A poluição pode acabar com nossa Internet nos próximos dez anos – e não há nada que você possa fazer para impedir!

A internet é uma das maiores invenções dos últimos tempos, mas ela corre sérios riscos, devido à poluição antropológica. Mas essa é a menor de nossas preocupações. Podemos estar criando uma armadilha para nós mesmos e ser aprisionados em nossa própria ignorância.

Colocar algo no espaço é incrivelmente difícil. Para isso, é preciso se locomover muito, muito rápido, primeiramente na vertical, para deixar a atmosfera, e depois de lado, para começar uma espécie de círculo ao redor da Terra, vertiginosamente. Se isso for feito com sucesso, o objeto entrará em uma baixa órbita terrestre e, a menos que consiga exercer alguma força, nunca sairá dela.

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Grande parte da infraestrutura espacial está orbitando em volta da Terra, a algumas centenas de quilômetros sobre a superfície, antes que a resistência do ar possa diminuir sua velocidade a ponto de trazê-la de volta à Terra. 

Essa é a fonte de nossa maior armadilha: resíduos espaciais. Para entendermos o funcionamento dessa poluição espacial, temos que entender o funcionamento de foguetes. Os foguetes são cilindros de metal que armazenam grande quantidade de combustível no seu interior. Sempre que uma quantidade de combustível acaba, os tanques vazios são descartados para deixar o foguete mais leve. Algumas partes caem na Terra e outras queimam na atmosfera, mas a maior parte das peças se mantém orbitando na Terra. Após décadas de viagens espaciais, a baixa órbita terrestre tornou-se um ferro-velho de foguetes auxiliares que foram descartados, de milhões de estilhaços de explosões, além de satélites quebrados. 

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Atualmente, sabe-se que existem na órbita terrestre 2.600 satélites extintos, 10.000 objetos maiores que um monitor, 20.000 tão grandes quanto uma maçã, 500.000 do tamanho de uma bola de gude e pelo menos 100.000 objetos tão pequenos que não podem ser rastreados. Esses detritos estão se movendo a uma velocidade de até 30.000 km/hora, circulando a terra várias vezes por dia. Portanto, toda vez que colocamos no espaço um satélite ou um foguete, estamos lançando uma infraestrutura bilionária direto em uma zona de perigo. 

Hoje, a rede de satélites exerce funções essenciais no mundo moderno: comunicação global (Internet), GPS e navegação, dados meteorológicos, observação de asteróides, dentre outros. Se apenas um entulho espacial do tamanho de uma mísera bala atingisse um dos nossos 1.100 satélites em funcionamento, ele seria destruído instantaneamente. É dessa maneira que 3 ou 4 satélites são destruídos todos os anos. 

Como a quantidade de satélites e de lixo espacial tendem a crescer dez vezes na próxima década, estamos alcançando um ponto de inflexão. Dessa forma, um simples colapso entre duas partículas poderia gerar uma reação em cadeia, que transformaria satélites em funcionamento em mais lixo, gerando uma nuvem de mais estilhaços orbitando pela Terra. Esses detritos iriam colidir com mais e mais partículas, gerando um lento e destrutivo efeito dominó. Com mais e mais satélites sendo destruídos, o dano cresceria exponencialmente. 

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O pior cenário imaginável é simplesmente aterrorizante, já que, com o tempo, seria criado ao redor da Terra um campo de detritos, possivelmente, muito perigoso de atravessar. Os planos de criação de uma base lunar e de colônias em Marte poderia sofrer grandes atrasados por causa disso. E o pior. A perda de nossa infraestrutura espacial nos levaria tecnologicamente de volta à década de 70, ou seja, nada de Internet, GPS, etc. 

Entretanto, ainda não é necessário se desesperar, pois temos soluções para virar esse jogo. Enquanto a  indústria espacial vem estudando maneiras de diminuir seus resíduos, há muitas pessoas pensando em como remover detritos espaciais sem gerar mais lixo durante o processo. Algumas das soluções principais seriam a utilização de captura e retorno de lixo espacial, o emprego de força magnética por meio de imãs gigantes e, até mesmo, o uso de lasers. 

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Qualquer que seja a tecnologia escolhida para remover o lixo espacial, os responsáveis terráqueos precisam agir rápido, antes que 100 milhões de partículas se tornem 1 trilhão e a armadilha esteja pronta. Se nada for feito, nossa aventura no espaço pode acabar antes mesmo de começar. 

Referências 

NASA – Orbital debris : https://www.orbitaldebris.jsc.nasa.gov
NASA – Missions : https://www.nasa.gov/mission_pages/station/news/orbital_debris.html
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