com o surgimento de organismos de movimentação rápida e capazes de realizar predação ativa, no início da era Paleozoica. A partir da origem da predação, a vida nunca mais seria a mesma.

Cambriano – 542 milhões a  488 milhões de anos atrás

Poucos milhões de anos antes do Cambriano, grandes florações de algas nos oceanos elevaram o oxigênio na atmosfera de 8% para 12,5% (63% do nível atual). Isso fez com que esse gás, essencial para metabolismos elevados, se dissolvesse no oceano, o que permitiu o aparecimento da predação ativa. O surgimento dessa nova técnica alimentar permitiu que organismos se movessem em busca de presas que, consequentemente, se  tornaram mais rápidas.

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Anomalocaris (Dinocaridida), maior predador do Cambriano. Embora não fosse muito grande para padrões atuais, era bem maior que outros animais contemporâneos.

Mudanças repentinas na química dos oceanos, como o aumento de carbonato de cálcio, causadas pela erosão, possibilitaram que esses organismos desenvolvessem novas proteções feitas de materiais inorgânicos, como conchas e, posteriormente, carapaças.

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Predadores e presas interagiam nos primeiros ecossistemas complexos da Terra

Essa corrida armamentista, que durou cerca de 80 milhões de anos, deu origem a animais das mais variadas formas e tamanhos e, como resultado, criou ecossistemas complexos e ativos.

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Reprodução da biota do Cambriano ( Créditos BBC)

O registro fóssil aponta que, apesar de serem bem diferentes do que estamos acostumados, nessa época surgiu a maioria dos principais filos animais que conhecemos hoje, como os moluscos, artrópodes, cordados e anelídeos.

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Pikaia, o ancestral de todos os cordados viventes, incluindo os vertebrados

Dentre os animais desse período, destacam-se os trilobitas, artrópodes com uma carapaça trilobada. Esses organismos foram, sem dúvida, uma das formas animais mais bem sucedidas da história, que permaneceriam no mundo por milhões e milhões de anos.

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Diversidade de trilobitas durante o Paleozoico

Nesse período surgiram também as primeiras plantas macroscópicas marinhas, embora apenas formas de algas e biofilmes bacterianos cobrissem a terra firme em regiões úmidas.

Ordoviciano – 488 a 443 milhões de anos atrás

O final do Carbonífero e início do Ordoviciano foram marcados por uma queda nas temperaturas globais, seguida por uma redução dos níveis de oxigênio do planeta. Isso ocasionou a extinção dos maiores predadores da época, do táxon Dinocaridida (ver representação do Anomalocaris acima). Esse nicho ecológico foi rapidamente sendo substituído pelos euriptéridos (escorpiões-marinhos), um grupo de artrópodes carnívoros extremamente ágeis, que seriam a chave para a diversificação do próximo período geológico.

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Representação do Megalograptus, um escorpião-marinho do Ordoviciano

Uma grande diversidade de alimentos permitiu o surgimento de novos grupos de moluscos, como filtradores (bivalves), que permaneceriam imóveis no chão, e os caçadores ativos (cefalópodes), que utilizariam suas enormes conchas como forma de flutuação. Esses organismos se tornariam os maiores predadores do oceano, com alguns chegando a 7 metros de comprimento.

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Moluscos gigantes da época – Artista desconhecido

Nessa época surgiram também os primeiros peixes (denominados Ostracodermos), a partir de cordados basais. Esses animais ainda não apresentavam uma mandíbula e possuíam diversos ossos dérmicos, que serviriam como uma proteção contra os predadores.

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Diversidade de peixes do Devoniano

Por fim, surgiram as primeiras plantas terrestres, na forma de briófitas, plantas simples não-vasculares. Esses organismos se adaptaram tão bem ao ambiente terrestre que, em poucos milhões de anos, se espalharam por todo o planeta

 

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Representação de plantas do Ordoviciano – Por Sebastian Meyer

Seu sucesso foi tão grande que, durante o fim do Ordoviciano essas plantas haviam tirado a maior parte do CO2, um gás estufa, da atmosfera, o que fez com que as temperaturas caíssem drasticamente e a primeira grande extinção em massa da Terra ocorresse. Cerca de 86% de todas as espécies do planeta se extinguiram, o que abriu novos nichos ecológicos para uma nova diversidade de organismos.

Siluriano – 443 até 419 milhões de anos atrás

Após a última extinção em massa, os níveis de CO2 cresceram novamente e o planeta gradualmente se aqueceu (até 3°C acima da temperatura média atual). Nessas altas temperaturas, os peixes rapidamente se diversificaram e adquiriram diversas formas de proteção, como espinhos e placas ósseas maiores.

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Ostracodermos do Siluriano

Os escorpiões-marinhos também se diversificaram nesse período, o que gerou uma pressão seletiva extrema nos peixes maiores da época, uma vez que esses artrópodes eram seus predadores e, ao mesmo tempo, competiam com eles por alimentos menores.

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No fim do Siluriano, surgiram os chamados “peixes com mandíbula”, ancestral de todos os peixes ósseos, tubarões e vertebrados terrestres atuais. A presença de uma mandíbula permitia que esses animais mordessem suas presas e manipulassem o seu alimento, incluindo pequenos escorpiões-marinhos.

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Entelognathus, o primeiro peixe mandibulado

O Siluriano também foi marcado pelo aparecimento das primeiras plantas vasculares, o que criou novos ecossistemas na terra e, milhões de anos depois, possibilitou a colonização terrestre por milípedes e anelídeos. Surgiram também nessa época os Prototaxitesfungos de até 8 metros de altura que viviam nesses ambientes antes intocados.

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Devoniano – 419 até 359 milhões de anos atrás

Durante o Devoniano, um enorme processo de diversificação ocorreu, tanto em terra quanto na água. Nesse período, surgiram os primeiros tubarões e os primeiros Placodermos verdadeiros, um grupo de peixes com placas ósseas que cobriam sua pele. Esses animais se tornaram os maiores predadores dos oceanos, uma vez que seus dentes ósseos e sua mandíbula articulada poderiam matar até mesmo os maiores escorpiões-marinhos da época.

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Dunkleosteus, o maior placodermo carnívoro da história, com até 10 metros

Na terra, surgiram as primeiras pteridófitas, grupo que inclui as samambaias e, posteriormente, as primeiras plantas capazes de produzir lignina, uma substância química que será de extrema importância para o próximo período geológico. Essas eram, portanto, as primeiras árvores verdadeiras, que possuíam um tronco composto de madeira que, até aquele momento, nenhum organismo era capaz de deteriorar. Essas árvores, denominadas de Lepidodendron, espalharam-se pela terra e formaram as primeiras grandes florestas. Esses ambientes possibilitaram o surgimento de novos organismos terrestres, como os primeiros insetos, e a migração de artrópodes aquáticos para a terra, como os aracnídeos.

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Pintura representando as primeiras florestas do Devoniano

Um novo grupo de peixes surgiu durante o Devoniano, conhecidos popularmente como “peixes-de-nadadeiras-lobadas”. Esses animais viviam em águas rasas, longe dos territórios de caça dos placodermi. Cerca de 380 milhões de anos atrás, um grupo desses peixes se diversificou em organismos que conseguiam respirar fora da água por longos períodos de tempo, surgindo, assim, os primeiros ancestrais diretos dos anfíbios, como o Tiktaalik e o Acanthostega. Essa transição possibilitou o surgimento de diversos novos tipos de interações ecológicas e de novas formas de vida, o que moldaria nosso planeta para sempre.

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Tiktaalik (topo) e Acanthostega, os “elos perdidos” entre peixes e anfíbios – Segunda arte por  Hakon Lystad

Entretanto, durante o fim do Devoniano, ocorreu a terceira grande extinção em massa do nosso planeta, ocasionada pela queda da concentração de oxigênio e por mudanças no nível dos oceanos. Aproximadamente 70% das espécies viventes foram extintas, incluindo todos os Placodermi e diversos grupos de trilobitas.

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Os Placodermi foram um dos grupos extintos durante o fim do Devoniano – Arte por Konstantin Korobov

Carbonífero – 359 até 299 milhões de anos atrás

O carbonífero é, sem dúvida, um período único na história do nosso planeta, diferente de tudo aquilo que conhecemos. A grande quantidade de florestas proporcionou uma enorme umidade ao planeta, juntamente com uma concentração de oxigênio na atmosfera de 32.5%, ou seja, 163% da quantidade atual, o que favoreceu significativamente os tetrapodas basais da época. Esses anfíbios primitivos se dividiram em duas grandes linhagens, conhecidas como Batracomorpha, mais dependentes da água, que dariam origem aos anfíbios atuais, e os Reptiliomorpha, que comentaremos a seguir.

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Eryops, anfíbio gigante do Carbonífero

As grandes taxas de oxigênio permitiram que os artrópodes, que necessitam que esse gás entre ativamente em seu corpo para oxigenar seus tecidos, crescessem muito. Pela primeira vez desde o  ordoviciano,  eles se tornaram os maiores animais da terra. Libélulas com 75 cm de envergadura e centopeias com 3 metros de comprimento dominavam o ambiente terrestre e atuavam como importantes agentes na cadeia alimentar e como grandes herbívoros, respectivamente.

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Meganeura, maior inseto da história, com 75 cm de envergadura

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Arthropleura, milípede gigante do Carbonífero – Representação feita pela BBC

Ao longo do Carbonífero, os Reptiliomorpha adquiriam algumas adaptações que permitiam que eles vivessem mais longe da água, como uma pele queratinizada e crânios complexos. Surgiram então os primeiros tetrápodes herbívoros e, pouco tempo depois, os amniotas. Esses novos animais conseguiam botar ovos com casca, o que possibilitou a conquista de novos ambientes e uma dependência ainda menor da água. Os amniotas se dividiriam em duas grandes linhagens, os répteis e os sinaptídeos, dois protagonistas de nossa próxima era geológica.

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Hylonomus, o primeiro amniota da história – Arte por Nobu Tamura

Como dito anteriormente, as árvores conhecidas como Lepidodendron possuíam lignina em seu tronco, um composto extremamente resistente. Ao longo de milhões de anos, florestas inteiras surgiam e desapareciam por todo mundo, mas nenhum organismo era capaz de decompor as toneladas de madeira que se acumulavam no solo por todo o mundo. Isso fez com que, anualmente, toneladas de gás carbônico fossem retiradas da atmosfera e não retornassem, acumulando-se no solo e gerando uma era glacial a longo prazo. A maior parte do carvão vegetal do mundo vem de depósitos de 350 milhões de anos de idade, compostos, sobretudo, por toneladas de árvores mortas que se acumularam por milênios no solo. Fungos capazes de decompor madeira só surgiriam no final do Carbonífero, que auxiliariam na limpeza do planeta.

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Essa era do gelo, combinada com movimentos tectônicos que criaram um novo supercontinente, denominado Pangeia, impediam que, ao final do Carbonífero, a umidade dos oceanos chegassem ao centro do continente Isso gerou um colapso global das florestas e criou um enorme deserto, que seria o palco para a diversificação dos Aminiotas, no próximo período.

Permiano – 299 a 250 milhões de anos atrás

O Permiano será, por hora, a última etapa de nossa aventura. A Pangeia era, agora, o único continente de nosso planeta, que se estendia por milhares de quilômetros e era coberta por um grande deserto em sua maior parte. Nesse ambiente, répteis, sinapsídeos e anfíbios adquiriram novas formas e adaptações, variando de poucos centímetros até muitos metros de comprimento. Os répteis eram os coadjuvantes desse período, vivendo majoritariamente em tocas subterrâneas e no topo de árvores e se alimentando de pequenos insetos, que lentamente diminuíam devido à queda do oxigênio atmosférico. Os anfíbios, por sua vez, eram os maiores predadores de rios e lagos, enquanto tubarões e peixes-de-nadadeiras-lobadas circulavam nos oceanos da época.

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Com até 9 metros, o Prionosuchus plummeri foi o maior anfíbio da história e viveu no Nordeste do Brasil, 270 milhões de anos atrás

Em terra, os synapsidas eram os animais dominantes, com representantes herbívoros que viajavam em grandes manadas e carnívoros, como o famoso Dimetrodon.

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Dimetrodon, mais famoso synapsida pré-histórico – Arte por Gabriel Uguetto

Os sinapsídeos tornaram-se os maiores caçadores da época, sobretudo os de um táxon denominado Therapsida, que possuía representantes carnívoros e herbívoros, os ancestrais diretos dos mamíferos.

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Inostrancevia caçando Scutosaurus, grande pararéptil da época

A enorme diversidade de animais na metade final do Permiano era surpreendente, mas não durou muito. No fim desse período, um enorme ciclo de vulcanismo ocorreu na região que hoje corresponderia à Sibéria. Estima-se que uma erupção vulcânica que durou milhares, senão milhões de anos, ocorreu na região, derretendo uma área da crosta terrestre o equivalente a 2/3 do tamanho dos Estados Unidos. Esse evento bombeou toneladas de gases tóxicos na atmosfera e alterou, de forma significativa, o clima em todo planeta, com ciclos de glaciação e aumentos extremos de temperatura , separados apenas por poucos milhões de anos. Além disso, surgiram também bactérias produtoras de metano, que alteraram a composição do ar e dos oceanos da Terra. Chuvas ácidas varreram as plantas terrestres e a temperatura dos oceanos chegou a 40ºC em alguns pontos. Isso gerou um decaimento de todos os ecossistemas do planeta, em uma escala nunca vista antes, que extinguiu 95% de toda a vida nos oceanos, incluindo todos os trilobitas, e 73% da vida em terra firme, matando, sobretudo, diversos grupos de plantas e os grandes terapsídeos. Esse evento, conhecido como “The Great Dying“, foi o mais perto que nosso planeta esteve de um colapso total, e, ainda hoje, não é possível compreender todas as suas causas.

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Representações da extinção do Permiano, que quase extinguiu a vida no planeta – Arte pela incrível equipe do 252MYA.COM

Até aqui, pudemos ver nossas origens, nossa diversificação e, até mesmo, nossa destruição. No fim do Permiano, a biosfera enfrentou o seu maior desafio até hoje, mas ela perdurou e, durante o Mesozoico, ressurgiu em formas mais espetaculares do que nunca. No próximo capítulo de nossa jornada, veremos a criação do voo pelos vertebrados, o surgimento dos mamíferos e o aparecimento dos animais que, acreditem ou não, ainda vivem entre nós: os dinossauros!

 “If there is one thing the history of evolution has taught us it’s that life will not be contained. Life finds a way” – Ian Malcolm, Jurassic Park

“A natureza nos ensinou que a vida não pode ser contida, ela evolui. A vida encontra um meio.”

Referências 

Canais do YouTube – EONS e SCISHOW

Inspirado pelas incríveis artes de Gabriel Ugueto  e da equipe do estúdio 252mya

 

7 consequências da paralisação no transporte

 

Muitas pessoas não imaginam como o transporte influencia na economia do país e do mundo. O que pode acontecer se os caminhões param de rodar?

1 –  Lojas de mantimentos

As feiras, mercados e supermercados ficarão sem alimentos perecíveis em até quatro dias.

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2 – Bancos

Os caixas eletrônicos do país ficarão sem dinheiro vivo para saque em apenas dois dias.

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3 – Hospitais

Hospitais e farmácias ficarão sem remédios e suprimentos, como o oxigênio, em apenas  três dias.

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4 – Lixo

Os resíduos sólidos diários se tornarão um problema de saúde pública em menos de duas semanas.

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5 – Água

Sem a entrega dos suprimentos vitais para limpeza da água, necessários para o funcionamento de uma Estação de Tratamento de água e purificação, logo a distribuição de água potável e a obtenção de água limpa da torneira serão prejudicadas.

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6 – Combustíveis

A maioria dos postos de gasolina estará sem combustível  em apenas uma semana após o término do fornecimento e muitos acabarão com seu estoque em apenas um dia.

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7 – Compras

Se você estava pensando em adquirir algo pela internet ou fazer compras no shopping pode esquecer. Você não conseguirá comprar roupas, sapatos ou eletrônicos em até três meses após o fim dos transportes rodoviários.

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Nas primeiras 24 horas …

  • A entrega de suprimentos médicos para a área afetada cessará.
  • Os hospitais ficarão sem suprimentos necessários.
  • As estações de serviço começarão a ficar sem combustível.
  • Os fabricantes que utilizam manufatura just-in-time desenvolverão escassez de componentes.
  • Os correios e outros meios de entrega serão suspensos.
  • A disponibilidade e a entrega de combustíveis para automóveis diminuirão, levando a preços exorbitantes e longas filas nas bombas de gasolina.

 

De 2 a 3 dias …

  • A escassez de alimentos aumentará, especialmente em face do desespero de consumidores e do pânico.
  • Suprimentos essenciais como água engarrafada, leite em pó e carne enlatada que são comercializadas nos principais varejistas começarão a desaparecer.
  • Os caixas eletrônicos ficarão sem dinheiro e os bancos não poderão processar as transações.
  • Estações de serviço ficarão completamente sem combustível.
  • O lixo vai começar a se acumular nas áreas urbanas e suburbanas.
  • Navios porta-contêineres ficarão inativos nos portos e o transporte ferroviário será interrompido, eventualmente chegando a um impasse.

 

Em uma semana …

  • O transporte individual de automóveis cessará devido à falta de combustível.
  • Os hospitais começarão a esgotar o suprimento de oxigênio.

 

Em duas semanas…

  • O fornecimento de água limpa começará a entrar em colapso.

 

Em um mês …

  • O abastecimento de água limpa do país estará esgotado.  

 

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Como se pode ver, se a paralisação dos caminhões continuar, haverá um efeito dominó severo. Caminhões são a força vital de muitas indústrias, entregando os bens e suprimentos que precisamos para sobreviver. A gigante do petróleo, a Petrobras, perdeu 5,8% de seu valor nas primeiras negociações de ações da empresa no momento em que o país entra no quarto dia de uma série de greves que está causando um grande impacto na economia.

Os motoristas de caminhões estão tentando combater os altos preços do diesel, causados ​​pelo recente aumento nos mercados globais e pela desvalorização da moeda brasileira. Há interrupções nos serviços de ônibus nas principais cidades do país – como o Rio de Janeiro e São Paulo – e alguns lugares já estão enfrentando escassez de alimentos e de combustíveis. Os aeroportos receberam combustível de aviação durante a noite, mas os estoques devem acabar hoje se essa paralisações continuarem.

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A Petrobras e o governo estão no coração da crise, pois são eles que determinam o preço do combustível no Brasil. Foi proposto um corte temporário de 10% nos preços do diesel, mas a oferta não conseguiu pôr fim aos protestos. Analistas dizem que os investidores vêem a oferta da Petrobras como uma intervenção do mercado nos preços, o que causou grandes prejuízos à empresa no passado recente.

 Os caminhoneiros estão exigindo uma nova política de preços que reduzirá o custo do diesel. Eles estão bloqueando estradas na maioria dos estados do Brasil, impedindo que mercadorias e suprimentos cheguem ao seu destino. Os caminhões respondem por mais de 60% das mercadorias transportadas no Brasil.

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Até quando o governo vai esperar para que toda a nação entre em colapso? Temos que ser solidários à causa e mostrar aos nossos representantes que é o povo brasileiro que move o Brasil.

Fonte:

Artigos

  • “Truck Transportation & the World Economy” do RL Carrier Sinc; 
  • “Transportation Data Source” da empresa TDS. 

Rios Voadores e Tempestades de Areia

Muitos dizem que a Amazônia é o pulmão do mundo, mas essa informação pode não estar tão correta quanto você imagina. Porém, mesmo desmitificando algumas ideias, esse texto se propõe a mostrar a harmonia extraordinária que existe na natureza.

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Ciclo Hidrológico

Fazendo uma analogia com o corpo humano, a água é para a natureza como um sangue que leva nutrientes essenciais ao resto dos órgãos, trazendo de volta um fluido já utilizado para ser renovado. Na Amazônia ocorrem coisas muito semelhantes e é conveniente ressaltar o poder desses processos para a vida. A evapotranspiração na Amazônia é de extrema importância para o clima global, já que muitas das correntes de umidade começam ali.

À primeira vista, alguns fenômenos da natureza não nos parecem muito lógicos porque não conseguimos vê-los. É o caso dos Rios Voadores que, apesar de não conseguirmos vê-los ou tocá-los, eles estão lá. Não é mágica. É apenas a natureza cumprindo o seu trabalho. As árvores presentes na Amazônia transferem tanta água do solo para a atmosfera que esse evento é visto até mesmo do espaço. Há aproximadamente 600 bilhões de árvores na região, que utilizam a luz do sol para fazer tal transferência de forma singela e delicada. Uma só árvore de grande porte consegue jogar para a atmosfera 1000 litros de água por dia somente a partir de sua transpiração. Se fizermos o cálculo correto e somarmos toda a área da Amazônia multiplicado pela quantidade de água que é transmitida ao ar pela vegetação, o suor da floresta, chegaríamos ao número extraordinário de 20 bilhões de toneladas de água em um único dia.