Os Mistérios dos Oceanos

Os oceanos formam os maiores biomas de nosso planeta, tendo, portanto, destaque em nossa imaginação. Desde tempos antigos, os mares moldam culturas, cidades e, até mesmo, países, influenciando a culinária, a mitologia, a arquitetura, inclusive as características físicas de determinados povos. Embora eles cubram cerca de 70% da superfície terrestre, conhecemos apenas 5% dos mares e 1% do leito oceânico, segundo dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).

Descubra alguns mistérios e curiosidades sobre esse ambiente de bilhões de anos que possui montanhas, rios, lagos, vulcões, animais brilhantes e criaturas tão grandes que um homem adulto poderia nadar em suas artérias!

Tamanho

Os oceanos cobrem uma área total de 360 milhões de quilômetros, o equivalente a 36 vezes o tamanho dos Estados Unidos ou a 42 vezes o tamanho do Brasil. Possuem um total de 1,3 bilhão de quilômetros cúbicos de água, o que significa que, se fossem colocados apenas sobre o Brasil, se entenderiam por 152,6 metros de altura, ultrapassando até mesmo nossa camada de ozônio!

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Fonte: Wikimedia Commons

Os oceanos possuem uma profundidade média de 3,8 quilômetros. Considerando que a luz é incapaz de ultrapassar profundidades maiores que 1 quilômetro, podemos concluir que a maior parte da superfície do nosso planeta nunca receberá a luz solar e que os maiores ecossistemas de nosso planeta são completamente escuros. A região mais profunda, por sua vez, possui cerca de 11,3 km de profundidade. Caso o Monte Everest fosse colocado no fundo desse abismo, denominado de Fossa das Marianas, ainda faltariam mais de dois quilômetros até a superfície.

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Profundidade da Challenger Deep, ponto mais fundo da Fossa das Marianas, em comparação com o Monte Everest – Retirado do site Venngage

Lagos oceânicos

Embora pareçam coisa de ficção científica, enormes lagos se escondem nos oceanos, a milhares de metros de profundidade. As chamadas “brine pools” são regiões de água extremamente densa, com salinidade de três a oito vezes maior do que o entorno, que não se misturam e possuem uma turbidez elevada. Possuem uma biodiversidade única, com características que possibilitam que esses animais sobrevivam a condições extremas (devido à ausência de luz nas profundidades em que esses lagos ocorrem, não existem plantas no local).

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Três lagos oceânicos, de aparência extremamente turva – Fonte: Lophelia II 2010 Expedition, NOAA-OER/BOEMRE National Oceanic and Atmospheric Administration

Por serem extremamente salgados, esses lagos são tóxicos para a maioria dos organismos. Milhares de animais entram anualmente nessas lagoas, sobretudo em busca de alimento, e nunca mais conseguem sair. Assista a seguir um trecho de um episódio da série Blue Planet, da BBC, que mostra os perigos desses ambientes para a vida local (imagens fortes). Felizmente, o animal em questão conseguiu escapar, mas nem todos têm a mesma sorte.

 

Animais gigantes

Devido ao grande espaço, à redução do peso na água e à enorme disponibilidade alimentar, os maiores animais do planeta se encontram na água. O maior e mais famoso desses é, sem dúvida, a baleia-azul (Balaenoptera musculus). Com até 33 metros de comprimento e pesando até 190 toneladas, essas criaturas produzem sons que podem ser ouvidos a mais de 800 quilômetros de distância! Seus pulmões suportam até 5.000 litros de ar, sua língua é tão pesada quanto um elefante adulto e sua boca é capaz de reter 90 toneladas de alimento por vez. Sua aorta possui de 23 a 38 cm de diâmetro, grande o bastante para passar um ser humano adulto.

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Uma baleia azul -jovem . Fotógrafo desconhecido
Tamanho de uma baleia-azul em comparação com um elefante-africano e com um ser humano – Fonte: Enciclopédia Britanica
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Modelo de um coração de uma baleia-azul no Museu de Ontário, no Canadá

Um evento evolucionário frequentemente estudado pelos biólogos marinhos é o chamado “deep-sea gigantism”, ou “gigantismo abissal”, em português. Por razões ainda desconhecidas, os invertebrados que vivem em regiões fundas dos mares tendem a crescer até tamanhos descomunais. Lulas-gigantes de até 18 metros (que inspiraram lendas como a do Kraken), caranguejos maiores que os seres humanos e águas-vivas com dezenas de metros de comprimento povoam as regiões mais inóspitas de nossos oceanos, causando medo e admiração em quem os encontra.

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Lula-gigante (Architeuthis sp.)  encontrada na costa da Nova Zelândia em Agosto de 2018 – Foto por Daniel Aplin
Japanese spider crab is listed (or ranked) 1 on the list Horrifying Examples Of Abyssal Gigantism
Caranguejo-aranha-japones (Macrocheira kaempferi) encontrado em 1920 – Foto:   Popular Science Magazine, jun. 1920
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Isópodes marinhos gigantes podem ser encontrados em mares de todo o mundo
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Menos comumente, o gigantismo também ocorre em peixes, como nesse Regalecus glesne, animal que inspirou as lendas de serpentes marinhas gigantes.

Aliens submarinos

Devido a adaptações para suportar a imensa pressão nas regiões abissais e a características que possibilitam que esses organismos vivam em um local com completa ausência de luz solar, os animais das regiões abissais são, sem dúvidas, aliens aos nossos olhos. A bioluminescência (produção de luz por seres vivos) é a forma de comunicação mais comum da natureza e, mesmo assim, ainda nos surpreende até hoje. (Por serem pouco conhecidos, a maioria dos animais a seguir não possui nomes em português).

Camarão abissal translúcido – Espécie desconhecida
Barreleye, peixe abissal argentino com cabeça transparente. Note o cérebro (amarronzado) e os seus olhos verdes voltados para cima
Colourful sea creatures on black background
Diversidade abissal (Spiny King Crab, Facless Cusk, Monkey Brittle Star. Em baixo: Smooth-head Blobfish, Flesh-eating amphipod e Threadfin Dragonfish) fotografada por Robert Zugaro
Lizardfish (Peixe-lagarto em tradução literal) por Robert Zugaro
Tomopteris, um anelídeo abissal
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Lophiiformes, também conhecidos como tamboril, são peixes abissais com uma isca bioluminescente para atrair suas presas. São famosos por terem aparecido no filme Procurando Nemo, da Pixar
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Salpas, tunicados coloniais bioluminescentes, fotografadas por Tyler Pockran
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O tubarão-charuto (Isistius brasiliensis) é uma espécie de tubarão bioluminescente do Brasil que possui um

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“The Bloop”

The bloop é o nome dado a um som misterioso registrado por oceanógrafos de vários países desde 1997, que provém de uma mesma fonte, em algum ponto do Oceano Pacífico. Esse barulho, que inicialmente se acreditava ser de origem biológica e que viaja por mais de 5.000 quilômetros, ainda não foi desvendado, mas atualmente acredita-se que tenha origem geológica ou que seja gerado por rachaduras em geleiras. Entretanto, essas teorias ainda não foram confirmadas, e o mistério continua.

 

Embora muito estudados, os oceanos ainda continuam extremamente misteriosos. A destruição e a poluição humana podem acabar com milhares de espécies nos próximos anos, antes mesmo que sejam descobertas. As nossas ações dos próximos anos podem determinar a proteção ou a ruína dos maiores e mais antigos ecossistemas do planeta.

Referências

Site https://www.marineinsight.com/environment/top-10-amazing-ocean-mysteries-and-phenomena/

Site https://listverse.com/2016/06/20/10-intriguing-mysteries-lurking-deep-under-the-ocean/

Vídeo do canal Sci Show

Texto https://www.livescience.com/14493-ocean-exploration-deep-sea-diving.html

Sobre o tamanho dos oceanos: https://www.megacurioso.com.br/numeros-malucos/37077-voce-tem-ideia-de-qual-e-o-tamanho-do-oceano-.htm

Artigo: Microbial Diversity of the Brine-Seawater Interface of the Kebrit Deep, Red Sea, Studied via 16S rRNA Gene Sequences and Cultivation Methods, de Eder et. al.

Texto https://www.wired.co.uk/article/bloop-mystery-not-solved-sort-of

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