O Desafio de Ser Sustentável

Com a evolução da humanidade e o crescimento populacional, estamos reduzindo problemas de miséria enquanto a natureza entra em colapso. Até onde a natureza pode ir e qual é ponto de equilíbrio para tudo isso?


A mente humana quer se preocupar. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, afinal, se um lobo está perseguindo você, se preocupar com isso pode salvar sua vida. Embora a maioria de nós não precise perder muito sono com lobos nos dias de hoje, a vida moderna apresenta muitas outras razões para preocupação: terrorismo, mudança climática, ascensão da inteligência artificial, invasões à nossa privacidade, e, até mesmo, o aparente declínio da internacionalização.

O ponto é que a competição de hoje entre as nações “na verdade representa um surpreendente acordo global”. E esse acordo global torna mais fácil a cooperação, bem como a competição. Nossa cooperação global pode ter dado alguns passos atrás nos últimos dois anos, mas antes disso demos alguns passos adiante.

Então, por que temos a impressão de que o mundo está em declínio? Por quê a sensação estranha de que estamos rolando ladeira abaixo?  Em grande parte, porque estamos muito menos dispostos a tolerar o infortúnio e a miséria. Mesmo que a quantidade de violência no mundo tenha diminuído bastante, nós nos concentramos no número de pessoas que morrem a cada ano em guerras porque nossa indignação com a injustiça cresceu.

Apesar dos riscos significativos para a vida humana e não humana, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) ainda estão aumentando. Algo tem que mudar e esse algo é mais significativo do que aqueles com o poder de estimular a mudança estão dispostos a admitir. A Calculadora Global do governo do Reino Unido é um bom exemplo. Esta ferramenta, recentemente lançada, nos permite modelar a compatibilidade de nossos alimentos, viagens, moradia e ambiente de trabalho com metas nacionais para limitar as mudanças climáticas. O secretário do clima, Ed Davey, afirma que a calculadora mostra que “todos no mundo podem prosperar enquanto limitam a elevação da temperatura global a dois graus, evitando os impactos mais sérios da mudança climática”. No entanto, mesmo as mudanças mais ambiciosas que a ferramenta preconiza desviam um pouco de nossos atuais padrões “normais” de comportamento Resta saber qual  seria o governo  que adotaria as mudanças “extremamente ambiciosas”. Portanto, se já se sabe qual será nosso futuro, porque tantos postergam para modificá-lo? Pelo simples motivo de que muitos de nós não estarão mais aqui quando as consequências de uma irresponsabilidade generalizada chegar a acontecer, ou seja, o típico egoísmo coletivo. 

A crise ambiental é realmente uma crise de consciência. A maioria das pessoas sabe que o mundo natural está enfrentando grandes desafios e muita degradação, mas poucos sabem a verdadeira extensão das mudanças e privações que o meio ambiente enfrenta, além dos seus efeitos estendidos sobre o bem-estar humano e todas as outras formas de vida na Terra. Há uma grande lacuna entre a multiplicidade de problemas que o ambiente enfrenta em todas as frentes e o nível de conscientização que a maioria das pessoas tem sobre esses problemas. Durante este período crítico da história humana, nossa geração recebeu a tarefa urgente de reverter os danos da civilização industrial e superar talvez o maior desafio que a humanidade já enfrentou. A ideia seria haver uma união como uma força consciente e sustentável para assegurar a estabilidade de nosso futuro ambientalmente, economicamente e socialmente. Não podemos destruir o planeta, devastar a sua biodiversidade, alterar o clima e continuar a viver da riqueza das gerações futuras sem nos condenarmos e às custas da nossa civilização no processo.

O movimento ambientalista, com mais de um milhão de organizações ambientais, de justiça social e indígenas presentes, é o movimento que mais cresce na Terra. O ambientalismo se tornou uma questão humana mais ampla e unificadora, na qual todos os sistemas vivos da biosfera estão em constante e acelerado declínio. O aquecimento global, por exemplo, é real, destrutivo e seus impactos futuros desafiam a imaginação, mas nossa vontade coletiva de fazer a diferença é tão real e igualmente desafiadora diante de grandes desafios. Tudo começa com a superação da ideia de que você é pequeno demais para fazer a diferença. Além desse obstáculo, as possibilidades são infinitas e o céu é só o limite.

Os impactos da mudança climática e do dano ambiental são frequentemente observados de uma forma direta, em que o nível do mar é medido e as temperaturas são monitoradas. O aquecimento global já teve efeitos observáveis no meio ambiente, como o derretimento de geleiras, a quebra prematura de gelo em rios e lagos, o aumento das secas, a intensificação do clima extremo e a mudança de plantas e de animais. Sem uma ação efetiva para deter a queima de combustíveis fósseis e reduzir os níveis de gases de efeito estufa liberados pela atividade humana, os seres humanos e a vida selvagem no mundo enfrentarão um futuro inóspito. Haverá um aumento das perturbações para a sociedade devido às condições meteorológicas extremas, com inundações e tempestades mais frequentes, secas mais severas e ondas de calor, elevação do nível do mar e aquecimento do permafrost (tipo de solo existente na região do Ártico). Em muitas regiões, os efeitos da escassez de água e do calor extremo afetarão negativamente a agricultura. Os efeitos no mundo natural serão severos, com uma grande perda de recifes de corais gerada pelo aquecimento dos oceanos e o sumiço de florestas tropicais à medida que os incêndios se tornarem mais frequentes. Esses impactos também serão sentidos enormemente em termos econômicos.

 Yuval Harari

Em um mundo cada vez mais complexo, como qualquer um de nós pode ter informações suficientes para tomar decisões fundamentadas? É tentador recorrer a especialistas, mas como você sabe que eles não estão apenas seguindo o rebanho? O problema do pensamento grupal e da ignorância individual afeta a todos

É fundamental que cada ser vivo pensante consiga tomar consciência, praticando a atenção plena sobre o que ocorre para além de nossa pequenez. Após a tomada de consciência e a empatia com as gerações futuras é natural que, automaticamente, atitudes mais sustentáveis, minimalistas e conscientes tomem conta das nossas decisões. Mesmo que, em algum momento, essas atitudes não sejam sempre perfeitas, o sentimento de culpa dará uma nova cara às próximas ações. 

Mudanças no nosso conforto serão necessárias em prol de um bem maior, para além de algumas gerações passadas e presentes. Nosso compromisso deve ser firmado para que nosso legado não seja em vão. 

Referências 


21 Lições Para o Século 21 
The Global Calculator 

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