Minimalismo e o Ambientalismo: movimentos que andam lado a lado

Você já se perguntou sobre a história do minimalismo e o que o minimalismo, como estilo de vida, realmente significa? É provável que você tenha ouvido falar sobre isso, mesmo que você não pratique. Há uma história interessante sobre a prática do minimalismo que, além de trazer às pessoas uma vida mais plena e feliz, ajuda o meio ambiente.

O que é o minimalismo como estilo de vida?

O minimalismo moderno é uma prática de consciência e intenções em relação a seus pertences, tempo e energia. Algumas pessoas erroneamente tentam usar a palavra da mesma forma que você faria para o design minimalista, que seria “caracterizado pela extrema escassez”. Minimalismo é uma prática porque é feito de forma consciente e consistente. Não existem regras ou padrões para definir um minimalista. O objetivo não é atingir a perfeição ou um estado obsessivo. É priorizar e viver de uma maneira que pareça completa e autêntica.

Minimalistas colocam ênfase nos pertences porque acreditam que os ambientes em que moram e o que consomem afetam grandemente todos os outros aspectos de suas vidas. Todos os nossos pertences exigem algo de nós, seja nosso tempo, nosso foco, nossa energia. Com o minimalismo, há um foco maior naquilo que realmente importa, praticando a consciência dos pertences que possuímos e de como eles nos afetam. A diminuição é na quantidade, focando na qualidade.

É uma mudança de mentalidade

Minimalismo é uma mudança de mentalidade como qualquer outra área de melhoria focada. Quando você decide ficar saudável, por exemplo, você precisa mudar sua mentalidade sobre comida e exercício. Como o minimalismo tem uma forte ênfase na priorização, ele naturalmente continua em outras áreas de sua vida. Então, enquanto você pode começar por organizar sua casa, você acaba também agilizando sua agenda e priorizando seus relacionamentos. Ao invés de comprar aquilo que você já possui, o minimalismo é focado em coisas duráveis e de qualidade que serão úteis por muito mais tempo. Sua mente começa a filtrar as coisas de maneira diferente por meio de uma prática construída sobre o que realmente importa.

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História do Minimalismo

Se você está procurando por algumas origens distantes do minimalismo, pode realmente encontrar menções ao longo da história. Muitos grupos religiosos, do budismo ao cristianismo, têm alguma menção de renunciar posses para ganhar foco espiritual ou sabedoria. Alguns exemplos mais extremos incluem monges budistas e freiras católicas. Isso apenas lhe dá uma ideia de até onde os princípios da redução de pertences podem contribuir para o ganho em áreas de maior importância.

Agora, se você procurar uma definição de minimalismo em um dicionário oficial provavelmente não encontrará o que procura. Isso porque, até muito recentemente, a palavra minimalismo não era usada para definir um estilo de vida. De fato, originalmente não tinha nada a ver com desordem ou pertences. O termo minimalismo tornou-se popular nos anos 50 e 60 para tendências simplistas, primeiro na música e depois na arte e no design. As ideias eram as mesmas, para remover tudo, exceto o instrumento ou as peças de design.

À medida que o minimalismo se tornou popular no design e na arquitetura das casas, as pessoas começaram a perceber os aspectos visualmente atraentes do minimalismo para si mesmos. Mas isso foi apenas o começo.

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Arquitetura Minimalista

Minimalismo é um movimento em direção à simplicidade e longe do consumismo.

Minimalismo e sua relação com o meio ambiente

O consumismo como conhecemos se iniciou na Revolução Industrial. Foi quando mudamos de produtos artesanais para produtos industrializados e começamos a produzir em massa. A produção em massa levou à superprodução.

Naomi Klein, em seu livro This Changes Everything, diz que “a verdade é que, se quisermos viver dentro dos limites ecológicos, precisaremos retornar um estilo de vida semelhante ao que tivemos nos anos 70, antes que os níveis de consumo enlouquecessem nos anos 80 ” Até mesmo o papa Francisco, em sua encíclica, culpou a “cultura do consumismo” pela mudança climática.

A fast fashion, por exemplo, cresceu como uma indústria por causa do consumo excessivo. De acordo com um artigo de Sarah Ripper, da Uplift, as pessoas estão comprando 400% mais roupas do que há 20 anos, e os impactos ambientais são surpreendentes. Em 2014, verificou-se que 85% dos materiais produzidos pelo homem encontrados nas margens dos oceanos eram de microfibras, materiais sintéticos usados ​​em roupas. Além disso, para produzir a demanda de 2 bilhões de jeans por ano são necessários 7.000 litros de água para cada peça. Com tudo isso em mente, é hora de as pessoas adotarem um estilo de vida mais simples e consumirem menos.

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O minimalismo é apenas para os privilegiados?

O minimalismo, no entanto, gera alguns debates sobre a tendência dessa prática ser apenas para os privilegiados e para aquelas pessoas que possuem acesso ao conhecimento. Um artigo de Kyle Chaka, publicado no New York Times, discute como a tendência atual sobre o minimalismo se baseia em “capital social, uma rede de segurança e acesso à internet”. Além disso, o artigo considera o minimalismo de hoje como “arrogante” e que ele apenas nos faz consumir “mais de menos”. Porém, segundo pesquisa do IBOPE, as Classes A e B representam 53% do potencial de consumo no Brasil. Dessa forma, mesmo que a onda minimalista seja de maior acesso elitista, essa prática vai abranger aqueles que mais consomem, reduzindo assim grande parte da geração de resíduos para o meio ambiente.

No mesmo estudo mencionado anteriormente, os pesquisadores descobriram que “o consumismo era muito mais alto nos países ricos do que nos países pobres e que aqueles com as taxas mais altas de consumo tinham até 5,5 vezes o impacto ambiental da média mundial”. Segundo relatório da Christian Aid, 20% da população mundial é responsável por cerca de 80% do consumo de recursos globais e o mundo está consumindo 50% a mais do que é ambientalmente sustentável.

Assim como muitos outros movimentos pelo mundo, é importante lembrar o quanto o minimalismo gera uma melhor qualidade de vida nas pessoas e na redução dos impactos negativos ao meio ambiente. Entender a cadeia produtiva de tudo aquilo que consumimos, desde a sua produção até o destino final, deveria ser uma obrigação de todo cidadão. Sendo assim, parece que hoje em dia muitas pessoas têm encontrado a felicidade em minimizar as coisas que possuem, incorporando o mantra “menos é mais”, onde possuir menos é proporcional à liberdade.

Bem-vindo a um novo mundo no qual, mesmo sendo dedicado ao consumismo e à produção em massa, já existem milhares de pessoas que estão trazendo a mudança e tentando minimizar a pegada destrutiva que os seres humanos vêm deixando no mundo. Haverá um dia em que não poderemos escolher se seremos minimalistas ou não, pois os recursos serão tão escassos que essa prática, que hoje ainda é pouco conhecida, será uma imposição. 

 

 

 

 

 

Referências: 

Climate Tracker

Livro “This Changes Everything”

Artigo “What is the real cost of That Dress?”

Artigo “The Oppressive Gospel of the Minimalism”

Artigo “Consumerism plays a huge role in climate change”

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