Guerra à Ciência – Parte III – Aquecimento Global e seus opositores

Nos dias atuais, notamos uma grande quantidade de céticos que não acreditam que o aquecimento global esteja se intensificando devido às ações antrópicas. Muitas pessoas nos Estados Unidos – uma porcentagem bem maior que em outros países – mantêm incredulidade sobre esse consenso ou acreditam que os ativistas do clima estão usando a ameaça do aquecimento global para atacar o livre comércio e a sociedade industrial em geral.

vidar-nordli-mathisen-1518592-unsplash
Foto de Vidar Nordli-Mathisen

Para alguns descrentes da mudança climática, o fato de que alguns cientistas na década de 1970 estavam preocupados com a possibilidade de uma era do gelo próxima é suficiente para invalidar a preocupação com o aquecimento global agora. O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que consiste em centenas de cientistas operando sob os auspícios das Nações Unidas, divulgou seu quinto relatório nos últimos 25 anos. Este repetiu, mais alto e mais claro do que nunca, o consenso dos cientistas do mundo: a temperatura da superfície do planeta subiu cerca de 1,5 graus Celsius nos últimos 130 anos e as ações humanas, incluindo a queima de combustíveis fósseis, são muito provavelmente a principal causa do aquecimento desde meados do século XX.

Alguns ativistas ambientais querem que os cientistas, além de desempenhar seus papéis nas universidades, se envolvam mais nas batalhas políticas. Qualquer cientista que vá por esse caminho precisa fazer isso com cuidado, diz Liz Neeley. Segundo ela, “essa linha entre comunicação científica e advocacia é muito difícil de se afastar”. No debate sobre a mudança climática, a alegação central dos céticos é a de que a ciência é politicamente tingida, impulsionada pelo ativismo ambiental e não por dados concretos, ao dizer que o aquecimento é uma ameaça séria e real. Isso não é verdade e calunia os cientistas honestos, mas torna-se mais plausível a olhos desconfiados se os cientistas forem além de sua perícia profissional e começarem a defender políticas específicas.

harrison-moore-1450269-unsplash
Foto de Harrison Moore

No debate sobre o clima, as consequências da dúvida provavelmente são globais e duradouras. Muitos céticos da mudança climática alcançam seu objetivo fundamental de deter a ação legislativa de combate ao aquecimento global. Eles não precisam ganhar o debate por meio de méritos, apenas influenciar a sala o suficiente para impedir que as leis que regem as emissões de gases do efeito estufa sejam aprovadas.

O que motiva a negação?

Há algo, que está em jogo a nível subconsciente, que nos permite desconsiderar as grandes evidências que estão à nossa frente, tais quais as de que o aquecimento global é real. Mesmo havendo consenso de que a mudança climática está ocorrendo e de que os humanos a estão exacerbando, ainda há pessoas, incluindo políticos, que se recusam a reconhecer as evidências.

Nós temos que mudar a maneira como falamos de alterações climáticas. A psicologia diz que os sentimentos gerados ao falarmos sobre o assunto são culpa e medo, ao invés de comprometimento. O que se observa é exatamente o oposto do engajamento; quando sentimos algo ruim, é normal que nos afastemos do problema para nos aproximarmos de algo que nos faça sentir melhor. Muitos pensam que outras pessoas devem lidar com isso, e não eles mesmos. Grande parte das pessoas enxerga o aquecimento global como uma mudança distante que acontecerá daqui há muito tempo. Além disso, os gases de efeito estufa, causa fundamental do problema, são invisíveis aos nossos olhos.

ekaterina-sazonova-1310803-unsplash
Foto de Ekaterina Sazonova

“Uma grande parte duvida não pela experiência, e sim pela motivação”, disse Paul Thagard, professor emérito do Departamento de Filosofia da Universidade de Waterloo, especializado em ciência cognitiva. “Os psicólogos falam muito sobre ‘inferência motivada’ que se dá quando as pessoas têm motivações fortes, são muito seletivas no tipo de evidência em que acreditam”. Por exemplo, aquelas pessoas cuja subsistência depende da indústria petrolífera podem temer que a mudança climática ameace seus empregos. Outros podem recear que o governo tire dinheiro de seus bolsos na forma de gastos públicos em esforços de mitigação de carbono.

10 Principais argumentos utilizados pelos céticos e porque eles podem ser refutados:

  • O clima já mudou antes: Sim, o clima reage a qualquer força que o faça mudar; os seres humanos são atualmente a força dominante. 
  • O sol é o causador da mudança climática:
    Nos últimos 35 anos, o sol mostrou uma tendência de arrefecimento. No entanto, as temperaturas globais continuam a aumentar. Se a energia do sol está diminuindo enquanto a Terra está aquecendo, então o sol não pode ser o responsável por essa alteração da temperatura.TvsTSI.png
  • Não há consenso entre cientistas:
    A teoria de que os seres humanos estão causando o aquecimento global é defendida por Academias de Ciências de 80 países, além de muitas organizações que estudam a ciência do clima. Mais especificamente, cerca de 95% dos pesquisadores do clima que publicam ativamente artigos sobre o assunto endossam a posição de consenso.
  • O planeta está esfriando:
    A última década, de 2000 a 2009, foi a mais quente já registrada.
  • Estamos indo para uma nova era do gelo:
    Devemos nos preocupar mais com os impactos do aquecimento global nos próximos 100 anos, e não com era do gelo, que não ocorrerá até os próximos 10.000 anos.

Temperature_Interglacials.gif

  • O CO2 gerado por ação humana é uma pequena porcentagem de emissões de CO2:
    O ciclo natural adiciona e remove CO2 na Terra de forma natural, mantendo um equilíbrio. Enquanto isso, nós humanos adicionamos CO2 extra sem remover na mesma proporção.
  • É um ciclo natural:
    Nenhuma força natural conhecida é capaz de gerar as mudanças abruptas do aquecimento observado, exceto os gases de efeito estufa.
  • Cientistas do clima fazem isso pelo dinheiro: 
    Os cientistas do clima poderiam ganhar muito mais dinheiro em outras carreiras, principalmente trabalhando para a indústria do petróleo.
  • Vulcões emitem mais CO2 do que humanos:
    Os vulcões emitem em torno de 0,3 bilhões de toneladas de CO2 por ano. Isso representa cerca de 1% das emissões humanas de CO2, que são de aproximadamente 29 bilhões de toneladas por ano.
  • É uma variabilidade interna e normal: 
    A variabilidade interna só pode levar em conta uma mudança na temperatura média global do ar de aproximadamente 0,3° C em períodos de várias décadas, e estudos científicos mostraram consistentemente que ela não pode explicar mais do que uma pequena fração do aquecimento global no século passado.

 

 

Leia também:

O planeta está aquecendo ou resfriando?

NÃO queremos salvar o Planeta!

Buraco na Camada de Ozônio: foi apenas uma modinha?

Como as áreas alagadas podem influenciar na mudança climática

5 curiosidades e 30 fatos sobre mudança climática que você precisa saber

 

 

 

Referências

 “The psychology of climate change: Why people deny the evidence” ;

“Why Do Many Reasonable People Doubt Science”;

Site Skeptical Science 

Um comentário em “Guerra à Ciência – Parte III – Aquecimento Global e seus opositores

  1. Pingback: O Impacto Por Trás das Manchetes: Como as mudanças climáticas já estão afetando a vida no planeta – TUNES AMBIENTAL

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: