Enchentes são nossa culpa?!

Dentre os maiores desastres ocorridos nos últimos tempos encontram-se as inundações ocorridas no Paquistão, China, Brasil, Uganda e Haiti. Para entendermos como isso funciona e qual o mecanismo de uma enchente temos que entender e levar em consideração a bacia hidrográfica da região em que ela ocorre. Bacias hidrográficas são áreas ou regiões de drenagem de um rio principal e seus afluentes. Toda água da chuva que cai em uma determinada bacia, se não for infiltrada, vai, em algum momento, escoar até o rio principal.

Há vários tipos de bacias, entre elas as que possuem mais vegetação com maior permeabilidade e aquelas localizadas em áreas urbanizadas, com presença de construções e edificações, aumentando a impermeabilização da superfície e reduzindo sua capacidade natural de absorver as águas das chuvas. Essas áreas mais populosas geram alterações no ciclo hidrológico na região, diminuindo a infiltração de água no solo e também a recarga do lençol freático. As alterações na cobertura do solo provocadas pela urbanização tendem a deixá-lo exposto à ação das enxurradas, produzindo erosão superficial e, consequentemente, o aumento do transporte de sólidos na bacia, bem como a sedimentação nos drenos principais de menor declividade.

Belo Horizonte
Cidade de Belo Horizonte debaixo d’água.

Dessa forma, reduzindo-se a infiltração no solo, uma determinada bacia hidrográfica passa a ter um aumento expressivo do escoamento superficial das águas pluviais (advindas da precipitação), que se dá através de sarjetas das ruas, bocas de lobo, canalizações e galerias, até chegarem ao corpo hídrico. Se os canais por onde passam a água estiverem obstruídos, a situação piora.

O ciclo hidrológico sofre fortes alterações nas áreas urbanas, devido, principalmente, à alteração da superfície, canalização do escoamento, aumento da poluição, entre outros.

Em países em desenvolvimento, as obras de drenagem urbana são realizadas de forma insustentável. O desenvolvimento urbano ocorre de forma desenfreada, porém as projeções populacionais feitas nessas obras não são eficientes, fazendo com que problemas técnicos de engenharia ocorram ao longo dos anos. O gerenciamento de recursos hídricos contempla, fundamentalmente, dois tipos de controle quantitativo das águas: o primeiro e mais tradicional, comumente adotado nesses países subdesenvolvidos, consiste em sistemas projetados com enfoque em coleta e escoamento rápido de água até o ponto de despejo, a fim de minimizar os danos e as atividades dentro da área de coleta. Para que esse sistema funcione de forma eficiente é necessário o monitoramento e limpeza constantes, além de obras de desassoreamento.

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Esse princípio foi abandonado nos países desenvolvidos no início da década de 1970. A consequência imediata dos projetos baseados nesse conceito é o aumento das inundações à jusante (áreas de menor altitude na bacia) devido à canalização. À medida que a precipitação ocorre e a água não é infiltrada, esse aumento de volume, da ordem de seis vezes, escoa pelos condutos.

O segundo enfoque, mais natural e moderno, diz respeito ao armazenamento temporário das águas de escoamento superficial direto no ponto de origem, ou próximo à ele. A ideia principal é liberar a água de forma mais lenta após o pico de vazão já ter passado. Muitas vezes o governo opta por utilizar bacias de detenção, que são áreas de vale construídas e projetadas para receber o volume extra de água da chuva que cai na bacia hidrográfica. Quando o volume escoado ultrapassa àquele suportado pela tubulação, a água se acumula na bacia de detenção evitando enchentes em outros locais.

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Bacia de detenção

As soluções possíveis para tal problema são a atuação e fiscalização de órgãos responsáveis, tanto estaduais como municipais; maior gestão de recursos hídricos com ênfase na particularidade de cada bacia na qual as áreas podem ser ocupadas, de forma planejada e compatível com cada local; conscientização da população de que enchentes são um processo natural do regime hidrológico do rio. Hoje as cidades já possuem o chamado Plano Diretor de Drenagem Urbana para implementar medidas sustentáveis na cidade. Devemos, portanto, entender a causa do problema para, então sim, cobrarmos soluções.

Artigos “A drenagem Urbana de águas pluviais e seus impactos. Cenário atual do Córrego da Vaca ” de Rafael Montes, ” As causas e as formas de prevenção sustentáveis das enchentes urbanas” de Cláudia Poli, “Drenagem Urbana” de Carlos Tucci.

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